É comum que surjam tentativas de terceiros, toda vez que algo faz sucesso, de replicar a "fórmula" e alcançar o mesmo resultado. Já estamos habituados a ver esse tipo de dinâmica em diferentes mídias, como cinema, música e televisão, e também nos famosos virais nas redes sociais, que pegam carona em uma tendência para ganhar visualizações e seguidores.
Nos games isso não é diferente. Um dos gêneros que mais ganharam notoriedade nos últimos anos foi o roguelike. Cheio de diferentes interpretações e dinâmicas, o estilo está cada vez mais saturado, embora eventualmente algumas pérolas acabem surgindo no mercado em meio a tantos lançamentos.
No TOP 10 de hoje, vamos explorar um pouco os roguelikes de ação que se inspiraram no sucesso avassalador de Hades e Hades II. A franquia da Supergiant Games é considerada uma das melhores experiências do gênero por conta de sua ambientação única em um universo marcante, inspirado na mitologia grega, e sua jogabilidade frenética, viciante e com extrema fluidez.
Nesta lista, a intenção é destacar títulos que se inspiraram no gênero e nas dinâmicas das aventuras de Zagreu e Melinoe: visão de cima, combate com foco na ação e progressão dinâmica conforme avançamos nas incursões. Confira agora alguns títulos para conhecer o gênero, ou até mesmo para experimentar novos títulos, caso você já seja um apreciador de Hades ou um verdadeiro entusiasta dos roguelikes.
1. Ember Knights
Em Ember Knights, assumimos o papel de guerreiros que foram encarregados de restaurar o equilíbrio do universo após a corrupção causada pelo feiticeiro Praxis. Utilizando portais interdimensionais, os heróis atravessam mundos que são dominados por criaturas e chefes que servem ao vilão. A narrativa é simples e serve mais como um pano de fundo para a ação frenética, mas apresenta um universo colorido e cheio de personalidade.
Ao longo das partidas, os jogadores descobrem mais sobre a influência de Praxis e enfrentam desafios crescentes em diferentes dimensões. Assim como em Hades, a progressão narrativa acontece gradualmente entre as tentativas, incentivando novas investidas mesmo após derrotas.
O combate rápido e responsivo é um dos destaques de Ember Knights. Cada cavaleiro possui armas, habilidades especiais e ataques combináveis, o que permite a criação de diferentes estilos de jogo. Durante as incursões, é possível obter relíquias e melhorias temporárias que modificam drasticamente a construção do personagem. O jogo também oferece cooperativo para até quatro jogadores e fases geradas proceduralmente a cada nova incursão. A combinação de melhorias cria sinergias capazes de transformar completamente uma partida, incentivando a experimentação constante de novos combos de habilidades.
2. Warm Snow
Ambientado em uma versão sombria e fantástica da China imperial, Warm Snow acompanha um guerreiro conhecido como Bi-an, enviado para investigar uma misteriosa neve quente que está transformando pessoas em monstros. O fenômeno ameaça destruir o império, enquanto conspirações políticas e elementos sobrenaturais surgem ao longo da jornada. A narrativa mistura fantasia oriental, horror e mitologia chinesa. Conforme avança, o protagonista descobre que a origem da neve está ligada a segredos obscuros envolvendo as principais famílias do império e forças além da compreensão humana.
Warm Snow é um roguelite de ação com combate extremamente veloz. Um dos pontos fortes é o das espadas voadoras, que podem ser lançadas e recuperadas durante os confrontos, o que cria uma dinâmica diferente dos ataques convencionais. A construção de personagem varia bastante graças ao sistema de relíquias e poderes.
Assim como em Hades, cada tentativa permite que sejam desbloqueadas melhorias permanentes e experimentadas novas combinações de habilidades. A variedade de construções de builds é um dos maiores atrativos, já que permite a criação de personagens focados em dano crítico e até estilos especializados em efeitos elementais ou ataques à distância.
3. Yasha: Legends of the Demon Blade
Inspirado no folclore japonês, Yasha: Legends of the Demon Blade se passa durante um período de guerra entre humanos e demônios. O jogador acompanha diferentes protagonistas cujos destinos acabam se cruzando em meio a uma grande ameaça sobrenatural que coloca todo o reino em risco.
O combate combina ação hack-and-slash com mecânicas de roguelite. Cada personagem possui armas exclusivas e estilos de luta próprios, o que estimula o jogador a voltar para novas tentativas mesmo após concluir a campanha principal. Durante as partidas, os jogadores coletam bênçãos, melhorias e habilidades que alteram significativamente a forma de enfrentar os inimigos.
