Blast Test

Impressões: Instruments of Destruction (PC) mostra que destruir pode ser tão legal quanto construir

Simulador da RadianGames diverte e deixa uma boa impressão mesmo em sua fase inicial de desenvolvimento.

Seja sincero comigo, caro leitor: quantos jogos você viu recentemente que envolviam algum mecanismo complexo de construção? Ok, e de destruição? Possivelmente agora você encontrou uma discrepância nas respostas das duas perguntas, mas se você curte a ideia de demolir coisas, trago boas notícias: lançado no início deste mês para computadores na modalidade acesso antecipado, Instruments of Destruction nos apresenta um impressionante simulador no qual o objetivo principal é erguer máquinas mirabolantes para levar construções inteiras ao chão. Apesar de longe de sua eventual versão final, o resultado já é fascinante e merece ser conferido por fãs da proposta.

Missão: destruir

Ao iniciar Instruments of Destruction pela primeira vez, você se deparará com duas opções principais no menu: “Jogar” e “Mundo Aberto”. A primeira opção leva à campanha atual do jogo, na qual você precisará cumprir diversos objetivos, como demolir uma estrutura em particular ou alcançar um ponto específico em dez ilhas diferentes. Já a segunda apresenta a "caixa de areia” do jogo, na qual você poderá brincar livremente nessas mesmas ilhas.

Tendo sido lançada recentemente no formato early access, a obra da RadianGames ainda carece de polimento em aspectos como menus e tutoriais, o que pode deixar os jogadores confusos em um primeiro momento — confesso que me senti assim por um tempo até entender como tudo funcionava. Iniciar o jogo pela opção de Mundo Aberto, por exemplo, é pedir para ser bombardeado com janelas e mais janelas, cada qual com várias opções individuais, e mesmo o modo campanha não está muito longe disso.

Mas não é preciso muito tempo de jogo para ver que, na verdade, essa grande quantidade de recursos joga a favor de Instruments of Destruction. Sendo bem honesto, aqui está um simulador que faz jus ao termo, com uma física avançada digna de aplausos e capaz de prover um verdadeiro espetáculo visual conforme as demolições começam a acontecer.

Máquina mortífera

Iniciar pelo modo campanha é o recomendado aqui, pois os objetivos iniciais são simples e completá-los libera veículos e peças novas para serem usados pelo jogador em suas criações. Como dito, a progressão se dá por meio de ilhas isoladas, e cada área apresentará seus próprios desafios, como um terreno de travessia mais difícil ou estruturas com explosivos escondidos.

Mas mesmo nos estágios iniciais, já é possível contemplar a mágica dos efeitos do jogo: por mais que as ilhas em si não sejam muito extensas, todos os objetos presentes no mapa interagem com a destruição de algum modo, graças a um sistema avançado de partículas renderizadas pela placa de vídeo de sua máquina. Vendo o resultado na prática, é realmente impressionante — sem exagero, são alguns dos efeitos mais convincentes que já vi em meu monitor.

E tudo torna-se ainda mais admirável quando descobrimos que Instruments of Destruction é na verdade a obra de um homem só, chamado de Luke Schneider. Schneider trabalhou na Volition como líder de tecnologia em obras como Red Faction Guerrilla (Multi), muito elogiada por seu sistema de física e destruição. Está explicada então a qualidade desses elementos em Instruments of Destruction.

Construir para demolir

Como dito, progredir no modo história libera peças e veículos para que o jogador possa dar vida às suas próprias construções. Com uma série de conectores e blocos, o limite das máquinas é quase que totalmente definido pela imaginação: é possível montar uma espécie de tanque com canhões, serras e escavadeiras, por exemplo. Uma verdadeira máquina mortífera.

Porém, é preciso que tal máquina pelo menos seja capaz de se locomover, pois cair na água equivale a um game over. De modo similar, alguns objetivos em específico podem requerer que você passe por pontes ou áreas frágeis, onde o peso de seu equipamento pode acabar impedindo a conclusão do cenário. É possível reiniciar a qualquer momento um desafio, mas, no fim, a ferramenta mais poderosa é aquela que preza pelo equilíbrio.

Caso você não seja muito fã de construir suas próprias máquinas, cabe mencionar que Instruments of Destruction conta com suporte à Oficina Steam, que lhe permite explorar e instalar criações da comunidade de dentro do próprio game. Em minhas sessões de jogo para análise, acabei explorando algumas das criações pessoais, e é sempre bem interessante ver a criatividade que alguns jogadores têm.

Porém, como previsto em um jogo em acesso antecipado, nem tudo são flores. Mesmo com o suporte à Oficina e diversos recursos já disponíveis, é preciso alertar que não são necessárias muitas horas de jogo para ter a sensação que você já viu quase tudo o que Instruments of Destruction tinha a oferecer. A campanha atual em si é curta (menos de 5 horas de duração) e a ausência de um editor de ilhas ou estruturas acaba limitando a experiência neste exato momento. A boa notícia, no entanto, é que essas funções estão presentes no roadmap de atualizações e devem chegar em breve.

A engrenagem do sucesso

No momento em que eu fechava este texto de impressões, Instruments of Destruction estava em sua versão 0.1.1.1, que reforça a noção de estarmos longe do eventual lançamento final. Porém, há de se mencionar a velocidade com que o jogo vem sendo atualizado — no intervalo de duas semanas que estive com uma cópia da obra em minhas mãos, foram liberados pelo menos três patches trazendo correções e recursos, um número deveras impressionante quando se leva em conta que há um único desenvolvedor por trás de tudo.

Em um post dedicado na comunidade Steam, a RadianGames detalhou algumas novidades que serão implementadas a curto e médio prazo, como novos níveis, um editor de ilhas e de estruturas e mais melhorias de performance, especialmente para placas de vídeo antigas. Se esses planos chegarem à fruição e a integração com a Oficina Steam for mantida, Instruments of Destruction certamente se destacará no mercado, oferecendo um conteúdo praticamente infinito para os fãs de sua proposta. A criatividade de fato será o limite.

O ato de comprar um jogo em acesso antecipado sempre carrega consigo um risco inerente ao formato. Há obras que até hoje não viram a versão 1.0 e seguem sem previsão alguma de alcançar esse marco — cof, cof, Valheim (Multi). Porém, com tudo o que é visto aqui, recomendo que entusiastas ao menos mantenham este jogo em seu radar. Há potencial para termos em breve algo realmente especial aqui.

A destruição nas suas mãos

Mesmo ainda distante de sua versão final, Instruments of Destruction já é capaz de prover bons momentos de diversão. Sua física avançada impressiona e é a grande vedete do espetáculo que envolve ver grandes obras arquitetônicas sendo reduzidas a pó. Seja como simulador casual ou como ferramenta de benchmark para seu processador e placa de vídeo, aqui definitivamente está um título para se ficar de olho nos próximos meses e anos.

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela RadianGames


é bacharel em Produção Cultural pela UFF e estudante de Comunicação Social pela FSMA. Na infância, ganhou um Super Nintendo dos pais e, desde então, nunca mais deixou o mundo dos games. Ainda sonha em ser um Mestre Pokémon.


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