Hands-on

Harvest Moon 3D e quatro jogos mobile são os destaques da Natsume na E3

The Lost Valley, para 3DS, e sua abordagem similar a Minecraft dividiu o espaço com Hometown Story, Reel Fishing Pocket 2, Gabrielle’s Monstrous Duel e Ninja Strike.

É tempo de mudança nas fazendas virtuais! Depois da confirmação de que a Natsume não traria o título mais recente da franquia Harvest Moon para o Ocidente, vários agricultores e pecuaristas digitais ficaram receosos, mas eis então que a XSEED nos surpreendeu e prometeu trazer o jogo para essas bandas, sob o codinome de Story of Seasons, por implicações legais. Mas enquanto a XSEED nos brindará com um Harvest Moon tradicional para o 3DS, a Natsume traz sua própria dose de surpresa e revela Harverst Moon 3D: the Lost Valley, que também chegará ao 3DS, mas com mecânicas bem diferentes das quais estamos acostumados. Isto é, a não ser que você também jogue Minecraft.




De Fazendeiro e louco, a Natsume tem pouco

A abordagem de Lost Valley é, no mínimo, curiosa. Enquanto conversávamos com um dos desenvolvedores do jogo, ele nos contou que foi realizada uma pesquisa anterior à produção do título para descobrir qual foi o último game jogado por aqueles que não mais compram jogos da franquia. Dentre as mistas respostas, as principais foram os Harvest Moon de SNES e de Nintendo 64. Sendo assim, decidiram optar por uma direção de arte que remetesse aos títulos em questão para trazer a sensação de familiaridade e nostalgia.

Incongruentemente, os desenvolvedores também decidiram quebrar o padrão da franquia e aumentar as possibilidades de customização do cenário. Agora, tudo se dá em um grid quadriculado nas três dimensões, o que significa que todo o cenário (salvo flora, fauna, personagens e estruturas criadas pelo homem) será feito de cubos. Soa similar? espera que fica mais: com as clássicas ferramentas já conhecidas, o jogador poderá minerar, escavar e remodelar o terreno à sua volta como bem desejar, além de construir estruturas, como moinhos e pontes. É no minimo interessante e esse combo de “Minecraft + Harvest Moon” pode gerar jardins belíssimos, mas também tem o potencial de espantar de vez jogadores que há tempos não experimentam o título e decidiram fazer devido à nostalgia que a arte proporcionou.


Os frutos e ervas daninhas do novo conceito semeado

Um dos pontos positivos da abordagem “Minecraftiana” é que isso terá efeito direto nas hortaliças. Por exemplo, o jogo contará com diversos tipos de solo: além do solo normal, pode se criar, por exemplo, um mais rígido ao colocar um bloco de terra em cima de uma pedra, ou criar um solo hidropônico/pantanoso ao colocar terra sobre o leito de um rio. Como consequência, uma mesma semente de beterraba plantada em cada um desses solos produzirá resultados diferentes, portanto agora será preciso estar atento não só à estação favorável à planta mas também ao tipo de terreno.

Mas o expansivo território não traz somente bons frutos: como consequência da gigante área customizável (e sem loading, diga-se de passagem), eles eliminaram a cidade, para que o jogador não perdesse tempo se deslocando e tendo que fazer tarefas monótonas. Agora, os NPCs vêm até o jogador em dias e horários determinados. Embora a interação seja limitada, você ainda pode conversar, apaixonar-se, casar-se e ter filhos.

Aumentando a longevidade de um já longevo título

Uma das principais preocupações da Natsume com the Lost Valley é fazer com que o jogador continue jogando. Embora Harvest Moon seja um game que, por si só, já faz com que o usuário gaste dezenas ou centenas de horas, boa parte deles deixam o título de lado após casarem e terem filhos ou até mesmo desistem de jogar pelo início lento. Para isso, a Natsume armou-se com duas boas estratégias: enredo e DLCs.

The Lost Valley vai contar com uma grande história na qual o jogador terá papel fundamental e precisará participar se quiser progredir com suas plantações. Ao chegar na fazenda, descobre que o local foi tomado por um inverno eterno. A culpa não é da rainha de Arendelle, mas sim do Deus e Deusa da Colheita, além do Rei do Submundo, que estão sem se falar e, por isso, deixaram as forças da natureza em desequilíbrio. Cabe então ao jogador dar uma de psicólogo, ajudar eles a lidarem com seus problemas e então fazer com que os três façam as pazes para poder trazer as estações de volta ao seu vale.


