Meus jogos favoritos de 2018 — Farley Santos

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.

em 20/12/2018

Meu 2018 foi frenético: conferi mais de 40 títulos nesse último ano. A maioria deles foram jogos indies e conheci muita coisa interessante, como a inusitada aventura minimalista Minit, a mistura de corrida e beat’em up Speed Brawl e a vida dupla de explorador e mercador em Moonlighter. Infelizmente acabei não experimentando jogos grandes que eu tinha interesse, como God of War e Octopath Traveler, no entanto consegui jogar algumas poucas coisas pendentes de 2017, como o excelente NieR:Automata.



Joguei tantos títulos legais que foi bem difícil escolher alguns poucos favoritos. Com muito esforço, escolhi dez jogos que se destacaram e que marcaram o meu ano. Confiram a minha seleção:

Ni no Kuni II: Revenant Kingdom

Ni no Kuni II: Revenant Kingdom é uma sequência que aproveita a ambientação da franquia e traz várias ideias novas. Neste novo RPG, acompanhamos um garoto chamado Evan que trabalha para construir Evermore, um reino em que todos podem viver felizes para sempre. Ao contrário do antecessor, o jogo tem um combate mais focado na ação ao mesmo tempo em que mantém os incríveis visuais em cell shading.


A missão de Evan em Revenant Kingdom me cativou bastante com sua aventura leve, mesmo com seus inúmeros problemas. Gostei bastante da mecânica de construção de reino, que exige explorar o mundo em busca de súditos — praticamente fiquei obcecado em administrar o lugar. O mundo é belo e bem construído, com reinos repletos de personalidade e personagens carismáticos. Em contrapartida, o combate é muito fácil e os personagens não têm desenvolvimento suficiente (algumas atualizações e expansões amenizaram esses problemas).

Yoku's Island Express

Yoku’s Island Express me chamou a atenção com sua premissa inusitada: um metroidvania combinado com pinball. São estilos que parecem não funcionar juntos, porém esse título consegue realizar essa proeza. Na pele de um pequeno inseto carteiro, exploramos uma ilha resolvendo problemas e buscando segredos. O escaravelho não pula, sendo assim precisamos usar bumpers e flippers para lançá-lo pelo ar.


A ideia é bem integrada ao mundo do jogo, com lançadores posicionados em locais estratégicos. A parte de pinball fica mais evidente em trechos que lembram mesas do jogo de lançar bolinhas — elas combinam puzzle e exploração, funcionando como pequenos labirintos. O resultado é um metroidvania bem único e criativo, repleto de partes bem legais. O mundo do jogo é uma ilha tropical com um monte de animais carismáticos que, junto com a trilha sonora inspirada em composições havaianas, cria uma atmosfera relaxante.

DJMAX Respect

DJMAX Respect é o retorno da série de títulos rítmicos DJMAX e é um dos títulos mais completos do estilo que já tive a oportunidade de experimentar. Sua mecânica principal se resume em apertar botões na hora certa com grande foco na precisão, com modos que usam de quatro até oito botões.


A característica mais marcante de DJMAX Respect é sua dificuldade: as músicas apresentam padrões complicados mesmo nos níveis mais baixos. No entanto, a precisão é alta e com o tempo vamos evoluindo — comecei jogando (e sofrendo) só com quatro botões, depois de algumas horas já encarava músicas com seis comandos. Muitos modos de jogo e uma trilha sonora extensa e variada com mais de 120 músicas fazem com que DJMAX Respect seja um título essencial para os fãs do gênero.

TowerFall

Conheço TowerFall desde o lançamento da versão Ascension para PC e sempre foi um jogo que me divertiu bastante nos encontros com meus amigos. No título, arqueiros ágeis se enfrentam em batalhas frenéticas e repletas de situações impossíveis. É muito fácil de entender e tem espaço para várias estratégias avançadas.


Neste ano o título chegou ao Switch com todo o conteúdo lançado anteriormente e uma novidade excelente: multiplayer para até seis jogadores simultâneos. Mais dois arqueiros deixaram as partidas ainda mais malucas, e a praticidade do Switch fez com que ele fosse um dos multiplayers mais jogados nos encontros com meus amigos.

Monster Boy and the Cursed Kingdom

Como fã de metroidvanias, já estava de olho em Monster Boy and the Cursed Kingdom faz tempos. O sucessor espiritual da série Wonder Boy tem um protagonista que usa o poder de se transformar em várias formas baseadas em animais para explorar um imenso mundo interconectado e repleto de segredos. É uma aventura que tem atmosfera clássica e moderna ao mesmo tempo.


O que mais gostei em Monster Boy and the Cursed Kingdom foi seu level design bem pensado: o jogo tem vários puzzles de navegação interessantes que exigem uso criativo das várias transformações do herói. Novas habilidades abrem as opções de exploração, mas também dão espaço para novas situações complicadas — a dificuldade parece aumentar com o progresso. Também fiquei impressionado com o belíssimo visual desenhado à mão e a ótima e variada trilha sonora.

Hades

Hades é o novo jogo da desenvolvedora Supergiant Games, de Bastion e Transistor. Usando mitologia grega como inspiração, o foco é Zagreus, o filho de Hades, que está tentando escapar do lugar. É um título de ação e dungeon crawling com aspectos de roguelike: as salas do Submundo mudam a cada tentativa e a morte é permanente (o que significa recomeçar do início ao morrer). No momento ele está em Acesso Antecipado, mas já está tão polido (e viciante) que resolvi incluí-lo na minha lista.


