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Análise: Out There: Oceans of Time (PC) é uma complicada aventura de sobrevivência no espaço

Mesmo com boas ideias, este RPG sofre por conta de uma dificuldade desbalanceada.


Out There: Oceans of Time
é um RPG de ficção científica que se passa em um futuro distante, no qual a humanidade já fugiu da Terra e explora as mais diversas galáxias do universo. No controle da capitã Nyx, devemos viajar por diversos planetas à procura de uma raça alienígena que quer dominar todas as outras espécies. Apoiado em boas ideias, este jogo consegue divertir os fãs de ficção espacial, mesmo que com alguns probleminhas.

Explorando novos horizontes

Após abandonar um acabado planeta Terra em grandes naves, os seres humanos se refugiaram em distantes planetas localizados na fronteira da galáxia, onde encontraram muitas maravilhas e abominações. Após milhares de anos, algumas dessas grandes naves foram bem-sucedidas em criar grandes civilizações.

Além de inúmeras raças alienígenas, os humanos descobriram também que o universo é governado pelos Cubos Divinos, seres que conseguiram abolir todos os sistemas de violência e territorialidade do espaço. Mas uma criatura alienígena chamada Arconte, pertencente à raça dos Lordes, decidiu não se submeter aos Cubos Divinos e começou a dominar todas as outras civilizações.




Depois de uma intensa caçada, o Arconte foi capturado pela Organização. A Capitã da Vanguarda Nyx, protagonista da história, e o Oficial de Ciência Sergeï são os responsáveis por levar a criatura ao Mausoléu da Eternidade, um planeta-prisão. No percurso para o presídio, a nave da Capitã é atacada por naves inimigas, o Arconte é libertado e os dois oficiais são obrigados a evacuá-la.
 
As cápsulas de evacuação demoraram 100 anos para encontrar um planeta habitável, onde ambos acordaram do sono criogênico. Preocupados com o que o Arconte fez no último século, os dois oficiais decidem procurar a antiga nave e perseguir o perigoso semi-deus que está à solta.



Pulando de planeta em planeta

O jogo nos conduz durante as missões de maneira bem simples. A história é guiada a partir dos diálogos dos dois oficiais, que discutem qual deve ser o próximo passo da tripulação. Não há cutscenes e diálogos, apenas textos e representações bem limitadas dos modelos dos personagens. No entanto, o jogo está traduzido para português, o que já é um excelente ponto positivo para um RPG com muito texto.

Definido o destino, temos a liberdade em viajar entre diferentes galáxias até o objetivo. A quantidade de sistemas solares é imensa, e em um primeiro instante é fácil ficar perdido no meio de tanta informação e possibilidade. Em cada sistema, existem planetas com diferentes características e nossa progressão é limitada pelo consumo de recursos como combustível ou fuselagem da nave.




Os planetas se dividem entre gasosos — ricos em combustíveis —, rochosos — ricos em minerais — e habitáveis — em que podemos explorar e encontrar outros alienígenas. Além disso, é possível encontrar naves perdidas, grandes cidades e buracos negros, por exemplo, e para cada tipo de localidade temos uma necessidade diferente.

Planetas gasosos, por exemplo, visitamos para coletar combustível; planetas rochosos podem ser explorados para conseguir metais raros, importantes para negociar e consertar a nave; e os planetas habitáveis mudam a mecânica e permitem que sejam explorados pelos oficiais.




Fora das naves, o planeta se dispõe na forma de tabuleiro, com casas hexagonais se encaixando na forma do ambiente. Assim, devemos explorar os cantos do planeta à procura de itens raros e novas espécies de alienígenas, sempre estando expostos a perigos aleatórios como plantas venenosas ou armadilhas.

Nesses momentos o jogo se comporta como um RPG, em que os protagonistas possuem uma quantidade limitada de movimentos e atributos baseados em suas características. Nyx é uma Sobrevivencialista, ou seja, ela não se intimida em território desconhecido; Sergeï é um Especialista em Engenharia, logo, suas habilidades envolvem construções, mecânica, extração de recursos e reciclagem. Além deles, há também a classe Xenolinguista, especialista em história e arqueologia.




Esses planetas habitáveis costumam ter vilarejos e neles é possível recrutar novos membros para a tripulação, negociar itens e até mesmo desencadear eventos aleatórios conversando com os locais. Diferentes conclusões podem ser geradas a partir das características da tripulação, assim como a quantidade de pontos de ação disponíveis para cada. 



Problemas na nave 

As mecânicas de Out There: Oceans of Time se resumem basicamente a esses dois aspectos: viagem espacial com controle de recursos e explorações de alguns planetas. Apesar da grande quantidade de galáxias que podemos visitar, o jogo logo se torna repetitivo. Isso é amenizado por conta de eventos aleatórios  que podem ocorrer na sua jornada, tanto dentro dos planetas quanto fora, viajando.

Mesmo assim, isso não impede do jogo se tornar repetitivo. Você passará muitas horas fazendo o mesmo tipo de ação enquanto a história avança. Além disso, vale ressaltar a dificuldade de manter a quantidade de recursos na nave. Parece haver um problema no balanceamento no consumo de combustível e oxigênio, o que torna a aventura muito mais difícil do que deveria.




O agravante desse problema é  a questão de salvamento do jogo. Toda vez que você fecha o jogo, ocorre um salvamento automático no local que você parou. No entanto, quando você morre, o jogo puxa o save manual, que é feito em estações espaciais específicas e que são bem raras de aparecer. 

Descer da nave e explorar os planetas é um sistema que ajuda a manter o jogo um pouco mais agradável devido à variedade de biomas que podemos visitar, além de ser completamente imprevisível. Apesar de não arriscarem muito, é divertido e desafiador na medida certa.




Uma questão importante sobre o balanceamento precisa ser ressaltada. Dois dias antes da publicação desta análise (07/06/2022) ocorreu uma grande atualização do jogo que, dentre as melhorias, eram indicadas um rebalanceamento de alguns sistemas utilizados. Como não joguei após a atualização, não direi que o jogo está melhor por isso. Mas ver a disposição dos desenvolvedores em melhorar o produto é bastante animadora.

Um futuro promissor

Out There: Oceans of Time adota ideias muito interessantes para a exploração espacial. Há muitos planetas e eventos aleatórios que tornam toda a aventura única e seu gameplay simples torna tudo muito acessível. Apesar disso, o jogo precisa de um rebalanceamento de suas ações, visto que a dificuldade se torna excessivamente elevada sem motivo. No geral, o jogo é divertido, desafiador e, se depender dos desenvolvedores, tem tudo para melhorar.

Prós 

  • Há uma enorme quantidade de galáxias e planetas para visitar;
  • A diferença entre as classes dos personagens é bem utilizada dentro da aventura;
  • Há muito eventos aleatórios que tornam sua aventura imprevisível;
  • A possibilidade de explorar planetas em terra firme ajuda a quebrar o ritmo monótono das viagens espaciais;
  • Os desenvolvedores estão dispostos a atualizar e melhorar o produto.
  • O jogo está localizado para português.

Contras

  • O sistema de uso de recursos da nave precisa de uma balanceamento;
  • Há poucas bases para realizar o salvamento manual;
  • Em pouco tempo o jogo acaba se tornando muito repetitivo.
Out There: Oceans of Time — PC — Nota 7.5
Revisão: Thais Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Modern Wolf


Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
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