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Análise: Attack on Titan 2: Final Battle (Multi) transforma o segundo título em uma continuação de respeito

Novas armas, personagens, modos de jogo e enredo marcam a chegada de uma expansão robusta para Attack on Titan 2

Após sofrer com críticas em Attack on Titan 2 (Multi) por concentrar boa parte de seu enredo ainda na primeira temporada do anime, a Koei Tecmo Games mostrou empenho em remediar esses detalhes com a expansão Attack on Titan 2: Final Battle (Multi) e fazer jus ao nome da famosa franquia de titãs.

O melhor da caçada aos titãs

A expansão dá sequência à retomada da muralha Maria, conforme mostrada no mangá e anime, através do Character Mode. Dessa vez abandonamos a abordagem dos fatos através do protagonista criado no segundo título e passamos a encarar a história através do ponto de vista de personagens primários e secundários da obra original.
No novo modo, a trama se desenrola em muitos caminhos 



Iniciamos o modo com um prólogo que serve também como tutorial para refrescar a memória dos que há muito não jogavam o título. Nele controlamos Armin Arlert na missão de levar Eren Jaeger em segurança para as muralhas após o seu resgate contra os inimigos recém revelados: Reiner Braun e Berthold Hoover. A partir daí, a narrativa se desmembra em linhas de episódios de diálogo e gameplay, semelhantes ao que vimos em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 (Multi), montando uma grande cadeia de eventos interligados até sua conclusão. Ao finalizarmos uma linha do enredo, liberamos outra sequência que pode ou não passar pelos mesmos episódios, mas através de perspectivas diferentes.
Enfrentar o titã colossal vai redefinir seus conceitos de criaturas gigantes nos jogos



Usando a luta contra o titã blindado e o titã colossal na muralha Maria como exemplo, temos episódios em que jogamos com Mikasa Ackerman no confronto para abater o titã blindado, enquanto em outro capítulo experimentamos o mesmo evento aos olhos de Armin no embate contra o titã colossal. São eventos simultâneos, mas compreendidos de forma ampla a fim de passar uma visão completa da história. O único ponto negativo que destaco aqui é a redução drástica das cutscenes, antes abundantes no modo história e que não perdem em nada para a qualidade de animação apresentada no anime. Em seu lugar, o enredo é contado através de imagens estáticas com diálogos animados, mostrando cutscenes somente em momentos-chave da trama.



O maior destaque fica para a campanha dos Warriors, pois estamos habituados a vivenciar os fatos sempre do ponto de vista dos “mocinhos” da trama. Em seus episódios descobriremos mais a respeito do trio de titãs infiltrados: Reiner, Berthold e Annie, além de seu líder Zeke, o impiedoso titã bestial. Temos episódios de destaque para cada um dos personagens, mostrando muito da motivação de cada um e a possibilidade de controlar o titã blindado e até mesmo o titã bestial nas fases.

O poder destrutivo do titã bestial é impressionante, com destaque paras as suas comemorações após cada ataque, ressaltando o lado sádico do personagem





Progressão simplificada

Em contraste com o sistema de progressão apresentado no modo história, onde além do nível do protagonista, temos o nível de amizade com outros personagens, melhoria dos equipamentos e gerenciamento de habilidades, no Character Mode essa mecânica é simplificada — como jogamos com personagens presentes na obra, toda a sua construção já está completa.
Algumas missões dão a opção de escolher o personagem com que jogamos



Ainda assim, a Koei inseriu um sistema de progressão convincente: ganhamos nível através da experiência adquirida, mas a melhoria afeta todos os personagens com que jogamos. A coleta de materiais nas missões também está presente, mas como não existe sistema de craft para esse modo, o estoque obtido é válido apenas para os outros modos do jogo.