4. Lost in Random: The Eternal Die
Este spin-off de Lost in Random acompanha a Rainha Aleksandra após os eventos do jogo original. Presa em um reino distorcido dentro de um artefato mágico conhecido como Eternal Die, ela precisa enfrentar seus próprios traumas e derrotar entidades que ameaçam sua existência.
A narrativa mantém o tom sombrio e inspirado em contos de fadas macabros que caracterizou o universo de Lost in Random. Diferentemente do primeiro jogo, que misturava ação e estratégia, The Eternal Die adota uma estrutura roguelite de ação isométrica. O combate gira em torno de armas variadas, habilidades especiais e do uso estratégico dos dados mágicos na construção das habilidades de Aleksandra.
As partidas apresentam salas aleatórias, melhorias temporárias e progressão permanente entre as tentativas. O resultado é uma experiência que flerta bastante com a de Hades, ao passo que mantém a identidade visual única da franquia.
5. Sworn
Sworn tem como inspiração as lendas arturianas sob uma perspectiva sombria em um mundo que foi corrompido por uma versão tirânica do Rei Arthur. Para restaurar Camelot, os jogadores precisam se unir e libertar o reino da influência maligna que tomou conta da Távola Redonda. Durante a campanha, personagens clássicos da mitologia arturiana aparecem em versões reinterpretadas, criando uma narrativa familiar, mas repleta de reviravoltas e elementos fantásticos.
De todos os jogos desta lista, Sworn é o que evoca mais inspirações diretas em Hades. O combate isométrico acelerado e o sistema de bênçãos concedidas por figuras lendárias são muito semelhantes, permitindo que os jogadores combinem poderes para criar sinergias extremamente poderosas durante cada tentativa. O fato de os personagens serem “feios” é até considerado um meme, em contraste com as interpretações belas e até sensuais das divindades de Hades.
Este é outro título cujo principal diferencial está no cooperativo para até quatro jogadores. A progressão compartilhada e a variedade de classes elevam bastante a rejogabilidade, especialmente para grupos de amigos que desejam desvendar os segredos do mundo de Sworn e testemunhar o final verdadeiro da aventura.
6. Curse of the Dead Gods
Nesta aventura, assumimos o papel de um aventureiro que busca riquezas e poder dentro de um templo amaldiçoado que está repleto de armadilhas, monstros e divindades antigas. Quanto mais fundo adentramos, mais somos consumidos pela maldição que assombra o local. Com uma narrativa minimalista, Curse of the Dead Gods faz um bom uso do ambiente e dos elementos narrativos para transmitir uma sensação constante de mistério, o que incentiva o jogador a continuar até que possa concluir a jornada. O templo funciona como um personagem próprio, que revela gradualmente seus segredos.
Desta lista, Curse of the Dead Gods talvez seja o que possui o ritmo de combate mais cadenciado. O foco aqui não está apenas na ação, mas também no domínio de esquivas, bloqueios, armas secundárias e gerenciamento de resistência. A iluminação também desempenha um papel importante, já que a escuridão aumenta os perigos enfrentados.
Outro diferencial é o sistema de corrupção. Ao receber determinadas recompensas ou sofrer certos efeitos, o personagem acumula maldições que alteram profundamente a jogabilidade. Isso cria um equilíbrio interessante entre risco e recompensa durante cada partida, fazendo com que cada incursão tenha um desfecho inesperado, seja em caso de sucesso ou fracasso.
7. Realm of Ink
Realm of Ink apresenta uma artista marcial que descobre estar presa dentro de uma história escrita por uma entidade misteriosa. Conforme avança, ela percebe que o próprio mundo pode ser uma criação literária e tenta escapar desse desfecho já predeterminado. O estilo artístico, que foi inspirado em pinturas orientais, ajuda a reforçar sua identidade única.
O combate mistura ataques corpo a corpo com invocações mágicas e companheiros espirituais. Durante as partidas, é possível obter novas habilidades e aprimoramentos que permitem criar combinações bastante variadas de ataques.
A estrutura roguelite, a progressão permanente, a variedade de construções de personagem e o desbloqueio de novas versões da protagonista — cada uma com ataques e habilidades de base exclusivos — criam novas camadas de estratégia ao longo da aventura. Embora aposte mais em mecânicas de invocação e suporte do que em combate direto, Realm of Ink é outro título desta lista que merece atenção.
