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Análise: Call of Duty: Infinite Warfare (Multi) é uma bela e competente jornada espacial

Com novidades na campanha e um multiplayer que faz jus ao excelente histórico da série, Infinite Warfare é um ótimo jogo para os fãs de FPS.


Há quase 15 anos, a série Call of Duty é uma das mais rentáveis, importantes e aguardadas da indústria de jogos eletrônicos. A cada lançamento, milhões de cópias são vendidas, ao passo que a questão da renovação é sempre levantada. E com o novo game não é diferente. Infinite Warfare não consegue se desvencilhar de muito que já foi apresentado na própria série e em outros jogos do gênero, mas permanece sendo uma opção extremamente agradável para quem quer curtir uma campanha com momentos impactantes e um vasto multiplayer.

Novo capítulo

Desenvolvido pela Infinity Ward e distribuído pela Actvision, Call of Duty: Infinite Warfare é o novo capítulo de uma das séries de jogos mais bem-sucedidas da atualidade. Lançado em 4 de novembro de 2016 para PC, PlayStation 4 e Xbox One, o título segue o modelo consagrado na geração passada, investindo em um modo multiplayer sólido e divertido, e em uma campanha cinematográfica.

Desde que foi anunciado, Infinite Warfare tem gerado inúmeras discussões. Seu trailer de lançamento bateu recordes de dislikes (mais de três milhões), parte dos fãs reclamam da temática futurística e os “críticos” de plantão desmerecem o jogo antes mesmo de jogá-lo, apenas pelo fato da série ser anual. Bom, quase nada disso importa na hora que você senta para jogar na sua poltrona, no seu quarto e com o seu jogo. Ou pelo menos não deveria.

Guerra nas estrelas

Foi sem preconceitos — depois de esperar quase quatro dias para baixar os pouco mais de 50GB do jogo — que iniciei a minha jornada em Infinite Warfare no controle de Nick Reyes, o tenente que assume o comando da nave Retribution após ataques ao quartel da Aliança Espacial das Nações Unidas (UNSA), em Genebra, e líder da coalizão contra as forças da  SDF – Settlement Defense Front.

Sem muita originalidade, o enredo não traz grandes novidades ao tema espacial, sendo formado por fragmentos clichês vistos em filmes, séries e até desenhos. Contudo, a forma como é construído e apresentada torna a trama cativante, ao ponto de nos envolvermos com o universo do jogo, seja pela qualidade gráfica que torna tudo muito convincente, pela forma como os personagens interagem quase naturalmente com o ambiente, ou até pela ótima dublagem em português que deixa tudo ainda mais familiar.

O jogo tem início em solo firme, apresentando uma Terra futurista muito bem construída conforme a literatura costuma representá-la. São prédios gigantes, carros voadores, telões monumentais e metal para todo lado. É possível sentir a falta de vida desse ambiente, dando ao jogador a sensação de estar em um verdadeiro lugar em guerra de um futuro próximo.

Vida no espaço

Além dos ambientes extremamente bem construídos graficamente, o visual dos personagens também impressiona, mesmo não trazendo melhorias tão visíveis em relação aos jogos anteriores. Texturas de tecido, pele e até cabelos são das mais bonitas da atualidade. O mesmo pode ser dito da captura de movimentos, que torna os personagens menos artificiais do que costumam ser em jogos muito realistas. Não tem como deixar de abrir um sorriso com a qualidade do avatar de Kit Harington, o Jon Snow de Game of Thrones e intérprete do antagonista Salen Koch em Infinite Warfare.

Por falar em personagens, em sua maioria eles são bem trabalhados, com características marcantes e motivações próprias. Nada de muito aprofundado, mas o suficiente para criar certa afeição do jogador com algum dos personagens principais. No meu caso, o robô Ethan foi o mais marcante. Construído para ser um super soldado, Ethan passa por diversos momentos impactantes ao longo do jogo, como horas em que soldados fazem piada por ele ser apenas um robô, e outras em que ele parece demonstrar sentimentos puramente humanos.

O protagonista pode não ser dos mais memoráveis, mas cumpre o seu papel, servindo de ponto de ligação entre os vários personagens secundários envolvidos na trama e os eventos que cercam a belíssima galáxia onde se passa o jogo. Mesmo passando longe de outras grandes atuações vistas na própria série, Nick Reyes passa por situações que farão você criar afeição e até a sentir um pouco dos dilemas vividos por ele durante o jogo.

Beleza espacial

Complementando a beleza visual do jogo, Infinite Warfare também conta com uma trilha sonora de qualidade, adequando-se ao que acontece durante a ação. Na maioria das vezes, são composições orquestradas e efeitos sonoros pontuais que dão um toque de filme de ficção científica ao game. Infelizmente, nenhuma canção é marcante ao ponto de ouvirmos e associarmos imediatamente ao jogo.

Para completar o aspecto cinematográfico do jogo, é nas cutscenes que Infinite Warfare consegue brilhar ainda mais. Com momentos que lembram bastante Star Wars, principalmente os combates espaciais, você se sentirá assistindo a cenas que não deixam muito a desejar em comparação aos grandes filmes. E o melhor é que a transição entre cutscene e gameplay acontece de forma bastante suave.

Outro bom momento de transição no jogo acontece nos trechos entre fases. Em alguns jogos anteriores da franquia, quando terminávamos uma fase já éramos levados imediatamente a outro estágio. Quase como um teletransporte. Em Infinite Warfare, acompanhamos o trajeto do personagem, desde selecionar a missão, passando pela escolha do equipamento (que pouco faz diferença durante a jogatina), até o retorno a base após o término da fase. Isso traz uma cadência interessante ao jogo, que somado a intensidade dos estágios, prende o jogador de forma bastante satisfatória.

