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Análise: Tetris Effect: Connected (Multi) é uma sinestesia de diversão

Desperte seus sentidos na melhor experiência de Tetris de todos os tempos.


O que falar de Tetris em 2021? O mais notório dos quebra-cabeças já ganhou inúmeras interpretações e apresentações desde sua criação em 1984 pelo russo Alexey Pajitnov. É bem capaz que você seja alguém que teve sua primeira experiência com o jogo naqueles simplórios e rudimentares minigames de camelô sem nem saber que estava com um pedaço de história nas mãos.



Em uma das mais recentes releituras do jogo, Tetsuya Mizuguchi, criador de Lumines e Rez, apresenta Tetris Effect: Connected, uma experiência que vai além do desafio de empilhar e montar tetraminós para criar linhas em busca de pontos. Aqui temos algo que vai brincar com seus sentidos e provocar uma imersão inédita até para quem está conhecendo o lendário Tetris pela primeira vez.

Originalmente lançado para PlayStation 4 em 2018, um de seus principais destaques foi a possibilidade de jogar utilizando o PlayStation VR. Connected traz a disponibilidade do game para as demais plataformas, além do serviço Xbox Game Pass, e a adição do multiplayer online com todos os jogadores graças ao cross-play.

Puro em sua essência

Caso você seja novo nesse mundo de “pedrinhas para montar”, Tetris é um jogo de quebra-cabeça baseado na montagem de tetraminós, peças compostas por quatro quadrados dispostos em formas geométricas que precisam ser empilhadas e montadas com o intuito de formar linhas verticais em um campo de jogo chamado de matriz. Tetris é a jogada máxima, quando o jogador consegue matar quatro linhas de uma só vez ao realizar um movimento com a cobiçada peça com o formato da letra ‘I’.


Conforme o placar aumenta e o jogador mata linhas, a velocidade do jogo aumenta, elevando o desafio da montagem até que uma peça toque o topo da matriz e a partida seja encerrada. Com o passar dos anos, Tetris sofreu poucas alterações em suas regras e mecânicas de jogabilidade, visando torná-lo mais ágil e acessível a todas as idades e perfis de jogadores.

A versão moderna de Tetris permite que a peça descendente possa ser manipulada por alguns instantes antes de ser encaixada ao tocar o fundo da matriz, possibilitando que um último ajuste seja feito antes que ela se funda com as demais no campo de jogo. Outras duas mecânicas contemporâneas envolvem a possibilidade de guardar uma peça para ser usada em um momento oportuno e um movimento chamado de hard drop, em que o tetraminó que está caindo possa ser encaixado de forma instantânea no fundo da matriz.

Connected traz uma mecânica nova chamada de Zone. Ao completar linhas, o jogador acumula energia em uma barra e, quando ativado, o Zone faz com que as peças que entram no jogo não caiam, exceto quando o jogador dá o comando. Isso possibilita a montagem de linhas em combos que seriam impossíveis jogando normalmente, e quando o efeito acaba, um grande bônus de pontos é obtido de acordo com o desempenho dentro da Zona.

Aguçando seus sentidos

O chamariz de Tetris Effect: Connected está justamente em sua apresentação. As partidas são realizadas em cenários dinâmicos que brincam com o tato, visão e audição do jogador. As recomendações são de que o game seja jogado com fones de ouvido e a função de vibração do controle ativada para elevar a imersão.


As partidas são realizadas em ambientes que sincronizam os comandos, cenários e sons com a música para deixar seus sentidos em sintonia com o que acontece na tela. Efeitos sonoros tocam enquanto movemos uma peça ao mesmo tempo que novas camadas de música são adicionadas conforme progredimos na partida. As batidas da trilha sonora fazem o controle vibrar no mesmo ritmo, conectando o jogador com a ação na tela.

Em uma espécie de modo campanha chamado de Jornada (Journey), o jogador viaja por uma série de sensações em fases com diferentes temas audiovisuais. O modo é excelente para apresentar a proposta de Tetris Effect: Connected a quem está chegando pela primeira vez nesta viagem de sons e imagens. São belíssimos cenários com diferentes temas, como a natureza, o espaço sideral, o mar, cenários urbanos e muito mais.

Alguns desses cenários geram confusões visuais que podem atrapalhar a jogatina por conta da grande quantidade de efeitos na tela durante o jogo, denunciando que a beleza visual do título tem um pequeno preço a ser pago para enriquecer a experiência. O uso dos analógicos para aproximar ou rotacionar a tela é outro ponto interessante, mas a impossibilidade de ajustar isso com o jogo pausado ou deixar um esquema pré-definido foi algo que me atrapalhou em alguns momentos enquanto eu tentava enquadrar minha matriz em um ângulo agradável para jogar.

Momentos de relaxamento e concentração

Depois de passar por uma série de sensações, você ainda pode experimentar diferentes abordagens do jogo no modo Efeito (Effect) de Tetris Effect: Connected. Aqui é possível jogar Tetris de diversas formas diferentes, dependendo da experiência que você está procurando naquele momento. A Maratona e o desafio de tempo ou pontos estão disponíveis para quem busca algo mais clássico. A seção Relax proporciona partidas mais tranquilas, sem a tensão do Game Over para que você apenas curta seu jogo e relaxe.


