Análise: Lumines Arise combina ritmo e luz em uma experiência de puzzle hipnótica e sensorial

A nova entrada da série se destaca com atmosfera audiovisual caprichada e um universo de conteúdo para explorar.

em 11/11/2025

Lumines Arise marca o retorno de uma das franquias de puzzle mais elegantes e hipnóticas dos videogames. O novo título mantém a essência que consagrou a série — blocos coloridos se movendo ao ritmo da música —, introduzindo apenas pequenas novidades que refinam a jogabilidade. Produzido por Tetsuya Mizuguchi, o mesmo criador de Rez e Tetris Effect, o jogo aposta novamente em uma experiência audiovisual cuidadosamente sincronizada, na qual luz, som e toque se misturam em perfeita harmonia. Apesar de alguns pequenos problemas, Arise oferece uma jornada sensorial de altíssimo nível.

Juntando blocos no ritmo da música

Lumines é um puzzle de combinar blocos, mas com uma identidade própria. As peças caem em grupos de 2×2, divididas em duas cores, e o objetivo é formar quadrados compostos por blocos da mesma cor. Uma linha vertical chamada Linha do Tempo atravessa o campo de jogo no ritmo da música, limpando os quadrados formados e liberando espaço para novas combinações. É um conceito simples de entender, mas com inúmeras possibilidades estratégicas.


A principal novidade de Arise é a introdução do sistema Burst. Ao ativá-lo, uma das cores do tabuleiro fica temporariamente imune à Linha do Tempo, permitindo que o jogador acumule uma grande quantidade de blocos dessa cor antes da limpeza. Durante esse período, os blocos da cor oposta são empurrados para fora da área, facilitando a criação de uma enorme aglomeração — e, consequentemente, um combo massivo. Essa mecânica se torna essencial para alcançar pontuações elevadas e escapar de situações que pareciam perdidas, adicionando uma nova camada de risco e recompensa à fórmula clássica.


Apesar da simplicidade do conceito, dominar Lumines Arise exige atenção e destreza. Como a Linha do Tempo tem velocidade variável de acordo com a música de cada fase, precisamos adaptar nossos movimentos rapidamente, calculando o tempo das combinações e antecipando o próximo compasso. A sensação de ritmo e sincronia é fundamental — é quase como dançar com os blocos. Há várias nuances e técnicas avançadas para aprender, mas o jogo também oferece opções de acessibilidade, como a remoção de game over ou o ajuste de velocidade, permitindo que todos possam desfrutar da experiência no seu próprio ritmo.

Mergulhando em puzzles sinestésicos

Visual e som são inseparáveis em Lumines Arise. Cada movimento, giro de peça e combinação produz sons que se integram à trilha sonora, enquanto o fundo reage de forma dinâmica às ações do jogador. Cada estágio é um espetáculo audiovisual próprio, com temas que variam do abstrato ao quase narrativo. Em uma fase, círculos e losangos mudam de cor enquanto uma silhueta caminha ao fundo ao som de uma música cantada; em outra, jogamos em uma praia, combinando bolhas e conchas enquanto o cenário transita suavemente do amanhecer ao crepúsculo. Há ainda estágios em que mãos robóticas movem as peças, compondo padrões geométricos envoltos por ventiladores e formas hipnóticas.


A trilha sonora acompanha essa diversidade com uma mistura rica de estilos: eletrônica, experimental, pop e até jazz. As faixas com vocais se destacam especialmente, trazendo uma carga emocional surpreendente a um gênero tipicamente abstrato. Os visuais também são impressionantes: partículas, reflexos e efeitos de luz se combinam com cenários dinâmicos que reagem ao nosso progresso. 

Algumas fases se inclinam de acordo com o peso das peças, enquanto outras usam zoom e movimento de câmera para criar impacto dramático. A música responde em tempo real às ações — ao girar, encaixar ou limpar blocos, novos sons surgem, reforçando a sensação de estar “tocando” o jogo com as próprias mãos.


