Jogamos

Análise: Dark Deity (PC) mistura nostalgia e inovação nos moldes dos antigos RPGs de estratégia

Posicione suas tropas, afie suas armas, construa laços e se prepare para a guerra.




Seu objetivo é defender um aqueduto tomado por bandidos. A incrível construção arquitetônica é responsável por levar água das montanhas para uma cidade próxima. Seu grupo se deparou com a seguinte cena quando estava de passagem: malfeitores rodeavam o aqueduto e não limitavam seus esforços para danificar a construção e talvez até levá-la à destruição.


Você não tem um grande contingente de homens a seu dispor e nenhum grande exército aliado. Aquilo nem era parte da missão de vocês, mas diante da horda de bandidos é consenso comum que aquilo não pode ficar impune. Você sabe que seu arqueiro estará atrás para dar cobertura, sua clériga tem grandes poderes de cura e bate tão forte com sua maça quanto o cavaleiro com sua lança. Os magos e acólitos não ficam para trás. Com todas as peças em jogo, você tem 20 turnos para impedir que o aqueduto seja destruído, será que conseguirá?

Dark Deity (PC) traz o clássico RPG de estratégia por turnos. Você terá à sua disposição diferentes unidades para controlar e evoluir, várias armas para usar, habilidades extras para efeitos adicionais e um sistema de laços que pode beneficiar unidades próximas.



Um mergulho na história

A história de Dark Deity começa com os recrutas Maren, Garrick, Irving e Alden formando-se na academia militar de Brookstead, que serve o reino de Delian e fez um pacto para enviar apenas a turma de formandos para o exército. Rei Varic, porém, decidiu violar esse pacto e alistar todos os alunos devido a urgência de um confronto iminente.

Ao passarem em um último teste de batalha, os jovens recrutas finalmente são graduados. Entretanto, o rei Varic de Delia, seu governante, não pretende deixar suas tropas paradas. O grupo é rapidamente incorporado ao exército do reino e parte em uma campanha militar para lidar com bandidos.

Inicialmente, os problemas se resumem a esses malfeitores que atacam a cidade de Duskwater e se escondem na floresta próxima. Durante a libertação da cidade, eles se deparam com uma pedra cor de ametista que, posteriormente, ficaria conhecida como um "aspecto", um artefato mágico de poder desconhecido, mas temido.




Um mago chamado Akmenos se aproxima do grupo dizendo que este aspecto é um importante item de sua família, mas não parece confiável. O grupo se nega a entregá-lo e, em retaliação, o feiticeiro ergue uma horda zumbis para tentar pegar o item à força. Uma vez derrotado seu exército, o mago foge, deixando muitas perguntas sobre tal item e suas intenções.

A história seguirá com o grupo se envolvendo em assuntos militares e políticos, ordenados por seu rei. Em alguns momentos, será necessário policiar as estradas de grupos de bandidos, já em outros, eles precisam proteger pontos importantes, como bosques e aquedutos.

A trama política se intensifica. Os bandidos não são apenas uma casualidade, eles fazem parte de um exército invasor de Aramor, um reino governado pelo Rei Rhoane, que está em guerra com a nação de Delian. Isso não é apenas um confronto territorial, mas também uma corrida pelos ditos aspectos.




Os aspectos são artefatos mágicos com poderes inimagináveis, porém capazes de conceder uma grande vantagem a quem os tiver. O enredo então gira em torno de seu poder de mudar a balança da guerra enquanto outros personagens saem e voltam à trama.

A história do jogo é bem elaborada, mesmo que por vezes possa parecer simples. Nota-se com facilidade como tudo o que ocorre no mundo afeta os personagens, dos recém-chegados ao grupo aos mais antigos que já estão ali faz tempo. Desta forma, podemos ver que o desenvolvimento não se preocupou apenas em lidar com o mundo em si, mas também em trazer os personagens como atores e mostrando como são influenciados e que reflexos isso trará para eles.



Entre soldados e estratégias

Dark Deity tem seu enredo desenvolvido ao longo de 28 capítulos que contam com 30 diferentes personagens jogáveis. Os confrontos são baseados no sistema de porcentagem de acerto e a evolução dos guerreiros utiliza a progressão de pontos de XP e níveis.

A campanha possui 3 níveis de dificuldade e em nenhum deles há a morte permanente de um personagem. O que acontece é o sistema batizado de "ferimentos permanentes", no qual as unidades caídas sofrem penalização em certas habilidades, sendo reversível somente pela compra de itens caros que concedem pontos permanentes.




Dark Deity possui um robusto sistema de classes, armas, vínculos e evolução. Apesar do jogo ter grandes semelhanças com outros, como Fire Emblem e Final Fantasy, seus sistemas foram refinados e acabaram ganhando sua própria identidade. Neste ponto, ele é um RPG de estratégia cujas batalhas funcionam em mapas com espaços organizados em grade. Cada unidade é posicionada no mapa e, quando começa a batalha, você pode movê-las dentro de seu limite e realizar ataques ou executar habilidades extras.

Algo de que senti falta foi uma espécie de tutorial ou guia. Na ausência deste, não há explicações sobre quais tipos de armas ganham vantagem sobre outras ou que tipo de unidade é mais eficaz contra determinado inimigo. Tais informações ficam intrínsecas na campanha, você pode acabar entendendo sobre elas quando realiza um ataque ou escolhe um entre os 4 tipos de armas. Nesta ação é exibida uma janela que mostrará as chances de acertar o golpe, dano possível, porcentagem de acerto crítico e sua vida. Tais informações se aplicam tanto para você quanto para seu inimigo. É possível também supor sobre vantagem ou desvantagem dada pequenas setas, de cor verde ou vermelha, que ficam sobre os personagens quando você selecionar um deles.




