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Análise: Lost Orbit: Terminal Velocity (Multi) é um conjunto curto, com pouca variedade

Relançamento expande a aventura inicial de maneira rasa e desperdiça algo que tinha bom potencial. Ainda assim, consegue divertir em alguns momentos.

Lançado primeiramente em 2015, Lost Orbit: Terminal Velocity (Multi) retorna aos holofotes trazendo uma expansão que serve de epílogo para a campanha original. Entretanto, a adição não passa de mais um planeta, com pouco mais de uma dezena de fases. 

Controlamos Harrison, um viajante espacial quieto e solitário. Isso muda um pouco quando ele resgata o robô tagarela Afley. Juntos, eles tentam achar um caminho para que Harrison retorne ao seu planeta e reencontre sua família. 

Voando em círculos

Contando todo o conteúdo, temos que percorrer um total de 51 fases divididas em cinco planetas. O objetivo de todas é o mesmo, que consiste em ir de um ponto a outro desviando de asteroides, lasers e fazendo o uso dos elementos do ambiente ao seu favor.

Cada nova fase apresenta um elemento diferente, que vai sendo agregado ao longo do jogo, seja para ajudar ou atrapalhar. Orbitar planetas, fazer saltos espaciais ou passar por um vortex de aceleração; todas essas ferramentas podem ser boas ou ruins, e tudo vai depender de como o jogador controla o pequeno astronauta.

Por falar em controlar, manter a direção em Lost Orbit pode ser uma tarefa complicada. Harrison pode se movimentar livremente e de maneira muito rápida. Porém, com essa velocidade, fica fácil perder a direção e bater em algum obstáculo.

As laterais da tela não possuem limites. Logo, ir para uma extremidade faz o boneco reaparecer na outra. Essa é outro fator que serve para escapar das pedras no caminho, mas também é uma desvantagem enquanto não se domina a movimentação do personagem.

Enquanto voamos para lá e para cá também coletamos obtanium. Esse mineral é necessário para fazer upgrades nos equipamentos. A nota final dada ao desempenho do jogador em cada fase é sempre baseada no número de mortes, na quantidade de pedras coletadas e no tempo percorrido.

Sangue no espaço

Apesar de tudo acontecer em um ritmo acelerado, o jogo apresenta um visual bacana, usando uma paleta de cores específica para cada planeta. Isso ajuda na ideia de evolução na história. As cutscenes também são bem feitas e bonitas.

Algo que não se esperava desse jogo é um leve toque de humor negro. Ao navegarmos em alta velocidade pelo espaço, podemos colidir com asteroides, meteoros e satélites.

Quando batemos e morremos, a tela se enche de pingos de sangue, o nosso fantasma vaga enquanto o corpo passa a flutuar sem destino ou nosso esqueleto é ejetado da própria carne. Para fechar com chave de ouro, temos que ouvir os comentários sarcásticos de Afley enquanto sucumbimos. É estranho, mas consegue ser divertido.

Já a trilha sonora não incomoda e nem impressiona. Em certos pontos ela até chega a ser repetitiva, mas como os estágios são curtos, essa percepção passa rápido. Porém, ao pausarmos um pouco, seja para fazer melhorias ou ir ao banheiro, os efeitos de batidas intergaláticas repetitivas irritam absurdamente, ao ponto que dá vontade de deixar de acessar o menu só para evitar o incômodo.

Você realmente é o cara de antes?

Ao finalizarmos a campanha original, liberamos o epílogo. É apenas mais um planeta, com o mesmo teor dos anteriores. Apenas duas fases têm uma ideia diferente, em que é necessário andar à frente de naves. Além disso, Harrison ganha uma broca para ajudar a triturar as pedras pelo caminho.

Em um desses estágios, precisamos liberar caminho para um cargueiro atravessar o espaço sem sofrer dano. No outro, a fase final, devemos escapar de um cruzador pirata que tenta nos abater a todo custo. São ideias ótimas, mas os controles dificultam a tarefa num ponto que desanima.

Entretanto, a maior diferença está na atitude do protagonista. Nesta expansão ele reencontra sua irmã, que agora passa a falar com ele a todo momento. Ele, por sua vez, deixou de ser silencioso e simplesmente passou a ser o cara mais sarcástico da Via Láctea. Fica difícil até ligar aquele cara melancólico e quieto a esse outro, que até palavrões fala.

No meio de tudo isso, ainda temos uma outra observação. As legendas dessa parte de Lost Orbit misturam de maneira bizarra português brasileiro e de Portugal. Não é necessário ser conhecedor da língua inglesa, falada pelos personagens, para notar que diversas frases perdem total sentido com expressões estranhas e construções surreais.

À deriva

Lost Orbit: Terminal Velocity (Multi) tem como maior pecado a repetitividade. Até mesmo os modos extras, Desafio e Contra o Tempo, se baseiam na mesma mecânica da campanha: vá de um ponto a outro coletando o maior número de minerais, no menor tempo e sem morrer, se possível.

A adição do epílogo, que poderia dar um novo fôlego para o jogo, só se preocupa em entregar um final de fato à jornada do protagonista. Infelizmente, todo o potencial que poderia ser usado para adicionar novos tipos de elementos de deslocamento e inimigos mais desafiadores é simplesmente deixado de lado. Fica a impressão de que o título poderia render muito mais.


Prós

  • Visuais bacanas e cutscenes bem trabalhadas;
  • Diversos elementos e obstáculos pela fase, aliada a velocidade de deslocamento, te fazem ter que pensar rápido;
  • Trilha sonora das fases combina com o ritmo de cada uma, apesar da repetitividade.

Contras

  • Os diversos elementos são mal distribuídos ao longo da aventura. Isso faz com que tudo se torne bastante repetitivo, salvo algumas exceções;
  • Os upgrades de equipamentos parecem não alterar em nada as mecânicas de jogo;
  • Efeito sonoro irritante durante o menu de pausa;
  • Para recomeçar do início qualquer trajeto, o protagonista se suicida em uma das animações, quebrando o próprio pescoço. Isso cruza a linha do "engraçado" e foge completamente do bom senso.
  • Expansão muito rasa, com poucos elementos novos de fato;
  • Mistura de termos entre português brasileiro e lusitano nas legendas faz os não familiarizados com o inglês se perderem nas expressões.
Lost Galaxy: Terminal Velocity — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela PixelNAUTS
Revisão: Mariana Mussi S. Infanti

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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