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Análise: Deponia (PC)

Deponia é uma pilha de lixo. Uma enorme, imensa pilha de lixo. Mas isso não é algo ruim, pelo menos não para nós, jogadores. Lança... (por Bruno Grisci em 11/01/2013, via GameBlast)

Deponia é uma pilha de lixo. Uma enorme, imensa pilha de lixo. Mas isso não é algo ruim, pelo menos não para nós, jogadores. Lançado para Windows PC e Mac OS em 2012 pelo estúdio alemão Daedalic Entertainment, este belo adventure 2D, primeira parte de uma trilogia, merece a atenção dos fãs do gênero principalmente pelo seu tom bem humorado e por seus belos cenários.

É comum ouvir em discussões sobre jogos que o gênero adventure point & click está morto. Talvez por isso toda vez que algum game nesse estilo se sobressai ele chame atenção. Podemos não viver mais na era de ouro dos anos 80, quando empresas como Sierra e LucasArts criaram grandes clássicos, mas os adventures continuaram sendo levados a diante por alguns estúdios menores, o que tem nos oferecido belas obras como Machinarium, da Amanita Design e, mais recentemente, como o bem sucedido e aclamado The Walking Dead, da Telltale. A própria Daedalic criou alguns belíssimos adventures desenhados a mão, como The Whispered World.

O inventário, melhor amigo de qualquer herói de adventure.
Deponia mantém a fórmula tradicional do gênero, o que basicamente significa que você terá que coletar e usar itens e falar com vários personagens para resolver puzzles que darão continuidade à história. O jogo tem alguns pequenos acréscimos interessantes na mecânica, como o inventário que pode ser acessado através da roda do mouse, que acaba sendo algo bem prático. A respeito da qualidade e originalidade dos quebra-cabeças o título deixa um pouco a desejar. Não que eles sejam ruins, um ou outro é “ilógico”, mas a grande maioria foi bem construída e emprega uma linha de raciocínio interessante e coerente, embora tenha faltado um pouco de originalidade para acrescentar algo de único a eles.

Um mundo cheio de lixo e fedor


O grande charme do jogo é justamente Deponia, um planeta amontoado de lixo, onde a maioria das construções está em ruínas, esgoto corre a céu aberto e água limpa é tão escassa que uma fonte é garantia de riquezas e poder para quem a encontrar. Em outro game este cenário poderia ser plano de fundo para um tema pós-apocalíptico, mas aqui transforma-se em belas paisagens cartunescas. Os cenários realmente foram muito bem desenhados e combinam perfeitamente com o tom de deboche da história. Nesse aspecto, a única reclamação é que algumas animações em tempo real parecem um tanto travadas, mas não chega a ser algo preocupante.

Logo no começo, numa espécie de tutorial, precisamos ajudar Rufus, o personagem principal, em mais um de seus planos de fuga. Embora seja um fracassado, desempregado e viva de favor na casa da ex-namorada, modéstia é uma característica que não lhe cabe. Convencido de que merece muito mais que lixo, o seu único objetivo é alcançar a cidade voadora de Elysium. Esta é a palavra, por sinal, empregada para designar um paraíso pelos antigos gregos, o que já dá uma boa ideia do contraste entre os dois lugares.

Sua primeira missão é reunir as provisões necessárias para a partida da “Cápsula de Escape”, última invenção de Rufus. Um par de meias, algumas ervilhas encontradas no forro da poltrona, uma escova de dentes e um alicate (mas qual a utilidade de um alicate,  Rufus questiona quando analisa qual item remover da mala para conseguir fechá-la). O lançamento da engenhoca acaba sendo um desastre, como previsto pela vizinhança, mas nosso herói consegue alcançar o cruzeiro Organon que estava passando pelo local no momento.


Como esperado, lá tudo dá errado e Rufus não apenas é jogado para fora da nave como provoca a queda da bela elysiana Goal em Deponia. O impacto da colisão deixa Goal inconsciente, e assim ela permanecerá por boa parte do jogo, o que não a impede de ser uma das personagens principais da história. Na verdade, a interação dela, desmaiada, com os outros habitantes do mundo é um dos pontos que mais contribui para a comicidade, como a cena em que Rufus se imagina brincando com a garota desacordada em um balanço. E por comicidade, entenda todo tipo de piada, já que o enredo do game é uma verdadeira comédia que mistura pastelão, sarcasmo e nonsense. A partir de então, o objetivo é conseguir escapar de Deponia e partir para Elysium com Goal.

Mas são os habitantes da cidade de Kuvaq que dão mais brilho à história. Toni, a ex-namorada que Rufus deixou psicótica, Wenzel, melhor amigo e inimigo de Rufus, e Gizmo, que desempenha as funções de médico, bombeiro e policial ao mesmo tempo, para citar alguns. Em comum, todos mantém a mesma relação de desprezo para com o nosso personagem. Bônus para o bardo que narra a história entre os capítulos.


Huzzah, he's off now goodbye!


O maior pecado de Deponia é a sua duração. Quando está ficando mais emocionante, termina. Considerando-se que trata-se de uma trilogia (Chaos on Deponia, o segundo título, já foi lançado) o problema é menor, mas não é suficiente como justifica para a baixa duração do jogo. Também é uma pena que a Daedalic não tenha seguido a tendência de oferecer escolhas ao jogador, como visto em The Walking Dead e Mass Effect, pois o enredo claramente possui espaço para esta mecânica de jogo, em certos momentos inclusive dando a impressão de que ela seria utilizada. Teria sido um acréscimo enorme para a jogabilidade. Estas faltas, contudo, não devem servir para afastar os jogadores deste planeta sujo, fétido e divertido.

Prós

  • Belos cenários;
  • História divertida e engraçada;
  • Personagens carismáticos;

Contras

  • Muito curto;
  • Alguns puzzles poderiam ter sido melhor aproveitados;
Deponia – PC – Nota Final: 8.0

Revisão: Samuel Coelho

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
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