Blast Battle

Battlefield 1 (Multi) vs. Call of Duty: WWII (Multi)

As duas maiores franquias de tiro em primeira pessoa entram no campo de batalha.

No ano passado, o cenário gamer recebeu com aplausos o lançamento do AAA da DICE, Battlefield 1 (Multi), novo título da franquia de tiro em primeira pessoa e ambientado durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O jogo trouxe de volta o gênero das duas guerras mundiais à tona e figurou nas listas dos jogos mais vendidos no mundo todo.

Agora em 2017, o principal rival de Battlefield retoma o gênero das guerras antigas depois de cinco anos longe do tema, isso se considerarmos Call of Duty: Black Ops II (Multi), da Treyarch, como parte da Guerra Fria. Caso contrário, são longos sete anos desde Call of Duty: Black Ops (Multi), de 2010. Call of Duty: WWII (Multi), da Sledgehammer, foi feito como uma resposta para o rival e tem criado a expectativa de um retorno definitivo da franquia às origens.


Já que Call of Duty decidiu desafiar Battlefield, colocamos Battlefield 1 e Call of Duty: WWII frente a frente neste Blast Battle para responder à pergunta que não quer calar: qual é melhor? Battlefield 1 ou Call of Duty: WWII?

Deixando sua marca na história

Todo bom jogo começa por uma boa história. E nesse quesito Battlefield 1 dá uma verdadeira aula de enredo. O modo campanha do game conta com seis histórias impactantes de diversos lados da Primeira Guerra Mundial. Em Tempestade de Aço, o jogador assume o papel de uma série de soldados estadunidenses em solo francês na linha de frente contra o exército alemão; Através de Lama e Sangue narra a história do chofer britânico Daniel Edwards que foi motorista do tanque Mark V durante a Batalha de Cambrai, na França; Avanti Savoia conta a visão do soldado de elite italiano Luca Vincenzo Cocchiola, membro dos Arditi, que deve dar suporte ao pelotão de seu irmão gêmeo num ataque a um forte do Império Austro-Húngaro.


Amigos nos Lugares Certos é a história do piloto e apostador estadunidense Clyde Blackburn que se alista na força aérea britânica Royal Flying Corps para roubar o avião de seu comandante; Nada Está Escrito narra a trama da militante rebelde beduína Zara Ghufran, aliada do oficial da inteligência britânica T.E. Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia, que luta pela independência árabe; e O Corredor, no qual o jogador assume o papel de Frederick Bishop, um importante corredor australiano veterano, responsável por abrir caminho para as tropas australianas através do reconhecimento e limpeza da área, bem como informar a situação ao seu exército.

Além de toda a carga emocional proporcionada pelas histórias do modo campanha, Battlefield 1 ainda recebeu dois DLCs que contam a história de outros países da Tríplice Aliança. They Shall Not Pass (Multi) foca nos esforços do exército francês e In the Name of the Tsar (Multi) aborda a história do batalhão feminino do exército russo.


Na categoria história, Call of Duty: WWII falha terrivelmente. O modo campanha nada mais é do que um amontoado dos maiores clichês do gênero no cinema e na televisão. Parece uma história escrita às pressas apenas para mostrar a Battlefield 1 que Call of Duty também sabe fazer jogos ambientados nas guerras antigas. E de fato sabia, no passado: na época da trilogia clássica Call of Duty, da Infinity Ward e Treyarch entre 2003 e 2006, bem como o arco Black Ops que se iniciou com Call of Duty: World at War (Multi) em 2008, até Call of Duty: Black Ops II. Afinal, não dá para considerar o futurístico Call of Duty: Black Ops III (Multi) como parte da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ou Guerra Fria (1945-1991), não é?

O enredo de Call of Duty: WWII segue a história do soldado estadunidense Ronald “Red” Daniels durante a ocupação da Normandia contra o exército nazista na Segunda Guerra Mundial. Como toda trama clichê do gênero, Daniels é um jovem que entra no exército para honrar um familiar que ele considera um herói, mas deseja voltar para casa e rever a namorada. Enquanto isso, ele deve suportar os horrores da guerra e um comandante severo que na verdade tem uma história trágica. Isso lhe parece familiar? Nove em cada dez filmes sobre a Primeira ou Segunda Guerra narram uma história assim.


Battlefield 1 1 x 0 Call of Duty: WWII

Soldados e veteranos

Para uma boa história funcionar, o ideal é ter personagens marcantes que cativem o jogador. Com seis histórias diferentes, Battlefield 1 tinha tudo para fragmentar os eventos vividos por seus personagens, contudo, acontece ao contrário. O jogo proporciona um grupo de protagonistas e coadjuvantes emocionantes, com personalidades e motivações distintas para participar da conhecida Grande Guerra. Alguns entram na guerra, ingenuamente, para se tornarem heróis; outros para proteger sua família; libertar o país ou simplesmente conseguir fama e prestígio. Battlefield 1 foge de narrativas óbvias e traz histórias baseadas em combatentes da vida real, proporcionando emoções e sentimentos reais nos jogadores.

