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Análise: Grapple Dog (PC/Switch) é uma vibrante e variada aventura de plataforma 2D

Um cachorro usa um gancho para se balançar por inúmeros estágios inspirados em clássicos do gênero.

Grapple Dog evoca os clássicos da era 16 bits em um título de plataforma agradável. O protagonista é um cachorro que, para superar os desafios, usa um gancho para se balançar e alcançar locais distantes. Esse conceito é explorado em estágios criativos e variados, que contam também com vários segredos a serem encontrados. Essas características, em conjunto com uma atmosfera leve e colorida, resultam em uma ótima aventura que só não é excepcional por causa de alguns problemas.

Balançando-se por um universo colorido

Um cachorro chamado Pablo, em companhia de seus amigos, viaja até um arquipélago distante em busca de um tesouro escondido por uma figura misteriosa chamada Grande Inventor. Explorando uma das ilhas, ele acaba se separando do grupo ao cair em uma estranha caverna. Nas profundezas, Pablo encontra um robô chamado Nulo, que diz estar preso ali por anos. Com a ajuda de seu novo companheiro, o cãozinho encontra um gancho e eles conseguem escapar da caverna.

No entanto, Nulo revela suas verdadeiras intenções: seu objetivo é destruir o mundo, e agora que está livre novamente ele prosseguirá com o plano. Depois de ser enganado pelo robô, Pablo decide impedi-lo. Para isso, o cãozinho precisa explorar o arquipélago e encontrar artefatos especiais antes que seja tarde demais.


A aventura de Grapple Dog é bem tradicional e dividida em estágios 2D. Além de pular, Pablo pode utilizar o gancho para se agarrar a diferentes elementos do cenário. Depois de fixar a corda em algum ponto, é possível se balançar para ganhar inércia e alcançar locais mais distantes. Os comandos são bem intuitivos: o gancho aponta para cima na diagonal, e às vezes a mira é fixada automaticamente em certos alvos, permitindo utilizá-lo sem muitas complicações.

Os estágios têm vários colecionáveis, como gemas, frutas e medalhas para desbloquear desafios bônus. Muitos dos itens estão em locais de difícil acesso, exigindo bom uso do gancho, o que nos incentiva a explorar com cuidado cada região. Depois de completar a fase, é liberado o modo corrida contra o tempo, que nos desafia a alcançar a saída o mais rápido possível.


O passado também é inspiração para a ambientação de Grapple Dog. O jogo conta com visual pixel art 2D que lembra títulos de GBA com seus elementos grandes e com bordas grossas. Isso, em conjunto com uso de cores vibrantes e cenários elaborados, cria um universo muito charmoso. A temática das localidades é básica, com florestas, cavernas, vulcões e praias, mas há um pouco de personalidade nos divertidos diálogos, que estão completamente em português. Já a trilha sonora decepciona ao ter uma única faixa para todas as fases de um mesmo mundo — chegou um momento em que eu já estava cansado de ouvir a mesma música pela quinta vez seguida.



Uma jornada de plataformas, variedade e um pouco de chateação

Grapple Dog me conquistou com sua interpretação competente de ação 2D. Controlar Pablo é bastante agradável, principalmente por causa dos comandos intuitivos, sendo fácil usar o gancho em sequência para atravessar buracos e outros perigos com agilidade. No meio do ar às vezes a movimentação é meio solta demais, e alguns saltos quebram a sensação de fluidez por interferirem com a inércia, mas, felizmente, são detalhes que incomodam pouco.

Um dos destaques do jogo é a diversidade de desafios. Cada fase inclui elementos e mecânicas novas, como canhões, esteiras, bolhas de água que podem ser utilizadas para impulsos, blocos que aparecem somente após ativar uma lanterna e mais. Há também áreas mais verticais e trechos que lembram pequenos puzzles, como nas etapas bônus. É surpreendente a variedade de ideias exploradas pelo caminho, e os colecionáveis são bons incentivos para revisitar os estágios.


A jornada começa bem simples, porém vai ficando cada vez mais complicada. O motivo disso é a mistura de elementos, o que cria desafios mais complexos. O jogo não chega a ficar frustrantemente difícil, mas aparecem várias partes que demandam mais perícia, em especial nos estágios finais — sofri um bocado em certos trechos. Por sorte, os checkpoints são generosos e há opções de acessibilidade para atenuar a dificuldade, como pulos infinitos e invencibilidade.

Uma batalha contra um chefe espera no final de cada mundo. De longe, estes são os piores momentos do jogo. Os embates até têm ideias interessantes, mas, em suma, eles se resumem em escapar de perigos por um longo tempo até que o mestre fique vulnerável a ataques. O problema é que esses combates se arrastam, e morrer significa recomeçar tudo do início — algo comum, pois itens de recuperar a vida aparecem raramente nesses momentos. O resultado são batalhas enfadonhas e cansativas que pouco adicionam à experiência.



Vibrante e divertido

Grapple Dog usa carisma e muita cor para criar uma simpática aventura 2D. Usar um gancho para se balançar pelos cenários é bem intuitivo, fazendo com que o ritmo da ação seja ágil. Além disso, a introdução constante de elementos e perigos mantém a sensação de novidade pelo decorrer dos criativos estágios. Alguns pontos incomodam, como os chefes desinteressantes e a imprecisão do salto em certas situações, mas, no geral, a experiência é competente. No fim, Grapple Dog cativa e é uma ótima opção para quem quer curtir um jogo de plataforma inspirado nos clássicos 16-bits.

Prós

  • Mecânicas de plataforma simples e bem executadas;
  • Grande diversidade de desafios e perigos espalhados por inúmeros estágios bem pensados;
  • Curva de dificuldade balanceada
  • Atmosfera charmosa com coloridos gráficos em pixel art.

Contras

  • Controles imprecisos em alguns momentos;
  • As batalhas contra os chefes são desinteressantes e se arrastam demais;
  • Trilha sonora repetitiva.
Grapple Dog — PC/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Thais Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Super Rare Originals

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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