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Análise: VA-11 Hall-A: Cyberpunk Bartender Action (PC) é peculiarmente divertido

Com uma linda estética cyberpunk o jogo distribuído pela Ysbryd Games envolve todos os amantes de uma boa história.

Produzido pela Sukeban Games e distribuído pela Ysbryd Games, VA-11 Hall-A: Cyberpunk Bartender Action despertou o interesse de muitos jogadores com sua chegada ao mercado de games. Sua essência é bem diferente do que estamos acostumados a ver na maioria dos jogos da atualidade. Sem grandes ambientações, mecânicas elaboradas ou disputas épicas, ele é bastante focado na história, sendo mais um jogo a compor o quadro de visual novels.

O jogo possui um visual retrô e se passa em universo futurista, habitado por pessoas e robôs onde a protagonista Jill trabalha como bartender. Seus drinks são preparados em um bar, apelidado de Valhalla, que não demonstra nenhuma elegância. Como em um bar de balcão tradicional, os clientes chegam, tomam suas bebidas e contam histórias.

Jogue para relaxar

O jogo se desenvolve basicamente com a leitura dos diálogos, são poucos os momentos em que o jogador deve efetivamente realizar alguma ação. A interação aparece em dois momentos: quando Jill está em casa, de folga, e pode fazer compras ou ler notícias em seu smarthphone; e quando um cliente pede uma bebida no bar e a protagonista precisa prepará-la.

O ideal é que o jogador siga as instruções que o próprio jogo sugere ao começar: relaxe, pegue uma bebida, uns petiscos e se divirta. A maior parte da diversão está realmente na história e nos diálogos. Você se sente em uma verdadeira conversa de bar, em que surgem os assuntos mais inusitados possíveis, principalmente por se tratar de um universo cyberpunk.

Mecânica Simples

Preparar bebidas é bem simples, dificilmente o jogador terá algum problema com elas. De todo modo é possível reiniciar o preparo do drink quantas vezes forem necessárias, sem que haja uma punição para o jogador por conta disso. Os únicos erros que acabam gerando uma reputação ruim (Jill acaba recebendo uma quantia a menos de dinheiro no fim do dia) é quando você entrega uma bebida diferente da que foi solicitada pelo cliente.

Muita das vezes a pessoa não chega no balcão e pede por uma bebida pelo nome, nesse caso, ou ela diz algumas características que gostaria de saborear ou pede por alguma sugestão da própria Jill. Nesse sentido, comprar os itens que a Jill deseja em seu tempo de folga em casa ajudam na hora do diálogo da personagem, porque ela acaba por dar dicas em suas falas do que talvez fosse interessante servir para determinado cliente.

Em todos os momentos é possível acessar um livro de receitas antes de preparar as bebidas, o que também facilita bastante a vida do jogador. No livro, além dos ingredientes necessários, há uma breve descrição e algumas das principais características de cada bebida. Alguns clientes pedem por bebidas grandes e nessas horas basta dobrar a quantidade dos ingredientes que a receita pede. Em outros momentos, houve a necessidade de preparar duas bebidas simultaneamente, usando os dois slots que o jogo fornece. Fácil e prático.

Um fato interessante dos preparos das bebidas é que, apesar de não parecer em um primeiro momento, a quantidade de álcool (Karmotrine) colocada no drink altera os rumos das conversas dos clientes no bar. O jogo fica muito mais dinâmico por existir bebidas em que a quantidade de álcool pode ser escolhida pelo próprio jogador. No meu caso, dificilmente eu deixava um cliente sair sóbrio do bar.

Um ponto negativo a ser observado no aspecto da simplicidade das mecânicas de VA-11 Hall-A foi a falta de instruções iniciais. Na minha primeira bebida eu me vi totalmente travada no jogo, por exemplo. Levou um tempo para sacar a diferença entre as bebidas “blended” e “mixed”, pois não há uma instrução clara de quanto tempo temos que esperar a coqueteleira balançar para cada uma delas. Enfim, superada essa fase inicial, o jogo seguiu com sucesso.

Trilhas sonoras incríveis

Além da história cativante, outro ponto muito positivo de VA-11 Hall-A é, sem dúvidas, sua trilha sonora. Antes de começar cada sessão de trabalho de Jill é possível escolher entre um catálogo de mais de 50 músicas (nem todas disponíveis na primeira vez de jogo). O legal é que todas elas combinam perfeitamente com o ambiente cyberpunk, com o que está acontecendo nos diálogos e com o clima do jogo no geral. Há, também, a possibilidade de passar as músicas durante as sessões, pois a Jukebox fica sempre acessível durante os períodos de jogatina.

Caso alguma das músicas escolhidas não sejam tão agradáveis, você pode pular para a seguinte sem maiores problemas. Sugiro que vá ouvindo página a página e aos poucos saberá quais são as suas músicas favoritas para passar um tempo se divertindo com o jogo.

Pequenos problemas pontuais

VA-11 Hall-A somente não me agradou em dois aspectos. O primeiro é no que diz respeito a alguns assuntos abordados pela história do jogo no universo cyberpunk. Por mais interessante que sejam as histórias contadas pelos personagens e o envolvimento que a protagonista vai desenvolvendo com cada um deles, é discutível a necessidade da presença de algumas dessas histórias no game. Como um exemplo prático: há uma personagem robô com a aparência de uma criança de 12 anos que afirma que não tem vontade de fazer um upgrade em seus equipamentos porque corre o risco de perder boa parte de sua clientela.

O segundo problema não está relacionado a história, mas sim a parte do jogo em si, que não permite salvamentos rápidos. Senti muita falta de poder jogar sessões de alguns poucos minutos. Por mais que você tente jogar por pouco tempo, uma jogada de VA-11 Hall-A não vai te custar menos que uma hora. É legal quando você pode se dedicar bastante, mas às vezes você só quer poder continuar jogando depois e não existe a possibilidade de não perder o progresso até aquele momento. Em um jogo totalmente focado na história, não há como passar os diálogos mais rápidos sem se ler o que está acontecendo.

Uma questão que não foi um problema para mim, mas que pode afastar outros jogadores é que o jogo está totalmente em inglês. Se a língua estrangeira ainda é uma barreira para você, certamente esse jogo não irá te agradar pois a mecânica dele funciona quase como a parte secundária.

Rumo a sua biblioteca

VA-11 Hall-A: Cyberpunk Bartender Action é definitivamente um jogo que qualquer fã de visual novel e de universo cyberpunk deve ter em sua coleção. Apesar dos seus poucos problemas, dificilmente o game não irá te entreter e despertar sua curiosidade para descobrir os rumos das diferentes histórias e da própria Jill. Além do mais, seu visual e suas músicas também são encantadoras.

Prós

  • Mecânicas intuitivas depois de um primeiro momento;
  • Trilha sonora maravilhosa;
  • Diferentes escolhas baseadas nas bebidas escolhidas;
  • História envolvente.

Contras

  • Não possui pontos de salvamento rápido;
  • Trata de alguns assuntos polêmicos de forma leviana; 
  • Está totalmente em inglês.
VA-11 Hall-A: Cyberpunk Bartender Action — PC — Nota: 8.5
Ana Krishna Peixoto é graduanda em Ciências Econômicas pela UERJ. No Blast, é Social Media e Redatora. Suas paixões são os livros, a escrita e os videogames. Fã de PlayStation, não nega sua queda pela Nintendo. Pode ser encontrada no Facebook e no Twitter.

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