Command & Conquer completa 30 anos: a saga que moldou a estratégia em tempo real

Três décadas de batalhas virtuais: da ascensão da Westwood à nostalgia da Remastered Collection.

em 13/08/2025


Poucos títulos marcaram tanto o gênero de estratégia em tempo real quanto Command & Conquer. Lançado em 1995, o jogo criado pela Westwood Studios não só popularizou o RTS como também apresentou um estilo único de narrativa, misturando missões desafiadoras, cutscenes com atores reais e uma identidade visual e sonora inconfundível. 

Ao longo de 30 anos, a franquia passou por diferentes fases — algumas gloriosas, outras controversas —, mas sempre manteve um legado que ainda ecoa no cenário dos videogames. Hoje, com a comunidade ativa e remasterizações de qualidade, a série continua viva tanto na memória dos veteranos quanto no interesse de novos jogadores.

O início da guerra: Tiberium, GDI e a Irmandade de Nod 

O embrião de Command & Conquer surgiu após o sucesso de Dune II, também da Westwood, que já havia estabelecido as bases do gênero RTS. Livre das limitações de licenciamento, o estúdio criou um universo próprio, ambientado em um futuro próximo no qual a misteriosa substância Tiberium se espalha pelo planeta. 

De um lado, a GDI (Global Defense Initiative), uma coalizão militar formada para conter a ameaça; do outro, a Irmandade de Nod, liderada pelo carismático e manipulador Kane, que vê no Tiberium a chave para dominar o mundo. 

O diferencial não estava apenas na jogabilidade — que combinava construção de bases, coleta de recursos e combate estratégico em tempo real —, mas também na narrativa. As campanhas eram intercaladas com full-motion videos de atores reais, um recurso que, em 1995, aproximava o jogo de uma produção cinematográfica. 

Além disso, a Westwood inovou no multiplayer: cada cópia do jogo vinha com dois CDs, permitindo que duas pessoas jogassem juntas com apenas uma compra, algo impensável para a época. O sucesso foi imediato e estabeleceu o padrão que a própria franquia seguiria nos anos seguintes. 

Expansões, spin-offs e novos universos 

O impacto do primeiro título foi tão grande que, apenas um ano depois, a Westwood lançou Command & Conquer: Red Alert. Ambientado em uma realidade alternativa em que Albert Einstein viaja no tempo para eliminar Hitler, a trama acaba criando um novo conflito global entre Aliados e União Soviética.

Mais leve e exagerado que a série Tiberium, Red Alert apostava em unidades excêntricas — como polvos gigantes, tanques futuristas e dirigíveis armados — e numa estética que mesclava Guerra Fria e ficção científica. A trilha sonora, com o icônico “Hell March” de Frank Klepacki, se tornaria uma das mais lembradas da história dos games.

A partir daí, a franquia passou a alternar entre seus diferentes universos. Tiberian Sun (1999) trouxe um clima mais sombrio e apocalíptico, com avanços técnicos e um enredo de ficção científica mais pesado. Renegade (2002) foi a aposta mais ousada, abandonando a visão estratégica e se aventurando no gênero FPS, com foco em ação e tiroteios.

Já Generals (2003) apresentou um cenário mais realista e contemporâneo, envolvendo EUA, China e uma facção terrorista fictícia, dividindo opiniões mas ganhando fãs pelo ritmo mais direto. Essa fase mostrou a capacidade da série de se reinventar, mas também começou a evidenciar desafios criativos, especialmente após a compra da Westwood pela Electronic Arts. 

A remasterização que reacendeu a chama

Após anos de hiato e tentativas frustradas de reinventar a franquia, 2020 marcou o retorno triunfal de Command & Conquer com a Remastered Collection. Desenvolvida pela Petroglyph Games — formada por veteranos da Westwood — e pela Lemon Sky Studios, a coletânea trouxe de volta Tiberian Dawn e Red Alert em glorioso 4K, com todas as expansões, missões bônus e melhorias significativas na jogabilidade. 

A atenção aos detalhes conquistou a comunidade: trilha sonora regravada por Frank Klepacki, cenas inéditas dos bastidores das filmagens originais, multiplayer modernizado e até a possibilidade de alternar entre gráficos clássicos e remasterizados com um simples toque de tecla. 

O lançamento ainda incluiu o código-fonte do jogo, incentivando a criação de mods e fortalecendo a relação com os fãs. Para muitos, foi não apenas um resgate da nostalgia, mas um exemplo de como remasterizações devem ser feitas — respeitando o material original, mas sem abrir mão de melhorias que o deixam atraente para novos jogadores. 

Legado e influência

Ao longo de três décadas, Command & Conquer vendeu mais de 30 milhões de cópias e conquistou seis recordes no Guinness World Records, incluindo “Série RTS mais vendida” e “Ator com maior tempo de atuação em videogame” para Joe Kucan, eterno intérprete de Kane. A influência da franquia se espalha por toda a indústria: mecânicas de interface, estilo de campanha e até o uso de narrativa com atores reais inspiraram outros títulos e deixaram marcas no gênero de estratégia. 

Mesmo que o RTS não esteja mais no topo das listas de vendas, a comunidade de Command & Conquer continua ativa, mantendo servidores não oficiais, criando conteúdos inéditos e organizando competições. E com a EA liberando mais códigos-fonte em 2025, as possibilidades de expansão e preservação desse legado só aumentam. Trinta anos depois, a guerra entre GDI e Nod, ou entre Aliados e Soviéticos, ainda não acabou — e talvez nunca acabe, enquanto houver fãs dispostos a comandar e conquistar. 

Revisão: Vitor Tibério
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Lyon Saluchi
Lyon é Físico, Engenheiro e Professor, além de grande entusiasta de jogos de plataforma 3D e JRPGs. Adora mergulhar em mundos fantásticos e explorar narrativas profundas, mas também não resiste a uma partida casual de algo criativo ou inesperado. Nas horas vagas, está sempre à procura de novos desafios, seja na vida real ou nos games.
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