Blast Test

Anthem (Multi) apresenta combates divertidos, movimentação dinâmica e problemas de execução

Fevereiro começou com três dias de demonstração aberta do novo jogo da BioWare. Mas será que ele cumpre o que promete?

A primeira vez que o mundo olhou para Anthem (Multi) foi durante a E3 2017 e o novo título da EA em parceria com a BioWare logo chamou a atenção para si. Seja pelo seu vasto e complexo mundo aberto ou pela temática mais futurista, o jogo em sua jogabilidade e visual se tornaram um dos mais esperados para 2019. No último final de semana, jogadores do mundo inteiro puderam experimentar o beta aberto do jogo e aqui vamos mostrar o que vimos por lá.


O título se mostrou bem divertido e dinâmico, com várias qualidades dignas de um jogo novo em um novo ano. Entretanto, alguns problemas referentes ao Beta do jogo são consideravelmente preocupantes, se colocarmos em conta que o jogo será lançado no próximo dia 22. Mas uma coisa de cada vez, não é mesmo?


Uma cidade robusta, mas só para ver

O Beta de Anthem começa com nosso personagem na cidade base dos Freelancers no jogo. Estando no interior de uma das inúmeras salas do lugar, temos pouca ideia do tamanho da cidade. Entretanto, já nos surpreende a conversa com o primeiro NPC do jogo. Aqui, podemos observar uma clara evolução dos gráficos mostrados em outros jogos da empresa, como Mass Effect: Andromeda (Multi) por exemplo, com expressões faciais e gestos bem mais naturais e realistas do que outrora.

Após algumas explicações com bastante texto, um sinal na tela nos guia entre os vários corredores e salas para o objetivo da nossa missão teste. Para o bem ou para o mal, o momento no qual estamos na cidade só pode ser jogado em primeira pessoa, removendo assim a possibilidade de personalizar seu personagem humano. Na verdade, só podemos escolher seu sexo e voz, nada mais.



Ao sair das construções é que temos de fato um vislumbre da grandiosidade da cidade dos Freelancers. Ela realmente é bem preenchida, com vários NPCs fazendo coisas diferentes e, principalmente, reagindo à sua presença ali. Num primeiro momento é bem surpreendente o realismo gráfico do lugar, mas logo você se acostuma e esse vislumbre some. Parte disso pode ser decorrente da própria versão de demonstração do jogo, que bloqueia a maior parte das interações que podemos vir a ter na cidade. O que causa um misto de frustração e curiosidade em quem joga.

Objetivos, explorações e desafios

Na demonstração beta de Anthem tivemos acesso a três conteúdos específicos envolvendo a ação do jogo. O primeiros seriam as explorações livres, com mapas específicos que poderíamos desbravar e completar objetivos aleatórios, além de enfrentar a fauna do planeta e alguns mobs de facções rivais, como os Dominions. Como a demo foi completamente online, não era difícil encontrar outro jogador nesse modo, o que tornava a experiência levemente mais divertida. Infelizmente, a comunicação com jogadores encontrados aleatoriamente no mapa não é tão fácil de ser feita, tornando a interação dificultada, o que não é bom para um jogo online.



O que poderíamos considerar como o modo “história” do jogo é composto por uma sequência curta de missões que nos faz buscar um determinado artefato no mundo que contém a energia que é chamada de Hino no jogo. Além disso, devido a alguns acontecimentos decorrentes a essa descoberta, precisamos investigar mais a fundo e conhecer algumas cavernas misteriosas do jogo. Essa sequência de missões, mesmo que curta, é bem divertida e mostra um pouco do quão longe a história de Anthem pode ir.

Por fim, temos um desafio de nível alto para os jogadores que buscam por mais desafio. Nesse mapa, realmente temos um vislumbre do quão desafiador o jogo poderá ser, exigindo o máximo de habilidade e trabalho em equipe dos jogadores para que tudo corra minimamente bem. Nesse mapa temos um aumento considerável do poder de dano dos inimigos, bem como armadilhas no terreno e barreiras a serem superadas de diversas formas.


Um vasto mundo cheio de loadings

Quando vimos Anthem pela primeira vez durante a E3 2017 tivemos uma sensação fantástica de um vasto mundo aberto repleto de níveis, áreas a serem descobertas e tudo mais. Realmente um mundo dinâmico, vivo e cheio de conteúdo. Infelizmente, não é exatamente isso que encontramos durante a Beta do jogo, mas esperamos que isso seja realmente um problema da versão de demonstração e não uma característica do jogo em sua versão final.

Não se enganem, o mundo de Anthem é bem massivo e cheio de informação. A movimentação por esse mundo é um dos pontos mais positivos que pude experimentar no Beta do jogo, com muita facilidade e controles instintivos, podemos correr, voar, saltar, desviar de objetos, enfrentar inimigos, nadar e tudo mais. Ao vestir uma Lança (ou Javelin) você realmente se sente muito poderoso, com uma mobilidade incrível em um cenário incrível.



Porém, ao testar durante cerca de 10 minutos a mobilidade das Lanças, você já começa a entender os limites que o jogo lhe dá (torcemos para serem limites somente do Beta). Para início de conversa, não estamos falando aqui de um mundo totalmente aberto como vemos em The Witcher 3: Wild Hunt (Multi), Red Dead Redemption 2 (PS4/XBO) ou até No Man’s Sky NEXT (Multi). Aqui temos um esquema de mapas separados que lembra mais os jogos mais antigos da franquia Monster Hunter.