Mesmo com tanto capricho visual, há momentos em que o excesso se torna um problema. Certas fases abusam dos efeitos e partículas, tornando difícil distinguir as peças, especialmente quando há pouco contraste entre o fundo e o campo de jogo. São exceções isoladas, e o jogo inclui opções de ajuste de brilho, contraste e clareza para minimizar essas situações. Ainda assim, quando tudo se encaixa, o título é uma experiência que transcende o puzzle tradicional — uma celebração audiovisual em constante movimento.

Explorando um universo de possibilidades

Lumines Arise oferece uma ampla variedade de modos, alguns dos quais alteram as regras básicas para criar experiências únicas. O modo Jornada é o principal, conduzindo o jogador por uma sequência de estágios temáticos em uma espécie de viagem emocional através da música e da cor. Após concluí-lo, o modo se transforma em um desafio de sobrevivência contínuo, testando reflexos e resistência. Há também um extenso tutorial, que vai das noções básicas até técnicas avançadas, explicando em detalhes como dominar o Burst e criar combos complexos.


O modo Desafios traz variações criativas da fórmula clássica. Em uma fase, os blocos têm formatos irregulares e difíceis de encaixar; em outra, o objetivo é chocar um ovo ao eliminar peças próximas; e em uma terceira, partes do campo de jogo são bloqueadas temporariamente. São mais de vinte desafios diferentes, que expandem o potencial do sistema de blocos — particularmente, apreciei as várias ideias interessantes dessas modalidades. Além disso, há o modo Playlist, que permite montar nossa própria sequência de estágios e músicas para partidas personalizadas.

Nos modos competitivos, o jogo se mostra especialmente divertido — e também implacável. As batalhas Burst, tanto locais quanto online, colocam dois jogadores frente a frente, tentando sobrecarregar o campo do oponente com peças. O sistema é viciante, embora o matchmaking ainda precise de ajustes, pois é comum enfrentar adversários muito mais experientes. 


Outros modos envolvem disputas de pontuação, como tentar o maior combo possível em uma única ativação de Burst, partidas de tempo limitado (60, 180 e 300 segundos) e o modo Escavação, no qual os blocos surgem de baixo para cima. Todos os resultados vão para um ranking online. Há também eventos semanais cooperativos, nos quais jogadores do mundo todo contribuem com pontos para desbloquear recompensas — uma ótima desculpa para voltar e jogar mais um pouco. Por fim, é possível personalizar o Loomii, um avatar virtual, trocando cores, partes do corpo e ilustrações, exibidas no hub e durante partidas. É um detalhe simples, mas que adiciona charme e personalidade ao universo do jogo.

Apesar de tantos modos, senti falta de opções para partidas simples e customizadas, muito comum em jogos do gênero, como uma modalidade infinita em um único estágio ou partidas por tempo com mais customizações. Mesmo assim, há muito o que explorar em Arise, com conteúdo para todos os gostos.



Uma experiência de puzzle sensacional

Lumines Arise é um retorno triunfante para uma das séries de puzzle mais singulares dos games. Mesmo sem reinventar a fórmula, ele refina o que já era brilhante, adicionando o sistema Burst e expandindo o conteúdo com modos variados e uma direção audiovisual impecável. É o tipo de jogo que desafia a mente e acalma os sentidos ao mesmo tempo, em uma experiência sinérgica que consegue um equilíbrio raro entre estímulo e contemplação.

Há pequenos tropeços, como fases visualmente confusas e matchmaking irregular, mas são detalhes que pouco interferem na força do conjunto. No fim, Lumines Arise é mais do que um simples quebra-cabeça: é uma experiência sensorial e rítmica imersiva, um lembrete de que, quando som, imagem e interação se unem com propósito, o resultado pode ser verdadeiramente hipnótico.

Prós

  • Sistema de jogo simples de entender, com nuances para jogadores avançados;
  • O novo sistema Burst adiciona profundidade e estratégia às partidas;
  • Experiência audiovisual extremamente imersiva e sincronizada com a jogabilidade;
  • Grande variedade de modos e desafios para experimentar;
  • Ambientação impecável com visual e trilha sonora impactantes.

Contras

  • Alguns estágios têm problemas de clareza visual devido ao excesso de efeitos;
  • O sistema de matchmaking online ainda precisa de melhorias.
Lumines Arise — PC/PS5 — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Enhance
OpenCritic
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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