Jogos Preferidos de 2016 - Ivanir Ignacchitti

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.

em 26/12/2016

Infelizmente este ano eu joguei poucos lançamentos. Com pouco dinheiro, acabei me dedicando aos clássicos, como Final Fantasy VII (Multi) e Chrono Cross (PS). Dentre os poucos jogos lançados em 2016 que tive chance de jogar, destaco os que estão abaixo:

Festa Estranha (PC)


Desenvolvido pela Trinca, uma equipe nacional formada por três desenvolvedoras, Festa Estranha é uma visual novel gratuita. O jogo conta a história de uma caloura que precisa encontrar seu amigo Jonas para poder voltar para casa. Apesar da premissa “escape the room” ampliada para o ambiente de uma festa universitária, os personagens diversos e cativantes (desenhados por Mariá “Raposa Branca” Scárdua) me levaram a querer explorar todos os cantos do jogo, o que não levou muito tempo (é um jogo curto) e valeu bastante a pena.

Pokémon GO (Android/iOS)


Mais do que o aplicativo em si, que considero muito vazio para um jogo da série, acho importante destacar a experiência fora do comum que foi o período logo após o lançamento do jogo. Jurava de pé junto para todo mundo que não baixaria quando saísse no Brasil, mas era óbvio que eu não ia resistir. Especialmente porque quando ele finalmente estava disponível, quase metade da minha sala de aula estava andando pela universidade em busca de algo que não fosse um Zubat. 

Logo me juntei aos treinadores: adaptei minhas rotas em prol de locais com Wi-fi e tomadas, conheci algumas pessoas por conta da aparição de certos Pokémon raros e até criei grupos em redes sociais com meus colegas para dividirmos descobertas e teorias. Infelizmente, não houve muito incentivo para continuarmos jogando logo após os primeiros dois meses, mas não posso negar o quão boa foi a experiência com Pokémon GO naquele período.

VA-11 HALL-A (PC)


Assim como Festa Estranha, VA-11 HALL-A é uma visual novel que se destaca no carisma de seus personagens e em uma premissa um tanto peculiar. Em meio a uma ambientação cyberpunk, o jogo se foca em vidas comuns e utiliza o ponto de vista de uma jovem (mas experiente) bartender para apresentar toda a diversidade de pessoas que frequentam o local (e também apresentar melhor a própria protagonista através de uma série de eventos pessoais). 

O álcool enquanto um “catalisador de conversas” também é bem representado pela forma de alterar o rumo de alguns dos diálogos: escolhendo a bebida a ser dada para os clientes. Na maior parte do tempo, eles fazem pedidos específicos que são facilmente atendidos, mas há momentos em que escolher o que servir pode trazer reações diferentes. Além disso, a arte retrô é muito bem trabalhada e a trilha sonora tem várias músicas marcantes (sem contar que durante a maior parte do jogo ela é selecionada pelo próprio jogador na Jukebox do bar).

Bravely Second: End Layer (3DS)


Apesar de reconhecer as qualidades de Bravely Default (3DS), eu tive uma série de problemas com ele. Qual foi minha surpresa quando um amigo me emprestou o jogo falando que “parecia que a Square havia me ouvido”. Comecei ainda receoso, mas o RPG logo se mostrou uma experiência melhor. Ao contrário do original, me senti mais desafiado pelo sistema, que agora oferecia bônus para batalhas consecutivas e me fazia planejar melhor os ataques dos personagens para maior eficiência (no jogo anterior, me mantive no automático durante a maior parte das 99 horas de jogo). Também achei o ritmo dos eventos mais interessante, mesmo com um humor forçado. 

Outra coisa que gostei muito foi a forma como o jogador é colocado contra a parede nos eventos em que consegue os asteriscos (Jobs). Em muitos momentos, fui forçado a escolher entre lutar contra alguém de quem discordava ideologicamente ou lutar contra quem concordava, mas que tinha um asterisco mais adequado a meu estilo de jogo. Apesar de considerar o jogo um pouco pior que o original em termos de roteiro, me diverti muito com o gameplay e aproveitei melhor a experiência.

Kirby: Planet Robobot (3DS)


Kirby é a minha franquia favorita da Nintendo. Por isso, um amigo meu decidiu me dar o mais novo jogo da série de presente de aniversário. Apesar de ficar feliz com a notícia, avisei para ele que não estava esperando nada de Planet Robobot. O pouco que tinha visto dele me levou a pensar que seria “apenas um Triple Deluxe 2 com robô”. Obviamente isso já seria bom, mas uma das coisas que valorizo na franquia é sua versatilidade, que permite a ela apresentar jogos excelentes mesmo quando se despe da principal habilidade da bolota rosa em jogos como Kirby Mass Attack (DS). 

Para minha sorte, eu estava muito enganado. Planet Robobot não só se transformou no meu Kirby favorito, como também em meu jogo favorito de todos os tempos (bem, por enquanto, eu sou um tanto volátil em relação a favoritos). Em primeiro lugar, é muito claro o quanto a equipe de desenvolvimento se divertiu construindo o jogo, criando fases alegres e brincalhonas como as de doces em que sorvetes gigantes caem na tela e as de cassinos em que Kirby interage com dados gigantes e bolas de sinuca. Mesmo a fase mais usual, semelhante à tradicional Green Greens, utiliza a temática geral robótica para transformá-la em algo único. Eu cheguei a rir e chorar em quase todas as fases. 

Além disso, é indescritível a sensação de controlar o robô. Mesmo sendo possível comparar os controles básicos ao Ride Armor da série Megaman X, as formas como ele interage com diversos elementos do cenário e ganha novas habilidades escaneando os inimigos transformam as fases no ápice de diversão que já tive com a série.

Menções honrosas

Além dos jogos acima, destacaria Summon Night 5 (PSP) e The Legend of Heroes: Trails in the Sky SC (PC/PSP), ambos lançados no fim do ano passado. Outra menção honrosa é a Final Fantasy XV (PS4/XBO), jogo que tive oportunidade de testar a última demo japonesa, Judgement Disc, e que garantiu espaço na minha lista de jogos que tenho certeza que estariam na minha lista se eu tivesse jogado, assim como Pokémon Sun & Moon (3DS), Picross 3D Round 2 (3DS), Shin Megami Tensei IV: Apocalypse (3DS) e Phoenix Wright: Ace Attorney - Spirit of Justice (3DS).

Lendo as listas de meus colegas do GameBlast Vinícius Veloso, Pedro Vicente, Ailton Bueno, Farley Santos, Renan Greca e Gilson Peres, também fiquei com muita vontade de jogar alguns outros títulos que nem estavam na minha lista de prioridades, como The Witness (Multi). 

E você, concorda com a lista (ou parte dela)? Discorda fortemente e gostaria de me recomendar outros jogos do ano? Deixe um comentário e eu prometo dar uma olhada em quaisquer sugestões em 2017.

Revisão: Pedro Vicente

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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