Blast Test

Touhou Luna Nights (PC) transforma a série de shoot’em up em metroidvania

Lançado no programa Acesso Antecipado, o jogo apresenta mecânicas diferenciadas e um visual impecável.


Touhou Project é uma franquia de shoot’em ups conhecida pela presença constante de muitos projéteis na tela (o tradicional bullet hell). Além disso, há também uma infinidade de personagens e tramas, o que cativou inúmeros fãs e incentivou a produção de jogos em outros gêneros. Touhou Luna Nights é um desses títulos e explora o universo da série na forma de metroidvania 2D.


O jogo, que está disponível no programa Acesso Antecipado do Steam, já conta com alto grau de polimento e algumas ideias interessantes. Ele está sendo produzido pela desenvolvedora Tem Ladybug, conhecida por títulos 2D para PC como KonoSuba: God's Blessing on this Wonderful World! Revival of Beldia, Pharaoh Rebirth+ e Shin Megami Tensei SYNCHRONICITY PROLOGUE.

Explorando um mundo paralelo

Um tema frequente na franquia Touhou Project é o conflito entre humanos e yokais (criaturas sobrenaturais do folclore japonês), normalmente em algum mundo paralelo. Touhou Luna Nights tem como protagonista Sakuya Izayoi, que é enviada para outra dimensão pela vampira, e também sua mestra, Remilia Scarlet. Lá, Sakuya terá que enfrentar estranhas criaturas enquanto tenta descobrir as intenções de Remilia. A história é independente, logo pode ser aproveitada por qualquer um.

Para acabar com os youkais, Sakuya lança facas rapidamente. Um detalhe importante é que cada ataque consome MP e é impossível lançar mais projéteis sem essa energia. O MP é recuperado lentamente, mas é muito mais efetivo o uso da técnica Graze, vinda direto dos shoot’em ups da franquia. Para ativá-la e recuperar MP, é necessário quase tocar inimigos e projéteis. A protagonista é muito ágil e os controles são bem precisos, o que faz com que a técnica Graze seja fácil de executar.


Como todos os ataques consomem energia, o jogo te força a ser agressivo ao se aproximar de perigos — o resultado são muitas situações de risco e recompensa. Nos momentos normais disponíveis nessa versão é meio difícil ficar completamente sem MP, logo não é necessário utilizar o Graze constantemente. Isso muda no confronto com o chefe: o mestre tem muita vida e logo ficamos sem energia, nos forçando, assim, a utilizar o Graze. Sendo assim, é necessário observar com cuidado os momentos em que podemos nos aproximar com segurança ao mesmo tempo em que atacamos constantemente.

Beleza e manipulação do tempo

Em um primeiro momento, Touhou Luna Nights parece um metroidvania qualquer com seu mapa elaborado e habilidades que dão acesso a novos locais. Como diferencial, o jogo conta com uma mecânica interessante: a protagonista Sakuya consegue manipular o tempo. Além de contar com vantagens em combate (é muito mais fácil fazer o Graze quando os inimigos estão congelados), alterar o andamento do tempo é necessário para resolver puzzles de navegação.

Em uma situação, por exemplo, Sakuya encontra uma porta giratória e só é possível atravessá-la ao tornar a ação lenta na hora certa. A água se torna sólida quando o tempo está completamente parado, o que permite alcançar novos locais — mas cascatas e outras formações aquáticas se tornam obstáculos, sendo necessário alternar a passagem do tempo para avançar. O uso é bem criativo e fico imaginando as várias situações que esse poder pode proporcionar.


Por fim, o jogo utiliza uma estrutura diferenciada de metroidvania. Ao invés de um imenso mapa interconectado, a jornada será dividida em vários estágios, cada qual com grandes áreas a serem exploradas. Além disso, algumas habilidades e itens só estarão presentes em fases futuras, o que incentiva revisitar locais passados — a estrutura é similar a outros jogos, como Pharaoh Rebirth+ e Shantae and the Pirate's Curse. A versão de lançamento do Acesso Antecipado só tem um pequeno trecho da primeira fase, ou seja, praticamente uma demo, mas já é suficiente para sentir a atmosfera geral do jogo.

Um detalhe que chama a atenção em Touhou Luna Nights é o visual em pixel art. Os sprites têm animação fluida e estilosa, e a ação conta com muitas partículas e efeitos visuais. Já os cenários são elaborados e repletos de pequenos detalhes. Particularmente, fiquei impressionado com a movimentação da protagonista Sakuya: suas animações são extremamente detalhadas. O resultado é um mundo muito belo e que passa a sensação de alto grau de polimento.


Um ótimo paliativo

Touhou Luna Nights apresenta identidade única com a presença de boas ideias. O destaque são as mecânicas de Graze (por apresentar risco versus recompensa) e manipulação de tempo, que prometem um andamento acelerado e distinto. Como metroidvania, o jogo explora as características do gênero de forma levemente diferente. O grau de polimento já é alto, porém a versão de Acesso Antecipado é curtíssima, basicamente uma demo — a promessa é lançar a versão final depois de três meses de ajustes. Mesmo assim, Touhou Luna Nights é uma aventura promissora.

Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela PLAYISM
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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