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Análise: Punch Line (Multi): um fantasma, calcinhas e o fim do mundo

Jogo de mistério com roteiro cheio de nonsense e piadas é uma interessante combinação de visual novel e puzzles simples.


Desenvolvido pela 5pb. com roteiro de Kotaro Uchikoshi (Zero Escape), Punch Line é uma obra multimídia que deu origem também a um anime que foi ao ar em 2015. No centro da sua história está um protagonista que ganha poderes extraordinários quando vê calcinhas, mas acaba desmaiando se fica muito excitado.

De alguma forma, caso isso aconteça, o resultado é o fim do mundo como conhecemos. Com essa premissa nonsense bizarra, o jogo pode a princípio parecer uma grande bobagem, mas se desenvolve como um interessante mistério cheio de reviravoltas impressionantes.

Um fantasma que fica mais forte assustando pessoas


Enquanto voltava para casa, Yuta Iridatsu acaba se envolvendo em um incidente. Seu ônibus é atacado por um grupo terrorista e o protagonista acaba se separando de seu corpo. Como uma criatura etérea, seu objetivo é voltar ao normal, o que pode ser feito com o auxílio do livro de magia Nandara Gandara.

No entanto, obter o livro não será fácil. Em primeiro lugar, porque o jogador não sabe onde ele está, apenas que deve ser possível encontrá-lo na pensão onde mora, a Korai House. Em segundo, porque sua capacidade de interagir com os ambientes é baixa. Yuta consegue apenas realizar pequenas tarefas e precisa assustar pessoas para aumentar suas habilidades.

Nesse sentido, o jogador precisa encontrar objetos no ambiente com os quais ele consegue interagir. As ações possíveis são destacadas em rosa e o jogador pode mudar seus ângulos de visão ou ir de um quarto a outro. Além de aumentar suas habilidades, é necessário utilizar esses “truques” para produzir reações em cadeia e causar mudanças nos eventos.


Por exemplo, o objetivo do jogador pode ser levar uma personagem para outro quarto. Mas não é possível conversar ou forçar uma pessoa a fazer alguma coisa. Então o que resta ao jogador é interagir com vários objetos diferentes nos quartos da pensão para que eles causem uma reação em cadeia que force a personagem a ir ao local desejado.


Apesar desses puzzles serem infelizmente muito lineares e simples, ainda é interessante essa possibilidade de explorar os ambientes e os objetos interativos. É necessário, no entanto, tomar cuidado para que Yuta não fique muito excitado.

Determinados ângulos de visão e truques podem fazer com que o personagem veja calcinhas e aumente sua barra de Boom!, à direita na tela. Quando isso acontece, o jogador precisa rapidamente desviar sua atenção (enquanto o jogo força a visão da câmera a ser atraída para a calcinha). Apesar desse elemento que é uma presença constante no jogo, é curioso o fato de que o conteúdo apresentado nunca é excessivamente erótico, sendo possível classificá-lo como leve.

Um anime em forma de jogo


Um detalhe curioso do jogo é que vários trechos do anime são utilizados em momentos chave. Há também uma abertura e um encerramento (idêntico ao do anime) em cada episódio do jogo.

Com isso, o jogo acaba se assemelhando a um anime, mesmo possuindo trechos de diálogo e gameplay com os modelos 3D dos cenários e personagens. No entanto, as cenas com esses modelos acabam tendo movimentações um tanto rígidas, por vezes até aparentemente desconexas e estranhas.

Mas outro aspecto que o faz parecer um anime são os personagens com os quais é possível interagir. Além de ser majoritariamente composto por garotas, o elenco é típico desse estilo de obra, bastante carismático e com suas peculiaridades.


Por exemplo, um dos personagens que mais aparece é o espírito de um gato que gosta de falar apenas o essencial e irritar o protagonista de várias formas. Temos também uma garota que é uma super heroína e acha que engana alguém sobre sua identidade, quando na verdade acaba agindo de forma bem óbvia, entre várias outras pessoas excêntricas.

Situações completamente bizarras e cômicas também acontecem, o que era esperado pela premissa. Ao mesmo tempo, existe um mistério sério envolvendo uma grande conspiração, poderes sobrenaturais, experimentos científicos e várias, várias reviravoltas.

De fato, como fã de outras obras de Kotaro Uchikoshi, esses momentos mais instigantes da narrativa em muito me agradaram. Ao mesmo tempo, não é possível aproveitar a obra sem gostar minimamente de suas bizarrices cômicas.

Um experimento interessante


A versão de PC especificamente não possui a possibilidade de alterar o mapeamento de botões no teclado nem a resolução do jogo. Pelo menos, por se tratar de um jogo sem muita demanda de agilidade, a falta dessas opções acaba não sendo tão problemática. Mesmo assim, teria sido interessante, por exemplo, a possibilidade de usar o mouse para avançar o texto e explorar os ambientes.

Apesar desses detalhes, de forma geral, Punch Line é um experimento interessante entre os jogos do estilo visual novel, apresentando puzzles simples, ambientes e personagens em 3D e uma narrativa cheia de reviravoltas interessantes. Recomendada para fãs do gênero e de animes de comédia com doses de fanservice e que ao mesmo tempo apreciam tramas rocambolescas.

Prós

  • Elenco carismático de figuras excêntricas;
  • História que combina bem comédia e um mistério cheio de reviravoltas.

Contras

  • Puzzles demasiadamente simples;
  • Modelos 3D rígidos com movimentos ocasionalmente estranhos;
  • Impossibilidade de alterar configurações do teclado e resolução.
Punch Line - PC/PS4/PS Vita - Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Diogo Mendes
Análise produzida com cópia digital cedida pela PQube Games

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.

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