Em nossa tradicional publicação de fim de ano, reunimos aqueles com pior avaliação por nossa equipe ao longo de 2025. O objetivo é reforçar que nosso trabalho não existe apenas para informar, mas também para ajudar os jogadores a decidir se determinado título realmente vale seu valioso tempo e seu suado dinheiro.
Sendo assim, prepare-se para navegar por águas traiçoeiras da mediocridade, enfrentando marés turbulentas de baixa qualidade, enquanto contamos com a ajuda dos deuses dos videogames para atravessar o tortuoso oceano dos jogos ruins de 2025.
O clube dos cinco (e meio)... de novo
No GameBlast, seguimos um critério de avaliação em que a nota não é apenas um número, mas um indicativo de como analisamos cada jogo. A nota 10 é a máxima e representa uma verdadeira obra-prima, digna de todos os elogios e considerada uma referência para a indústria. Trata-se de um título que demonstra excelência em todos os seus aspectos e pode ser recomendado sem ressalvas para praticamente qualquer pessoa.À medida que as notas diminuem, temos os excelentes (9), muito bons (8), bons (7), que cumprem bem o seu papel, e os razoáveis (6), que entregam o básico esperado. A partir da nota 5, o sinal de alerta se acende, pois é nesse patamar que classificamos os jogos como medíocres: abaixo da média, sem agregar valor ao gênero e incapazes de oferecer uma experiência minimamente envolvente.
Por isso, quando você se deparar com essa nota em nossas análises, pode ter certeza de que há uma possível bomba em mãos. Conforme a pontuação cai, a dimensão do estrago tende a ficar ainda mais clara. Diferentemente do ano passado, em vez de detalhar títulos que ficaram na faixa dos 5 pontos, vamos apenas listá-los, permitindo que você acesse cada análise completa e tire suas próprias conclusões.
Estes são, em ordem de publicação, aqueles que abrem nossos trabalhos fétidos de 2025:
- Little Big Adventure - Twinsen's Quest — Um remake que conseguiu melhorar e piorar algo que era bom – Nota: 5.5
- Dragon Takers é um RPG pouco inspirado e bastante esquecível – Nota: 5.5
- Accolade Sports Collection é uma reunião pequena e pouco atrativa de clássicos esportivos – Nota: 5.5
- Destino Indomable tenta brincar com o formato de telenovela latina, mas sem o mesmo brilho – Nota: 5.0
- ReSetna sobra em audácia ao mesmo tempo que deve em qualidade – Nota: 5.0
- Shadow of the Orient dá um passo maior que a perna e tropeça ao chegar nos consoles – Nota: 5.0
- Captain Blood naufraga como jogo, mas instiga como peça histórica – Nota: 5.5
- Awita: Journey of Hope poderia ser um bom metroidvania, mas fica pela metade do caminho – Nota: 5.5
- Music Drive: Chase the Beat traz ótimas ideias, mas uma execução que precisa evoluir – Nota: 5.5
- Akinakes — um ótimo exemplo do que um jogo de navinha poderia oferecer em alguns minutos – Nota: 5.5
- Hunter x Hunter: Nen x Impact tem potencial, mas carece de carinho e orçamento para tal – Nota: 5.5
- Herdling aposta na atmosfera e nas sensações, mas não passa de uma jornada pouco emotiva – Nota: 5.5
- Baki Hanma: Blood Arena é uma enorme paródia em forma de jogo – Nota: 5.5
- Assassin’s Creed Shadows – Garras de Awaji é um apêndice inchado na forma de DLC – Nota: 5.5
- Análise: AquaPazza: Aquaplus Dream Match retorna numa versão desanimadora para PC – Nota: 5.0
- SONIC WINGS REUNION — deixando a bagagem história de lado para um voo curtinho – Nota: 5.5
- RENNSPORT é um novo competidor que tem que melhorar muito para conseguir competir com os grandes – Nota: 5.0
- A Pizza Delivery — a verdadeira pizza são os amigos que fazemos pelo caminho – Nota: 5.5
Os que 2025 nos trouxe de pior
Feitas as devidas menções aos títulos que, se fossem alunos de um colégio, teriam ficado em recuperação, é hora de apresentar as considerações sobre aqueles que já teriam sido diretamente reprovados e obrigados a repetir o ano de 2025.Em nossos critérios de avaliação, jogos com nota inferior a 5 recebem o adjetivo ruim. Quanto mais próxima de zero a pontuação, maior é a sensação de cilada, o gosto de derrota e a percepção de que algo claramente não está certo. São títulos que conseguiram desagradar nossa equipe de todas as formas.
