Blast from the Past

MediEvil (PS): mesmo velho, ainda é muito divertido

Lançado há 20 anos, MediEvil ainda é um ótimo título de aventura, mesmo com suas claras limitações.



O primeiro PlayStation já recebeu muitos jogos consagrados até hoje, como Final Fantasy VII, Crash Bandicoot, entre muitos outros. MediEvil talvez não entre nessa lista, mas para aqueles que experimentaram a jornada de Sir Daniel, nas terras de Gallowmere, com certeza possuem uma lembrança divertida e engraçada das suas muitas fases. Mas, será que ainda hoje, esse ainda é um título com todos esses méritos? A resposta é sim.

A esperança num antigo covarde

Em 1286, o general Sir Daniel Fortesque foi dado como um herói de guerra após a batalha vitoriosa contra o mago Zarok, que pretendia conquistar Gallowmere com seu exército de mortos. Essa foi uma mentira contada pelo rei, indicando que ele havia derrotado o mago, porém ele foi a primeira baixa da batalha, com uma flecha em seu olho. Sir Daniel também não era conhecido por seus atos corajosos, muito pelo contrário, ele era um verdadeiro covarde.

Cem anos se passam, e os restos mortais de Sir Daniel estão descansando em uma cripta. Infelizmente a paz conquistada é interrompida quando Zarok retorna ainda mais poderoso, revivendo os mortos e dominando as mentes das pessoas em Gallowmere. Nesse processo, Sir Dan também desperta, e vê nesse ato a chance de se tornar o verdadeiro herói ao tomar para si a missão de acabar com a ameaça. Para isso ele passará pelos mais diversos terrenos e localidades do reino, conquistando o respeito e novas habilidades dos seus antigos guerreiros, eternizados no Hall of Heroes.

O humor empregado nessa narrativa é um dos seus ótimos pontos, muitas vezes fazendo piada da aparência de Daniel, ou mesmo da sua antiga natureza covarde, e como um homem de poucas palavras (já que ele é um esqueleto sem mandíbula), ele muitas vezes só resmunga de volta, e se não fosse pela legenda, seria difícil entender alguma palavra. Já os outros personagens falantes, como os guerreiros ou o próprio mago Zarok, possuem uma boa dublagem em inglês, em outras línguas, como em espanhol, ela se torna bem estranha.

O reino de Gallowmere

Em sua jornada, Sir Daniel se provará lutando contra zumbis em um cemitério, espantalhos em uma fazenda e abóboras carnívoras em uma plantação cuidada por uma bruxa. O reino de Gallowmere parece vasto e variado, algumas fases até mudando suas mecânicas, ficando de acordo com a narrativa, como: na fase da aldeia, onde não podemos atacar seus cidadãos, pois não é culpa deles estarem daquele jeito, malignos; já na fase das árvores altas, podemos entrar em um formigueiro falando com uma bruxa, apenas para pegar alguns itens que ele precisa.

Mesmo sendo algo interessante, esse aspecto do jogo possui alguns pontos negativos. A câmera pode se tornar um problema chato de contornar em alguns momentos chaves, como lutas de chefe, mesmo com o notável cuidado deles com isso. Mas o maior problema com o level design aparece quando ele exige pulos em plataformas, os controles são péssimos para isso, além do Daniel pular de forma desengonçada, fazendo a precisão nesses momentos ser quase zero.

Os aspectos das fases também são pensados para ser um grande puzzle, cada uma sendo necessário, muitas das vezes, achar alguma chave para abrir determinada porta. Isso cria uma necessidade bem grande de exploração, que é ótimo já que o jogo faz questão de esconder alguns segredos em seus cantos. Baús com dinheiro, itens de cura, os Cálices dos heróis e os caldeirões das bruxas, são alguns desses extras que faz a sensação de conquista bem gratificante.


Seja um herói

Mesmo com esses problemas do pulo, o jogo te conquista facilmente com suas mecânicas de combate e a ótima sensação de progressão. Podemos fazer uso de várias armas durante a jornada, boa parte deles conquistadas de forma opcional ao conseguirmos os Cálices de cada fase. Com isso vamos para o Hall of Heroes, onde então nos é dado a arma de um antigo herói, como um arco e flecha, uma lança, marreta, entre outras.

A movimentação de cada tipo de equipamento não é muito diferente, as armas a distância possuem uma mira automática, indicada por uma luz verde que rodeia o alvo mais próximo. Já nas armas de curta distância, temos algumas opções, como atacar mais rapidamente com uma espada ou mais lentamente com uma marreta. E não apenas isso, é possível derrotar alguns inimigos mais facilmente utilizando de um tipo específico de arma, como o primeiro chefe que fica fácil de derrotar quando se é usado do crossbow, ou mesmo usar a marreta nas formigas.



Isso não torna o jogo estratégico, nem nada assim, mas traz opções e facilitadores para o combate, principalmente contra chefes, para aqueles que exploraram o jogo e conquistaram o Cálice. Talvez isso o torne mais cansativo com o tempo, já que você sempre pode, facilmente, acabar com inimigos usando suas armas mais fortes, como uma espada encantada, por exemplo. Esse modo fácil torna os inimigos menos interessantes, e a coisa que mais pode te derrotar é o próprio cenário, com suas sessões de plataforma e pulos errados.

Tematicamente inspirado

É fácil notar de onde surgiram as inspirações artísticas desse título. É só olhar os trabalhos de Tim Burton, principalmente O Estranho Mundo de Jack (1993), trazendo criaturas bizarras e cenários góticos, com construções pontudas e as vezes até tortas. Os gráficos poligonais do primeiro PlayStation conseguiam trazer essa influencia de forma muito interessante, mesmo com as suas claras limitações, como o horizonte completamente preto, ou mesmo texturas bem rudimentares.

O que vence os gráficos são suas trilhas sonoras. Que conseguem trazer de forma muito interessante todo o sentimento de cada fase, como o ar misterioso dos labirintos das formigas, ou o clima sinistro do cemitério.


Apesar de velho

Mesmo esse sendo um jogo claramente velho, ele possui muitos aspectos que fazem valer a pena conhecer ou mesmo rejogar hoje. Seu sistema de combate é decente, suas músicas são ótimas, e sua história e personagens são cativantes, bons motivos para voltar a Gallowmere. Enquanto esperamos o lançamento de seu Remake para o PS4, agendado para o outubro.



Revisão: Henrique Moreno

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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