Blast from the Past

M.U.S.H.A.: Metallic Uniframe Super Hybrid Armor (Mega Drive) traz estilo e heavy metal em um dos melhores shmups dos 16-bits

Apresentando uma temática curiosa e trilha sonora de qualidade, o quarto game da franquia Aleste é um clássico cult que merece mais atenção.

Desenvolvida pela Compile, a mesma empresa por trás de Puyo Puyo, Aleste foi uma das muitas séries do gênero shoot 'em up que marcaram as décadas de 80 e 90. Iniciada no Master System e no MSX2 — conhecida como Power Strike no ocidente —, ela já se destacava com belos visuais e uma ampla variedade de estilos de tiro, preparando o terreno para outra série de jogos de nave desenvolvidos pela mesma produtora, tanto dentro como fora do universo de Aleste.


Um desses títulos diretamente relacionados a franquia é M.U.S.H.A.: Metallic Uniframe Super Hybrid Armor (ou Musha Aleste: Full Metal Fighter Ellinor no Japão), lançado para Mega Drive em 1990, que mudou alguns conceitos de seus três antecessores e trouxe um dos “jogos de navinha” mais divertidos e heavy metal da plataforma.

O tradicional futurista



Diferentemente dos anteriores, M.U.S.H.A. buscou uma estética distintiva para o gênero na época. Ao invés de seguir somente as bases da ficção científica futurista, a Compile abordou essa temática em conjunto com a arquitetura e cultura tradicional japonesa, apresentando mechas pilotáveis em vez de espaçonaves. 

Isso fica claramente evidente já na primeira fase, que se desenrola em uma região com diversas ilhas e numerosos castelos japoneses suspensos por trilho no ear; o chefe desse estágio é literalmente um "castelomóvel" equipado com canhões. 

Não somente a ambientação faz referência à cultura da Terra do Sol Nascente, mas também elementos do folclore japonês se mostram intrínsecos à aventura. Inimigos usando máscaras de oni e noh são frequentemente encontrados durante a jogatina.

Em sintonia com essa estética distinta, M.U.S.H.A. apresentou um visual deslumbrante que se destacou no primeiro console da geração do Mega Drive. Lançado em 1990, quando o aparelho de 16 bits já estava entrando em seu terceiro ano, as desenvolvedoras ainda estavam explorando o potencial da então nova geração, e a Compile conseguiu criar um exemplo muito bom para esse início. Os ambientes e os inimigos são ricamente detalhados, cada fase possui uma identidade única e o jogo utiliza efeitos de profundidade e até mesmo iluminação em estágios mais avançados.



Elementos de acessibilidade

M.U.S.H.A. é um shmup de rolagem vertical tradicional da sua época, apresentando uma grande variedade de disparos e inimigos que surgem tanto do ar quanto do solo. O objetivo é eliminar a ameaça à nave do jogador, ou, no caso deste game, ao mecha pilotado por Terri, a protagonista. Ela precisa atravessar oito fases para confrontar e derrotar um supercomputador chamado Dire 51, que representa uma ameaça à Terra. De posse do robô MUSHA, Terri e sua equipe tentam uma manobra de defesa para conter o ataque inimigo contra o planeta, mas apenas a personagem principal sobrevive.

Para ajuda-lá, algumas ferramentas que serão dadas na gameplay ajudam não só na ofensiva, como também dão recursos para o jogador se proteger de alguns erros. A principal mecânica está nas três armas baseadas em elementos: 

  • Blazing Beam: representando o elemento da eletricidade, essa arma dispara dois raios poderosos continuamente para a frente, sendo altamente eficaz contra inimigos alinhados em fileiras;
  • Vanishing Buster: inspirado no fogo, o Vanishing Buster equipa o mecha com bombas que são lançados em padrão disperso. Ao atingir um alvo, os projéteis explodem, causando dano em uma área maior;
  • Defensive Detonator: possivelmente a arma mais poderosa do jogo, o Defensive Detonator gera esferas de água que orbitam em torno do MUSHA, eliminando qualquer coisa que se aproxime e neutralizando projéteis inimigos.
M.U.S.H.A. apresenta um sistema de aprimoramento para essas armas elementais, permitindo que cada uma delas seja melhorada em até quatro níveis. Para alcançar isso, é necessário coletar repetidamente o mesmo elemento de forma sequencial, sem efetuar trocas. Além disso, é possível ajustar a velocidade de deslocamento do robô livremente, pausando a jogatina.

