Uma retrospectiva dos “jogos mais esperados de 2023”

Vamos relembrar como esses games tão aguardados se saíram neste último ano.


Presença constante nas mídias especializadas, as listas dos “games mais aguardados” procuram trazer os lançamentos mais importantes que chegarão no novo ano. Alguns atendem às expectativas, outros ficam aquém do esperado, enquanto alguns ficam na média ou nem mesmo são lançados. Nesse contexto, esta matéria fará a retrospectiva de um Top 10 que publiquei aproximadamente 12 meses atrás, revisitando quais foram os meus acertos, erros e omissões.

Os esperados que ficaram no aguardo

De maneira semelhante ao visto nas minhas retrospectivas de 2021 e 2022, vamos começar com os títulos que eram prometidos para 2023, mas que foram adiados. Felizmente, temos boas notícias: desta vez temos um número menor de games nessa categoria do que no ano passado. Vamos começar com um título que foi adiado mais uma vez, mas que finalmente vai chegar aos ávidos jogadores.
Esquadrão Suicida: Mate a Liga da Justiça foi inicialmente previsto para 2022 e depois para maio de 2023. Após algumas divulgações e vazamentos de informações que não agradaram ao público, o game foi adiado mais uma vez. A nova data é 2 de fevereiro, quando finalmente veremos Arlequina, Capitão Bumerangue, Tubarão-Rei e Pistoleiro enfrentarem Brainiac e os super-heróis que sofreram lavagem cerebral.
Na sequência, temos um exclusivo para o PlayStation 5: Final Fantasy VII Rebirth, que chegou a ser previsto para o segundo semestre de 2023, mas acabou ficando para o final de fevereiro de 2024. Segunda parte da trilogia remake do lançamento de 1997, a nova aventura de Cloud, Tifa, Aerith e companhia promete gráficos ainda mais bonitos e muitas novidades em relação ao título original.
Já Hades II não recebeu datas específicas para 2023, inclusive ainda não contando com uma para 2024. A boa quantidade de conteúdos divulgados até então e a proposta da produção, muito semelhante à anterior, davam suporte à previsão de lançamento. De qualquer forma, a chegada neste ano é praticamente certa, quando poderemos jogar o novo roguelite repleto de ação e mitologia estrelando Melinoë, irmã de Zagreus.

Os esperados que ficaram na média

Passamos agora para aqueles lançamentos que não foram decepções, mas tampouco alcançaram o topo dos melhores do ano. Comecemos com talvez a maior das surpresas: Starfield, o esperado exclusivo da Microsoft. Alvo de grandes expectativas pelas mais diversas razões, chegando à alcunha de “Skyrim do espaço”, o resultado final pode ser considerado apenas medíocre.
Enquanto a produção audiovisual foi muito elogiada, a técnica ficou aquém, com muitas telas de carregamento e uma interface gráfica ruim. A grande quantidade de planetas, customizações e itens ofereceu muita liberdade para o jogador, mas também tornou a jogatina cansativa em alguns pontos e pouco recompensadora em outros. Um game respeitável, só que abaixo do que esperavam os usuários de Xbox e PC.
Outro lançamento de 2023 que ficou na média foi Avatar: Frontiers of Pandora. Embora desde o início ele tivesse um “jeitão” de Far Cry situado no filme de James Cameron, na prática as avaliações apontaram para ainda mais falta de originalidade, com missões e jogabilidade pouco inspiradas. Mesmo a bela produção sofreu com a burocracia dos desafios e um enredo nada empolgante.
Lies of P (esquerda) e Assassin's Creed Mirage
Mais três títulos que bem-recebidos, mas que não alcançaram um status de grande lançamento foram, Assassin’s Creed Mirage, Lies of P e Diablo IV. O primeiro retornou a sua franquia às raízes, com foco em assassinatos mais planejados, muita furtividade e movimentos de parkour, mas sem maiores destaques. Já o segundo título trouxe um novo soulslike para o mercado, construído utilizando a tradicional história de Pinóquio.
Repleto de combates tensos e uma atmosfera única, o game agradou aos fãs do gênero, ficando no limite entre o que considerei “médio” e “destaque”. O terceiro game, Diablo IV, era certamente o que carregava as maiores expectativas. Membro de uma série clássica de RPGs, as suas boas qualidades foram eclipsadas por problemas técnicos no lançamento, microtransações e uma obrigatoriedade de conexão online constante.
Por fim, temos Marvel’s Spider-Man 2. Embora o leitor possa argumentar que o game recebeu notas bastante altas — portanto, acima da “média” —, o que é um argumento válido, observo que as mesmas análises que trouxeram esse panorama apontaram uma grande similaridade com o primeiro título. Em outras palavras, mesmo com um roteiro inédito e algumas novidades e melhorias, em essência tivemos mais do mesmo, algo que não considero como “destaque”.

