Star Wars: a história e a evolução da franquia nos videogames — Parte 1

Vamos viajar para uma galáxia muito, muito distante e conhecer as muitas aventuras inspiradas na franquia.


Desde os seus primórdios, os videogames frequentemente se inspiram, ou tomam como base direta, os longas-metragens dos cinemas. Sem sombra de dúvidas, uma das franquias mais famosas de todos os tempos que surgiu na sétima arte, e que aparece com frequência no mundo da décima, é a clássica Star Wars. Neste mês comemorativo de Guerra nas Estrelas, que tal revisitar os principais jogos vindos dessa série tão querida?
 
A matéria não vai exaurir todos os títulos já lançados sobre o tema, pois a lista é muito longa e nem todos os itens têm real relevância. Portanto, a ideia é focar nos mais importantes e/ou marcantes para os videogames. De qualquer forma, asseguro que teremos uma viagem repleta de batalhas, corridas e duelos dignos das telonas. Pegue o seu sabre de luz e não se esqueça do seu fiel dróide, pois vamos começar!

Numa galáxia muito, muito distante...

A história de Star Wars nos videogames é quase tão antiga quanto os próprios consoles. O filme Uma Nova Esperança, de 1977 e hoje conhecido como Episódio IV, foi utilizado como base para os primeiros jogos. Começamos com um chamado simplesmente de Star Wars, que chegou inicialmente em 1983 para os fliperamas e, posteriormente, para os consoles e PCs da época, incluindo Atari 2600 e 5200, DOS, Amiga e ZX Spectrum.
O jogo consistia em um simulador de voo bastante interessante, sobretudo dentro dos limites tecnológicos da época. Em 1987, o saudoso NES recebeu um game de mesmo nome do anterior, mas com uma produção bastante diferente, agora do tipo plataforma com direito a sabre de luz, uso da Força e até viagem na Millennium Falcon. Logo depois, entre os anos de 1991 e 1993, mais um game baseado no Episódio IV, também chamado Star Wars, foi lançado.
Agora para o NES e o Game Boy, além do Master System e do Game Gear, respectivamente os consoles de mesa e portátil da Sega, o jogo trouxe ainda mais inovações em relação ao anterior. A história seguiu mais fielmente o filme e trouxe novos personagens jogáveis, como Han Solo e Leia. Foi somente em 1992 que um dos mais famosos títulos da franquia chegou: Super Star Wars, para SNES, ainda baseado em Uma Nova Esperança.
Com belos visuais e uma boa jogabilidade, o sucesso foi considerável, levando-o inclusive a receber versões para Wii e PS4. A proposta básica é do tipo run and gun, com direito a fases com veículos terrestres e espaçonaves. Algumas cenas animadas ajudam a contar a história baseada no filme e podemos controlar Luke Skywalker, Han Solo e Chewbacca.

“Do… or do not. There is no try.”

Com o lançamento do próximo filme em 1980, O Império Contra-Ataca, também conhecido como Episódio V, novos títulos chegaram para os jogadores sedentos por aventuras interativas naquele universo em expansão. A película teve um tratamento semelhante ao visto em Uma Nova Esperança: os primeiros títulos tinham o mesmo nome do filme — Star Wars: The Empire Strikes Back —, saindo entre 1982 e 1992.
Os dois primeiros foram do gênero tiro, com versões para Atari, Arcade, Amiga, ZX Spectrum, entre outros. Os visuais são característicos da época, sendo ambos os jogos de tiro, com a diferença de um ser em duas dimensões e o outro em três. O terceiro e último game com o mesmo nome trouxe uma aventura plataforma de boa qualidade para NES e Game Boy.
Por fim, Super Star Wars: The Empire Strikes Back chegou ao SNES em 1993, mantendo o ótimo nível visto no game anterior para esse console. Graças ao chip Mode 7 integrado ao cartucho, efeitos tridimensionais mais caprichados foram adicionados. Novamente podemos controlar Luke, Han e Chewbacca, agora com direito a dois equipamentos diferentes e novos poderes da Força.
O Episódio VI, conhecido como O Retorno de Jedi, chegou em 1983 e trouxe sua própria leva de jogos temáticos. Em 1983 surgiu Star Wars: Return of the Jedi – Death Star Battle, para Atari e ZX Spectrum, colocando o jogador no controle da Millennium Falcon em um jogo de nave bastante simples. Na sequência, tivemos Star Wars: Return of the Jedi, lançado inicialmente em 1984, com versões para Arcade, ZX Spectrum, Amiga, entre outros.
A proposta é controlar três tipos de veículos vistos no filme, como a Millennium Falcon e as speeder bikes, por meio de uma perspectiva isométrica. Por fim, mais uma vez tivemos uma versão para o SNES do filme, chamada Super Star Wars: Return of the Jedi. De 1994, o game é mais um do tipo plataforma e segue a mesma fórmula de seus predecessores, com novidades pontuais como dificuldade reduzida e a adição da Princesa Leia como personagem jogável.