Quanto ao jogo em si, Infinite Warfare é mais um excelente representante do gênero FPS, trazendo o que já estamos cansados de esperar de um título do gênero. Tiroteios frenéticos, explosões, dezenas de inimigos na tela, muitas armas e sequências de tirar o folêgo. Se é isso que você gosta, esse é o seu jogo. Além do mais, o CoD: Infinite Warfare ainda traz momentos de furtividade e algumass mecânicas rencentes vindas dos jogos anteriores, como o pulo duplo e a possibilidade de andar em superfícies verticais, embora você pouco usará isso durante a campanha, dando a impressão de que é completamente irrelevante.


Entre as ótimas novidades, destaco os momentos nos quais você controla a nave Jackal em combates espaciais. São momentos curtos, ocasionais, mas que trazem uma nova dinâmica ao jogo, que de nada tem de monótono, já que nos faz passar por fases no chão, ambientes fechados, gravidade zero e campo aberto. E se o seu medo é ter mais um modo campanha linear, comemore, pois Infinite Warfare traz a liberdade de selecionar as fases, podendo optar por apenas completar as missões principais, ou encarar fases secundárias em busca de novas armas e desafios. Embora os prêmios para essas fases secundárias não sejam lá grande coisa, elas são divertidas e acrescentam bastante na experiência final do jogador — que passará das 7h convencionais para quase 20h jogando nos estágios secundário.

Guerra infinita 

Com uma das melhores campanhas da série nos últimos anos, ainda é o multiplayer online o grande atrativo de Call of Duty para seus fãs. E para a alegria de uns e desespero de muitos, Infinite Warfare é mais do mesmo quando o assunto é multiplayer. Praticamente tudo que já vimos em Black Ops 3 está de volta aqui. Modos de jogo, visual, mapas. É quase tudo idêntico. Não fosse pelo visual futurista marcante, um desavisado poderia passar pela sua sala e apostar que você está jogando o título anterior.

A jogabilidade continua excelente. Atirar, correr, saltar e até andar pelas paredes — o multiplayer justifica o uso dessas técnicas — se mantém empolgantes. Não será por problemas técnicos que você não se dará bem no jogo. O problema mesmo é na variedade. Quase tudo parece reciclado, embora isso não seja de todo ruim.

A Infinity Ward até que se esforçou para criar uma maior variedade de customizações. Aqui, você tem liberdade para criar um personagem com as características que você mais gosta modificando módulos de combate —o traje de seu personagem —, possibilitando diferentes estilos de jogo (skins, acessórios, trajes, capacetes, emblemas e insígnias são desbloqueáveis ao subir de nível ou por meio de aquisições). Guerreiro, Hiper, Mercenário, Fantasma, Atacante, Sináptico. você tem a liberdade de criar um personagem único para encarar a guerra infinita que é o multiplayer online.

Confesso que não sou dos melhores jogadores de FPS, por isso sofri bastante quando inventei de me jogar na selva de balas virtuais. Porém, os mapas me trouxeram a sensação de familiaridade necessária para fazer bonito junto da galera, por mais que sejam muito semelhantes aos títulos anteriores. MP-Pronto, Terminal, Frontier, Throwback, Breakout. Todos os mapas servem muito bem para o propósito de criar um espaço para digladiação frenética, como deve ser um bom FPS. Nisso o jogo não deixa a desejar.

The Walking Dead?

Não tive problemas de conexão em nenhum momento durante os testes, mesmo a minha conexão sendo muito ruim. Consegui jogar e me divertir tranquilamente, principalmente no melhor dos modos multiplayer do jogo: o modo Zombies in Spaceland.

Contrastando com o aspecto futurista e moderno de todo o jogo, esse modo apresenta visual cartunesco e leva o jogador de volta a década de 1980, para um parque temático no qual o objetivo é restaurar a energia local em meio a uma invasão zumbi alucinante. Sozinho ou com outros jogadores, o grande atrativo é usar as mais loucas armas contra ondas de mortos-vivos enquanto protege a base, coleta itens e desbloqueia novos equipamentos e habilidades. Esse modo é, de longe, uma das melhores opções para jogar com a galera.

O futuro é logo ali

Com uma campanha envolvente, multiplayer divertido e variado, belos visuais, dublagem acima da média e tecnicamente refinado, Call of Duty: Infinite Warfare é um dos melhores títulos da série nos últimos anos, aprimorando aspectos importantes como a experiência para um jogador e acrescentando novas mecânicas que trazem um leve frescor para uma franquia desgastada. Infelizmente, a fórmula ainda não sofreu as mudanças que o público esperava, porém, nem de longe isso é motivo para deixar de experimentar essa guerra espacial. Eu mesmo estou voltando para o espaço para acabar com esse conflito.

Prós

  • Visuais de alto nível;
  • Jogabilidade fluida e eficaz;
  • Campanha bem construída;
  • Modo Zombies in Spaceland traz um coop divertido.

Contras

  • Pouca inovação em relação aos títulos anteriores
  • Reciclagem do modo multiplayer online.
  • Mecânicas pouco aproveitadas. 
Call of Duty: Infinite Warfare — PS4, XBO, PC — Nota: 8.0 
Plataforma usada para análise: XBO
Ítalo Chianca escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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