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Análise: Battlefield 1 (Multi) traz a Primeira Grande Guerra ao mundo dos games

Vá para a linha de frente e descubra todo horror e beleza do primeiro conflito global da história da Humanidade.


 Ao contrário de seu maior concorrente, que decidiu que a série precisava avançar rumo ao futuro, a EA pensou que o melhor para Battlefield seria olhar para trás e fazer ressurgir no mundo eletrônico um período histórico ofuscado por tantos outros mais importantes do século XX. A empresa tomou a decisão correta. Battlefield 1 é tudo aquilo e muito mais que ele prometia ser. Prepare-se para horas de batalhas tão reais e intensas na frente da sua tela quanto no campo de batalha e para histórias tão profundas que você não irá se esquecer tão cedo da Primeira Guerra Mundial.

A guerra para acabar com todas as guerras

Antes de começarmos a falar sobre o game propriamente dito, precisamos fazer uma pequena aula de História. Apesar de Battlefield 1 colocar informações históricas entre os atos da campanha principal, um jogador mais desavisado pode ficar sem compreender o conflito que está acontecendo diante dos seus olhos. Isso é completamente aceitável porque a Primeira Guerra Mundial é um período histórico ofuscado pela sua sucessora, e ao qual a mídia e a indústria de eletrônicos não dão a devida atenção. Pelo menos até agora.
Um conflito cruel inaugurou o século XX (e sim, você pode matar os inimigos com pazadas).

 De 1914 a 1919, o mundo foi envolvido por um conflito que nasceu no coração da Europa e se espalhou pelo globo com uma rapidez nunca antes vista De um lado, as potências imperialistas do Império Alemão, Austro-Húngaro e Otomano (Tríplice Aliança) decidiram que era a hora de estender seu território e bateram de frente com o interesse de outras potências como França, Itália e Rússia (Tríplice Entente). A escala do conflito foi tão grande que até mesmo os Estados Unidos entraram na disputa, fornecendo armamento e lucrando alto com essas medidas. O pior é que, como em todas as guerras, o saldo final foi terrível.
"Nós viemos de todos os lugares do mundo, pensando que essa guerra seria nosso ritual de passagem, nossa grande aventura. Vou te contar... Não foi nenhuma aventura..." Soldado americano desconhecido, no prólogo da campanha.
Palco de uso de novas armas de combate, como tanques, metralhadoras, bombas de gás e uso de aviões para lutar, a Primeira Guerra Mundial foi chamada de “a guerra para acabar com todas as guerras”. No entanto, como Battlefield 1 faz questão de lembrar, ela não terminou nada. Além dos milhões de vidas perdidas nos inúmeros combates, o confronto destruiu países, devastou povos e deixou cicatrizes tão profundas nas nações derrotadas que, poucos anos mais tardes, as feridas seriam reabertas e o sangue jorrariasolto pelo mundo novamente com a Segunda Guerra Mundial.
Lança-chamas, metralhadoras e tanques foram armas que fizeram sua estreia na Primeira Guerra.

Aguente firme e lute!

Mas por que estamos falando tanto sobre o contexto histórico da Primeira Guerra Mundial? Afinal de contas, Battlefield nunca foi uma série que se prezasse por sua história. Acontece que, com Battlefield 1, o caso é bem diferente. A campanha single-player é tão bem elaborada que consegue ofuscar o modo multiplayer em diversos momentos. Obviamente, ela não é obrigatória para o jogador, porém, para aproveitar o game ao máximo, é altamente recomendado conhecer as Histórias de Guerra que o game apresenta.
A guerra não foi a aventura que o ex-chôfer Edwards achava que seria.

Mais do que uma criação para o entretenimento, a campanha single-player de Battlefield 1 deseja ser humana. Através de vários personagens que conseguem cativar e emocionar o jogador com atuações sinceras unidas a uma trilha sonora épica de encher o coração, conhecemos histórias únicas que, apesar daqueles clichês padrões ao estilo Hollywood (como personagens mudando sua linha de pensamento ao ver o terror da guerra ou superando desafios quando tudo está perdido), transmitem uma mensagem bem clara: a guerra não é bonita, muito menos divertida. Mas espera um pouco, isso não seria hipócrita por parte do game? Muito pelo contrário.


