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Análise: Speed Brawl (Multi) combina corrida e pancadaria em um jogo frenético

Quebre tudo sem parar um segundo em um título indie que explora de maneiras diferentes conceitos já conhecidos.


Para entreter o povo em uma Londres steampunk em um universo alternativo, os governantes criaram o Speed Brawl, uma competição em que lutadores precisam derrotar oponentes rapidamente em um circuito repleto de perigos. Misturando conceitos de beat’em up e corrida, o título apresenta boas ideias e ação acelerada, resultando em uma experiência ímpar e muito divertida.

Detonando tudo e correndo ao mesmo tempo

Speed Brawl, em sua essência, é um jogo de pancadaria beat’em up com aspectos de corrida. Nos eventos das competições, o objetivo é chegar o mais rápido possível no final de um circuito composto de várias arenas de batalha. Além de diferentes tipos de inimigos, as cada trecho de combate conta também com obstáculos e armadilhas. Sendo assim, a regra é ser ágil e veloz para conseguir boas classificações.

O conceito principal do sistema de luta é simples com a presença de golpes normais, técnicas especiais, esquiva e super ataques. O diferencial de Speed Brawl é o incentivo à velocidade por meio de algumas características únicas. Quanto maior o combo, maior é também o dano infligido nos inimigos. Além disso, a sequência de golpes é mantida enquanto o lutador está em constante movimento. Para ajudar a manter a inércia, há uma investida (dash) que pode ser utilizada em conjunto com elementos do cenário (como paredes e postes) para conseguir impulso extra.


Seis diferentes personagens podem ser utilizados nas competições. A garota de cabelo verde Ebba é ágil e consegue acertar vários inimigos simultaneamente com seus ataques especiais. Já Bia é do tipo peso pesado e tem como especialidade atordoar os inimigos. O galante Karl ataca muito rápido e envenena os inimigos, porém tem baixa força. O robô Autômato tem a maior resistência física do grupo e consegue aumentar a força dos ataques ao carregá-los.

Cada um dos heróis traz uma experiência de jogo bem distinta por causa de seus estilos de luta bem únicos. Um detalhe legal vem do fato de que eles competem em duplas: controlamos ativamente um personagem, sendo possível trocar para o lutador da reserva ou usar um ataque de suporte a qualquer momento. Com isso, é fácil montar duplas com características complementares para enfrentar os desafios. Equipamentos e uma árvore de habilidades permitem customizar levemente os personagens.

Velocidade, variedade e alguns tropeços

O foco em velocidade faz com que Speed Brawl seja uma experiência frenética e eletrizante. É muito divertido correr rapidamente pelos cenários batendo em inimigos e usando paredes como impulso para manter os combos. Além disso, o uso de duplas permite montar diferentes estratégias e traz variedade às partidas. Notei, também, que é preciso ter discernimento para vencer: o objetivo é acabar rapidamente com os inimigos, por isso sempre precisei escolher com cuidado que inimigos enfrentar primeiro e qual era o melhor personagem para a tarefa.

A competição de Speed Brawl se concentra inicialmente nas corridas com combates, no entanto existem outros tipos de eventos. Em um deles o objetivo é utilizar os elementos do cenário como impulso para chegar ao final do circuito no menor tempo possível. Já em outra modalidade temos que bater rapidamente nos inimigos para preencher uma barra. Um terceiro evento apresenta um monstro invencível e somos avaliados de acordo com o tamanho do combo no final de um intervalo de tempo. Algumas fases contam também com chefes e outros inimigos complicados. A variedade de situações é boa e me surpreendi como as idéias básicas são exploradas de outras maneiras no decorrer da jornada. Cada estágio conta com três diferentes classificações com premiações diferentes, o que serve de incentivo para jogar de novo a fim de tentar melhorar o desempenho.

Todo o jogo pode ser aproveitado no multiplayer cooperativo para duas pessoas, tanto no local como no online. Ao ativar essa opção, cada um dos jogadores controla uma dupla diferente, o que facilita bastante nos momentos mais difíceis. Infelizmente é um pouco difícil encontrar partidas públicas online, mas existe a possibilidade de convidar jogadores da lista de amigos.

As mecânicas do jogo são interessantes e divertidas, porém alguns problemas me incomodaram bastante no meu tempo com o jogo. O primeiro deles diz respeito ao combate aéreo: golpes desferidos no ar não têm a mesma precisão daqueles feitos no chão, resultando em situações em que é difícil acertar os inimigos voadores. Para piorar, muitos destes monstros são ágeis e irritantes, o que torna esse tipo de combate bem desagradável.

Existem, também, alguns picos de dificuldade frustrantes. O objetivo geral é sempre ser rápido, porém em algumas fases isso é extremamente complicado por causa da presença de grande quantidade de armadilhas ou de inimigos extremamente ágeis. Fiquei com a sensação de que os controles não são precisos o suficiente quando existem muitos elementos nos cenários. Por sorte, são poucos os estágios com esse problema, mas não deixa de ser bem irritante.


A beleza da Londres alternativa

Além de ser bem divertido de jogar, Speed Brawl também é convidativo em sua ambientação. O visual é todo desenhado à mão, com muitos efeitos visuais e movimentação estilosa — a sensação é de estar jogando um desenho animado. O traço é claro e o uso de cores é bem pensado, o que deixa a ação clara mesmo nos momentos mais caóticos. Um filtro distorce levemente as cores, reforçando a sensação de mundo steampunk.

O universo do jogo é elaborado e muito convidativo. Toda a trama de Speed Brawl se passa em uma Londres alternativa no ano de 1888 em que a humanidade foi completamente alterada após uma guerra com uma raça de alienígenas insectoides chamada Selenitas. Um humano conseguiu controlar as criaturas, resultando em mudanças na revolução industrial do planeta — a mão de obra alien fez com que as pessoas tivessem muito tempo livre. Sendo assim, foi criado o campeonato Speed Brawl para entreter as massas.

Detalhes da história são contados por meio de cenas com belas ilustrações, além de informações que aparecem nas telas de carregamento. Toda mitologia dos personagens e do mundo ficam concentradas em um menu. Por fim, o texto está completamente em português e conta com ótima localização, com direito a piadas e termos da nossa realidade.

Uma competição imperdível

Speed Brawl oferece uma interpretação criativa do gênero beat’em up em conjunto com um universo intricado. A mistura de pancadaria e corrida traz uma experiência rápida e energética, principalmente por causa da presença de mecânicas que incentivam a velocidade — parte da graça é conseguir criar combos longos sem parar de correr. Personagens com estilos distintos, várias modalidades de missões e customização de heróis trazem diversidade ao jogo. Alguns pequenos problemas nas mecânicas resultam em momentos de frustração, por sorte eles são pontuais. A combinação de estilos oferecida por Speed Brawl pode parecer bem estranha, porém o resultado é um jogo único e bem divertido.

Prós

  • Ótima mescla entre beat’em up e corrida, com incentivos para se manter em movimento;
  • Seis personagens com sistema de luta distinto trazem variedade às partidas;
  • Diferentes tipos de eventos que exploram as mecânicas de maneiras criativas;
  • Ambientação elaborada, representada por belíssimo visual com gráficos 2D estilosos;
  • Presença de multiplayer cooperativo local e online.

Contras

  • Combate no ar nem sempre oferece a agilidade necessária;
  • Alguns picos de dificuldade por causa de problemas com as mecânicas.
Speed Brawl — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC
Análise produzida com cópia digital cedida pela Kongregate
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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