Análise: Anima: Gate of Memories I & II Remaster — A nova versão traz melhorias consideráveis, mas ainda tropeça em alguns problemas

Mesmo com gráficos aprimorados e rebalanceamentos, ainda faltou trabalhar em alguns pontos, como as expressões dos personagens.

em 10/11/2025

Anima: Gate of Memories I & II Remaster
é um RPG de ação em terceira pessoa, ambientado no mundo de Gaia, tirado diretamente do RPG de mesa espanhol Anima: Beyond Fantasy. No primeiro jogo, acompanhamos um monstro e uma garota misteriosa, sem memória de seu passado; no segundo, uma alma imortal amaldiçoada a vagar pelo mundo para sempre. A história é profunda, e suas escolhas impactam diretamente a jornada, decidindo o destino dos personagens.

O jogo foi originalmente lançado em 2018, mas o estúdio Project Anima decidiu fazer uma remasterização dos dois títulos, reunindo-os em uma coletânea e trazendo melhorias em pontos importantes, como os gráficos, o som e novos elementos no combate. É uma pena que as legendas em português não estejam entre as adições.

A inquisidora, o demônio e o imortal

Em Anima 1, acompanhamos a inquisidora Bearer e o demônio aprisionado em um grimório, Ergo Mundus. Após uma missão que não acabou como planejado, a dupla se vê em uma torre misteriosa chamada Arcana, onde, por ordem do inquisidor-chefe Romeo Exxet, deve caçar cinco entidades que habitam o local. Mal sabe a dupla que está entrando em uma trama mais complexa, na qual as escolhas do jogador podem levá-los a um dos quatro finais disponíveis.


A dupla de personagens possui uma química questionável. Bearer não tem carisma, nem parece ter uma personalidade muito bem definida. Existe um artifício do roteiro — o fato de ela não ter memórias de seu passado. Porém, mesmo assim, ainda acho que a personagem poderia se destacar mais, pois, muitas vezes, ela não demonstra sentimentos, o que é uma pena, já que seu passado é interessante.

Já seu parceiro, o charmoso demônio Ergo Mundus, é o personagem que fala pelos cotovelos nessa relação incomum e carrega todos os diálogos contra chefes, com sua personalidade ácida, cheia de ironia e algumas piadas de mau gosto direcionadas à protagonista. Mas acho que isso faz parte da ideia dele ser um demônio. De longe, para mim, no primeiro jogo, Ergo salva essa dupla.


Em Anima 2, controlamos o imortal Nameless. Sua história acaba por dar spoilers sobre o enredo do primeiro título, então, para resumir, ele também acaba no mesmo local que os protagonistas: a torre de Arcana. Em resumo, o arco de Nameless é ótimo, respondendo a questões importantes que complementam o primeiro jogo.


Também ressalto o excelente trabalho de dublagem em ambos os títulos, assim como o universo do RPG de mesa, que é muito interessante e, até certo ponto, complexo. Infelizmente, o jogo ainda apresenta uma falta de animações nas expressões dos personagens, e algumas cutscenes ficam esquisitas, com personagens falando sem abrir a boca. Ambos os jogos contam com múltiplos finais, e o jogo possui também o modo New Game+, incentivando a rejogar para ver todos eles.

Parece Hack and Slash, mas tem barra de vigor

Como um jogo de ação com elementos de RPG, temos um combate que lembra um hack and slash, com presença de golpes físicos e à longa distância, magias, combos no solo e no ar. Há até medidor de golpes que atribui uma nota e pontuação ao combo. Porém, existe uma barra de vigor — ou Ki, como é chamada — cuja proposta não entendi, além de limitar o combate. 


Qualquer ataque físico e a esquiva consomem essa barra, o que impede o aproveitamento pleno da vasta variedade de golpes físicos que o jogo disponibiliza, tornando muito mais fácil apenas atacar à distância. O que é uma pena, pois o combate é muito satisfatório, sendo divertido realizar os golpes.

