Meus jogos favoritos de 2021 — Farley Santos

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.


O ano de 2021 pareceu uma continuação de 2020 e, para mim, passou voando, pois muita coisa aconteceu. No mundo dos games, continuei buscando experimentar alguns títulos não muito usuais e poucos conhecidos, em especial produções indies. Agora, em retrospecto, eu percebo que começo a cair em alguns padrões (como roguelikes), mas, mesmo assim, tive a oportunidade de testar muitos jogos criativos.
 

Aproveitei um pouco a calmaria proporcionada pelos vários adiamentos para avançar um pouco no meu backlog. Com isso, completei Final Fantasy VII Remake (foram mais de 50 horas muito bem gastas, recomendo demais, já espero ansiosamente a próxima parte), experimentei Monster Train (um roguelike deckbuilder excelente) e também voltei em Control para terminar as suas expansões.

No mais, os meus favoritos foram aqueles que me prenderam mais ou me surpreenderam de alguma forma, mesmo com seus problemas. Confira:

The Solitaire Conspiracy

O tradicional Paciência se transforma em um interessante título de cartas em The Solitaire Conspiracy. As partidas são bem ágeis e as habilidades especiais de cada naipe trazem dinamismo ao clássico jogo de baralho. Particularmente, gostei demais das mecânicas criativas e da atmosfera estilosa que usa espionagem como tema. Até hoje o título recebe novidades via atualizações gratuitas e continuo jogando algumas partidas de tempos em tempos mesmo já tendo completado todo o seu conteúdo.




Tetris Effect: Connected

Sempre gostei de puzzles, em especial o clássico título de empilhar peças. Tetris Effect: Connected, a mais recente interpretação estilosa do jogo russo, me conquistou com sua atmosfera estonteante e jogabilidade precisa. Além de belo, Tetris Effect tem inúmeros modos com ótimas variações das mecânicas, além de incentivos para continuar jogando (como eventos semanais). O jogo chegou este ano ao Switch e a portabilidade se mostrou muito prática para mim: sempre que tenho algum tempo livre, pego o console e exploro alguma das modalidades.




Roguebook

Construtores de baralho com elementos de roguelike aparecem aos montes com frequência, mas, a meu ver, poucos conseguem se destacar como Slay the Spire e Monster Train. Roguebook é mais um representante desse subgênero que tem várias ideias interessantes, como uma dupla de heróis, exploração de mapas mais elaborada e aspectos audiovisuais construídos com cuidado.

Na essência, Roguebook é bem tradicional para quem já jogou algo do estilo. Mesmo assim, gostei bastante das muitas possibilidades estratégicas na hora de montar os baralhos, das sinergias entre os heróis, do desbravamento do mapa e das opções de customização. Ainda tenho muito o que explorar no seu mundo e atualizações constantes me fazem voltar com frequência.




Dreamscaper

Dreamscaper transforma sonhos e traumas psicológicos em uma aventura de exploração de calabouços roguelike. Apreciei a grande variedade de itens e poderes, o que traz diversidade entre as tentativas. Além disso, a temática de transtornos mentais é interessante e a atmosfera onírica é bem charmosa. Pode não ter a mesma fluidez de jogos semelhantes e o conteúdo só fica mais diverso depois de algumas partidas, mas não deixa de ser ótimo.




Astalon: Tears of Earth

Outro gênero que gosto bastante e que está em voga é o metroidvania, que recebe uma grande quantidade de jogos com frequência. Em um mar de coisas parecidas, Astalon: Tears of Earth consegue se destacar. Ao contrário de outros pseudo-metroidvanias, este título indie me conquistou com seu mundo expansivo e progressão mais aberta que nos convida a explorar todos os cantos.

Astalon conta com várias características singulares, como heróis com habilidades distintas, desafio bem ajustado e presença de inúmeras rotas e atalhos (algo necessário, pois recomeçamos no início do mapa após morrer). Isso, somado a uma carismática atmosfera retrô e vasta quantidade de conteúdo, resulta em um metroidvania excepcional.




Curse of the Dead Gods

Templos infestados de armadilhas e criaturas ferozes esperam um aventureiro em Curse of the Dead Gods. Este dungeon crawler roguelike tem conceito principal bem familiar, mas suas várias particularidades me conquistaram. Para começar, a iluminação é extremamente importante: os perigos ficam completamente ocultos nas sombras. Sendo assim, para avançar com segurança, precisamos usar tochas e outras fontes de luz.

Já o combate é brutal e focado em precisão, bastando alguns poucos erros para ser destruído pelos monstros. Para piorar, o herói recebe maldições no decorrer das partidas, o que deixa tudo ainda mais complicado — contornar essas adversidades faz parte da diversão do jogo. Um detalhe que gosto muito é a grande diversidade de armas, como facas, pistolas, chicotes e lanças, cada qual com estilos, sinergias e estratégias distintas. Confesso que até hoje não consegui terminar a história por causa da alta dificuldade, mas continuo jogando e melhorando aos poucos.




ENDER LILIES: Quietus of the Knights

Lembro que tinha experimentado ENDER LILIES assim que ele saiu em Acesso Antecipado e tinha achado só OK. Depois, decidi dar uma nova chance quando a versão final foi lançada e achei a experiência ótima. Na pele de uma sacerdotisa indefesa, exploramos um país em ruínas em uma aventura metroidvania tradicional.

