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Análise: Anthem (Multi) tem alguns deslizes, mas ainda é um bom jogo em construção

Envolto em algumas polêmicas desde sua versão demo, Anthem tem como produto final algo agradável para os amantes do gênero.

Anthem (Multi) teve bastante atenção voltada para si desde a sua primeira divulgação no stand da Microsoft durante a E3 2017. Com um mundo massivo incrível e algumas novidades no quesito jogabilidade, o título resultado da já conhecida parceria da EA com a BioWare foi inclusive um dos mais aguardados para 2019. Entretanto, após alguns problemas com a sua versão demo disponibilizada  no início do ano, o interesse do público pelo título acabou virando ódio destilado pelas empresas que já tiveram sua fama prejudicada nos últimos anos por conta de outras pérolas como Star Wars Battlefront 2 (Multi) e Mass Effect Andromeda (Multi).


Porém, o “resultado final” de Anthem (se é que podemos chamá-lo assim) não é tão ruim como aparentemente ele seria. Isso, devido há um suporte técnico constante da BioWare que, logicamente, se fez bastante necessário desde o final de semana de lançamento do título. O resultado pode não ser o que, de fato, todos esperavam de Anthem desde 2017, mas pode também não é equivalente a avaliação deplorável que temos visto por aí sobre o jogo. Sem mais delongas, vamos para a nossa análise.


Recuperando a glória do passado

Antes de mais nada, é importante deixar claro o que Anthem de fato é enquanto jogo. O novo título de BioWare, com distribuição da EA, tem como foco ser um MMORPG de ação com desenvolvimento progressivo, ou seja, ter um mundo em transformação que irá se desenvolver juntamente com os jogadores. Assim, de cara não temos um jogo totalmente finalizado e completo como God of War (PS4), The Witcher 3: Wild Hunt (Multi) ou outros grandes títulos single player dos últimos anos. No lugar, ele é comparável, em alguns quesitos, com títulos como Destiny (Multi) e Tom Clancy's The Division (Multi), mesmo que não exatamente idêntico a estes também.

Seguindo o enredo, somos parte da organização conhecida como Freelancers, da qual já falamos sobre na prévia de Anthem. Entretanto, durante o prólogo do RPG, presenciamos um desastre o qual dá início à narrativa do título, fazendo os Freelancers que, anteriormente, eram muito bem vistos pela sociedade, serem sucateados e esquecidos ao longo de uma década. Cabe ao jogador, através de várias interações e tarefas ao longo do jogo, recuperar aos poucos a boa fama de defensores dos mais fracos e exploradores ambiciosos que os Freelancers tinham anteriormente.



E esse objetivo é o que guia a narrativa por um bom tempo, com os jogadores completando tarefas no mundo alienígena para diversas facções e organizações que habitam a grande cidade na qual os humanos se mantém em sociedade. Mesmo que a história pareça um pouco clichê, ela cumpre o seu objetivo de “dar uma desculpa” para que os jogadores tenham inúmeras tarefas de dificuldades variadas para completar ao longo da jogatina.

Outro elemento que auxilia bastante essa narrativa conseguir ser agradável são as interações com os NPCs durante nossas estadias na cidade. Claramente uma evolução considerável da tecnologia de expressões faciais utilizada em Mass Effect Andromeda, as expressões e diálogos são muito bem construídos e com bastante carisma e individualidade entre os personagens. Com bastante conteúdo para os amantes de histórias de RPG irem a fundo no background construído em Anthem.


O bom e velho grind

Aqui temos um dos grandes problemas de Anthem, que pode desagradar uma boa parte dos jogadores. Ir para o exterior da cidade completar missões, retornar para receber os espólios da missão e os pontos de experiência, para então melhorar seus equipamentos, ficar mais forte para completar mais missões e assim sucessivamente e repetidamente ao longo de mais de 20 horas de grind. Esse ritmo de jogo, mesmo com missões muito divertidas pelo caminho, pode desagradar muitos jogadores pela repetição.

Repetição essa que é sentida de forma indireta ao longo das missões. Claro que contextos, dificuldades e ambiente mudam. Mas ao longo de umas dez horas de jogo já é possível identificar alguns padrões durante as missões, como proteger uma espécie de base de dados durante um determinado período de tempo, destruir todos os inimigos de uma base ou então coletar fragmentos luminosos para impedir um cataclisma temporal. Essas três situações se repetem mais de uma dezena de vezes em diversas missões da história e opcionais, o que dá um ar repetitivo ao jogo.