"Se a História lembrar de um entre milhões de nós, então esse futuro será cheio de histórias de quem nós formos e o que fizemos. Mas até que esse dia chegue, nós resistiremos. Nós olharemos a Morte no olho e nós lutaremos!" - Soldado americano desconhecido, no epílogo da campanha.
Ao colocar o jogador na pele de um soldado da linha de frente que está no meio de um combate sangrento, o game deseja sua atenção para o fato de que você não é apenas um personagem; você é uma vida, um humano que lutou e sofreu e, provavelmente, não sobreviveu ao confronto. Desde o primeiro momento em que você começa a campanha, o game deseja humanizar a experiência o máximo possível. O game até mesmo exibe o nome do seu personagem com o ano de seu nascimento e morte quando você morre! Seja lutando para procurar seu irmão perdido na Itália ou lutando ao lado do famoso Lawrence da Arábia, você sempre terá uma história impressionante para se lembrar desse confronto tão sangrento que, de brincadeira, não tem nada. Mesmo quando a IA dos seus inimigos não é tão precisa na hora de atirar e parece não perceber quando você passa do seu lado.
A garra e força da guerreira beduína companheira de Lawrence da Arábia emociona.


Nunca sozinho no campo de batalha

Além de presentear o jogador com histórias cativantes, a grande vantagem da campanha single-player de Battlefield 1 é apresentar ao usuários os diferentes tipos de armas, veículos e mecânicas do game. Desde tanques até aviões, você terá sempre uma missão em que aprenderá a controlar um elemento específico. É um ótimo treinamento para quando você decidir partir para o combate com outros jogadores ou amigos. Talvez o primeiro detalhe que chame atenção no multiplayer é que as trincheiras estão presentes e tem um uso estratégico importante nas batalhas mais do que no modo single-player. Battlefield 1 faz jus à alcunha da Primeira Grande Guerra, que foi chamada de “guerra das trincheiras”.
Só o Modo Operações tem vários mapas e tramas para você experimentar.

A variedade de opções no multiplayer de Battlefield 1 impressiona e tem modos de combates para todos os gostos. Dentre todos eles, o que mais joguei foi o Modo Conquista, um clássico da série, em que você precisa avançar por um mapa, conquistando pontos estratégicos. O melhor desse modo é a rapidez como o jogador é capaz de trocar sua estratégia de combate à medida que o confronto toma novos rumos. Em um momento, você pode escolher pegar um cavalo para correr pelo campo inimigo mais rápido (o que impressiona realmente é a fluidez da mecânica de galope, uma das melhores já produzidas em games), ou pegar um tanque para devastar um grupo de adversários que está unido protegendo um ponto. Além de poder subir em dirigíveis, o mais interessante é poder dividir um avião ou tanque com seus parceiros, pois enquanto um pilota a máquina, o outro pode manusear a artilharia.
O multiplayer é sólido e bem-feito, mas prepare-se para morrer muito.

O modo mais interessante do game fica por conta das Operações, em que mapas reais de confrontos da Primeira Guerra são utilizados na experiência. Nesse modo, o jogador pode tanto ficar em um time de Ofensiva como em um de Defesa, e nessa hora é preciso escolher sua classe de soldado com sabedoria, pois a arma certa pode fazer toda a diferença no combate. Quem curte uma boa estratégia (diferente de mim que sou um cara que gosta mais de partir para a ação nesse tipo de game), vai gostar do Modo Investida, em que você precisa plantar e desarmar bombas, o que exige paciência e muito cuidado. Também temos o clássico Team Deathmatch para aqueles jogadores que querem ver quanto tempo aguentariam em um campo de batalha e quantos inimigos iriam matar.
Fique atento a todos os lados e cantos!

