Meus jogos favoritos de 2023 — Alecsander Oliveira

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.

2023 está chegando ao fim, e sua jornada deixou uma série de excelentes jogos. Foi um ano recheado, repleto de surpresas e lançamentos cativantes que abrangeram diversos gêneros. Embora eu não tenha explorado tudo conforme gostaria, dada a minha tendência de "perder tempo demais com coisas antigas", abracei algumas experiências novas.


Obviamente, não foi um ano perfeito para a indústria em geral. As ondas de demissões deixam uma marca negativa em 2023, algo que certamente terá consequências no futuro. É triste ver um ano de ótimas produções sendo manchado por decisões ruins dos últimos anos, mas esse é o capitalismo em que vivemos.

Além disso, 2023 foi o ano em que me juntei ao GameBlast! Isso estava completamente fora do meu radar de conquistas para o ano, mas acabei me tornando parte dele a partir de agosto. Aqui estou eu, ainda me adaptando como redator e desenvolvendo perspectivas diferentes ao longo do processo.

Vamos agora à lista dos jogos que mais me marcaram neste ano.

Street Fighter 6

A Capcom se destacou significativamente em 2023, e Street Fighter 6 é o meu Jogo do Ano. Comparar o lançamento desastroso do seu antecessor com a sexta geração da franquia é algo surreal. SF6 é uma fusão quase perfeita de mecânicas, trazendo elementos de alguns Street Fighters do passado, novos personagens extremamente cativantes, uma apresentação visual incrivelmente estilosa e bastante conteúdo.

Dou os devidos créditos a todas as adições de acessibilidade do título. O esquema de controle moderno e dinâmico, assim como os feedbacks sonoros para deficientes visuais, são aspectos que deveriam ser adotados em futuros títulos de luta.

No entanto, darei uma puxada de orelha na dona Capcom: é preciso ter mais moderação nos preços das microtransações de skins e outros conteúdos cosméticos, pois quase US$100 por um conjunto de skins é uma ousadia absurda. E não adianta fazer colaboração com algo pelo qual sou apaixonado, como Tartarugas Ninja, é inadmissível.

Baldur's Gate 3

Eu não tinha grande interesse em Baldur’s Gate 3 inicialmente, mas a empolgação de alguns amigos com o RPG da Larian Studios me chamou a atenção. Depois de descobrir o modo cooperativo local, pedi a um amigo para jogarmos via compartilhamento de tela, e o título imediatamente me conquistou.

O sistema de combate repleto de possibilidades é fascinante, a liberdade dada ao jogador é envolvente e o mundo de Dungeons & Dragons permanece intrigante e receptivo a abordagens inéditas. Tudo isso, aliado a um sistema de escolhas narrativas com consequências reais, torna a aventura única para cada pessoa, o que eu aprecio muito.

Lies of P

Esse eu já antecipava desde a primeira vez que bati o olho. Eu aprecio um bom soulslike, mesmo sendo péssimo em todos eles, e Lies of P adiciona todo o combate profundo e desafiador numa temática que mistura o vitoriano com a fábula de Pinóquio, uma junção inesperada que resultou em algo fascinante.

O combate ágil e visceral, a direção de arte absurdamente bela, os chefes divertidos e o sistema de armas customizáveis tornam tudo ainda mais dinâmico e divertido. Espero que esse universo seja mais explorado e que a Round8 Studios evolua o que aprendeu, pois o que temos aqui é um enorme potencial que rivaliza com os jogos da From Software.

Resident Evil 4 (Remake)

Possuo uma relação de carinho muito grande com a franquia Resident Evil, e o quarto título, junto ao primeiro de PS1, são os meus favoritos. Com o anúncio do remake do clássico de 2005, eu esperava uma evolução mecânica e revisões de enredo, mas definitivamente não achava que seria tão impressionante.

Resident Evil 4 é catártico do início ao fim. É mecânicamente incrível, as novidades introduzidas são muito bem-vindas, erros foram consertados e alguns conceitos foram atualizados de forma muito mais interessante, principalmente tudo que envolve a Ashley. A franquia está em uma direção sublime, e espero que os remakes futuros sejam tão bons quanto esse e a recriação do 2.

Pocket Bravery

Com certeza, o meu destaque brasileiro do ano é Pocket Bravery, título da Statera Studios. Como alguém que acompanhou a ascensão e a queda retumbante de Trajes Fatais, outro jogo de luta brasileiro que prometeu o mundo e entregou apenas decepção, é um alívio ver um projeto com tanto amor ser lançado sem grandes problemas.

Pocket Bravery é uma carta de amor ao gênero em todos os sentidos, especialmente na parte mecânica. Ele acerta em seus personagens, no visual charmoso focado em SD e, curiosamente, na história um tanto diferente e intrigante. Espero tudo de bom para o título e que receba ainda mais atenção com o lançamento em consoles.