Muitos podem pensar que isso não é um problema, mas para um jogo que tem como proposta ser um multiplayer massivo para milhares de jogadores consumirem conteúdo durante tempo o suficiente para ver um mundo em transformação, sentir um pouco de repetição já nas primeiras dez ou quinze horas de jogo é um ponto problemático. Isso também é aumentado pela baixa variedade de inimigos que encontramos, seja entre os Dominion ou entre feras selvagens, por exemplo.

Felizmente, o grind dá alguns retornos positivos, como acúmulo de dinheiro para liberar opções estéticas interessantes e, principalmente, melhorar uma quantidade considerável de equipamentos e bonificações. Isso é ainda mais encorajado com uma barra de “raridade” de sua armadura que, além do seu nível, diz o quão forte sua armadura está como um todo, atribuindo uma pontuação e cor de raridade para ela, o que é bem divertido para os amantes de progressão. Infelizmente, toda essa progressão de raridade tem um custo: a quantidade de armas e equipamentos inúteis que você encontra no decorrer da progressão chega a incomodar às vezes.


Trabalho em equipe que agrega à jogatina

Em contrapartida à evolução repetitiva do jogo, temos combates muito divertidos e estratégicos, mesmo sentindo essa repetição que falamos há pouco. Aqui a curva de aprendizado e o nível de dificuldade fazem toda diferença, com inimigos e habilidades que induzem os jogadores a trabalharem em equipe para fazerem a diferença durante essas missões.

Essa sensação de equipe é ainda mais encorajada por combos que são possibilitados com habilidades combinadas de jogadores diferentes, a impossibilidade de um único jogador sair avançando na missão sem que os outros vão junto com ele de algum modo e algumas situações onde um único jogador, mesmo que muito habilidoso, sofreria bastante para superar sozinho. Complementando isso, temos um ótimo equilíbrio entre as Lanças, as armaduras que simulam as classes no jogo. Assim, não existe uma armadura que não precise de outras para complementar seu estilo de combate.



Tudo isso, obviamente, não seria sustentado sem servidores minimamente estáveis e que possibilitem comandos rápidos e coordenados entre os quatro jogadores que compõem o time das missões ou os jogadores aleatórios que encontramos no modo livre do jogo. Aqui cabe uma observação muito importante: no primeiro dia de lançamento de Anthem, o jogo recebeu uma atualização de mais de 10 Gb que conseguiu dar conta da maior parte dos problemas de conexão que eu estava tendo até então. Assim, mesmo com relatos na internet de pessoas que continuaram tendo problemas de conexão com o jogo, desde então eu não tive mais problemas graves devido aos servidores de Anthem.

Porém, ainda cabe aqui uma crítica que vai na direção oposta a todo esse sentimento de trabalho em equipe que o jogo proporciona: sua comunicação. Ao menos na versão de PS4, não existe chat de texto ou algum esquema de sinalização não verbal de fato visível. Com apenas algumas opções de gestos que, durante o calor da batalha, não servem pra nada, a comunicação se torna totalmente restrita ao chat de voz. O que não é muito ideal, pois restringe as possibilidades de comunicação para o caso do jogador ter um headset minimamente decente, isso sem falar na disponibilidade de ligar seu microfone com estranhos.


Ótimo visual, mesmo com alguns problemas

Anthem é um jogo visualmente muito bonito. Mesmo que não seja um dos mais perfeitos e belos dessa geração, fica clara a evolução do jogo em comparação a outros títulos das empresas envolvidas. Entretanto, seja pela barreira do poder de processamento dos hardwares ou mesmo pela falta de otimização do próprio jogo, presenciamos alguns problemas gráficos e demoras no pós-processamento que interferem um pouco na imersão.

Não são raras as vezes durante um voo que algumas vegetações menores ou até animais surgem “do nada” em uma curta distância, resultado de falhas do processamento do jogo. Algo semelhante acontece na cidade quando corremos e algumas texturas demoram mais do que deviam para ficarem na melhor qualidade possível. Claro que alguns fatores influenciam isso como o já citado hardware e a conexão constante com a internet. Porém, mesmo assim, é algo incômodo para um jogo considerado como AAA em pleno 2019.



Fora isso, tanto efeitos de luz e sombra como cores, explosões, músicas e efeitos sonoros são excelentes. Talvez o que mais incomode durante as missões seja a ausência de áudio em português, o que dificulta manter o voo e/ou combates e, ao mesmo tempo, tentar ler as legendas dos diálogos de missões que acontecem durante a confusão. Aqui, precisamos ressaltar também que alguns modos de jogo apresentam menos problemas que outros.