Os esperados que deram certo

Passemos para a relação dos sucessos confirmados, começando com um caso semelhante ao do game dos cabeças-de-teia. Ou seja, uma sequência que guardou muitas semelhanças com o lançamento original, trazendo mudanças e melhorias pontuais. Porém, se The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom chegou ao Nintendo Switch com essa mesma proposta, por que não ele “ficou na média”?
A questão é que as poucas novidades podem ser consideradas mais significativas. Ao lado de Baldur’s Gate 3 (que irei abordar em breve), o game estrelando Link foi um dos mais bem-recebidos de 2023. Foram muitos elogios ao mundo expandido com ilhas voadoras e profundezas escuras, novas mecânicas como a fusão de itens e a montagem de estruturas complexas.
2023 também trouxe Resident Evil 4, o remake do clássico jogo de ação e tiro estrelando o agente especial Leon. Com uma produção de primeira, ótima jogabilidade e uma adaptação praticamente impecável da obra original, o game alcançou grande sucesso; inclusive, o DLC chamado Caminhos Separados, estrelando Ada Wong, elevou ainda mais a qualidade do título como um todo.
Mantendo a tradição positiva da franquia, Street Fighter 6 chegou com grande alarde. Além de personagens clássicos como Ryu, Ken e Chun-Li, novatos como Luke, Jamie e Kimberly puderam aproveitar as novas mecânicas de luta e partidas online rápidas. Outra novidade foi o modo de criação de personagens, com direito a um sistema bastante completo de customização.
Sequência muito esperada de Fallen Order, Star Wars Jedi: Survivor chegou de forma muito positiva. A continuação das aventuras de Cal Kestis trouxe novos planetas e inimigos mais perigosos, mas também novos aliados e habilidades inéditas com o sabre de luz e a Força. A alta qualidade do título deixou os fãs na expectativa para a terceira parte dessa franquia de uma galáxia tão, tão distante.
Outro dos grandes destaques de 2023 foi Final Fantasy XVI. Como já é sabido, a numeração da série não implica em continuações; pelo contrário, pois nesse caso tivemos um RPG de ação bastante distinto dos títulos anteriores. Parte da mitologia geral da franquia foi renovada e os combates estão bastante dinâmicos, com direito a tomadas de cena no melhor estilo cinematográfico.

Sucessos que não foram previstos

Nem todos os grandes jogos de 2023 foram abordados pela minha matéria do ano passado. Afinal, nem sempre é possível prever todos os lançamentos, mesmo os mais grandiosos e de sucesso. Talvez o melhor exemplo que se encaixa nessa categoria é Baldur’s Gate 3, vencedor da maioria dos prêmios de “melhor jogo do ano”.
Fortemente baseado nos RPGs de mesa, temos aqui um game original repleto de magia e aventura, que oferece muita liberdade ao jogador. Seja em relacionamentos ou em combates, é possível escolher entre várias opções diferentes para avançar na história. Somando essas qualidades a uma produção de primeira, um modo cooperativo e a ausência de microtransações, temos um verdadeiro clássico que conquistou seu lugar na história.
Super Mario Wonder foi outro grande lançamento de 2023 que não foi previsto na minha matéria. A nova aventura do encanador bigodudo e sua turma conseguiu misturar tradição e novidade, trazendo novos mundos e itens inéditos, assim como uma jogabilidade familiar e vários segredos para descobrir. Mais um exemplo, tal como Mortal Kombat 1 e Alan Wake 2, de como surpresas de muita qualidade podem aparecer no mundo dos videogames.

Que venha 2024!

Ainda que não seja uma unanimidade, é possível sim dizer que 2023 foi um dos melhores anos para a indústria dos games. Foram muitos lançamentos com grande qualidade, incluindo todas as plataformas e muitos gêneros diferentes. Além disso, vários títulos que estavam “encalhados” finalmente viram a luz do dia, dando mais fôlego para que futuros jogos possam chegar. Só nos resta esperar para que 2024 seja tão bom quanto e que uma possível próxima retrospectiva esteja repleta de boas lembranças.
E você, leitor? Também consideras 2023 como um dos melhores anos para a indústria dos videogames? Ficou faltando algum game nessa retrospectiva? Deixe a tua opinião.
Revisão: Davi Sousa

é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


Disqus
Facebook
Google