8. Wizard of Legend 2
Esta sequência expande o universo mágico do primeiro jogo, colocando novos magos diante de desafios cada vez mais perigosos em um torneio repleto de criaturas, armadilhas e rivais poderosos. A história continua sendo um elemento secundário, funcionando mais como justificativa para a ação do que como foco da experiência. O foco permanece na fantasia arcana e na busca pelo domínio absoluto das artes mágicas, com novos cenários e ameaças surgindo a cada tentativa.
O grande destaque de Wizard of Legend 2 é a variedade de magias. Contando com cooperativo local e online, os jogadores podem combinar feitiços elementais para criar estilos de combate completamente diferentes. A estrutura roguelite e o ritmo frenético das batalhas remetem bastante a Hades. A principal diferença é que praticamente todo o combate gira em torno do uso criativo de feitiços, o que oferece uma profundidade estratégica impressionante que estimula ainda mais as partidas em grupo.
9. Towa and the Guardians of the Sacred Tree
Nesta carismática aventura com inspirações orientais, a sacerdotisa Towa lidera um grupo de guardiões encarregados de proteger uma árvore sagrada que sustenta o equilíbrio do mundo. Quando forças malignas começam a ameaçar a região, os heróis precisam partir em uma jornada para impedir a destruição do mundo. A narrativa enfatiza amizade, dever e crescimento pessoal, acompanhando os relacionamentos entre os diversos membros do elenco enquanto eles enfrentam desafios cada vez maiores.
A jogabilidade é baseada em duplas, sendo um dos lados o especialista em ataques físicos e outro em conjuração de feitiços, o que permite múltiplas abordagens durante as expedições. A diversidade de heróis e a construção gradual dos personagens aproximam o título de Hades, enquanto o visual inspirado em animações japonesas ajuda a criar uma identidade própria.
Duas mecânicas únicas tornam Towa and the Guardians of the Sacred Tree ainda mais original: a criação de armas e um sistema de sacrifício. Esse sistema faz o jogador pensar estrategicamente sobre quais heróis levar para cada incursão, já que, durante a campanha, a vitória tem um preço que precisa ser pago após a derrota do chefe principal de cada região.
10. Teenage Mutant Ninja Turtles: Splintered Fate
Fechando nossa lista, temos os famosos irmãos reptilianos de Nova York em uma aventura para resgatar o Mestre Splinter após seu misterioso desaparecimento. A investigação leva Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael a uma trama dimensional, revelando uma ameaça muito maior do que imaginavam. A história aproveita bastante o legado de décadas de personagens e vilões da franquia, funcionando como uma homenagem de qualidade aos admiradores das Tartarugas, ao mesmo tempo em que mantém um ritmo divertido e desafiador de jogo.
Splintered Fate adapta a fórmula de Hades ao universo das Tartarugas Ninja: cada herói tem atributos, armas e habilidades exclusivas, o que incentiva o jogador a experimentar diferentes estilos de combate. Durante as partidas, é possível adquirir melhorias inspiradas em seus demais aliados para montar builds para quebrar o jogo e ativar modificadores para deixar o desafio ainda mais alto.
O cooperativo para até quatro jogadores em modo local ou online é um dos principais atrativos. As partidas apresentam salas aleatórias, chefes com diferentes padrões de comportamento a cada nova incursão e uma grande variedade de combinações de poderes, tornando cada tentativa diferente da anterior. A experiência pode ser ampliada com a aquisição de DLCs que adicionam mais três personagens jogáveis: Casey Jones (junto com uma nova fase), Metalhead e Alopex.
Não fizeram igual, mas mandaram bem
Hades e Hades II elevaram a régua dos roguelikes de ação, mas, como tentamos mostrar nesta lista, o gênero está longe de se limitar à fórmula da Supergiant Games. Cada um dos títulos apresentados aqui absorve elementos consagrados da franquia e os reinterpreta à sua maneira, seja por meio de ambientações inspiradas em mitologias distintas, seja através de mecânicas de combate, formas de jogar e uma meta progressão que foge do óbvio.
Se você já esgotou as possibilidades de Hades e Hades II, ou simplesmente busca novas experiências dentro do gênero, esta lista oferece um bom ponto de partida. Cada jogo tem identidade própria, mas todos compartilham aquele ciclo de tentativa, fracasso e evolução que tornou os roguelikes de ação tão populares nos últimos anos. Já conhecia ou pretende experimentar alguns deles? Deixe suas impressões e recomendações na seção de comentários e até o próximo TOP 10.