Hi-Fi RUSH

O jogo que chegou chegando em terreno Xbox de forma inusitada, Hi-Fi RUSH representa um resgate criativo no meio mais mainstream da indústria. A ideia de misturar ritmo com character action não é algo esperado, e me surpreende que tenha dado tão certo aqui. Minha única ressalva se dá ao level design cheio de corredores, o que acaba diminuindo um pouquinho a empolgação.

Meu destaque pessoal fica na parte de arte. Hi-Fi RUSH utiliza as ideias dos Guilty Gears mais recentes e do filme Homem-Aranha no Aranhaverso dentro de um hack ‘n slash 3D carregado de personalidade e carisma. Temos aqui uma definição perfeita de desenho animado jogável, e eu espero muito que vejamos mais disso no futuro.

TEVI

Outra surpresa do ano, TEVI foi o último título que analisei para o GameBlast esse ano. Admito que tive certo preconceito na parte visual por conta da estética furry, mas, para minha surpresa, o título da CreSpirit revelou-se um metroidvania estruturalmente simples, mas com combate divertidíssimo e uma história bastante aprofundada, mesmo em seus clichês.

Este também é um dos jogos mais bonitos que joguei esse ano, com um belíssimo trabalho de pixel art e músicas marcantes. Mesmo num subgênero levemente saturado no meio Indie, TEVI se tornou um destaque.

Menções honrosas

Pela quantidade em relação ao tempo, teve outros jogos em que encostei e não dei a atenção merecida, mas planejo dar mais atenção um dia. São eles:

Exoprimal: apesar de o ter entendido errado no início, Exoprimal é uma forma bem curiosa de juntar narrativa com multiplayer. É um título que sofre de falta de modos, mas é divertido matar hordas de dinossauros por aí.

Vengeful Guardian: Moonrider:  jogo da brasileira JoyMasher que homenageia clássicos de ação da geração 16-bits, Moonrider é um título divertidíssimo com muito estilo.

Bomb Rush Cyberfunk: inspirado em Jet Set Radio, Cyberfunk é extremamente estiloso, fazer manobras por aí é divertido e a história é estranhamente ousada. Infelizmente virei a cara para o péssimo e desnecessário sistema de combate, mas é algo que aprenderei a suprimir um dia.

De volta a 2022

Preciso dar destaque a dois jogos de 2022 que fui jogando durante o ano de 2023. O primeiro é Persona 5 Royal, que esteve preso em plataformas PlayStation e que, com o lançamento para PC, senti o porquê de ele ser tão amado: sou apaixonado pela direção de arte extremamente estilosa, pelas músicas e pelo sistema de batalha que só não é perfeito porque sinto que a baixa dificuldade não nos deixa explorá-la em todo seu esplendor. Ainda não me cativa tanto quanto Persona 4 fez, mas tá tudo bem quanto a isso.

O segundo é um pouco mais complexo: Sonic Frontiers, título que recebeu algumas atualizações excelentes durante este ano e cuja situação atual é uma amostra do quanto a Sega precisa dar mais tempo e recursos para os jogos da franquia. Explorar as open zones sem parecer que está colado no chão, pelo medo de deixar o jogador livre para voar por aí em alta velocidade, é de uma sensação indescritível para quem é fã da franquia e gosta de experimentar as possibilidades do mundo em relação ao controle do ouriço. Os Cyberspaces continuam horríveis e se for para trazer isso de volta, que façam conteúdo 100% novo.

Espero que o futuro da franquia receba mais atenção, e felizmente a Sega parece estar disposta a mudar sua direção nos próximos anos. Foi um bom ano para o blue blur, e que não deixem a peteca cair como aconteceu de 2012 a 2022.

Como diria Lula Molusco, “o futuuuuuuro”

Além de dar uma conferida no que deixei passar neste ano, como Persona 5 Tactica, Sonic Superstars, Aliens: Dark Descent e Gravity Circuit, estou de olho em alguns títulos para 2024 (pelo menos espero que sejam lançados no próximo ano). São eles:
  • Penny’s Big Breakaway
  • Prince of Persia: The Lost Crown
  • Tekken 8
  • Persona 3 Reload
  • Hades II
  • Star Wars: Outlaws
  • Dragon Ball: Sparking! Zero
  • Project L
Que o próximo ano seja bom para a indústria dos games, e que tenhamos bons jogos no caminho. Não creio que vá ser tão impactante quanto 2023, mas na real, isso não importa muito no final. Com certeza acharemos algo para nos divertir.

Revisão: Davi Sousa

Estudante de enfermagem de 23 anos, acompanha esse mundo dos joguinhos desde criança. Fã de jogos de luta, games mais arcade, arqueólogo de velharias e viuva póstuma da Sega, mas não abandona experiências mais atuais. Acompanha ferozmente a mídia de podcasts, dublagem e ouvinte assíduo de VGM. Pode ser encontrado como @AlecFull e semelhantes por aí.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


Disqus
Facebook
Google