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Análise: Pharaoh Rebirth+ (PC) é uma carismática aventura de plataforma no Egito

Quebre a maldição de um arqueólogo nesse título de plataforma 2D que também tem um pouco de metroidvania.


Em uma primeira olhada, Pharaoh Rebirth+ parece um jogo de SNES por conta de seus gráficos em pixel art e mecânicas de plataforma 2D. E, de fato, o título independente lançado para PC resgata características da era 16-bits, contando também com um pouquinho de metroidvania. O jogo cativa principalmente por meio da interpretação única das localidades do Egito, muito humor e estágios interessantes.

Um arqueólogo duplamente amaldiçoado

Johnatan é um arqueólogo que acaba sendo amaldiçoado por um faraó antigo ao explorar ruínas no Egito. Por conta disso, ele e seu rival, André, têm sete dias para encontrar cálices especiais capazes de quebrar a maldição ou então morrerão. Ah, fato curioso: Johnatan é um coelho, já André é uma tartaruga — ambos se tornaram animais por conta de outra maldição encontrada em alguma aventura anterior. A história é repleta de humor, personagens inusitados e situações malucas.

Pharaoh Rebirth+ é um tradicional jogo de plataforma 2D. No controle de Johnatan, temos que explorar várias localidades do Egito em busca dos artefatos necessários para acabar com o feitiço maligno do faraó. A aventura é dividida em estágios repletos de inimigos, puzzles e momentos de plataforma, com chefes no final das fases.


Algo interessante é que o jogo tem toques de metroidvania: boa parte das áreas do jogo são grandes e labirínticas, com vários locais que só podem ser acessados após se adquirir habilidades específicas. Boa parte dessa exploração é opcional e é perfeitamente possível somente avançar pelos cenários de forma bem linear. Um ponto legal é que existem mais de 60 itens para serem encontrados nas fases, sendo que boa parte deles está muito bem escondida — passei boa parte da aventura revisitando locais em busca desses artefatos. Todos esses objetos fortalecem Johnatan de alguma forma (seja melhorando seus atributos, seja liberando novos movimentos), o que é um ótimo incentivo para revisitar os estágios.

A parte visual e o áudio também são destaques em Pharaoh Rebirth+. Os gráficos utilizam o estilo pixel art com movimentação fluida e cenários repletos de detalhes. Já a trilha sonora tem várias composições animadas e memoráveis, que, felizmente, saem do lugar comum quando o assunto é Egito. Essas características, somadas às mecânicas de jogo, faz com que o título evoque a sensação de uma aventura vinda direto da era 16-bits.


Coelho ágil e versátil

Para enfrentar os perigos do Egito, Johnatan usa suas longas orelhas como armas. Na verdade, todos os movimentos especiais do herói utilizam as orelhas de alguma maneira doida: elas viram um avião de papel para planar pelo ar ou então correntes para se dependurar de ganchos. Há também armas secundárias, como uma metralhadora que lança bolas de tênis, um ídolo que invoca um gato-faraó guerreiro e uma caixa que lança no ar cinzas devastadoras. Gostei da variedade de movimentos de Johnatan — e, claro, da criatividade maluca deles.

Pharaoh Rebirth + não é um jogo incrivelmente difícil no nível normal, porém, a combinação de inimigos e perigos trazem desafio considerável em alguns momentos. Os chefes, como é de costume, são bem agressivos e é necessário entender seus padrões de ataque para sobreviver — esses combates foram meus momentos favoritos no jogo, de longe. Além disso, os mestres da aventura são grandes, detalhados e criativos.


No geral, os comandos são precisos e a dificuldade é balanceada. Entretanto, dois problemas me incomodaram. O primeiro deles é o movimento de esquiva, que é ativado ao apertar ataque e pulo simultaneamente: é fácil ativá-lo por acaso ao tentar pular e logo em seguida atacar, o que pode lançar Johnatan em buracos ou espinhos (tomei muito dano por conta disso). A outra questão tem a ver com momentos de pura tentativa e erro, pois o jogo não mostra suficientemente bem os possíveis perigos dos cenários. Isso é ainda mais forte em um estágio no qual Johnatan dirige um carro e tem que saltar buracos: mesmo com avisos visuais, é muito fácil morrer por não conseguir ver o que vem em seguida.
Pharaoh Rebirth+ foi criado por um único desenvolvedor japonês chamado Kurobon. Fazem mais de 18 anos que ele constrói jogos e muitos de seus títulos ganharam prêmios no Japão. Pharaoh Rebirth foi lançado gratuitamente em território nipônico e esse foi seu primeiro título lançado no Ocidente. O + no nome do jogo indica o conteúdo adicional desta versão: uma nova fase, um modo boss rush, textos em inglês e ajustes gerais.

Egito exótico

Aventuras de plataforma 2D existem aos montes, contudo Pharaoh Rebirth+ tem várias características que o torna único.

São poucos os jogos em que se passam no Egito e imagino que o motivo disso é provavelmente o uso excessivo de pirâmides em outras mídias. Nesse aspecto, Pharaoh Rebirth+ me surpreendeu com a variedade de cenários. Em sua aventura, Johnatan explora ruínas, uma estação de trem, um inusitado hotel em Cairo, uma construção bizarra erguida pelo faraó maligno e outros locais, cada qual com visual bem distinto. Minha fase preferida é a do rio Nilo: o local lembra uma praia e tem umas sessões durante o crepúsculo nas quais aparecem somente as silhuetas dos personagens e elementos do cenário. A sensação que eu tive ao fim da aventura foi de ter explorado um Egito bem exótico.

A ambientação e a história do jogo também são ótimas. Você já sente o tom da coisa toda com o protagonista: um coelho arqueólogo de competência questionável que usa suas orelhas como chicote. O título nunca se leva muito a sério, o que significa em um monte de personagem inusitado e situações bem divertidas, com algumas viradas interessantes na história. Acompanhar a interação entre os vários personagens é uma das características mais divertidas de Pharaoh Rebirth+.


Uma jornada inusitada e memorável

Pharaoh Rebirth+ é um ótimo jogo de plataforma 2D, mesmo não apresentando mecânicas inovadoras. É bem divertido controlar Johnatan por um Egito exótico e repleto de perigos, principalmente por conta do desenho dos níveis e dos vários movimentos disponíveis para o herói. Há, também, muito o que encontrar: mais de 60 itens estão escondidos pelas fases e coletar todos eles é um desafio considerável. Com ares de jogo da era 16-bits e bom humor, Pharaoh Rebirth+ é uma ótima escolha para aqueles que apreciam de aventuras de plataforma.

Prós

  • Mecânicas sólidas de plataforma;
  • Boa inclusão de elementos de metroidvanias;
  • Diálogos e personagens divertidos.

Contras

  • Pequenos problemas com alguns comandos;
  • Sessões de tentativa e erro podem ser frustrantes.
Pharaoh Rebirth+ — PC — Nota: 8.0
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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