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Análise: Ao jogar Phoenix Force (PC), seus reflexos são colocados em xeque

Criaturas mitológicas, trilha sonora de tirar o fôlego e muitos tiros te aguardam no novo indie brasileiro da Awoker Games.

Na era do arcade um estilo de jogo ficou muito popular (principalmente com o lançamento do memorável Galaga), o shooter bullet hell (atirador de balas do inferno, em tradução livre). Esse estilo consagrado leva o jogador ao controle de uma nave, avião ou derivado que solta tiros com o intuito de detonar todos os inimigos que surgem na tela, desviando de todos os tiros lançados por eles.


Esse estilo é caracterizado por um aumento significativo da dificuldade, em comparação com um shooter normal, pois os inimigos atiram uma quantidade imensa de projéteis. Ao final de cada grande fase, um boss espera o jogador e a cada nível ganho, maior essa dificuldade se torna. Com o boom dos jogos para Android e iOS e a abertura cada vez maior para jogos independentes, esse estilo que marcou os anos 80 retorna com força total. Nesse cenário é onde se encontra Phoenix Force, um indie 100% brasileiro que está disponível agora na Splitplay

Das cinzas para a guerra

Phoenix Force conta a história de uma terra pós-apocalíptica onde não restou absolutamente nada do reinado dos humanos. No meio de um mundo totalmente dominado por monstros mitológicos, a fênix Fury renasce para trazer paz. Ela deve levar as gemas essenciais para a Árvore da Vida, o que causará o renascimento da Terra. Mas para isso,  ela deve viajar por todo o mundo recolhendo as gemas e libertando alguns aliados que podem ajudá-la nessa missão.

Nesse jogo para PC (também disponível para Android e iOS),  o jogador controla a fênix através do mouse, com ela solta seus projéteis automaticamente. O controle é fluído e rápido, sem lags ou problemas de travamento de qualquer tipo. Dessa forma, o comando da ave rapidamente se torna instintivo e você passa a preocupar-se muito mais em desviar da rajada de tiros que ela recebe do que simplesmente mirar e acertar os alvos, como o que ocorre em outros jogos do gênero.


No total, o jogo possui 100 fases que iniciam-se no extremo sul da América e percorrem diversos continentes. Ao longo do jogo é possível desbloquear quatro aves que se unem à Fury, e isso só tem a acrescentar para a jogabilidade, visto que cada ave possui habilidades únicas que modificam a estratégia do jogo:

  • Fury: A personagem principal do jogo atira rápido e causa um dano mediano. Do elemento fogo, sua habilidade especial é, de tempos em tempos, lançar uma rajada de fogo frontal que anula todos os poderes inimigos naque
    la área;
  • Cryo: A ave de gelo possui tiros mais dispersos que a sua aliada de fogo, o que torna a jogabilidade com ela mais fácil. Sua habilidade especial é conseguir congelar por um rápido período todos os inimigos, possibilitando ataques diretos;
  • Gaia: A ave da natureza é capaz de dar tiros em curva que perseguem o inimigo marcado. Seus tiros são poucos, mas causam um dano considerável;
  • Tupã: A ave dourada do tempo tem tiros semelhantes aos da Fênix, mas sua habilidade de deixar tudo mais lento por um tempo traz a possibilidade de pensar na melhor estratégia de fuga;
  • Gast: A ave branca do vento possui uma rajada poderosa de tiros que combina os tiros de fogo da Fênix com os tiros curvos de Gaia, porém um pouco mais fracos. Sua habilidade é, de tempos em tempos, conseguir ficar invulnerável frente aos ataques inimigos, muitas vezes, salvando a partida.
Phoenix, Cryo, Tupã, Gaia e Gast, respectivamente.

Uma enxurrada de bosses

Tradicionalmente em jogos bullet hell existem diversos inimigos pequenos que recheiam a tela 
para que o jogador vença-os e acumule pontos, para só então chegar em um boss que marca o final da fase. Contrário a isso, Phoenix Force possui o diferencial de não ter um contador de pontos e também de só existirem bosses sem adversários menores para enfrentar. Cada fase pode conter de um a quatro monstros e cada um deles possui um padrão de ataques diferente. Cada padrão de ataques, por sua vez, se modifica com a quantidade de dano que o monstro sofre. Isso aumenta consideravelmente a dificuldade do jogo e, multiplicando esse modelo por dois, três ou quatro, temos como resultado desafios únicos e instigantes em cada fase.

