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Análise: Robobeat (PC) combina ritmo e ação em primeira pessoa do jeito certo

Não perca o compasso neste roguelite de ação com uma proposta que não é nova, mas funciona bem.


Desenvolvido por Simon Fredholm, Robobeat é um roguelite de ação em primeira pessoa no qual assumimos o papel de um caçador de recompensas em busca de um robô bandido. No jogo, é necessário sincronizar-se com o ritmo da ação para avançar em uma caçada alucinante, repleta de tiros, explosões e equalizadores.

No ritmo da ação

Em Robobeat, assumimos o papel de Ace, um caçador de recompensas em busca de seu próximo alvo: o excêntrico Frazzer. No entanto, nessa missão é mais fácil dizer do que fazer, já que Ace precisa atravessar uma espécie de "playground tecnológico" e dominar a arte de realizar ações em sincronia com o ritmo da música.

Isso significa atirar, correr pelas paredes, deslizar e pular pelo ambiente em perfeita harmonia com as batidas da trilha que o jogador tem total liberdade para escolher. Ace conta com um modesto arsenal de armas com visuais psicodélicos e efeitos diversos para ajudá-lo a atravessar as labirínticas salas procedurais das quatro áreas do covil de Frazzer até o fatídico embate contra seu alvo.

Podendo empunhar até duas armas ao mesmo tempo, Ace precisa derrotar todos os inimigos de uma sala para poder prosseguir para a seguinte. Dependendo das escolhas que o jogador faz ao selecionar a próxima arena, o caçador pode obter algum bônus em moedas para usar na loja, ou então os Blips, recursos utilizados para desbloquear novas armas, tipos de salas e habilidades secundárias adicionais. Além disso, Ace pode encontrar diagramas que permitem o desbloqueio destes itens, bem como fitas cassete que aumentam a playlist de músicas do seu toca-fitas.


As salas do covil são geradas de forma aleatória, ou seja: a disposição dos cenários muda a cada nova tentativa de concluir uma área e se aproximar do objetivo de capturar Frazzer. Isso desafia o jogador a melhorar o tempo todo. Como em todo roguelite, as primeiras partidas podem ser um pouco mais complicadas, já que estamos nos acostumando com o ambiente do jogo e suas mecânicas, mas a cada tentativa aprendemos com os erros anteriores.

A curva de dificuldade é um tanto íngreme, porém gerenciável. Cada uma das quatro áreas, quando completadas, não exige acesso obrigatório a cada nova tentativa. Por exemplo, se você já concluiu as duas primeiras áreas pode partir direto para a terceira assim que retornar de mais uma derrota.

O número de salas, inimigos e chefes em cada área aumenta progressivamente, exigindo que o jogador se reinvente e melhore seu desempenho conforme avança no jogo. Caso contrário, pode acabar sendo forçado a ficar preso em uma mesma área por várias horas até dominá-la e conseguir avançar para a seguinte.


Qualquer música mesmo!

Um dos aspectos mais brilhantes em Robobeat é, sem dúvida, a sua abordagem única em relação à música. Não estamos restritos à playlist padrão; na verdade, temos total liberdade para selecionar o que ouvimos enquanto jogamos. Isso é uma característica notável do jogo, pois permite que os jogadores insiram suas próprias trilhas sonoras, ditando o ritmo de sua experiência de jogo.

A funcionalidade de importar músicas abre um leque de possibilidades notável. E o melhor é que não é necessário ser um expert em edição de áudio para fazer isso acontecer. O próprio jogo possui um sistema que reconhece automaticamente o número de batidas por minuto (BPM) de cada música importada, preparando-a para uso durante a jogatina.


Além disso, a ferramenta de edição embutida em Robobeat permite ajustes adicionais, como a modificação da duração da música ou o ajuste manual da taxa de BPM para os mais exigentes. Durante minhas sessões de jogo experimentei diversas músicas, desde trilhas sonoras de jogos como Persona 5 e clássicos do Metallica até escolhas mais inusitadas, como "Gangnam Style", só pelo prazer da diversão.

Isso significa que você pode muito bem jogar ao som de "Evidências", "Caneta Azul" ou até mesmo aquela música de louvor da sua igreja favorita. As possibilidades são vastas e limitadas apenas pelo seu gosto musical - e, claro, pela questão dos direitos autorais, especialmente se você for um streamer transmitindo suas partidas de Robobeat ao vivo.

Para deixar essa funcionalidade ainda mais interessante, todos os arquivos de áudio gerados pelo jogo podem ser compartilhados. Durante os dias nos quais joguei para produzir esta análise, tive acesso ao grupo de Robobeat no Discord, que possui uma área dedicada para compartilhamento de arquivos de outros jogadores. Sendo assim, mesmo que você esteja com uma preguicinha na hora de criar suas playlists, nada impede que você “aceite sugestões” de fora.