Seja pela sensação de tempo desperdiçado ao jogar algo tão mal executado, restou-nos apenas a sinceridade com nossos leitores, alertando para que fiquem longe dessas verdadeiras armadilhas digitais. Eis, portanto, os piores jogos do ano do GameBlast:
| Die by Anything — se concentrando para não morrer, por Carlos França Jr. – Nota: 4.5 |
O resultado é um jogo que consegue divertir em alguns momentos, mas que se mostra tecnicamente confuso, irregular e sem personalidade própria.
Die by Anything perde a chance de ser uma visual novel de comédia criativa por causa da falta de capricho em seu aspecto gráfico e sonoro. A ideia de ter uma premissa pirada, que vai do cotidiano normal a um holocausto zumbi, sofre por ter que depender apenas da narrativa e não contar com nenhum apoio estético, o que é algo vital para o gênero.
| Blood Bar Tycoon traz pouca boemia em um simulador anêmico, por João Pedro Boaventura – Nota: 4.5 |
Em Blood Bar Tycoon, passa-se mais tempo observando os eventos acontecerem do que interagindo de forma efetiva. Além disso, a construção — que representa uma parte fundamental da experiência — é travada e engessada, tornando-se ainda mais problemática devido a uma interface pouco prática. A baixa variedade de atividades reforça a sensação de que o jogo não estava pronto para sair do caixão de onde veio.
É necessária certa dose de criatividade para fazer com que seu simulador de gerenciamento se destaque na multidão de um gênero tão baleado ao longo dos anos. Blood Bar Tycoon até chega lá nesse aspecto conceitual, mas prova que só uma ideia bacana não basta.
| Scar-Lead Salvation — mais um exemplo de potencial desperdiçado, por Carlos França Jr. – Nota: 4.5 |
Scar-Lead Salvation abusa da boa vontade do gênero roguelike e peca pela repetição excessiva, mesmo sendo esse um traço comum desse tipo de jogo. A sensação é a de estar jogando exatamente a mesma fase diversas vezes, consequência direta da falta de variedade de cenários. Trata-se de um exemplo clássico de uma produção visualmente agradável, porém extremamente ordinária.
Scar-Lead Salvation vacila com algo que poderia ser grandioso e entrega uma experiência bem fraca. Por mais que seja um jogo com controles até bastante competentes, todo o conjunto é comprometido pela falta de criatividade com inimigos, história e fases, que se baseiam em um looping eterno que deixa até a protagonista cansada.
| Análise: The Executive — Movie Industry Tycoon é insosso como uma produção de streaming, por João Pedro Boaventura – Nota: 4.5 |
A jogabilidade oferece pouca variedade e ainda se mostra excessivamente lenta. As decisões têm impacto limitado nos desfechos das situações, e o tema, que deveria ser o principal atrativo da experiência, é pouco explorado. O resultado é um título com uma bilheteria tão baixa quanto a nota que recebeu.
Não adianta você tentar produzir um jogo que explora determinada temática sem, de fato, se esforçar para entender o que a torna tão especial e, por consequência, incutir isso no cerne do seu desenvolvimento. The Executive — Movie Industry Tycoon é um produto que materializa esse problema. Ele não explora a curta (se comparada às outras formas de arte), porém intensa, história do cinema. Pelo contrário, o título se apega a uma lógica estéril de números, algoritmos e volume, tal como uma insossa produção voltada diretamente para o streaming.
| NEEDY STREAMER OVERLOAD: Typing of The Net é praticamente um Duolingo para gírias online, por Juliana Paiva Zapparoli – Nota: 4.0 |
NEEDY STREAMER OVERLOAD: Typing of The Net sofre de uma crise de identidade. O spin-off até tenta capturar a essência do original enquanto introduz novos elementos de jogabilidade, mas falha em equilibrar esses dois aspectos. Como resultado, temos um jogo que não consegue agradar completamente nem a fãs de NEED STREAMER OVERLOAD, nem a entusiastas de typing games.
| Yasha: Legends of the Demon Blade é um roguelite repetitivo até para os padrões do gênero, por João Pedro Boaventura – Nota: 4.0 |
Apesar de Taiwan ter se consolidado como um polo criativo relevante na indústria de jogos da Ásia, Yasha: Legends of the Demon Blade parece não acompanhar essa evolução. Com suas estruturas repetitivas, pouca diversidade de gameplay e carência de dificuldade, o jogo parece um produto que mais corrobora com a visão equivocada que os jogadores mais preconceituosos têm desse mercado do que realmente faz jus ao atual estado de desenvolvimento dele. É uma tentativa superficial de surfar na onda do Hades como se a audiência não tivesse capacidade de discernimento no que diz respeito à qualidade desta derivação em relação à do material que lhe deu origem.
