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Análise: Paper Trail (Multi) brinca com nossa astúcia em meio a dobraduras de papel

Decifre engenhosos quebra-cabeças dobrando o mundo para encontrar o caminho e realizar um sonho.

Paper Trail
é um engenhoso jogo de quebra-cabeças que nos desafia a pensar de forma criativa para ajudar uma jovem a realizar seu sonho. Neste encantador título da Newfangled Games, somos transportados para um mundo mágico e acolhedor, no qual uma bela história se desenrola enquanto exercitamos nosso raciocínio.

O sonho de uma menina

Paige é uma jovem do interior que, como muitas garotas da sua idade, possui grandes sonhos. No caso da nossa protagonista, seu maior desejo é ir para a universidade e estudar astrofísica. No entanto, seus pais têm receio em deixá-la seguir seu caminho por conta de um antigo trauma familiar que ainda assombra a mente do casal.


Quando eram jovens, Paige e seu irmão gêmeo foram separados pelo destino. Um dia, o garoto desapareceu enquanto eles brincavam. Naquela ocasião, Paige e seu irmão descobriram que possuíam uma habilidade mágica especial, que os permitia dobrar o espaço-tempo para criar situações específicas, possibilitando ver o mundo sob uma ótica única e até mesmo viajar para outros lugares.

Anos após o ocorrido e tendo ocultado sua habilidade mágica até então, Paige decide ignorar os avisos de seus pais e partir em busca de seu sonho de estudar na universidade. Sua capacidade de dobrar o mundo será essencial para alcançar esse objetivo, permitindo que ela conheça novos lugares, pessoas e histórias até realizar seu maior desejo.

Dobrando o mundo

Paper Trail é um jogo de quebra-cabeças cujo principal destaque é a capacidade de dobrar os cenários para encontrar rotas que permitirão a Paige seguir sua viagem até a universidade. O jogo apresenta belos cenários em diversas localidades, cada uma com uma história única que nos envolve no mundo e na jornada pessoal da garota.

Cada cena funciona como uma folha de papel, que pode ser dobrada para revelar caminhos e mecanismos que Paige deve usar para avançar até a "página" seguinte. Se uma trilha estiver bloqueada, basta dobrar o papel do jeito certo no local para revelar algo no verso que pode completar a imagem e permitir que Paige continue.

Cada capítulo da campanha é ambientado em locais com temas, personagens e mecânicas distintas. No primeiro capítulo realizamos dobraduras simples apenas para revelar rotas de travessia. A partir do segundo, novas atividades começam a surgir, tornando o desafio cada vez mais elaborado.

Portas, plataformas móveis, estátuas que impedem a dobra do papel e muitos outros mecanismos vão, aos poucos, deixando a jogabilidade mais complexa. O desafio é incrementado graças aos origamis de algumas cenas, que exigem um segundo tipo de resolução na mesma tela para obtê-los. Embora a coleta deles não seja obrigatória, a atividade faz parte da lista de conquistas/troféus do jogo, adicionando uma camada extra de desafio.

Até mesmo as cutscenes trazem essa dinâmica. Entre os capítulos, devemos executar dobraduras nas páginas para revelar a continuação da história, criando ainda mais interação do jogador com a obra. Além disso, há alguns segredos a serem descobertos nessas ocasiões, estimulando-nos mesmo quando não estamos jogando uma fase.

Pensando fora da caixa

A dinâmica de dobradura de papel é o principal destaque de Paper Trail. Essa jogabilidade única nos obriga a pensar fora da caixa constantemente, em busca dos movimentos corretos para concluir cada cena. Muitas vezes, é necessário dobrar e desdobrar o cenário diversas vezes para realizar as ações necessárias e seguir para a próxima tela.


Desenvolvido com um desafio progressivo, o jogador começa a compreender gradualmente como agir no mundo do jogo e a pensar criativamente nas soluções. Cada quebra-cabeça foi engenhosamente concebido para ter uma única solução, então, mesmo que você tente ser criativo ao dobrar partes da página, só existirá um caminho correto no final.

Para os jogadores que têm dificuldade em entender a lógica de Paper Trail, um amigável sistema de dicas apresenta o passo a passo de cada cena, mostrando cada dobradura necessária para concluir a etapa. Contudo, o sistema não indica a posição exata de Paige ou quais elementos do cenário precisam de interação em cada passo, evitando entregar a solução de forma explícita.


As exceções são as cenas que também possuem origamis. Estas precisam ser 100% decifradas pelo jogador. A única dica, não tão óbvia, é a orientação do objeto na página, que dá uma ideia de como a parte na qual ele está precisa ser dobrada para que seja coletada. Fora isso, é necessário um pouco mais de esforço mental para conquistá-lo.

Com uma jogabilidade extremamente simples e intuitiva, Paper Trail é melhor aproveitado ao jogar com um mouse ou tela de toque. No PC, onde joguei para produzir esta análise, é possível jogar apenas com o mouse, clicando para mover a garota e para segurar o papel e dobrá-lo. Também é possível movimentar Paige pelo teclado.

Com um controle, a jogabilidade já fica um pouco menos ágil. Movemos a menina com o analógico esquerdo, enquanto o direito assume o papel do cursor para realizar as interações na tela. Apesar de ser perfeitamente jogável, é inegável que a comodidade e agilidade de jogar com um mouse ou tela de toque são superiores e mais convenientes para este tipo de jogo.

A experiência geral é coroada com uma direção de arte única e carismática, além de uma trilha sonora acolhedora que nos acompanha por todo o jogo. Mesmo com um desafio intrigante, nossa jornada em Paper Trail é marcada por uma bela narrativa e uma gameplay saudável e estimulante.

Um belo desafio

Paper Trail se destaca como um jogo de quebra-cabeças inovador que desafia os jogadores a pensar de forma criativa através de sua mecânica única de dobradura de papel. A jornada de Paige em busca de seus sonhos é envolvente, repleta de belos cenários, histórias encantadoras e desafios bem elaborados. A combinação de uma direção de arte única, uma trilha sonora acolhedora e uma jogabilidade intuitiva torna a experiência de jogo gratificante e memorável.

Prós

  • A mecânica de dobradura de papel é criativa e oferece uma nova perspectiva nos jogos de quebra-cabeça;
  • Cada quebra-cabeça é cuidadosamente elaborado, oferecendo um nível de desafio progressivo que mantém os jogadores engajados;
  • Visualmente encantador, com uma direção de arte única que complementa a narrativa;
  • A trilha sonora é acolhedora e contribui para a imersão no jogo;
  • O sistema de dicas é útil para jogadores que precisam de ajuda, sem entregar a solução completamente;
  • A jornada de Paige é bem contada, adicionando profundidade emocional ao jogo.

Contras

  • A coleta dos origamis pode ser cansativa para alguns jogadores, devido à falta de dicas;
  • Cada quebra-cabeça tem uma única solução, impedindo a solução de forma criativa de cada cenário;
  • A experiência pode ser menos satisfatória em dispositivos que não oferecem controle preciso, como nos consoles.
Paper Trail — PC/PS5/XSX/XBO/Switch/Android/iOS — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Newfangled Games

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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