Se você está em busca de desafio, os modos das seções Focus e Adventurous podem te deixar entretido por boas horas com desafios de combos, limpeza total da matriz e algumas abordagens mais estratégicas, como a destruição de blocos “infectados” e a adição aleatória de efeitos variados, como a incapacidade de ver as próximas peças ou girá-las para encaixar na matriz, ou a inversão dos controles e até mesmo da tela de jogo.

Passei muitas horas em busca de altas pontuações nesses modos, principalmente na Maratona, onde desativei o limite de linhas e joguei boas e longas partidas enquanto colocava as ideias em ordem. Outra característica que me motivou a jogar foi a obtenção dos avatares e mais músicas conforme atendemos pré-requisitos de desempenho nestes modos, como alcançar determinado rank ou jogar um modo pela primeira vez. E claro, tudo isso curtindo uma trilha sonora excepcional.

Conectando-se para cooperar e competir

Tetris Effect: Connected traz uma nova funcionalidade multiplayer online entre os jogadores de todas as plataformas onde está disponível atualmente, e isso é bom. Durante minhas sessões, não tive muitas dificuldades para encontrar mais pessoas para disputar partidas nos modos cooperativos e competitivos disponíveis.

Cooperativamente, o principal modo é o que nomeia o subtítulo do game: Connected. Aqui três jogadores se juntam em para enfrentar um chefe controlado pelo computador, representando os signos do Zodíaco. Ao ativar a Zona, as matrizes dos três aliados se juntam formando uma gigantesca área de jogo cooperativa em que todos devem revezar a colocação de peças para formar linhas e atacar o chefe.


Aos sábados, um evento lunar com duração de 24 horas proporciona a possibilidade de um quarto jogador se juntar à sessão assumindo o papel do chefe, aumentando o desafio e as recompensas obtidas ao jogar neste modo, na forma de avatares para representar o jogador no multiplayer. Essa é, sem dúvidas, uma das melhores e mais inovadoras experiências já feitas para Tetris que eu tive a oportunidade de experimentar. O que mais me surpreendeu foi a forma orgânica e natural como esse modo funciona, deixando a experiência agradável sem comprometer o desafio.


Já os demais modos trazem foco numa abordagem mais competitiva, com um modo de Zonas para dois jogadores competirem pela maior pontuação, além de categorias mais clássicas, seja com as regras modernas ou com uma fiel representação visual do game quando lançado para NES. Essas opções de jogo fazem uso das regras clássicas, ou seja, sem as mecânicas de guardar peças e do hard drop, além da impossibilidade daquele “ajuste fino” quando a peça chega ao fundo da matriz, já que ela se encaixa instantaneamente no momento que toca o fundo. Trocando por miúdos, é o bom e velho Tetris.


Se sua vibe é jogar com os amigos, basta criar uma sessão e compartilhar o código da sala para vocês se reunirem e realizarem suas partidas em um dos diversos modos disponíveis. Os mesmos também estão disponíveis para jogar em um ambiente multiplayer local.

Já fechando, faço uma das poucas críticas negativas a Tetris Effect, que é a ausência de uma ferramenta social no multiplayer para facilitar o convite ou a visualização de status online de um amigo que também esteja no jogo. Falo isso por experiência com outros títulos que também possuem cross-play, e isso facilita a comunicação com seus contatos em outras plataformas dentro do ambiente, agilizando a interação com eles.

Tetris para sempre

Sendo assim, o que falar sobre Tetris em 2021? Com base no que experimentei em Tetris Effect: Connected, posso dizer que temos aqui uma das mais notáveis apresentações de um jogo clássico que desafia o tempo. É aquela velha brincadeira que ainda cativa, diverte e desafia. Um jogo digno para quem é fã de quebra-cabeças em uma experiência cheia de vigor e tecnicamente perfeita de um eterno clássico.

Prós

  • A jogabilidade tradicional de Tetris se mantém intocada;
  • Apresentação impecável com trilha sonora envolvente e belos visuais;
  • Imersão valorizada pela sincronia de sons e imagens com a vibração do controle;
  • Diversos modos para um ou mais jogadores;
  • Multiplayer online com suporte a cross-play e pouca dificuldade para encontrar partidas;
  • Compatível com o PlayStation VR e Oculus Quest.

Contras

  • O excesso de elementos em alguns cenários causa confusão visual;
  • Sem ajustes do zoom e ângulo da tela com o jogo pausado ou a opção de salvar um ângulo personalizado;
  • O ambiente online carece de ferramentas para gerar mais interação entre os jogadores, como uma lista de amigos ou lobbies.
Tetris Effect: Connected — PC/PS4/XBO/XSX/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Enhance

Tecnólogo em Gestão Ambiental, produtor do BlastCast e sincero até demais. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora jogos que acabam em discórdia e fogo no parquinho. @XelaoHerege


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