Como é comum em jogos de nave das décadas de 1980 e 1990, também está incluso aqui o auxílio de dois drones atiradores, conhecidos no gênero como option. Esses drones têm a capacidade de executar várias ações distintas, como disparar para a frente, diagonalmente, girar em torno do mecha, atirar para trás e até selecionar alvos por conta própria. A cada três powerchips coletados durante a fase, um option é concedido, podendo ser armazenado e ativado caso um dos drones seja destruído.

A disponibilidade abundante de recursos acaba contribuindo para a dificuldade, visto que M.U.S.H.A. se destaca como um dos shoot 'em ups mais acessíveis no Mega Drive. Se o robô sofrer danos enquanto estiver com uma arma elemental, a energia da arma é consumida em vez de perder uma vida, resultando apenas em uma redução de nível como penalidade. No entanto, perder o mecha fará com que ele retorne sem melhorias, mantendo somente os drones armazenados.

Metal dos robôs, metal da música

Para casar com a ação, a trilha sonora composta por Toshiaki Sakoda é fortemente influenciada pelo heavy metal. Foram necessárias várias tentativas para criar faixas que se encaixassem bem com a ação do jogo.

Galvanic Gear


Inicialmente, a ideia para a trilha de M.U.S.H.A. era mesclar melodias tradicionais japonesas com elementos do metal, a fim de coincidir com a estética do título. Contudo, essa abordagem foi abandonada devido ao resultado não ter atingido o esperado, resultando na predominância do subgênero do rock.

Sakoda compôs as músicas de modo a permitir que fossem reproduzidas sem que os efeitos sonoros interrompessem qualquer um dos canais de áudio. Para isso, ele utilizou apenas quatro dos seis canais de som disponíveis no YM2612, o chip sonoro do Mega Drive, deixando os outros dois reservados para os efeitos sonoros.

Aggressive Attack


No entanto, há duas observações a fazer. Primeiramente, na parte das músicas, a sonoridade pode parecer excessivamente metálica para aqueles que não estão familiarizados com sintetizadores FM. Em segundo lugar, alguns dos efeitos sonoros, como o som ao encostar o Defensive Detonator em paredes, podem soar agudos demais, chegando a causar desconforto auditivo em volumes altos.

Noh Specter

Legado e outros jogos

M.U.S.H.A. teve somente dois relançamentos: um no Virtual Console do Wii e outro como parte do serviço de assinatura online do Nintendo Switch, dentro do plano Expansion Pack. Este foi o único título da franquia Aleste a ser lançado para o Mega Drive; entretanto, o add-on Sega CD recebeu Robo Aleste em 1992, que trouxe consigo os conceitos de armas elementais e a utilização de mechas, além de outras novidades.

M.U.S.H.A.: Metallic Uniframe Super Hybrid Armor é considerado um clássico cult na extensa biblioteca de jogos de nave e um dos exemplos mais notáveis para os sistemas de 16-bits. Com uma trilha sonora marcante, visuais criativos e uma jogabilidade diversificada, o título é uma ótima opção para aqueles que desejam se aventurar no gênero, oferecendo um nível de desafio na medida certa.

Revisão: Davi Sousa

Estudante de enfermagem de 24 anos, está nesse mundo dos joguinhos desde criança. Fã de games com vibe mais arcade e arqueólogo de velharias, mas não abandona experiências mais atuais. Acompanha a mídia de podcasts, dublagem e ouvinte assíduo de VGM. Pode ser encontrado como @AlecFull e semelhantes por aí.
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