Por dentro da Global Game Jam, a maior maratona de desenvolvimento de games do mundo

Você sempre adorou videogames e está convencido de que entende mais do assunto do que qualquer pessoa do mundo. Então você decide que quer... (por Unknown em 05/02/2013, via GameBlast)

Você sempre adorou videogames e está convencido de que entende mais do assunto do que qualquer pessoa do mundo. Então você decide que quer trabalhar na área, mas não possui muita experiência e nem contatos no mercado. Ou talvez você seja desenvolvedor de uma empresa e quer dominar o mundo com suas ideias. Não interessa em qual lado você esteja, a Global Game Jam é pra você, uma pessoa apaixonada por games. Sabendo que iria acontecer uma etapa do evento na cidade onde moro, em Vitória no Espírito Santo, e resolvi participar. Minhas impressões vocês conferem a seguir.

Global Game o quê?

Uma game jam é um evento no qual um grupo de entusiastas por games se reúnem para desenvolver jogos, simples assim. Na frase anterior fiz o uso da palavra “entusiastas” porque ela concentra exatamente o conceito de uma jam, a paixão pelo assunto em questão. Não é necessário ser um programador experiente para participar, basta ter vontade de trocar ideias, de escutar e de ser escutado.

Brincar de Lego ainda continua divertido

A Global Game Jam é um evento em escala global, em que os participantes ficam “confinados” durante 48 horas com um único objetivo: produzir um game completamente do zero. Pois é, só quem se arriscou a fazer um jogo sabe o quão árdua é a tarefa. Mas isso não é necessariamente ruim, pois o diálogo a troca de experiências entre as equipes são fortemente encorajados pelos coordenadores do evento. Este é o principal objetivo: fortalecer as relações locais entre os desenvolvedores e possibilitar a união de pessoas com objetivos comuns.

Que os jogos comecem...

Eu cheguei no local do evento aproximadamente às 17:00h, logo na abertura oficial do evento. Os participantes podiam chegar mais cedo e desde já eram estimulados a manter um diálogo e desde já montarem as equipes, de forma que suas habilidades se completem. 

Durante a abertura, foram dadas instruções para segurança dos desenvolvedores, orientações para conservação do prédio, etc. A abertura é também um dos momentos mais aguardados do evento, pois o anúncio do tema é sempre cercado de muita expectativa. Os temas dos anos anteriores eram bem ortodoxos, sendo a “Extinção” em 2011 e uma imagem do ouroboros em 2012. Em 2013 houve surpresa mais uma vez, visto que o tema não é uma palavra, nem mesmo uma imagem, simplesmente um som. Assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões:


Vale lembrar que o tema não devia ser revelado para pessoas fora do local, já que haviam países não haviam iniciado o evento.
Enquanto a galera trabalha, eu jogo Kid Icarus ao fundo
Para dar um apoio “moral’ aos participantes, alguns grandes desenvolvedores mandaram suas mensagens de apoio e também dicas, para um maior proveito do evento:

Uma vez passada a afobação pela surpresa do tema, os grupos começam a se formar. Percebi que os grupos se formaram de uma maneira bem natural e equilibrada, procurando montar uma equipe bem diversificada. Enquanto as equipes ficavam discutindo qual era o melhor rumo para o projeto, eu bati um papo com Victor Quiroz, organizador geral do evento.

Victor, o organizador local
Quando questionado sobre qual foi a motivação para ter tanto trabalho para poder organizar um evento desse porte, responde de uma maneira rápida e objetiva: “O meu principal objetivo é fortalecer o mercado local de jogos. É vantajoso para mim, enquanto desenvolvedor ( Victor é sócio de uma empresa que desenvolve jogos com foco no mercado mobile) estar um ambiente no qual as pessoas troquem experiências e ideias para o desenvolvimento de nossos projetos. Isso estimula outras pessoas a entrarem no mercado e todo mundo sai ganhando.”