Um novo começo (literalmente)

Com o final da primeira trilogia, tivemos mais de uma década sem novos filmes. Foi somente em 1999 que a franquia Star Wars finalmente recebeu uma nova película: A Ameaça Fantasma, chamada de Episódio I por se passar cronologicamente antes dos três longas-metragens originais. Com ela, uma nova leva de videogames foi lançada fazendo uso das novidades vistas nesse novo capítulo da franquia.
Star Wars: Episode I – The Phantom Menace chegou no mesmo ano do filme com versões para PC e PlayStation. A aventura de ação não foi um primor técnico, mas teve boas vendas, provavelmente impulsionadas pela popularidade da película. Já Star Wars Episode I: Racer é até hoje considerado um ótimo jogo de corrida, lançado originalmente para PC e N64, com versões posteriores para Dreamcast, Game Boy Color e até mesmo para os consoles da oitava geração, PS4, Xbox One e Switch.
Já Star Wars Episode I: Jedi Power Battles foi lançado nos anos 2000 para PS e Dreamcast, sendo que esse segundo console recebeu uma versão mais competente. A ideia do game é misturar elementos de plataforma e de beat ‘em up, com direito a modo multijogador e várias fases secretas. Em 2001 foi lançado Star Wars: Starfighter para PS2, PC, GC e XB. Nele, o jogador controla diversas naves espaciais em meio a ferozes batalhas. A recepção do game foi muito boa, considerando a jogabilidade e a produção técnica.

Entre areia e terrenos altos

O filme O Ataque dos Clones, também conhecido como Episódio II, chegou em 2002, mas somente três anos depois viu o lançamento de títulos baseados nele. Por exemplo, Star Wars: Jedi Starfighter trouxe toda a adrenalina dos combates entre espaçonaves para as telas do PS2 e do Xbox. Já Star Wars: The Clone Wars, que também incluiu o GameCube na lista de consoles, focou em combates veiculares nos planetas e nas aventuras Jedi com sabres de luz e poderes da Força.
O portátil GBA recebeu dois games: Star Wars: Episode II – Attack of the Clones e Star Wars: The New Droid Army. O primeiro é voltado principalmente para o gênero beat ‘em up em 2D, enquanto o segundo traz uma perspectiva isométrica. Nenhum dos dois foi particularmente bem recebido, tanto em vendas quanto em público, mas destacam a força do console da Nintendo.
Chegamos ao último título da “velha nova” trilogia: A Vingança dos Sith, ou Episódio III, de 2005, foi usado diretamente somente para um game. Chamado de Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith, ele foi lançado para PS2, XB, GBA, NDS e celulares, contando com uma recepção apenas OK. Uma nota curiosa sobre o game, assim como os demais títulos semelhantes nesta matéria: as versões para portáteis diferem bastante dos consoles de mesa, sobretudo pela questão técnica, por vezes resultando numa experiência completamente diferente.

