Jogos preferidos de 2016 - Pedro Vicente

Os redatores do GameBlast falam sobre os títulos que mais curtiram entre os lançamentos deste ano.

Nós temos, aqui no GameBlast, uma equipe bem grande. Em vez de fazer uma grande lista de melhores do ano no site, resolvemos, desde o ano passado, publicar nossas listas pessoais de favoritos do ano. Favoritos, não melhores. É uma forma de fazer uma lista que seja mais pessoal ao redator e de fugir de premiações vazias que muitas vezes não levam em consideração jogos que a maioria não jogou ou que definem categorias e vencedores sem muito critério.




O Vinícius Veloso deu o pontapé inicial com sua lista, e hoje eu divido com vocês meus títulos favoritos de 2016. Cabe ressaltar que joguei nas seguintes plataformas: PS4, PC, Wii U e 3DS. Infelizmente ainda não pude jogar alguns títulos que estive de olho, como VA-11 Hall-A (PC), Stardew Valley (PC), Civilization VI (PC), Dishonored 2 (Multi), Pokémon Moon (3DS) e Hitman (Multi). Ainda não terminei Grand Kingdom (PS4), Tokyo Mirage Sessions #FE (Wii U) e The Witness (Multi), títulos que eu gostei muito e que estão entre os mais queridos para mim nesse ano, mas que optei por não incluir na lista por não ter visto-os até o fim (coisa que quero resolver até o fim do ano). Lembro, também, que a lista não está ordenada. Dito tudo isso, essas foram, entre os mais de 40 títulos que experimentei, as minhas dez experiências preferidas em 2016:

Darkest Dungeon (Multi)

Eu pretendo falar muito mais de Darkest Dungeon na matéria sobre narrativa em 2016, mas não posso deixar de gastar algumas frases com ele aqui, já que está entre os meus favoritos do ano. Pode parecer estranho ter gostado tanto de um jogo que me fez dar socos na parede (por vezes a porcentagem de acerto seu ou do inimigo é bem mentirosa…), mas Darkest Dungeon é bem competente nessa coisa de criar tensão.

Você contrata guerreiros, gasta dinheiro com eles, os treina, os faz desestressar, vive momentos de vitória, mas sempre com a sombra de que eles podem morrer a qualquer momento. E aí a tensão é entender que vale a pena usá-los de uma maneira bem sádica: uns vão ser abatidos para fazer um incursão buscando ouro ou itens; outros vão ser nossos guerreiros cuidadosamente treinados para os confrontos contra chefes. É ser um administrador de pessoas, e sentir a tensão entre ser produtivo ou se ligar à vida dos guerreiros. E há muito a se explorar sobre cada um deles, mas isso fica para o texto sobre narrativa.

Hyper Light Drifter (Multi)

Esse foi responsável por momentos de pura alegria no meu ano. A necessidade de explorar e descobrir se une a um intenso e competente combate, e acaba gerando um ritmo de jogo bem bacana. Os trechos mais contemplativos se valem dos muitos caminhos secretos e do visual, e os momentos de confronto se dão com grande foco na mecânica do dash. Aliás, a movimentação e exploração pelo cenário também se dão com grande foco no dash, o que faz com que a mecânica central do jogo seja sempre utilizada. Dentre belos cenários, o que mais fica na memória são os combates com inúmeros inimigos ou com os chefes, confrontos que me desafiaram e empolgaram bastante.

Dark Souls 3 (Multi)

Confesso que, mesmo sendo um fã da série, espero que ela fique um pouco de molho por um tempo ou que morra se for o caso. Quero ver o que Miyazaki e sua equipe vão fazer a partir de agora, e se for com jogos com propostas diferentes, tanto melhor. Mas é inegável que Dark Souls 3 é um título que me agradou bastante. Foi interessante ver a resposta para algumas antigas perguntas que tínhamos em relação ao enredo, e mais ainda conhecer a incrível lore de personagens como Pontiff Sullivan, Aldritch, Dancer e os irmãos Lothric e Lorian.

Também foi bom ver como a proposta dos cenários se diferencia dos títulos anteriores, trazendo mais grandes espaços e posicionando inimigos, itens e obstáculos nessas áreas mais abertas. O combate e o confronto com os chefes continua de primeira linha, e se minha vontade for aceita, trata-se de uma bela despedida da série.

Overwatch (Multi)

Agora, em dezembro, eu estou um pouco fatigado de Overwatch. Claro que, mais de 200 horas depois, há um motivo para isso. Mesmo assim, vira e mexe eu escolho o jogo para gastar uns minutos, e surtos de vontade louca de jogar eventualmente acontecem. Não há muito a falar que não se tenha falado ainda, o nível de polimento e de competência de Overwatch é assustador. Do design dos personagens às possibilidades que cada mapa traz a cada herói, passando pelas combinações entre personagens até chegar no trabalho sonoro que auxilia identificarmos inimigos e ultimates no meio de toda a ação, Overwatch é cheio de méritos.