Falando sobre as dificuldades de ser um jammer, Victor relata que a principal dificuldade é o tempo. Andando pelo local e escutando as conversas entre os participantes é possível perceber que o organizador está completamente certo. Ideias de mais, tempo de menos. E assim vai chegando a madrugada, enquanto alguns designers preferem ficar trabalhando no local outros jammers preferem ir pra casa.

I wanna play a game...

Enquanto eu estava registrando e escrevendo essa matéria, no local da própria Game Jam, milhares de pessoas por todo o globo também estavam trabalhando duro. A organização divulgou que ao todo existiam 319 locais sediando o evento, em 63 países. 12 países estavam participando da competição pela primeira vez (Bolívia, Chile, Egito, Grécia, Hungria, Letônia, Macedônia, Marrocos, Nigéria, Sérvia e Tunísia).
16705 jammers foram registrados, dos quais 11747 estavam participando de ao menos um jogo. Os números que “sobraram” representam as pessoas que não compareceram ao local ou não participaram de nenhum projeto.

No Brasil foram 24 sedes, 7 a mais do que o ano passado. Dentre a comunidade de desenvolvedores, o nosso país é um dos maiores representantes da GGJ. Uma das nossas sedes, na PUC do Paraná, foi o segundo local com maior número de inscritos, 320. Confira mais números no site oficial do evento.

E o mais importante, foram registrados 3248 jogos no mundo e 150 no Brasil! Vale lembrar que muitos deles não estavam completamente finalizados ao encerrar do evento, mas a ideia não é competir, e sim trocar experiências. Não é raro os grupos continuarem a trabalhar nesses jogos ao término do evento e lançá-los no mercado algum tempo depois.

"Calma galera, vai dar tudo certo..."

Time to play!

Como não tive muito tempo para testar os jogos, fiz questão de testar games de estúdios brasileiros. Aqui estão alguns joguinhos que me chamaram a atenção:

Sigurdr’s Havoc
Esse game me mostrou porque eu odeio amar Battletoads.

Cis and Dys vs. The Beat
Eu adoro gráficos retrô, e as musiquinhas são muito grudentas!

Dysrhytmia
Acho que é assim que um cardiologista opera um paciente enquanto escuta música.

Tied
Dois jogadores devem se ajudar e se superar obstáculos, evitando que o laço que os une se rompa. Que romântico...

Se você estiver com um pouquinho de tempo livre, acesse os jogos por esse site.

Bonus Stage

Nem de longe esse texto consegue transmitir a mesma emoção sentida ao participar do evento, mas aqui estão algumas fotos tiradas ao longo das 48 horas.

Chegar a um consenso sobre os detalhes do jogo não é nada fácil

Viva a geração saúde!






Não importa onde você esteja, sempre terá um fã de Zelda por lá

Game Over

Ao final do evento, todos os participantes se reúnem e conversam sobre as dificuldades encontradas durante o desenvolvimento, o que deu certo e também mostram os jogos uns aos outros. Como haviam  17 participantes, foram produzidos “apenas” 3 jogos: hEARt, Suvivor e Feel. Coloquei as aspas para não passar uma má impressão ao leitor. Há quem pense que 3 jogos é pouca coisa, fácil de fazer. Depois desse final de semana, posso dizer que até a minha experiência como gamer mudou. Nunca imaginei que “apenas” um game desse tanto trabalho para ser feito. Se você ficou com vontade de participar, esse ano já foi, mas como o mundo ainda não acabou, 2014 logo chega. Tomara que nos encontremos por lá.

"Nem parece que estamos a dois dias sem dormir..."

Agradecimentos: Victor Quiroz e Victory Island Studios

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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  1. Eu também participei, na GGJ de Porto Alegre. Posso dizer que é uma experiência única. O jogo que produzimos é esse:
    http://dl.dropbox.com/u/53210171/ScarecrowDefender.html

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