A presença do vigor ainda atrapalha a dinâmica de troca entre Beare e Ergo durante o combate, dificultando a execução de golpes combinados, mesmo havendo maneiras de contornar isso, como melhorias na árvore de habilidade que reduzem o custo da esquiva e de alguns golpes. Ainda assim, não é o suficiente. Igualmente, estranhei a ausência de uma opção de defesa, tendo como alternativa apenas a esquiva. 


A parte de RPG se manifesta na presença de equipamentos como armas, armaduras e amuletos, permitindo também a compra de suprimentos, como fragmentos de vida para usar durante as lutas. Também é possível customizar quais golpes físicos ou à distância o jogador quer utilizar, escolhendo em quais botões deseja colocá-los. Os equipamentos são bem extensos e variados, sendo possível até mesmo fazer builds para cada personagem.

A nova edição acrescentou uma repaginada aos efeitos de muitos dos golpes do jogo, deixando-os visualmente mais bonitos e proporcionando maior imersão na sensação de destruição que causam, além de trazer novas opções de dificuldade. Optei por jogar no modo normal.


Tudo que expliquei até agora se mantém no segundo jogo, com a diferença de que Nameless possui uma barra especial que permite reforçar os ataques comuns, sendo possível quebrar a defesa de alguns inimigos e causar dano maior. Infelizmente, elementos como a barra de vigor permanecem. Ressalto que acredito que o combate seria mais fluido se ela não existisse.

Uma torre mágica cheia de mistérios 

A torre Arcana, mística, está dividida em três andares e cinco fases, sendo três no primeiro andar e duas no segundo. Essas fases se passam em cenários lineares, com tamanhos variados e temáticas distintas. Existem mansões, regiões de neve, planícies, entre outras. O ciclo de jogo se repete em cada fase, nas quais o jogador deve coletar três dos cinco fragmentos de memória do chefe para, assim, poder invocá-lo. Esses fragmentos não influenciam nos finais do jogo, então colete todos apenas se quiser ter a história completa dos chefes.


A arquitetura das fases é variada. O jogo mistura momentos de plataforma dinâmicos com trechos em 2D criativos e quebra-cabeças simples de resolver, acompanhados de uma trilha sonora excelente, que utiliza bastante violino no primeiro jogo e opta por piano no segundo. Os cenários da primeira versão de Anima já eram bonitos, mas apresentavam algumas limitações gráficas, corrigidas no remaster, tornando as fases belíssimas, com ótimo trabalho nas texturas e iluminação.


O segundo jogo se passa na mesma torre, em um local chamado Lugar Nenhum. Porém, o cenário é menor que o do primeiro jogo. Aqui, temos três fases que são locais já vistos anteriormente, nas quais é preciso entrar, encontrar os fragmentos da memória e derrotar o chefe. Entretanto, achei alguns quebra-cabeças mais criativos na jornada de Nameless do que na aventura da inquisidora.

Um bom remaster que tinha espaço para melhorar ainda mais


Anima: Gate of Memories I & II Remaster entregou uma versão melhorada em comparação ao jogo original, com cenários que agora possuem uma iluminação e texturas superiores, novas opções de dificuldade e novos efeitos nos golpes. Porém, ainda havia espaço para melhorias — como a adição de legendas em português, expressões mais convincentes nas cutscenes e a remoção da barra de Ki, que só atrapalha o combate — ou, pelo menos, que os golpes físicos deixassem de consumi-la.

Prós

  • Cenários variados e bonitos, embelezados no remaster, com trabalho aprimorado de luz e sombra, além de texturas mais detalhadas;
  • Magias e golpes visualmente mais bonitos após a renovação estéticaa;
  • A história de Anima 1 e 2 é interessante, apresenta um universo profundo e oferece múltiplos finais, incentivando o jogador a rejogar no New Game+.

Contras

  • Ausência de legendas em português;
  • A presença da barra de Ki limita o combate;
  • A protagonista do primeiro jogo, Bearer, não é tão carismática.
Anima: Gates of Memory: I&II Remaster — PS5/XSX/PC — Nota: 7.0
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Anima Project Publisher
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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