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Análise: Assassin's Creed III Remastered (Multi): nem tudo é luz

A Ubisoft relançou o terceiro jogo da sua série de assassinos, mas não com uma justificativa muito boa.


Assassin’s Creed III (Multi) foi lançado originalmente em 2012 para o PlayStation 3, Xbox 360 e PC. Sua recepção ficou bem dividida, a crítica gostou enquanto o público nem tanto. Mas agora, em 2019, a Ubisoft lança a sua versão remasterizada para PS4, Xbox One e PC, com novos recursos técnicos e melhorias sutis. Infelizmente essas novidades trazem alguns defeitos à tona, difíceis de ignorar.

O fim da trilogia de Desmond

O primeiro Assassin’s começou a história de Desmond Miles, um membro do Credo dos Assassinos que vive nos tempos modernos. Graças a uma máquina chamada Animus, ele é capaz de reviver as memórias genéticas dos seus antepassados: começando com Altaïr, no primeiro jogo, indo para Ezio no segundo game, um dos mais bem trabalhados protagonistas da série, e por fim chegamos a Connor, um personagem com muita pressão dos fãs sobre os ombros, que precisava ser tão bem trabalho quanto o seu antecessor foi.

Desmond agora está atrás da chave para abrir um templo de uma civilização antiga, muito mais avançada tecnologicamente que os tempos de hoje. Para isso, ele conta com a ajuda de seu pai e outros dois membros do credo, usando o Animus para acessar as memórias de Haytham Kenway, um Grão-Mestre do Rito Colonial da Ordem Templaria. Que mais tarde se torna pai de Ratonhnhaké:ton, ou Connor, um membro da tribo indígena Mohawk.



Então acompanhamos a jornada de amadurecimento de Connor, desde sua juventude, até sua fase adulta, conhecendo um mundo novo além das terras de sua tribo. Tudo isso acontece no século XVIII, na época da Guerra da Independência Americana, contando com a presença de algumas figuras histórias icônicas, como George Washington e Benjamin Franklin em seu enredo. Junto ao seu mestre Achilles, ele vai atrás dos membros Templários comandados pelo seu pai, Haytham.

Mesmo com muitos pontos interessantes de se acompanhar, como a jornada de Connor se tornando um mestre Assassino, e amadurecendo na luta contra o pai, tudo é comprometido com avanços de tempo estranhos. O começo do jogo é um bom exemplo disso, controlando inicialmente Haytham, viajando para Boston, montando uma equipe até finalmente encontrar com a índia Kaniehtí:io.



Algumas missões depois, os dois estão apaixonados, e isso traz um questionamento: como isso aconteceu tão rápido? Já que o game deixa para o jogador preencher as lacunas temporais, e muitas das vezes isso não funciona de forma natural.Mas bem, esses problemas narrativos não são de hoje, e para essa remasterização o que mudou mesmo foram elementos técnicos, então vamos falar deles.

Não mudou nada

Esse é um Assassin’s Creed com poucas novidades em suas mecânicas se comparado com seu antecessor, Revelations. Podemos navegar por várias áreas dos Estados Unidos, como Boston, Nova Iorque, seus mares em algumas missões e até algumas áreas mais afastadas da floresta. Para isso podemos usar o cavalo, com uma navegação bem difícil, principalmente em espaços apertados, ou mesmo usar o parkour para andar mais rapidamente por aí, podemos até mesmo usar as árvores para isso, com uma movimentação bem fluida.



O combate trouxe alguns elementos novos. Agora não precisamos usar itens de cura, e nem comprar armadura para recuperar a vida, em todo final de batalha o nosso medidor vai para o máximo. Connor também é muito mais “poderoso”, por assim dizer, do que o antigo Ezio, podendo matar vários grupos de guardas sem dificuldade, utilizando o mesmo modelo de luta que seus antecessores: espera e usa o contra-ataque para finalizá-los de maneira brutal.

Olha minha luz

E para as novidades, temos um novo e melhor sistema de iluminação, além de algumas melhorias nas texturas e na resolução. Tudo isso junto traz um visual muito bonito ao jogo, principalmente nas florestas, onde a vegetação recebeu uma atenção muito bem vinda da desenvolvedora. Mas é aqui que alguns problemas começam a saltar aos olhos os rostos dos personagens parecem da geração passada, trazendo um visual feio se a câmera focar na face em uma cena de corte, por exemplo.


Pelo menos no PS4 Slim, onde testamos o jogo, havia outro problema onde a distância de renderização estava muito curta, sendo possível ver as coisas surgindo ao longe, ou aparecerem sem textura. Bugs menores também aconteciam, como objetos presos no ar, ou a falta completa de sincronia da dublagem com a movimentação da boca do personagem. Inclusive, o game já vem localizado para o nosso querido país, mas a qualidade de 90% das vozes é bem duvidosa.

E então?

Assassin's Creed III Remastered é um jogo com problemas velhos. Que podem até ofuscar todos os seus méritos, Se destaca pela nova iluminação, a qualidade das texturas, ou mesmo alguns pontos de sua narrativa. No fim, essa é uma jornada que vale a pena revisitar pela nostalgia, e para os novatos pode ser uma questão de paciência por ter um começo lento e alguns problemas ou defeitos gráficos.


Prós

  • O novo sistema de luz é muito bonito;
  • A atualização nas texturas das roupas é muito bem feita;
  • O final da trilogia de Desmond, e até de Connor, são muito interessantes.

Contras

  • Os gráficos possuem alguns problemas de renderização;
  • Falta de sincronia labial com o que é dito;
  • A dublagem brasileira não é muito boa;
  • A narrativa não é contada da melhor maneira;
  • Os rostos dos personagens dessa versão ficaram feios e estranhos.
Assassin’s Creed III Remastered — PS4/XONE/PC — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ubisoft
Revisão: Raphael Barbosa

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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