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Análise: Kotodama: The 7 Mysteries of Fujisawa (Multi): despindo os mistérios da escola

Jogo que combina visual novel de mistério e match-three tem boa história e gameplay, mas uma série de pequenos problemas atrapalham a experiência.

Desenvolvido pela Art Co., Kotodama: The 7 Mysteries of Fujisawa é um curioso misto de visual novel de mistério e match-three erótico. Apesar de inicialmente parecer uma escola simples e acolhedora, Fujisawa esconde um grande segredo e cabe ao jogador investigá-la a fundo até encontrar a verdade.

Os sete mistérios da escola

Kotodama coloca o jogador na pele de um aluno (ou aluna) transferido para a Academia Fujisawa. Ao chegar no local, o jovem logo se vê envolvido com o ORC, clube de pesquisas sobrenaturais da escola.

Assim como outras obras japonesas que envolvem o ambiente escolar, Fujisawa também possui sete mistérios, lendas espalhadas pelos alunos. Maldições, salas escondidas, um fantasma que ronda os corredores à noite, etc.


Cada capítulo do jogo se refere a um desses mistérios. Junto com os outros membros do ORC, cabe ao jogador investigar e desmistificar essas histórias. Além de ouvir os rumores que estão sendo espalhados pela escola e podem ter relação com os mistérios, sempre existe uma pessoa que pode revelar a verdade.

Em termos da progressão da história, Kotodama se mostra inicialmente muito linear. Há vários momentos de decisão com apenas uma escolha ou que não possuem grande impacto narrativo. No entanto, conforme o jogador se aprofunda na história, algo bem mais sinistro emerge e o que inicialmente parecia simples começa a tomar novos contornos e oferecer outro desenrolar.

Despindo a verdade


Para descobrir a verdade em cada capítulo, o jogador precisa utilizar o poder de Kotodama. Graças a um contrato com uma raposa demoníaca chamada Mon-chan, o jogador consegue forçar as pessoas a falarem a verdade através de um jogo de match-three (estilo Bejeweled, Candy Crush).

Começando com 20 movimentos, o jogador precisa fazer com que peças de mesma cor estejam juntas em grupos de 3 ou mais. Ao invés de poder movimentá-las, no entanto, o jogador pode apenas teleportar uma peça do meio do quadro para o topo, fazendo com que todas as jóias que se encontram acima dela também caiam no processo.


Fazer combinações enche a barra de felicidade do personagem no canto superior direito, que pode ser dividida em quatro partes. Ao preencher cada uma das partes, o jogador ganha mais movimentos e o personagem perde uma camada de roupas.

Para preencher a barra mais rapidamente, existem duas peças de maior valor. Uma delas é o elemento fraco do personagem, indicado por dois quadrados que circulam sobre a jóia. O outro é a peça de “todos os elementos” (com cor de arco-íris), que é o item que mais aumenta a barra de felicidade.


Para conseguir essa peça, assim como para fortalecer cada uma das cores, é necessário encontrar novas palavras-chave no diálogo com os personagens. Dessa forma, o jogo recompensa o jogador por desvendar mais detalhes do mistério com o fortalecimento das suas habilidades no match-three, que ainda vai depender da sorte, mas cada movimento será mais efetivo.

De forma geral, esse aspecto do jogo é bem interessante e um belo respiro entre os diálogos inicialmente. Infelizmente, a necessidade de repetí-los toda vez que o jogador passa pelos capítulos se torna um tanto incômoda. Assim como uma série de outros pequenos elementos que acabam tornando a experiência geral do jogo pior do que deveria ser.

Nem tudo é tão bonito assim


Infelizmente, apesar do enredo com um mistério bem desenvolvido e interessante e do gameplay de match-three ser interessante e atípico, pode-se dizer que o jogo sofre de problemas de qualidade de vida e navegação. Em busca do melhor final, o jogador pode precisar passar várias e várias vezes pelos capítulos.

Devido a isso, várias pequenas coisinhas começam a acumular contra a experiência proposta por Kotodama. Em primeiro lugar, é necessário fazer o match-three toda vez que passa pelo capítulo (ao invés de poder evitá-lo nas vezes subsequentes, por exemplo). Além disso, perder nele implica em um game over que leva à tela inicial, o que significa que o jogador precisa recarregar seu save mais recente ao invés de poder dar um retry.


Também é fácil perder diálogos com palavras-chave ou não saber qual a próxima localidade importante a ser visitada. Não há nenhuma indicação de quem está em cada área ou qual o próximo evento relevante de história, coisas que usualmente são utilizadas por esse tipo de jogo para facilitar a navegação do jogador pelos eventos.

Também ajudaria a possibilidade de voltar em trechos de texto, algo bastante comum em visual novels recentes ou algum tipo de fluxograma que possibilitasse entender mais claramente os requisitos dos finais.


A falta desses elementos que em muito melhoram a qualidade de vida do jogo acaba se mostrando um peso bastante negativo para o jogo, mesmo tendo um excelente roteiro e um gameplay de puzzle bem executado.

Prós

  • Enredo de mistério bem desenvolvido;
  • Jogabilidade de match-three é pouco comum para o gênero e bem feita;
  • Sistema de níveis de força das jóias valoriza a busca por palavras-chave.

Contras

  • Experiência acaba se tornando mais frustrante e desagradável com a repetição;
  • Falta de elementos que indiquem claramente o que falta explorar nos diálogos;
  • Impossibilidade de tentar novamente após perder no puzzle;
  • Necessário fazer as partidas de match-three em todas as jogadas subsequentes.
Kotodama: The 7 Mysteries of Fujisawa - PC/PS4/Switch - Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC

Análise produzida com cópia digital cedida pela PQube Games

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.

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