O diferencial é o combate: para lutar, a garota invoca guerreiros espectrais com poderes distintos, sendo possível montar diferentes conjuntos de habilidades. A dificuldade é acentuada bem estilo soulslike e penei para derrotar muitos dos chefes — como é de praxe, a sensação de sair vitorioso desses confrontos complicados compensa todo o sofrimento. Além disso, gostei da atmosfera melancólica com visual com poucas cores, música suave e trama trágica.



Loop Hero

Criatividade define Loop Hero, um curioso misto de RPG e idle game criado por um estúdio russo. No jogo, um herói caminha automaticamente por uma estrada cíclica e utilizamos cartas para fazer surgir elementos no mapa. Ou seja, influenciamos indiretamente a jornada e a intenção é fortalecer o guerreiro aos poucos para que ele consiga sobreviver aos perigos crescentes.

O ponto que mais gostei em Loop Hero é a grande interatividade dos elementos: os blocos se transformam de acordo com a organização no mapa. Por exemplo, uma floresta vira um pântano caso um rio seja colocado próximo dela, o que cria inimigos e oportunidades exclusivos. Fora isso, há muito o que ver com diferentes classes de heróis, um acampamento que pode ser expandido com estruturas e vários tipos de cartas. Às vezes, a sua natureza cíclica deixa as coisas meio repetitivas, mas não deixa de ser uma experiência singular. 




Tales of Arise

Como fã da série Tales, eu estava animado para experimentar Tales of Arise, afinal parecia que finalmente a franquia iria evoluir e alcançar novos patamares. No fim das contas, o jogo se revelou mais conservador do que eu esperava, porém apreciei suas várias qualidades e recomendo a experiência.

O ponto mais marcante é o visual, que finalmente foi modernizado e usa um cel shading que lembra uma bela aquarela. O combate também me empolgou com seus sistemas intuitivos, personagens variados, combos impressionantes e finalizadores estilosos. Fora isso, ainda é um Tales padrão, ou seja, um JRPG estilo anime agradável e envolvente.




Cyber Shadow

Cyber Shadow parece ter vindo diretamente do NES com sua ambientação retrô e ação de plataforma inspirada em Ninja Gaiden. Gostei bastante do ritmo acelerado e da grande variedade de situações que exigem domínio preciso dos movimentos do herói. É também um jogo bem difícil: vários trechos me deram vontade de lançar o controle para bem longe, mas insisti e superei os vários desafios. No fim, Cyber Shadow sabe muito bem como modernizar elementos clássicos e já é um dos meus favoritos de ação e plataforma.




Death’s Door

Death’s Door refina o que tem de melhor em diferentes gêneros para criar uma aventura cativante. Na pele de um corvo ceifador de almas, exploramos um mundo soturno repleto de enigmas e perigos. As batalhas, em especial, me conquistaram com seu foco em precisão e dificuldade acentuada — é mais um daqueles jogos em que precisamos pensar com cuidado cada ação para sair vitorioso.

Já o mapa me instigou a explorar todos os cantos com inúmeros segredos e rotas alternativas. Por fim, apreciei também a ambientação de fantasia sombria repleta de belas localidades e personagens carismáticos. No mais, Death’s Door me envolveu até o fim com sua aventura construída com esmero.




Disco Elysium - The Final Cut

Fazia muito tempo que eu queria conferir Disco Elysium por causa dos inúmeros elogios. Finalmente pude jogá-lo com o lançamento da versão The Final Cut e fiquei impressionado. Neste indie fortemente inspirado nos RPGs de mesa, acompanhamos um policial desmemoriado que precisa resolver um crime ao mesmo tempo em que tenta entender quem é de fato. O ritmo é mais lento e envolve muita leitura, porém o ótimo texto torna a experiência bem imersiva.

A liberdade é meu aspecto favorito em Disco Elysium. As inúmeras situações que aparecem pelo caminho podem ser resolvidas de maneiras distintas e há muitas histórias opcionais para descobrir. Além disso, é possível montar diferentes arquétipos para o protagonista, o que resulta em inúmeras abordagens. Por fim, me envolvi completamente com a ambientação intrincada, com os personagens complexos e com os vários temas abordados. No fim, achei Disco Elysium - The Final Cut simplesmente incrível.




Menções honrosas

Ys IX: Monstrum Nox, Minit Fun Racer, Fights in Tight Spaces, Dandy Ace, Narita Boy, Smelter, NieR Replicant ver.1.22474487139…, Ynglet, Griftlands, Legend of Mana, Scarlet Nexus, Streets of Rage 4: O Pesadelo de Mr. X, Mini Motorways, Record of Lodoss War: Deedlit in Wonder Labyrinth, Samurai Gunn 2, Metroid Dread, TOEM, Flynn: Son of Crimson, Steel Assault, UNSIGHTED, Rogue Lords, Darkest Dungeon 2, The Legend of Tianding, Moncage, Shovel Knight Pocket Dungeon
E para vocês, caros leitores? Como foi o ano de 2021? Tiveram a oportunidade de experimentar o que joguei? O que me recomendam?
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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