Gosto muito de roguelikes e Hades me conquistou rapidamente com seu sistema simples de entender, porém difícil de dominar. O combate é ágil, frenético e tem coisas bem legais, como armas de uso distinto e bênçãos de deuses do Olimpo que alteram as habilidades de Zagreus — essas características fazem com que cada partida seja bem distinta. Por fim, o título tem o acabamento impecável característico da produtora, com visual vibrante, personagens interessantes e ótima música. Já estou ansioso para o lançamento da versão final de Hades.

Dandara

Já fazia tempo que eu estava de olho em Dandara, metroidvania produzido pelo estúdio mineiro Long Hat House, e, felizmente, ele superou todas as minhas expectativas. O maior destaque do título é sua mecânica de movimentação: a gravidade do mundo de Sal não tem direção fixa, sendo assim a protagonista Dandara se movimenta saltando pelos cenários.


Pode parecer estranho controlar uma personagem que não anda livremente, porém o conceito é muito bem pensado e os controles são ágeis — rapidamente conseguimos saltar pelo mundo com velocidade. O level design é bem criativo, com várias sessões que exigem domínio dos saltos de Dandara. Além disso, o mundo de Sal apresenta ótima ambientação com locais surreais, trilha sonora marcante e várias referências à cultura brasileira. Gostei tanto que terminei duas vezes, um dos melhores metroidvanias que já experimentei.

Into the Breach

Grandes robôs enfrentando alienígenas insectoides não é um conceito muito original, no entanto Into the Breach consegue transformar esse embate em um incrível jogo de estratégia. O novo título da Subset Games (de FTL: Faster Than Light) usa mecânicas elegantes e fáceis de entender para montar uma experiência sem igual, praticamente um “xadrez kaiju” cujo cada batalha é um puzzle complexo. Viagens no tempo, elementos de roguelike e uma sensação de desolação com um mundo pós apocalíptico em pixel art e uma trilha sonora tensa trazem identidade ao jogo.


Tensão é uma palavra que eu usaria para descrever Into the Breach. No jogo, o objetivo é proteger as cidades de ataques, porém essa é uma tarefa complicada: os aliens atacam em conjunto e são bastante agressivos. O trunfo é que informações importantes, como os alvos dos ataques, estão sempre disponíveis, sendo assim a dificuldade é bolar uma estratégia para evitar danos — seja empurrando os monstros, seja colocando um dos robôs no caminho para impedir ataques. Mesmo com tantas informações, é muito comum cometer erros bobos e acabar fracassando. Porém, sair vitorioso de situações complicadas traz uma forte sensação de triunfo — nesses momentos, me acho o mestre das estratégias, só para depois quebrar a cara em outra batalha difícil.

Celeste

Quando vi Celeste eu pensei que não ia gostar do jogo por parecer difícil e frustrante. E, de fato, o título apresenta essas características, no entanto, para mim, acabou sendo um de seus maiores destaques. Celeste é sobre superação: você vai morrer bastante até conseguir entender como superar os inúmeros desafios da montanha. Conseguir resolver uma sequência complicada de saltos é muito recompensador, a sensação de triunfo supera os inúmeros momentos de frustração.


O mais legal é como Celeste é impecável na maioria de seus aspectos. É notável a variedade de situações presentes nos cenários, que nos forçam a utilizar as poucas habilidades da protagonista Madeline de maneiras distintas — fiquei surpreso com a criatividade constante. O visual e música são charmosos, remetendo ao passado sem deixar de ser moderno. Por fim, há uma mensagem importante em sua história e ambientação, abordando temas complicados de maneira suave e cativante. Celeste já é um dos meus jogos favoritos de todos os tempos.

Super Smash Bros. Ultimate

Super Smash Bros. é uma das minhas séries favoritas da Nintendo, mesmo eu sendo péssimo em jogos competitivos. Super Smash Bros. Ultimate está simplesmente incrível com seus mais de 70 personagens e mais de 100 estágios. Em especial, gostei bastante de alguns dos novos personagens. O meu lutador novato preferido é o Inkling com seus ataques versáteis e roupas estilosas. Também curti a inclusão de Simon e Richter, da série Castlevania, que apresentam movimentos que remetem bastante aos jogos clássicos da série.


Eu pensei que seria um simples port melhorado de Super Smash Bros. for Wii U, no entanto o ritmo de jogo é sensivelmente diferente: as batalhas são um pouco mais ágeis e alguns recursos deixam as coisas dramáticas e visualmente apelativas. Claro, a sensação é de estar jogando mais do mesmo, porém a imensa quantidade de conteúdo e a jogabilidade divertida fazem Smash Ultimate valer a pena. Com certeza é um título que não vai sair do meu Switch.

Menções honrosas

Iconoclasts (Multi), Space Invaders Extreme (PC), Treadnauts (Multi), Minit (Multi), The Swords of Ditto (PC/PS4), Dragon's Crown Pro (PS4), Wizard of Legend (Multi), Battle Chasers: Nightwar (Multi), Moonlighter (Multi), Sushi Striker: The Way of Sushido (Switch/3DS), Dillon's Dead-Heat Breakers (3DS), Ys: Memories of Celceta (PC), Lumines Remastered (Multi), Sonic Mania Plus (Multi), Touhou Luna Nights (PC), Guacamelee! 2 (Multi), Bad North (Multi), The Messenger (Switch/PC), Hyper Light Drifter — Special Edition (Switch), Timespinner (Multi), Speed Brawl (Multi), Mega Man 11 (Multi), Full Metal Furies (Multi), Super Hydorah (Multi), Persona 3: Dancing in Moonlight & Persona 5: Dancing in Starlight (PS4/Vita), GRIS (PC/Switch), Super Mario Party (Switch).

Confira também as listas dos outros redatores do GameBlast:


é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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