Ritmo e gameplay em sintonia

Robobeat é um jogo extremamente frenético, demandando habilidade do jogador, especialmente devido à sua abordagem rítmica e à velocidade das ações, determinada pelo ritmo da música escolhida. O HUB, que é a área inicial do jogo, desempenha também o papel de espaço de treinamento, oferecendo plataformas, alvos e outros recursos para aquecer antes de mergulhar na ação.

Um metrônomo visual, localizado no retículo de mira, auxilia o jogador a realizar as ações no tempo certo. Por exemplo, um tiro carregado disparado fora do ritmo não terá efeito algum. A ação de aparar, útil para se defender ou contra-atacar projéteis ou golpes inimigos, também é diretamente afetada por essa sincronia.

A música não apenas influencia a jogabilidade, mas também a dificuldade do jogo, já que a regra rítmica se estende aos inimigos. Para uma experiência mais ágil e frenética, músicas com 120 BPM ou mais são as recomendadas. Por outro lado, se estiver enfrentando dificuldades, faixas com uma taxa de até 90 BPM, no máximo uns 100 BPM, podem tornar as coisas um pouco mais fáceis.

Essa combinação de ritmos, tanto na jogabilidade quanto na música, adiciona uma camada única de acessibilidade e diversão em Robobeat. Você pode optar por jogar o game inteiro com uma única música, desde que ela ajude na jogabilidade, ou criar uma playlist mais empolgante para eliminar os inimigos mais rapidamente e aumentar a adrenalina.

No entanto, os visuais, que são bastante psicodélicos, podem ser um pouco incômodos para alguns jogadores. Cada área apresenta paletas de cores únicas e um filtro de imagem que intensifica os detalhes de forma propositada, deixando o visual rebuscado. Embora essa abordagem possa não agradar a todos, a diversão única que ele proporciona supera esse aspecto. É como se gameplay e ritmo andassem de mãos dadas e o visual viesse logo atrás, tentando acompanhar.


Em termos técnicos, Robobeat oferece boa performance e suporte para controles, o que é útil para jogadores que preferem essa opção em vez de mouse e teclado. Eu mesmo alternei entre esses métodos para encontrar o mais confortável para mim. Além disso, recomendo investir um tempo no importador de músicas para montar uma playlist épica que realmente eleve sua experiência de jogo — é algo que certamente vale a pena explorar ao jogar Robobeat.

Como comentei no início da análise, essa proposta não é nova. Ela já foi explorada em jogos como Metal: Hellsinger e BPM: Bullets Per Minute que, inclusive, fará uma colaboração com Robobeat que já estará disponível no dia do lançamento, em 14 de maio.

Dançando com os dedos

Robobeat oferece uma experiência em que a harmonia entre a ação e a música dita o ritmo do desafio. Com uma mecânica que sincroniza as ações do jogador com o ritmo da música escolhida, o jogo proporciona uma jornada cheia de adrenalina e diversão. Além disso, a capacidade de importar suas próprias músicas adiciona uma camada de personalização e imersão à experiência, permitindo aos jogadores moldarem sua experiência de acordo com seus gostos musicais.


No entanto, alguns pontos podem impactar a experiência geral do jogador. Os visuais psicodélicos, embora sejam uma parte integrante do estilo do jogo, podem ser um tanto exagerados ou até malfeitos, capazes de gerar um desconforto visual. Além disso, a curva de dificuldade íngreme pode ser desafiadora para alguns jogadores, especialmente aqueles que estão se adaptando às mecânicas únicas do jogo ou não estão habituados com jogos de ritmo.

Robobeat brilha como um jogo que desafia os limites da interação entre música e gameplay, oferecendo uma experiência extremamente divertida e única para os fãs de roguelite e ação em primeira pessoa.

Prós

  • A mecânica de sincronização da ação com o ritmo da música cria uma camada de imersão muito significativa;
  • Personalização da trilha sonora, permitindo aos jogadores importar suas próprias músicas;
  • Suporte para controles, oferecendo opções de jogabilidade flexíveis.

Contras

  • A direção de arte, com tons psicodélicos e rebuscados, é um pouco desagradável;
  • Curva de dificuldade íngreme pode ser desafiadora para iniciantes jogadores não acostumados com roguelites;
  • Jogar no ritmo da música pode limitar a variedade de jogabilidade para alguns jogadores.
Robobeat — PC — Nota: 8.0
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Kwalee

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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