Arsenal mais que bem-vindo

A expansão Final Battle não traz mudanças drásticas para a jogabilidade de Attack on Titan 2, que na época já era impressionante. Se movimentar pelo mapa com equipamento ODM é simples e muito veloz, somando com a mecânica de combate contra os titãs que tornam a experiência nos mapas prazerosa. O resultado é uma combinação eficiente, mesmo que os objetivos sejam repetitivos: mova-se até determinado local do mapa, elimine o máximo de titãs que puder, monte bases e elimine o chefão no final (geralmente titãs anômalos).
Obrigado Koei por imprimir tão bem a sensação de retalhar titãs no jogo



Agora, além das famosas espadas e do equipamento ODM, podemos equipar nossos personagens com as pistolas e o equipamento anti-personal ODM característico de Kenny e seu esquadrão. As pistolas conferem uma mecânica de jogo mais dinâmica: enquanto com as espadas ficamos limitados aos ataques padrões, ao usar as pistolas contamos com munições diferenciadas para cada tipo de inimigo — munições explosivas, paralisantes e dispersas são alguns dos exemplos que vamos encontrar no jogo.
As pistolas de combate tornaram-se a arma favorita de muitos jogadores pela rapidez e versatilidade


Outra novidade trazida pela expansão é o showdown moment, que consiste em um especial para cada arma. Se você estiver utilizando as espadas, ao acionar o modo, seu equipamento é substituído pelas destrutivas lanças-trovão com ataques que podem mandar vários titãs para os ares ou concentrar todo seu ataque em um único alvo com um ataque devastador.
Se você chegar próximo o suficiente do inimigo poderá desferir um ataque especial com as lanças-trovão



As pistolas também receberam sua própria versão, ao ativar o modo, elas são trocadas por duas poderosas metralhadoras com munição infinita, perfeita para os jogadores de dedo pesado.

O que era grande, ficou ainda maior

Em Attack on Titan 2 já contávamos com um elenco de 35 personagens para jogar no modoAnother Mode, que consiste em missões aleatórias com a opção de  jogar offline ou online com personagens desbloqueados durante a campanha. Esse número recebe um reforço com a expansão Final Battle, que traz 5 personagens novos: Zeke, Nifa, Kenny, Caven e Floch.


Mesmo não trazendo mudanças para a jogabilidade, poder utilizar outros personagens é um agrado e tanto para os fãs.

Dono do seu próprio regimento

A Koei é famosa pela série Musou (Dynasty Warriors, Warriors Orochi, etc), com a premissa de gerenciar e expandir seu império através de alianças e guerras. No modo Territory Recovery, a empresa se inspirou em sua famosa franquia para trazer uma experiência única dentro do contexto da série Ataque de Titãs. Nesse modo, criamos nosso próprio regimento e destacamos um dos personagens desbloqueados para atuar como capitão e jogador principal durante as incursões fora da muralha.

No gerenciamento da base, podemos melhorar nossa afinidade com personagens recrutados, garantindo novas habilidades e abrindo novas opções de diálogos. Fora isso, é possível utilizar materiais para expandir nossa base: Distrito Residencial – melhorias nessa área nos permitem recrutar um maior número de aliados; Plaza – aumenta a quantidade de suprimentos das tropas durante as incursões, aumentado o tempo que podemos ficar fora do regimento; Sala de Guerra – upgrades nesse cômodo melhoram o número de soldados que podemos destacar para cada esquadrão; e Campo de Treinamento – melhorias aqui são bem-vindas para elevar os atributos dos nossos soldados.

Além disso, é possível destacar membros para esquadrões de atividades específicas, cada um ficando a cargo de gerar uma quantidade de bônus específico, como o esquadrão médico que diminui a fadiga da tropa durante o combate ou o esquadrão de engenheiros que aumenta a qualidade dos equipamentos especiais.
As opções de gerenciamento possuem uma variedade significativa e vão sendo desbloqueadas conforme avançamos no modo



Fora do nosso regimento, é quando começa a guerra pela retomada do território invadido pelos titãs. Aqui escolhemos pontos específicos para iniciarmos a incursão e retomar o local. Após conquistado, adquirimos pontos de experiência para o regimento que, quando aumentado, garante novas habilidades para o nosso personagem.

No mapa onde escolhemos os territórios a serem tomados, podemos encontrar recursos e até mesmo uma emboscada de um titã entre um ponto e outro. Cada movimento realizado consome os turnos disponíveis, nos obrigando a retornar para base quando zerado. Da mesma forma, nosso personagem principal e o restante da tropa levada para batalha sofrem com nível de cansaço após cada combate, podendo ficar afastados por um tempo do campo de batalha caso se machuquem.


Durante as missões, podemos encontrar personagens e recrutá-los durante aquela batalha. Ao término do objetivo principal daquele mapa, uma barra de progresso de afinidade é preenchida de acordo com sua nota de desempenho e caso traga outros soldados em sua tropa que também tenham afinidade com o novo personagem encontrado. Ao completar essa barra, temos a oportunidade de recrutá-lo como membro definitivo de nosso regimento.


Fazendo jus ao legado

Attack on Titan 2: Final Battle corrige o problema da falta de conteúdo de sua versão anterior, amarrando as pontas pendentes da segunda temporada e apresentando a terceira temporada por completo, explorando ao máximo seus momentos. É uma pena que o Character Mode não conte com o mesmo trabalho de cut-scenes apresentado no modo história.
Uma das novidades da expansão e que ainda não foi apresentada no anime é a versão titã de Armin, que pode ser invocada no campo de batalha como aliado



Aqui temos o mesmo risco que encontramos nos demais jogos da série Dynasty Warriors e afins: tornar-se repetitivo e desmotivador para alguns jogadores devido a reciclagem dos objetivos durantes as batalhas. Pessoalmente, isso não chegou a me incomodar, pois em contrapartida o jogo compensa com um sistema de movimentação rápida e dinâmica pelo mapa através do ODM e de um sistema de combate contra os titãs muito satisfatório — fica aqui a minha recomendação para que desliguem a assistência de combate.


Eu identifico três cenários para sua decisão na compra desse título:

  • Caso você seja fã da franquia, esse jogo definitivamente foi feito para você, principalmente se for seu primeiro contato com um jogo da série, pois assim você não sofrerá com o problema de reutilizarem os conteúdos da primeira temporada no modo história. A experiência de retalhar as partes de um titã e finalizá-lo com um golpe brutal é prazerosa e te motiva a eliminar o máximo deles.
  • Para entusiastas de jogos no estilo sandbox esse título é uma boa pedida, talvez não como primeira opção para alguns, mas certamente em uma eventual promoção. Aqui temos mapas vastos que não penalizam o jogador com um longo trajeto devido à rápida movimentação do personagem e traz uma boa mistura de ação e elementos de RPG, principalmente no Territory Recovery Mode.
  • Jogadores que tendem a se cansar com a falta de diversidade nas missões provavelmente irão se frustrar aqui. Caso você tenha se frustrado em jogos como Assassin’s Creed ou InFamous pela reciclagem de acontecimentos no mapa, talvez esse título não seja uma boa pedida para você.

Attack on Titan 2: Final Battle pode ser encontrado em duas versões: a completa que contém o jogo base com o DLC ou apenas o upgrade pack para quem já possui Attack on Titan 2.

Prós

  • Explorar os eventos da terceira temporada e outros acontecimentos marcantes das temporadas anteriores do ponto de vista de outros personagens;
  • Novas armas como as pistolas e o modo showdown que trazem mais opções para o gameplay;
  • O modo Territory Recovery que confere ainda mais longevidade para o título, além de ser um prato cheio para os fãs de outros jogos da Koei nesse estilo.

Contras

  • Falta do idioma português nas legendas;
  • Missões principais e secundárias repetitivas;
Attack on Titan 2: Final Battle – PS4 / Xbox One / PC – Nota: 8.0
 Versão utilizada para análise: PS4

Análise produzida com cópia digital cedida pela Koei Tecmo Games
Revisão: Giba Hoffmann


Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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