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Análise: Ynglet (PC) oferece um mergulho por um surreal universo flutuante

Explore um mundo desenhado à mão neste título indie artisticamente belo.


Ynglet se autointitula um jogo de plataforma sem plataformas. Pode parecer estranho, mas é isso mesmo: controlamos uma criatura que, para avançar, salta entre bolhas e outras estruturas gelatinosas. A premissa é explorada em uma aventura criativa e visualmente vibrante capaz de agradar diferentes públicos com sua dificuldade balanceada. No fim, fica um gostinho de “quero mais”, porém isso não muda o fato de que é uma ótima experiência.

Viajando por um mundo flutuante

Ynglet é uma criatura que parece uma água-viva e que mora em uma bolha flutuante com seus amigos. Um dia, enquanto todos assistiam TV tranquilamente, um cometa cai e destrói a casa dos seres pacíficos e os espalha pelo mundo. Diante disso, Ynglet decide desbravar inúmeros locais para encontrar e reunir seus amigos.


A aventura é dividida em estágios em que precisamos encontrar algum dos companheiros de Ynglet. Os percursos consistem principalmente em várias bolhas flutuantes, e para avançar precisamos saltar de uma para outra. Fora o pulo, o protagonista ganha uma habilidade que permite fazer uma investida no ar, que é bem útil para alcançar locais distantes. Além disso, podemos criar checkpoints com facilidade, bastando ficar parado por alguns segundos em uma bolha.

Na maior parte das vezes, o desafio está em dosar corretamente o ângulo e a intensidade dos pulos para não cair nos abismos. Errar saltos é comum, mas ser derrotado não é algo punitivo: Ynglet reaparece automaticamente no último checkpoint praticamente de forma instantânea. O caminho é majoritariamente linear, porém segredos estão escondidos em pontos de difícil acesso. Há também puzzles que nos desafiam a utilizar o movimento de investida para rebater em obstáculos ou atravessar perigos. 
 

Imergindo em um universo inventivo e belo

O que mais me agradou em Ynglet foi a fluidez suave da ação. É relaxante e tranquilo saltar entre diferentes bolhas para avançar, e a progressão é bem balanceada: alguns trechos são tranquilos e focados nas sensações audiovisuais; já outras partes apresentam desafios com puzzles de navegação. O desafio, no geral, é baixo, e há opções para deixar a experiência ainda mais acessível, como diminuir a força da gravidade ou a velocidade da ação.

Os melhores momentos do jogo estão em seções mais complicadas que exigem domínio dos movimentos da criatura. Em uma parte, por exemplo, precisamos usar o movimento de investida para rebater em paredes e evitar um trem que nos leva para o início do percurso. Certas bolhas desaparecem quando usamos uma investida, logo precisamos calcular o uso dessa habilidade. Em outro trecho, a dificuldade é saltar no ângulo certo para usar elementos do cenário como impulso para alcançar um local alto. Já em uma fase avançada, é necessário usar a investida na hora certa para atravessar um obstáculo que repele o personagem.


Sem dúvidas, o aspecto mais notável de Ynglet é a sua atmosfera. O visual conta com elementos que parecem ter sido desenhados com caneta hidrocor, e os cenários são bastante vibrantes e coloridos. A movimentação de Ynglet é graciosa e influencia os estágios: flores brotam de bolhas quando saltamos, peixinhos coloridos nos seguem em uma área aquática, eletricidade explode em faíscas brilhantes durante uma fase que se passa no céu noturno. Já a trilha sonora é montada dinamicamente e reage às nossas ações, o que me fez testar certos movimentos somente para ver a influência no áudio. O resultado é uma experiência visualmente hipnotizante e imersiva.


Suavidade dita o tom de Ynglet, o que é refletido em sua progressão relaxante, fácil e sem violência. Para aqueles que gostam de maiores desafios, há uma série de estágios mais complicados fora da campanha principal — gostei bastante deles, e precisei de muita destreza e criatividade para completá-los. Só é uma pena que a quantidade de conteúdo seja bem reduzida, levando algumas poucas horas para ser completada. Não que isso seja um grande problema, mas fiquei querendo mais no final.
 


Uma jornada surreal

Ynglet encanta com sua aventura focada em sensações. É agradável controlar a simpática criatura por estágios repletos de bolhas flutuantes, em uma progressão tranquila pontuada por alguns trechos mais complicados. O destaque é a atmosfera surreal e colorida com visual que parece ter sido desenhado com canetas hidrocor e com trilha sonora que é montada de acordo com os movimentos do personagem. A aventura não é muito complexa ou longa, porém a duração é correta e compatível com a proposta. No mais, Ynglet é uma experiência breve e imersiva que vale a pena.

Prós

  • Jogabilidade suave focada em saltar entre bolhas;
  • Bom equilíbrio entre momentos tranquilos e complicados, com a presença de opções de acessibilidade;
  • Belíssimo visual estilizado com muita cor e diversidade de elementos;
  • Trilha sonora reativa traz imersão à experiência.

Contras

  • Quantidade reduzida de conteúdo.
Ynglet — PC — Nota: 8.5
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Triple Topping

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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