Call of Duty: WWII repete a fórmula dos games recentes da franquia com personagens genéricos e previsíveis, em especial o protagonista Daniels. O herói é o típico soldado idealista, que questiona hipocritamente as ações do exército inimigo enquanto sua tropa e ele mesmo cometem os mesmos atos de crueldade. Call of Duty sofre há anos de uma grave falta de personagens marcantes como os icônicos Capitão Price e Sargento Reznov. O jogo teve mais recentemente os vilões Raul Menendez, de Call of Duty: Black Ops II e Jonathan Irons, de Call of Duty: Advanced Warfare (Multi), da Sledgehammer, como personagens com potencial a ser explorado na franquia, mas infelizmente as produtoras parecem contentes com os personagens aleatórios e sem presença dos novos títulos.


Battlefield 1 2 x 0 Call of Duty: WWII

O horror da guerra

Em matéria de gráficos, a engine Frostbite de Battlefield 1 arrasa com um visual realista que combina cores adequadas, iluminação bem posicionada, física balanceada e construção de imensos cenários detalhados, que também podem ser destruídos para diferentes estratégias de ação. Para o jogo ambientado na Primeira Guerra Mundial, a produtora usa a versão 3.0 da engine, lançada em 2013. O motor gráfico da DICE é tão único em beleza e imersão que também é usado em Star Wars Battlefront (Multi), da própria DICE, e até nos novos jogos da franquia de futebol FIFA, como FIFA 17 (Multi) e FIFA 18 (Multi), ambos da EA.

Call of Duty: WWII, diferente do antecessor Call of Duty: Infinite Warfare (Multi), da Infinity Ward, não usa a engine IW, utilizada na maioria dos jogos da franquia desde Call of Duty 2 (X360/PC), de 2005. O game usa a mesma engine aprimorada e com captura de movimentos de Call of Duty: Advanced Warfare. Trazendo à vida um visual rico em detalhes e reproduzindo rostos conhecidos como do ator estadunidense Josh Duhamel como Sargento Pierson. Ao ser criado a partir da engine única da Sledgehammer, Call of Duty: WWII é, sem dúvidas, um dos jogos mais bonitos da franquia.

Battlefield 1 3 x 0 Call of Duty: WWII

Além dos sons de tiros

Nada enriquece mais os momentos vividos do que uma trilha sonora épica. Battlefield 1 tem uma trilha composta pelos suecos Johan Söderqvist e Patrik Andrén. Assim como nos jogos anteriores, as músicas exploram o teor épico das jornadas dos heróis e são um elemento marcante durante todas as missões. Músicas como "Hunted" e "The Runner" causam tensão, enquanto "Prologue We Push...", "The Flight of the Pigeon" e "Sinai Desert" emocionam o jogador.

A trilha sonora de Call of Duty: WWII é composta pelo estadunidense Wilbert Roget II e também aborda o lado épico das missões. Embora as músicas estejam muito bem trabalhadas, elas não se sobressaem durante os eventos do jogo, sendo melhor apreciadas sozinhas do que em conjunto com o gameplay. Dentre as composições, destacam-se "Welcome to the Bloody First", "Ardennes" e "The Shadow Under the Mountain".


Battlefield 1 4 x 0 Call of Duty: WWII

Destruindo tudo e atirando em todos

A jogabilidade de Battlefield sempre foi pautada no realismo, e com Battlefield 1 não é diferente: o jogo possui toda a complexidade de se locomover com armamentos pesados, ser morto com poucos tiros, levar ferramentas para reparos de tanques e o jeito único de cada arma se comportar, seja com recuos muito fortes, rajadas de poucas balas ou tiros de curto ou longo alcance.

Battlefield 1 traz uma experiência imersiva e desafiadora em campo de batalha, no qual todo lugar pode ser destruído e seu personagem pode ser facilmente alvejado, o que incentiva o jogador a ter paciência e planejar seus passos.


Call of Duty sempre foi mais amigável com os jogadores no quesito jogabilidade, e em Call of Duty: WWII não há segredos ou dificuldades de como avançar no jogo ou usar as armas. O gamer pode sair atirando para todos os lados sem se preocupar com o funcionamento de seu armamento.

Um acréscimo bem-vindo ao gameplay foi a retirada da vida regenerativa e a retomada do modo de encontrar malas de primeiros socorros para curar seu personagem. Essa mecânica não era usada na franquia desde o jogo original de 2005 e acrescenta uma carga de dificuldade e desafio bem maior para os jogadores. Outra novidade foi a inclusão de quick time events mais incisivos, algo bem desnecessário, visto que o jogo não explora essa mecânica para momentos marcantes ou diferentes desfechos de uma ação.


Battlefield 1 5 x 0 Call of Duty: WWII
Vencedor: Battlefield 1

Vitória esmagadora

As franquias Battlefield e Call of Duty são rivais desde sempre e colocar os recentes títulos Battlefield 1 e Call of Duty: WWII no Blast Battle, sem dúvida, rende uma ótima discussão. Battlefield 1 foi o vencedor, mas não significa que Call of Duty: WWII não possui méritos. Esta batalha entre os jogos e seu resultado final é uma opinião pessoal baseada nos elementos escolhidos para comparação. Então, nos deixe seus comentários sobre qual seu jogo favorito.

Revisão: Bruno Alves
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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