E depois que completar a história, tiver casado e com filhos, rancho expandido ao máximo, produzindo artigos com qualidade Friboi e se tornado um magnata da agricultura com vários Harvest Sprites trabalhando pra você em troca de farinha, o que mais se pode fazer? Simples: baixe algo novo! Embora não tenha entrado em muitos detalhes, a Natsume espera lançar conteúdo para download (tanto grátis quanto pago) que faça com que o jogador se comprometa ao título por mais tempo. Dentre as previsões, temos tanto novos animais e hortaliças quanto estruturas e novas histórias.

Nem só de vegetal vive uma empresa

Caso não saiba, a empresa não desenvolve somente Harvest Moon. Confira os quatro grandes lançamentos para celulares que estavam jogáveis, todos planejados para lançamento durante o inverno brasileiro.
Hometown Story: O simulador de loja da Natsume, que já está disponível tanto para celulares quanto 3DS via eShop, conta com a possibilidade de organizar completamente sua loja, colocando as prateleiras como bem entender e escolhendo o quê e a que preço vender. Coloque um preço alto, e nem o garoto propaganda das Casas Bahia conseguirá vendê-lo. Coloque um preço muito baixo, e sairá no prejuízo. Coordenar os preços e estoque, atender clientes e conversar com eles para saber suas expectativas e melhor se programar pode parecer simples no começo, mas em níveis avançados é um incessante clique-clique pra tudo quanto é lado da touchscreen. Bem que ele poderia ser um pouco mais bonitinho…
Reel Fishing Pocket 2: a segunda versão do simulador de pesca (a Natsume gosta mesmo de simuladores, não?) contém alguns uptades visuais em relação ao seu predecessor (que se encontra grátis no iTunes) e alguns peixes, varas e iscas a mais, mas não impressiona. Com ações repetitivas e não muito envolventes, o jogo é indicado para partidas rápidas enquanto se espera um metrô ou fãs do gênero (se é que tal nicho existe…).
Gabrielle’s Monstrous Duel: Um bizarro misto de “puzzle” e combate, o jogador deve escolher ações em um grid quadrado (3x3, 4x4, 5x5..) nas linhas, enquanto o adversário, no turno seguinte, seleciona algo da mesma coluna na qual o jogador selecionou sua ação, e assim por diante. Confuso, o jogo conta com algumas partidas tutoriais para explicar, mas é desafiador e interessante. Contando com monstros diferentes para usar, o que gera ataques e efeitos diferentes, é um dos mais interessantes títulos mobile da empresa.
Ninja Strike: no comando de um ninja, o jogador deve chegar o mais longe e fazer o maior número de pontos o possível, usando apenas dois botões: pulo e ataque. O ninja se move sozinho em uma constante velocidade, e cabe a você pular para pegar os itens, escapar de penhascos e atacar os ninjas inimigos. Segurar o botão de pulo permite planar, porém isso usa as duas mãos do protagonista, e impede que ele ataque. Ninja Strike é um daqueles joguinhos simples e viciantes, como Flappy Bird, mas bem menos difícil que o exemplo citado.

Diversificar nem sempre é a melhor opção.

Para qualquer um que passou pelo estande da empresa, fica clara a disparidade da qualidade de seus títulos mobiles e Harvest Moon. Diversificar a sua presença na feira com os títulos mobiles foi uma ideia interessante, mas o conceito e qualidades simplórias dos mesmos os deixou com cara de jogos indie ou até mesmo amadores. Igualmente, a tentativa de diversificar o mais recente Harvest Moon pode vir a causar a mesma impressão nos jogadores para com a nova iteração da franquia de fazenda.

 O conceito de customização do cenário, em troca de várias coisas as quais já estamos acostumados, pode tanto revitalizar a série que há um tempo estava meio estagnada quanto afastar de vez os fãs que ainda compravam seus títulos. Só com o passar das estações, quando o jogo chegar em nossas mãos, poderemos dar um veredito, mas que ele vai fazer muita gente comprar, só de curiosidade, ele vai.

Até ano que vem, Natsume!
Revisão: Alberto Canen
Capa: Douglas Fernandes

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


Disqus
Facebook
Google