Série digna dos filmes

Como é de conhecimento para a maioria dos fãs, a segunda trilogia de Star Wars, mais particularmente devido ao seu segundo filme, resultou na criação de uma série animada de enorme sucesso. Chamada de Star Wars: The Clone Wars, ela faz a ligação entre os Episódios II e III, desdobrando diversas ideias apresentadas não somente nesses longas-metragens, mas na franquia como um todo. Tal foi o sucesso que, logicamente, diversos games baseados nela foram criados.
Um dos primeiros deles foi Star Wars: The Clone Wars – Lightsaber Duels, em 2008, para o Nintendo Wii. Como o nome sugere, o game é de luta e coloca Jedi e Sith em combates utilizando os controles de movimento do Wii Remote e do Nunchuk. No mesmo ano também foi lançado Star Wars: The Clone Wars – Jedi Alliance, para o Nintendo DS, em que os jogadores controlam as ações dos personagens por meio da caneta Stylus.
No ano de 2009 foi lançado Star Wars: The Clone Wars – Republic Heroes para PC, Xbox 360, PlayStation 2 e 3, Wii e os portáteis PSP e DS. Aqui tivemos uma aventura de ação com os Jedi e os Soldados Clone, com direito a combates, tiroteios, quebra-cabeças e explorações. A recepção do game não foi das melhores, sobretudo pela jogabilidade simplista e pelo roteiro sem graça.
Finalmente, em 2010 veio Clone Wars Adventures, um MMO em que o jogador interagia com personagens famosos e participava de vários tipos de minigames. Embora interessante, os servidores do game foram desligados em 2014. E, assim, acabamos os jogos baseados diretamente nos filmes (ou séries) da franquia Star Wars.

E a nova trilogia?

O leitor pode estar se perguntando: e os filmes mais recentes, que incluem a trilogia dos Episódios VII, VIII e IV, além de Rogue One e cia? Realmente não tivemos nenhum videogame especificamente baseado nessas películas (com exceção de um game Lego), mas creio que as razões para isso sejam mais explicáveis do que os mistérios da Força. Na minha opinião, uma das mais relevantes delas é o impacto: de maneira geral, o primeiro longa-metragem não alcançou a mesma repercussão dos anteriores.
Para piorar a situação, as sequências seguiram uma tendência negativa, tanto crítica quanto popularmente, de modo que qualquer projeto de videogame baseado nelas também sairia prejudicado. Além disso, a controladora atual da franquia Star Wars, a gigantesca Disney, normalmente tem um cuidado bastante significativo para com as suas marcas. Finalmente, os custos de produção dos games na atualidade são consideráveis, sobretudo para títulos de maior porte.

Somando isso ao fato de a trilogia ser uma aposta (ao menos na época do lançamento), as produtoras podem ter ficado temerosas em criar jogos baseados nas películas mais recentes. Curiosamente, de maneira geral a franquia Star Wars está bem ativa nos últimos anos além das telonas, com direito a séries e games independentes dos filmes. Ou seja, acredito que a falta de jogos seja principalmente devido aos filmes em si.
Outro ponto de vista válido é que jogos licenciados, ou seja, games baseados em outras mídias, não são tão comuns hoje em dia quanto já foram. Falando somente de filmes, basta lembrar de A Múmia, Jurassic Park, O Senhor dos Anéis, A Era do Gelo, Harry Potter, Mad Max, entre tantos outros, que receberam versões nos videogames tão logo foram lançados nas telonas. Hoje em dia, mesmo filmes muito famosos, e teoricamente propícios a adaptações, dificilmente recebem uma adaptação.

Ainda há muito espaço para explorar

Dessa forma concluímos a primeira parte da nossa viagem por uma galáxia tão, tão distante e repleta de games. Na próxima matéria, vamos abordar os jogos baseados na franquia como um todo, que não focaram em adaptar diretamente um filme (ou série), incluindo os jogos da série Lego. A “jogografia” da marca Star Wars é considerável e ainda inclui grandes sucessos e verdadeiros clássicos, então não perca a parte 2!

Revisão: Ives Boitano

é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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