| Never 7 - The End of Infinity traz o melhor pior jogo de Kotaro Uchikoshi ao Ocidente, por Hiero de Lima – Nota: 3.0 |
Never 7 - The End of Infinity é uma leitura complicada e desconfortável que só vale a pena para quem gosta muito de visual novels (ou do trabalho de Kotaro Uchikoshi) e tem interesse na história do gênero: há coisas boas no final da terrivelmente cansativa linha, mas até lá, é necessária uma paciência de Jó. O trabalho malfeito de remasterização e localização da Mages também não faz muitos favores ao material, que já é fraco em vários pontos para começo de conversa. Com certeza não é algo para se jogar sozinho — você vai morrer de tédio.
| Speedway Legends: Overdrive Racing te coloca em uma disputa impossível de alcançar o pódio, por Carlos França Jr. – Nota: 3.0 |
Quase tudo foi reaproveitado: carros que mudam apenas o visual, uma única música de fundo e até mesmo troféus e conquistas que simplesmente não funcionam. Algo claramente deu errado para que nada desse certo aqui.
Speedway Legends: Racing Overdrive se esforçou apenas no básico, que era garantir uma pilotagem ok e visuais com algum polimento, mas falhou completamente em todo o restante possível, não levando em consideração que é importante também se empenhar nos menus, interface, música ambiental e variedade de objetivos. Este jogo é mais um que desperdiça algo que poderia ser ótimo de maneira vexatória.
| FANTASY LIFE i: The Girl Who Steals Time é fofinho por fora e completamente oco por dentro, por Hiero de Lima – Nota: 2.0 |
Apesar da estética charmosa e agradável, aliada a mecânicas eficientes e a uma boa variedade de opções de customização, os principais problemas estão em uma curva de progressão mal ajustada e em um mundo aberto com pouco a oferecer. Mesmo esse conteúdo limitado se mostra repetitivo, somado a uma história bastante clichê e a personagens com pouca personalidade.
FANTASY LIFE i: The Girl Who Steals Time é uma ideia cínica sobre o que faz do cozy game tão popular, tão focado no apelo visual que se esquece de oferecer qualquer coisa que faça valer a pena querer passar tempo com ele, em vez de ir atrás de qualquer um dos diversos títulos que copia porcamente. O velho clichê de “estilo acima de substância” nunca foi tão real: pode até ter uma aparência fofa e um punhado de boas sacadas, mas nada sacia o enorme buraco negro de diversão e propósito no cerne da experiência.
| Emotionless: The Last Ticket é um verdadeiro terror (a nível técnico), por João Pedro Boaventura – Nota: 2.0 |
A otimização é deficiente, o level design é pobre, a história não faz o menor sentido e a atuação de voz é digna de uma dúzia de Framboesas de Ouro. Diante disso, é possível afirmar com tranquilidade que este, sim, é o pior jogo de 2025 do GameBlast.
No fundo, a real questão de EMOTIONLESS: The Last Ticket é que ele é um desses produtos claramente voltados para influenciadores e experimentados em streaming. A maior parte dos lançamentos de horror atuais, principalmente os indies, se sustentam de uma forma desproporcional nesse filão para tentar emplacar. Para isso, eles não oferecem um jogo de verdade, mas uma experiência guiada que exige o mínimo de atenção durante seu progresso, uma vez que ela precisa dar o espaço para o usuário interagir com seus seguidores.Com isso, encerramos mais uma edição dedicada aos piores títulos analisados por nossa redação em 2025. Deixe sua opinião na seção de comentários abaixo e conte o que achou das avaliações dos títulos que consideramos ruins neste ano.
Aliás, nem esse objetivo o Emotionless consegue cumprir, uma vez que existem similares muito melhores no mercado. É uma produção incapaz de ser bem-sucedida em absolutamente tudo o que tenta — e ela tenta bem pouco, ressalta-se. O jogo só não comete mais erros porque nem sequer se esforçou ao ponto de abrir margem para mais. Insosso e tedioso, que só, é uma experiência que, de fato, faz jus ao próprio nome.
Aproveite as festas de fim de ano e prepare-se, pois em 2026 continuaremos trazendo análises para ajudar você a escapar de jogos duvidosos. Feliz Ano Novo e boa jogatina!
Revisão: Thomaz Farias