Uncharted 4 (PS4)

Dizem que eu tenho má vontade com Uncharted, e em parte isso é real. Sou bastante fã de Jak e gosto muito mais de The Last of Us que de qualquer um dos três Uncharted, o que me fez enxergar a franquia como o ponto baixo da Naughty Dog. Uncharted 4, no entanto, conseguiu me fazer ter algum apreço pelos personagens que eu não ligava anteriormente, e também pelos novos, além de trazer uma estrutura de capítulos bem interessante, com uma história contada em um ritmo legal. Ainda que bastante tradicional em termos narrativos, flerta com formas mais interessantes em alguns capítulos.
No meu jogo tinha essa opção. True story.
O visual é absurdo e me faz acreditar que o motor gráfico da ND vem de um pacto com o demônio. Os trechos de escalada, direção e combate são bem competentes. No fim das contas, Uncharted 4 continua entregando um espetáculo visual intenso, só que agora com outras qualidades e propostas que os anteriores não traziam.

Fire Emblem Fates: Conquest (3DS)

A delimitação em Conquest se dá pelo fato de que eu não gostei muito de Birthright. Seja pelos personagens do caminho ou pelos cenários fracos em ideia, a campanha de Hoshido me traria apenas a sensação de que Fates é um jogo mediano para bom. Conquest, entretanto, muda essa figura. Com muito mais variedade nos cenários, o que nos obriga a usar de forma mais pensada o dragon vein (uma boa adição de Fates, sendo uma mecânica que dialoga diretamente com as batalhas, com a união de casais e com o enredo), Conquest também traz um grupo de personagens que me agradou mais.

I Am Setsuna (Multi)

Em um nível de resposta emocional, I Am Setsuna foi um dos jogos que mais me tocou. E não no sentido de estar triste com os acontecimentos do enredo, mas mais de sentir alguma coisa no corpo, uma resposta, quando caía um tanto de neve do topo de uma árvore. Em meio a tanta neve, existe uma história que digere conceitos de outros JRPGs e que é bem conduzida, que junto às melodias do piano dá algum significado para a sensação de serenidade e melancolia eu que tinha sempre que um tanto de neve caía do topo de uma árvore.

O combate me parece uma iteração bem honesta em relação à Chrono Trigger, com alguns sistemas circulando o combate e com a adição do momentum, uma mecânica que adiciona efeitos aos golpes. Competente em tudo e fiel à sua proposta, I Am Setsuna é um dos mais queridos do ano.

World of Final Fantasy (PS4/PS Vita)

Por um lado, World of Final Fantasy foi um convite para que eu tome vergonha na cara e rejogue a série em 2017. Por outro, foi um jogo bem moderninho, que se alimentou e digeriu referências clássicas e contemporâneas para entregar uma experiência que agrada. Homenageando o bestiário da franquia e colocando os monstrinhos no centro de tudo, do bom número de sistemas bem pensados às boas ideias para a batalha e a exploração, WoFF ainda faz uma salada com conceitos, personagens e lugares da série. É fanservice, mas não é só isso.

Quadrilateral Cowboy (PC)

Tem o Watch Dogs 2, que encara a internet e o hackeamento a partir da ótica da Malhação cibernética, e tem Quadrilateral Cowboy, que imagina a rebeldia e o hackeamento como algo mais sútil, mais introspectivo. Mecanicamente, o segundo me agradou muito mais que o primeiro, e em termos narrativos a distância é ainda muito maior. São as suas ações durante o trabalho em específico que vão contar a história, e é a partir de observação de dicas sutis nos capítulos, e menos sutis nos prólogos destes, que você vai dar algum significado à história que está vendo.

Para além disso, o jogo te dá, mesmo que seja distante do que de fato é programar, muito mais a sensação de estar hackeando e dando comandos às máquinas. Quadrilateral Cowboy foi a grande surpresa para mim, um daqueles que nem sabia que estavam sendo feitos, e acabou se tornando um dos mais queridos.

The Last Guardian (PS4)

Eu tive uma relação bem especial com o jogo, e ainda assim é o típico título que eu nunca mais quero jogar na vida. A jornada é estressante, já que lidamos com um ser que não responde prontamente e que tem suas próprias vontades e tempo. E a ideia é justamente essa, que lidemos com esse ser, que nos relacionemos com ele a partir das mecânicas do jogo e da exploração dos cenários. O enredo que é contado em cenas é interessante, mas a narrativa que acontece durante o processo de amizade com a fera é o que fica na memória.

Ainda vou jogar mais alguns jogos em 2016, mas gostaria que The Last Guardian tivesse sido meu último, inclusive por razões pessoais. De qualquer forma, foi bom encontrar com Ueda e sua visão mais uma vez.
E você, jogou alguns destes títulos que coloquei em minha lista? Sinta-se à vontade, também, para dividir com a gente algum game que tenha lhe marcado em 2016.
Revisão: Luigi Santana
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook