Blast Test

Impressões: Fights in Tight Spaces (PC) é uma estilosa mistura de pancadaria, cartas e estratégia

Tente sobreviver a lutas complicadas neste criativo título indie.


Fights in Tight Spaces
combina construção de baralho, posicionamento e movimentos que lembram lutas coreografadas para criar uma experiência envolvente. O jogo utiliza aspectos consagrados de forma interessante em batalhas complexas em espaços apertados, e características de roguelike ajudam a trazer variedade às partidas. O título foi lançado no PC no formato Acesso Antecipado e já tem uma base sólida e divertida, porém muitos dos seus aspectos ainda precisam de ajustes.

Cartas e socos para resolver problemas

A Section Eleven é uma agência de espionagem que é chamada depois que a diplomacia e a inteligência falharam. O motivo disso é que ela prefere resolver os problemas de uma maneira simples, ou seja, quebrando tudo. Em Fights in Tight Spaces, controlamos um de seus agentes, que desmantela organizações perigosas e acaba com criminosos descendo a porrada em todo mundo que aparece pelo caminho.

Como o nome já indica, cada estágio do jogo se passa em um pequeno cenário dividido como um tabuleiro, cujo objetivo principal é derrotar todos os inimigos. O andamento é por turnos e as ações do agente, como se movimentar, atacar ou bloquear, são regidas por cartas, e golpear em sequência aumenta o medidor de combo, que pode ser utilizado para ativar finalizadores poderosos. Em condições normais, podemos utilizar até três cartas por turno, sendo assim temos que avaliar as melhores opções dentre as disponíveis para atacar os oponentes e evitar dano.


Normalmente o protagonista está em desvantagem numérica e os espaços são bem apertados, logo é importante ficar atento ao posicionamento para sobreviver. Chutes, agarrões e empurrões permitem mover os oponentes, e com um pouco de destreza é possível fazer com que os inimigos ataquem uns aos outros. Há também cartas que oferecem movimentos avançados que são boas opções para escapar de situações difíceis, como se esgueirar pelas costas dos oponentes. Como a quantidade de ações disponíveis por turno é reduzida, pensar nas consequências das ações é imprescindível para não ser cercado e derrotado.

Pelo caminho, o agente expande seu arsenal de movimentos com cartas obtidas ao vencer batalhas ou compradas em lojas. Além disso, é possível melhorar o efeito dos cartões, aumentar a vida máxima do personagem e obter habilidades passivas. O jogo conta com características de roguelike: as rotas são geradas proceduralmente a cada tentativa e precisamos recomeçar desde o início após uma derrota. Fora isso, diferentes baralhos iniciais podem ser desbloqueados para partidas futuras.
 


Protagonizando lutas coreografadas estilosas

Em um primeiro momento, Fights in Tight Spaces lembra bastante outros roguelikes com montagem de baralho, como Slay The Spire, afinal ele é focado em batalhas cujos movimentos são regidos por cartas e vamos adicionando novos movimentos conforme avançamos. No entanto, após algumas fases, fica bem claro que o jogo tem méritos próprios.

Fora as cartas, o posicionamento é um ponto central no jogo. Na maior parte do tempo, é bem difícil conseguir derrotar com rapidez tantos inimigos, logo a solução é abusar dos movimentos que alteram a posição dos oponentes, fazendo com que eles se acertem. A interface mostra com clareza o que cada personagem vai fazer, assim como o alcance de seus golpes, permitindo fazer escolhas conscientes. Além disso, precisamos antever as ações para não acabar cercado por inimigos. O resultado são fases que lembram um xadrez miniatura violento.


Apreciei bastante a variedade de opções de movimentos para resolver as inúmeras situações complicadas. Além de socos e bloqueios, o agente é capaz de empurrar oponentes, agarrá-los e colocá-los em outras posições (o que é útil para direcionar seus ataques para outros alvos), rodear inimigos para recuperar energia ou se preparar para contra-atacar. As fases introduzem constantemente novos tipos de oponentes com ataques diferentes, o que me forçou a readaptar minhas estratégias.

Por fim, é difícil não apreciar a atmosfera estilosa do jogo, que é inspirada em filmes de ação com cenas de luta coreografadas. O visual com cenário claro e pessoas representadas por silhuetas é impactante e chamativo, e os vários golpes são bem animados e expressivos. Um recurso legal é o replay, que permite rever as ações da última fase em ângulos de câmera dramáticos, como se fosse de fato um filme. Só achei uma pena que não é possível salvar essas animações; espero que essa opção seja adicionada no futuro.

Pancadaria que se repete

O conceito principal de Fights in Tight Spaces funciona e é bem trabalhado, mas depois de algumas tentativas certas questões começam a ficar aparentes.

A primeira delas é a variedade limitada de movimentos para o personagem. O meu maior problema com o jogo é que a diversidade de cartas acaba muito rápido e logo parece que estamos sempre usando as mesmas estratégias ou golpes. Diferentes baralhos iniciais ajudam a trazer variedade, mas eles não são tão diferentes entre si. Para mim, o ajuste ideal seria diminuir o conjunto inicial de cartas e aumentar as oportunidades de modificação do baralho pelas partidas.


As rotas entre as campanhas também são muito similares, mesmo contando com diferentes eventos e caminhos bifurcados. A variedade de inimigos é notável, principalmente entre os diferentes capítulos temáticos, e objetivos opcionais, como proteger reféns ou coletar itens rapidamente, nos incentivam a agir diferente durante os estágios. Todos esses elementos, porém, cansam logo, pois as lutas são muito semelhantes e os eventos são desinteressantes (além de bastante punitivos). O resultado são tentativas que parecem mais do mesmo.

Claro, isso se justifica pelo fato de o jogo ter acabado de sair no Acesso Antecipado, cuja intenção é colher feedback para melhorar continuamente a experiência. Durante esse período de beta, a desenvolvedora promete incluir ao menos um modo de desafios diários e um novo personagem jogável. Torço para que as suas ideias sejam expandidas e que mais variedade seja adicionada.

Um início promissor

Um bom conceito e uma atmosfera espetacular são os destaques de Fights in Tight Spaces. Lutar contra vários inimigos em pequenos espaços é empolgante, principalmente por causa do foco no uso estratégico de cartas de ação para movimentar oponentes pelo cenário — é ótimo conseguir sair ileso de situações em que estamos encurralados. Além disso, o visual impactante chama a atenção, em especial nos estilosos replays que lembram lutas coreografadas. Há alguns problemas, como variedade limitada de conteúdo, mas isso deve mudar durante o período de Acesso Antecipado. No mais, Fights in Tight Spaces já vale a pena e é recomendado para aqueles que procuram uma experiência de estratégia contida e estilosa.

Revisão: José Carlos Alves
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Mode 7

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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