Assim, quando você veste sua lança para sair da cidade, um menu surge para você escolher para onde irá. Entretanto, a exploração daquele lugar é limitada por uma área específica, não possibilitando que você simplesmente explore o mundo desenfreadamente com sua Lança. Além disso, mesmo que você já esteja em um desses mapas, nada te impede de passar por novas telas de carregamento para entrar em cavernas ou bases inimigas por exemplo.



Este é outro ponto bastante negativo do Beta de Anthem que esperamos que não se mantenha na versão final do jogo: as excessivas e demoradas telas de carregamento. Em um dos grandes lançamentos de 2019, vendido como um RPG em mundo aberto dinâmico e vivo, a quantidade de telas de loading incomoda bastante, tanto pela quantidade como também pela demora nos carregamentos, quebrando o ritmo da diversão que o jogo proporciona.

Combates como o ponto alto do jogo

Independente de qualquer problema que o jogo possa vir a ter, juntar amigos em um time de até quatro jogadores para completar missões juntos é muito divertido. Você pode tanto entrar em times aleatórios online como também convidar seus contatos para jogar missões juntos. Com isso, o jogo se torna bem mais divertido e mostra que o foco é realmente na experiência multiplayer.



Sobre os combates em si, eles são tanto táticos como movidos à ação desenfreada, exigindo em alguns momentos um bom senso espacial e estratégico dos jogadores em conjunto, assim como boa aptidão para o uso das habilidades de cada Lança, permitindo que o combate flua de modo bem dinâmico e diversificado. Mesmo completando a mesma missão repetidas vezes, demora bastante até você encontrar alguns padrões nela, o que permite um replay ainda divertido para grinds ou busca de itens específicos.

A movimentação totalmente dinâmica também ajuda bastante a tornar os combates mais divertidos. Com a possibilidade de recuperação de aliados abatidos, muitas vezes um jogador pode salvar o time inteiro e modificar completamente o resultado da partida apenas se movimentando da maneira correta pelo mapa, de modo que consiga recuperar seus aliados e inverter o “placar” do jogo.



Por fim, as habilidades das Lanças são bem divertidas de serem usadas, possibilitando combos solo ou em equipe que angariam mais pontos de experiência ao final da missão. São habilidades de controle de mapa, escudos, melhorias temporárias para aliados, redução de status em inimigos, danos em área, focados e muito mais. Jogar uma missão com as quatro Lanças do jogo em equipe é realmente uma experiência bem completa.

Personalizando suas Lanças

Outro elemento que o Beta de Anthem permite explorarmos um pouco são as possibilidades de equipar as Lanças com armas diferenciadas e também personalizar seus aspectos estéticos. Primeiramente, os aspectos estéticos agradam bastante no design, se mostrando como um bom chamativo para microtransações no jogo sem apelar para o famigerado pay to win. Porém, a mudança de cores não agrada muito, com as modificações indo somente para variações de tons das cores iniciais de cada Lança e elementos como preto e cinza.



Já os equipamentos são modificações bem mais interessantes, pois estes modificam não só o dano e a aparência das armas da armadura, como também as suas habilidades. Cada uma das habilidades das Lanças são ditadas pelos equipamentos anexados a elas. Desse modo, até os ataques Ultra das armaduras podem ser modificados, fazendo com que nenhuma Lança seja necessariamente igual a outra.

Os problemas de execução

Entretanto, mesmo com pontos positivos bem válidos, Anthem ainda precisa se provar em sua versão final. Isso porque a versão Beta apresenta alguns problemas bem drásticos no que tange a otimização do jogo, pós processamento, conectividade e estabilidade. Não foram poucas as vezes que o jogo no PS4 foi fechado sozinho, resultando numa falha crítica que obrigava o jogador às vezes a reiniciar o console para conseguir resolver.

Alguém viu uma cabeça por aí?


Além disso, é notável a perda de FPS durante alguns momentos tanto na cidade como em combates cheios de inimigos e explosões, o que atrapalha a dinamicidade da movimentação. Temos também inúmeros bugs de carregamento gráfico que não são corrigidos com o tempo, precisando que o jogador saia da partida e entre novamente ou até que feche o jogo para que o problema seja resolvido. 

Sobre o pós processamento, em vários momentos durante a jogatina de teste pode-se observar o surgimento repentino tanto de faunas como de flora no mapa que não estavam ali antes. Algo que era muito comum em jogos há 10 anos atrás mas que beira o inadmissível em um game de última geração lançado em 2019. Junte a isso mobs de animais que simplesmente desaparecem do mapa durante o combate e você tem aí bastante trabalho para os programadores nos próximos 20 dias.


A reta final será decisiva

Esse Beta de Anthem (Multi) foi um incrível divisor de águas sobre o jogo. Muitos odiaram a experiência e até desistiram da compra do título. Já outra parcela de jogadores curtiu bastante o que experimentou, deixando-os animados e ansiosos para o dia 22 de Fevereiro. Ambos os grupos não estão errados em suas percepções sobre Anthem, já que realmente sua demonstração mesclou momentos de vislumbre e frustração repetidamente.

Isso deixa a equipe de desenvolvedores da BioWare num trabalho complicado. Pois, agora, na reta final para o lançamento do jogo, eles precisarão correr contra o tempo para fazer de Anthem um dos melhores jogos de 2019 e não uma das maiores decepções. O que vamos ter no resultado final só o tempo dirá, mas torcemos para que os problemas vistos no Beta sejam apenas isso: problemas da versão Beta.




Gilson Peres é Psicólogo e Mestre em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014 e começou sua vida gamer bem cedo no NES. Atualmente divide seu tempo entre games de sobrevivência e a realidade virtual.

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