No caso, os modos mais “controlados” de jogo, basicamente as missões principais e as fortalezas, apresentam bem menos bugs ou problemas de processamento. Entretanto, em contrapartida, o modo de jogo livre, onde você fica sem limites de tempo explorando todo o mapa disponível até então apresenta bem mais instabilidades no processamento visual e até na conexão.


Mundo em crescimento lento demais

Quando se lança um MMORPG, os jogadores já esperam de cara um vasto conteúdo e mais de uma centena de horas de diversão para, posteriormente, receberem atualizações que aumentam ainda mais essa variedade do que pode ser feito no jogo. Este é um dos pontos mais complexos ao se analisar Anthem, visto que aparentemente ele foi lançado visando ser um MMORPG, mas não entende muito bem o que o público dos MMO esperam do lançamento de um jogo.

Não entendam mal, Anthem possui uma boa narrativa, ótimos efeitos visuais, jogabilidade dinâmica e bem divertida, combates fluidos e uma progressão minimamente agradável, mesmo com os problemas citados anteriormente. Porém, seu conteúdo é relativamente curto para a sua proposta. A ideia original é um mundo em constante mudança que vai se desenvolver junto com os jogadores, entretanto, o conteúdo inicial disponibilizado acaba prendendo os jogadores que já estão habituados a voar rápido e alto demais.



Assim, com cerca de 60 horas você já consegue finalizar a maior parte do conteúdo de Anthem, juntamente com a sequência de missões da história do jogo disponibilizadas até então. Isso seria um tempo razoável para um RPG single player, mas nem de longe é tempo de jogo o bastante para um MMORPG. Assim, é preciso que a EA e a BioWare entendam melhor o ritmo de progressão da maior parte dos jogadores de Anthem para que o jogo não se torne monótono rápido demais e acabe afastando ainda mais jogadores.

Um RPG com bom potencial

Já deu para notar como Anthem (Multi) é difícil de dar uma nota ou causar uma única impressão nos jogadores. Ele é uma mescla de ótimas qualidades, problemas que deixam um gosto ruim na boca e um potencial incrível para ser um excelente título a médio prazo. Assim, com características tão discrepantes e dissonantes, beira o impossível dar uma nota completamente fidedigna para o jogo. Entretanto, essa missão precisa ser completada.

O fato é que Anthem não cumpre todas as promessas que sugere logo de cara, mas o título está longe também de ser a propaganda enganosa que Watch Dogs (Multi) ou No Man’s Sky (Multi) foram em seus lançamentos. A sensação que temos é que o jogo começou com a marcha lenta demais, mas que, mesmo assim, consegue prender o jogador por mais de 40 horas e promete um ritmo de jogo progressivo interessante. Com a promessa de ter todo o seu conteúdo complementar totalmente gratuito, seu saldo final pode ser considerado ainda positivo, mesmo que não seja o esperado.

Vale lembrar também que mesmo que a internet esteja recheada de relatos sobre problemas de conexão, bugs mais graves e até erros críticos que podem afetar a “saúde” do hardware que roda o jogo, não levamos em consideração nada disso para confeccionar esta análise. Isso simplesmente pelo fato de que nenhum destes problemas aconteceu com este que vos fala ao longo das quase 50 horas que me dediquei ao jogo para escrever este texto.

No mais, continue acompanhando o GameBlast para saber das futuras mudanças de Anthem. Para o bem ou para o mal, este é um jogo que terá grandes mudanças ao longo do tempo. Assim, como outros jogos como No Man’s Sky Next (Multi) e até The Elder Scrolls Online (Multi) alcançaram a redenção após inúmeras atualizações gratuitas, quem sabe este seja o caso também de Anthem. Afinal, potencial para isso com certeza o jogo tem.

Prós

  • Visual muito bom e cheio de detalhes;
  • Combates dinâmicos e estratégicos;
  • Ótimo balanceamento entre as armaduras;
  • Nível de desafio considerável;
  • História interessante, mesmo que ainda em construção;
  • Boa customização das armaduras;
  • NPCs cativantes e bem expressivos;
  • Missões em sua maioria realmente exigem trabalho em equipe e estratégia.

Contras

  • Alguns bugs gráficos episódicos;
  • Alguns problemas de resolução a longa distância;
  • Quantidade de equipamentos inúteis pode incomodar;
  • Telas de carregamento ainda demoradas demais;
  • Comunicação com a equipe exclusivamente por voz incômoda;
  • Pouca variedade de inimigos aumenta senso de repetição;
  • Missões podem parecer repetitivas com o tempo.
Anthem — PC/PS4/XBO — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela EA Games.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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