O design tanto das aves quanto dos monstros é belíssimo, com cores vivas e movimentos adequados à temática do indie. Os monstros são os mais diversificados possíveis e bebem de mitologias bem diferentes: Grifos, Observadores, Dragões, Harpias, Sapos Guerreiros, Múmias, Gorilas de Pedra, Demônios, Faraós, entre tantos outros. E o que agrega mais ainda à dificuldade do jogo, é a presença de versões melhoradas dos monstros que surgem nas primeiras fases. Esses combinam forças com outros monstros e dão variações quase infinitas de inimigos.


Um desafio para os reflexos e para os nervos

O mais interessante do jogo é como ele se apoia nas habilidades de controle, coordenação motora e reflexos rápidos do jogador. Ao contrário de outros jogos do gênero onde existe a possibilidade de ter várias vidas extras, itens que aumentam o dano e munições especiais, em Phoenix Force o jogador se apoia somente em sua habilidade de controle da ave. Com o tempo o jogador começa a decorar o padrão de ataque de cada monstro, mas isso não torna o jogo previsível, devido às variações de combinações e dificuldade das criaturas. 

Além disso, um dos melhores elementos em Phoenix Force e que, com certeza, influencia a jogatina é a belíssima trilha sonora. São músicas épicas e revigorantes que tornam o desafio de cada fase muito mais interessante e animador. Você, por alguns momentos, entra realmente no espírito da Fênix e quer desviar de todos os ataques para vencer os inimigos. Essa trilha sonora completa o desafio do jogo como se fosse uma dose de adrenalina, impedindo o jogador de desistir no meio das frustrações. Vocês podem ter uma ideia dela através do trailer do jogo:

Frustração essa que é um elemento comum em Phoenix Force, devido ao grau de dificuldade do jogo. Mesmo com um level design muito bem construído, em certos momentos é preciso repetir uma fase até uma dezena de vezes até que se pegue a mecânica dos monstros e consiga, por habilidade ou por sorte, vencê-los. Isso coloca em xeque tanto seus reflexos quanto seus nervos, mas de uma forma positiva.

Para casuais e “hardcore

Phoenix Force, assim como tantos outros indies analisados aqui no Blast, nos mostra como o Brasil está bem equipado de desenvolvedores independentes, com ótimos jogos já lançados e futuras promessas. É certo dizer que o gênero bullet hell nunca teve um exemplar tão original em anos, visto tanto pela jogabilidade quanto pela temática mitológica que o jogo possui.

Um ponto a se considerar no jogo é que o seu ritmo tende a ser quebrado em algumas horas de forma muito brusca e até repetitiva. Em alguns momentos o jogador acaba de passar por uma fase incrível onde enfrentou quatro criaturas horripilantes com poderosos métodos de ataque para, na fase seguinte, enfrentar somente um monstro, com a intenção de introduzi-lo para o jogador. O problema é que esse modelo de apresentação de monstros novos de forma individual se repete ao longo de todo o jogo, tornando-se um pouco repetitivo.

Com tudo isso ainda se sobressai a capacidade que o game possui de prender tanto jogadores casuais, que jogam indo para o trabalho ou enquanto esperam o metrô, quanto também jogadores ditos hardcore, que buscam desafios em jogos que exigem um pouco mais de habilidade. Phoenix Force consegue o equilíbrio exato entre os dois lados da moeda.



Prós

  • Controles instintivos e simples;
  • Ambientação original para o gênero;
  • Trilha sonora instigante e impecável;
  • Bom nível de desafio;
  • Agrada vários tipos de jogadores;
  • Número adequado de fases.

Contras

  • Ritmo de apresentação de monstros pode se tornar repetitivo;
  • Quebras no ritmo das fases pode desmotivar a jogatina.
Phoenix Force - PC - Nota: 9,0
Revisão: Marcos Silveira
Capa: Daniel Silva

Gilson Peres é Psicólogo e Mestre em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014 e começou sua vida gamer bem cedo no NES. Atualmente divide seu tempo entre games de sobrevivência e a realidade virtual.

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