Certamente a mudança mais inusitada - mas muito precisa, em termos históricos - foi mudar o modo de Capturar a Bandeira por Pombos de Guerra. Nesse caso, os times competem pelo uso de pombos-correio para poder enviar mensagens e sua missão é capturar o pombo (por que será que a música “Pegue o pombo!” me veio à cabeça?) para levá-lo a um local seguro e enviar uma mensagem solicitando apoio de artilharia pesada. O melhor fica por conta de você poder controlar o voo do pombo, voando por um caminho seguro até chegar ao quartel-general. Apesar de muitos acharem engraçado e desnecessário, essa é chave do sucesso de Battlefield 1 em comparação com outros games do gênero: a imersão do jogador no combate em seus detalhes.
Battlefield 1 é oficialmente o melhor Simulador de Voô de Pombos que existe!

Como todo bom sistema de multiplayer, o modo é acompanhado por uma mecânica de leveling que faz o jogador subir de ranque na hierarquia militar conforme os pontos que ele ganha por cada partida. Mais pontos significam a possibilidade de poder escolher armas melhores, e, se você atingir o nível 10, terá a chance de comprar a Kolibri, a menor arma existente, e que garante momentos divertidos enquanto você assiste seu personagem tentar carregar ela com as mãos e mal conseguir segurá-la para atirar. Mas não se esqueça que essa arminha é apenas divertida, já que ela é a mais fraca do game e definitivamente não é indicada para o combate.
Kolibri é a menor e mais divertida arma do multiplayer do game.

Sangue, lama e tiros em alta definição

Além da belíssima campanha solo e dos empolgantes modos do multiplayer, a cereja do bolo de Battelfield 1 é seu visual e sons. A EA e a DICE foram fiéis em entregar um produto que não deixa nem um  pouco a desejar em relação aos primeiros trailers no quesito qualidade gráfica. O game flui com rapidez e naturalidade, mantendo uma taxa quase constante de 60 fps tanto nos consoles quanto no PC. Todos os cenários são ricos em detalhes para tornarem a experiência o mais próxima da realidade possível, desde uma casa com um muro desmoronando, até uma linha de frente em que você pode observar a lama presa no arame farpado.
Beleza e horror em todos os detalhes do cenário.

E o cenário não serve apenas como pano de fundo para os combates, pois ele é completamente interativo. Você pode derrubar paredes, explodir árvores, esmagar obstáculos pelo caminho, etc. Sem falar que você precisa tomar cuidado até mesmo com as máquinas do seu próprio time, já que quando elas explodem é melhor que você não esteja por perto. Se você ver que um dirigível está pegando fogo, não fique observando a beleza da cena, apenas corra rápido para um lugar seguro!
As cenas nas areias do deserto impressionam.

Desde os planaltos da Itália até as areias do deserto, tudo é feito da maneira mais bela e real que a computação gráfica e o poder dos consoles permitem criar. A qualidade do áudio do game é outro destaque, em que são impressionantes os sons dos carregamentos das armas, bombas explodindo e o zunir dos aviões em meio ao combate. Além disso, o nível de cuidado de Battlefield 1 em recriar todos os elementos da Primeira Guerra Mundial com um alto grau de fidelidade foi elogiado por diversos historiadores importantes. A EA e DICE estão de parabéns por terem feito seu dever de casa direitinho com uma bela pesquisa histórica.
Dirigíveis são aterrorizantes, especialmente quando caem perto de você.

Heróis jamais esquecidos

Battlefield 1 é o game definitivo da Primeira Guerra Mundial. Um game, antes de tudo, humano. Que faz-nos lembrar toda a crueldade dos conflitos, as vidas que se perderam e toda a loucura que era estar no meio do campo de batalha. Com uma campanha single-player trazendo histórias fantásticas que nos deixam com um gostinho de “quero mais” e modos multiplayer de vários tipos e para todos os gostos, o game é uma experiência fantástica para amantes de FPS de combate e até mesmo para aqueles que nunca se interessaram pela franquia ou que estão apenas começando nela.
A guerra que não terminou nada...

Prós

  • Visual impressionante e realista;
  • Som de ótima qualidade;
  • Multiplayer bem desenvolvido.

Contras

  • Campanha single-player curta;
  • Inteligência artificial não muito precisa.
Battlefield 1 - PC/PS4/XBO - Nota: 9.5
Versão utilizada na análise: PS4

Revisão: Arthur Maia
Capa: Leandro Alves
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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