As batalhas então se desenvolvem nesse sistema campal. Nem todas as unidades podem atacar corpo-a-corpo e nem todas têm habilidades ofensivas.  Se ao selecionar uma unidade você notar que seu ataque não tem boas chances de acertar, você pode optar por usar uma habilidade daquela classe, curar um aliado ou desarmar o oponente por um turno.

Os mapas são preenchidos com inimigos de diferentes classes e terreno com complicações, como locais de difícil movimentação, veneno e armadilhas. Apesar de limpar o mapa de inimigos ser um objetivo recorrente, o alto número destes e o pouco dinamismo dos confrontos pode torná-los um pouco repetitivos e cansativos a longo prazo.




Diferente de outros jogos do gênero, e sendo algo positivo ao meu ver, as armas não contam com durabilidade limitada em Dark Deity. Todos os personagens já iniciam com 4 armas que podem ser usadas nas ações de ataque. Algumas podem ter maior chance de acerto crítico enquanto outras têm capacidade de causar mais dano.

Destaco também um grande ponto positivo que é a evolução das classes. Ao atingir determinados níveis com os personagens, eles podem evoluir. Há um leque de 4 novas classes para cada estágio de evolução. No menu que se abre, é possível observar o novo visual do personagem, analisar os status que ganhará ou perderá e quais habilidades novas ele terá.




Uma boa dica em matéria de evolução é se manter atento aos personagens do seu grupo. Só há duas evoluções de classe durante o jogo e no grupo haverão personagens que poderão seguir a mesma evolução. Sendo assim, mesmo que determinada classe pareça fraca, é uma boa opção escolhê-la para manter o grupo diversificado, uma hora ela terá vantagem contra um tipo de inimigo.

A evolução de armamento também é um recurso do jogo. Ao fim de cada luta, você é recompensado com moedas de ouro e tokens que podem variar de 1 a 4. Com os tokens é possível melhorar o armamento, sendo cada numeração referente ao nível da arma. As moedas de ouro, por outro lado, podem ser usadas para comprar mais tokens, itens utilitários para restaurar HP ou itens que aumentem seus atributos permanentemente.




Há mais um sistema interessante no jogo, o de vínculos. Uma vez terminado um capítulo ou antes de um confronto, o menu é exibido. Além de compras e trocas de itens, há a opção de vínculos, que sempre terá uma nova notificação a cada novo capítulo. Nesta nova aba, as ligações sociais dos personagens são constantemente atualizadas e você pode conferir pequenos diálogos entre eles a medida que esse vínculo progride. Os personagens fortalecem seus laços enquanto estão próximos uns dos outros nas batalhas. 

A mecânica é bem interessante e revela não apenas interações, mas também desejos, preocupações e opiniões acerca de tudo que ocorre ao redor. Se um personagem está chateado por algo que ocorreu na história, outros podem mostrar sua preocupação ou até mesmo consolá-lo. Estes pequenos detalhes caem muito bem com o jogo ao meu ver, pois mostram um caráter mais sentimental e humano.
A arte do confronto




Uma das qualidades que mais me chamou atenção em Dark Deity foi a arte, tanto dos personagens quanto do cenário. O design pixelado recebeu pequenos detalhes que foram incorporados na arte. Os personagens se movimentam ainda dentro das limitações de sua composição, contudo em momentos como os de um ataque crítico, a animação do golpe se estende fornecendo uma estética bem bonita.

O design dos mapas é extremamente competente, possuindo layouts e objetivos além de serem apenas plataformas de batalha, como pontos de teletransporte que guiam a diferentes pontos do mapa ou locais específicos para defender. Há até mesmo pequenas animações do fluxo da água que compõem bem a cena.




As falas não são muito alongadas. Apesar de existirem atores de voz listados, os personagens dizem frases breves em partes dos diálogos, mesmo que a caixa de texto sugira outra coisa. Essa característica em si não pesa negativamente para o jogo, mas me parece que concede um charme adicional.

A trilha sonora, por sua vez, não ajuda. Ela é genérica e não complementa a ambientação. Não senti que minha experiência fosse comprometida por jogar sem ela. Isso, de fato, pesa negativamente, pois em momentos parece que faltam sons agitados para batalhas extensas. 

No fim do combate




Dark Deity (PC) se provou um jogo divertido, seja você grande fã do gênero ou não. Ele é um RPG de estratégia clássico capaz de te prender na história e te fazer simpatizar pelos personagens. Apesar de um ponto ou outro falho, o jogo é capaz de entreter por horas com objetivos muito mais dinâmicos do que apenas limpar o mapa de inimigos. Ele mistura o ar nostálgico com inovações pontuais.

Prós:

  • Design e animação de mapas, arte dos personagens e pixelart bem feitas;
  • Boa opções de personalização de personagem;
  • Sistema de laços entre personagens;
  • Diferentes objetivos nos mapas de batalha.

Contras:

  • Ausência de tutorial;
  • Trilha sonora fraca;
  • Alta densidade de inimigos no mapa que pode deixar os combates repetitivos.
Dark Deity  PC  Nota: 8.0

Revisão: Farley Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sword & Axe LLC


É formada em Arquivologia pela UNIRIO. Amante de RPGs antigos e que quase enfartou com Fatal Frame, é fã assumida da série Red Dead e sempre se pergunta quando farão um crossover de Jurassic Park e Dino Crisis.


Disqus
Facebook
Google