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Análise: FIFA 18 (Multi) garante muita diversão no retorno de Alex Hunter

EA Sports mostra que mesmo um jogo anual pode surpreender positivamente os jogadores de diversas formas.

No meio dos jogadores de videogame, principalmente entre aqueles que curtem os jogos de esporte, sempre surge aquela máxima: de um ano para o outro poucas inovações justificam a compra de jogos que possuem lançamento anual. Confesso que eu estava com muito disso em mente antes que houvesse a possibilidade de jogar o FIFA 18 (Multi) pelo GameBlast. Felizmente, as inovações desta edição estão para lá de boas e, apesar da falta de alguns dos times brasileiros (e do licenciamento dos jogadores dos mesmos), FIFA 18 te ganha nos detalhes e mostra que a franquia está longe de ser o mais do mesmo.

A Jornada: a volta de Alex Hunter

Depois de ter experimentado a demonstração de FIFA 18 e ter visto que as mudanças na jogabilidade das partidas em si não estavam muito diferentes de FIFA 17, uma vez que a engine continua sendo a mesma, a Frostbite, voltar a acompanhar a história de Alex Hunter era o que mais estava me deixando ansiosa em relação ao recente título da EA Sports.


Logo de cara, percebe-se o zelo que a desenvolvedora teve ao mostrar um pouco do que ocorreu com o Alex na temporada passada — passo importante para os jogadores que não tiveram a oportunidade de conhecer a vida e a história de Alex desde os seus primórdios na carreira de futebol. Esse conjunto de cutscenes me lembraram bastante a maneira em que diretores de séries televisivas apresentam os acontecimentos passados antes de iniciar uma nova temporada.

Ao final desta introdução, o jogador pode optar por começar um novo Alex Hunter partindo de atributos gerais no 71 ou, caso tenha jogado o modo A Jornada em FIFA 17, importar o seu Alex e continuar a história dali. E foi exatamente esta última opção a escolhida por mim: iniciei A Jornada: a volta de Alex Hunter como jogador do Leicester City e com a média de seus atributos em 75. Os jogadores que não tiveram a mesma oportunidade, poderão escolher assinar contrato com um dos vinte times da Premier League para iniciar nesta nova etapa da vida do craque em ascensão.

A jogabilidade do modo história de FIFA vai muito além do que acontece dentro das quatro linhas e, além das escolhas em relação ao temperamento de Alex Hunter, que continuam a influenciar sua relação com a comissão técnica e com o número de seguidores nas redes sociais do jogador, há algumas decisões importantes que mudam os rumos da história em determinados pontos. Esse quesito acrescenta muito para a experiência de jogo, pois coloca na mão do jogador se ele vai querer passar por algumas experiências ou não.

Além disso, é possível personalizar o Alex Hunter de fora do campo, escolhendo suas roupas e acessórios, que vão sendo desbloqueados à medida em que o jogo avança e algumas tarefas vão sendo completadas — achei interessante ter o poder de personalizá-lo desta maneira, até mesmo nas cutscenes as roupas escolhidas entram em cena. Existem também duas árvores de habilidades que podem ser preenchidas de acordo com as preferências do jogador. Uma diz respeito às habilidades de finalização de Hunter, já a outra, de criação. Como o meu Alex Hunter é um jogador meia-atacante, optei por dar preferência às habilidades relacionadas à criação de jogadas, mas claro, investi alguns pontos em finalização para não deixá-lo mal em uma oportunidade na cara do gol. Esses pontos são adquiridos conforme a média técnica de Alex vai subindo, ao completar jogos e treinos.

Tudo parece se encaminhar para um rumo bem clichê nas primeiras partes do desenrolar da história de Hunter, mas aos poucos elementos novos vão surgindo e surpreendendo o jogador a cada novo capítulo de modo espetacular. Sem querer entrar em muitos detalhes para não estragar a surpresa, temos de futebol de rua a futebol feminino aparecendo durante o modo história — o que me impressionou e me empolgou bastante. Um incrível trabalho de roteiro da EA Sports.

O único ponto negativo no modo história fica por conta da falta de opção de padronizar o áudio durante a jogatina. Particularmente, gosto muito de usar a narração das partidas em português, ou seja, com a narração de Tiago Leifert e com os comentários de Caio Ribeiro — até para poder acompanhar as adições anuais de comentários interessantes e piadas que ambos fazem durante as narrações. No entanto, ao escolher a narração em português, temos um Alex Hunter dublado também em português, assim como todos os principais personagens, tais quais técnicos e parentes de nosso craque. A grande questão é que os verdadeiros astros do futebol, como Cristiano Ronaldo, Thierry Henry, Thomas Müller, Antoine Griezmann e companhia, ao aparecerem dialogando com Hunter, são dublados por eles mesmos, em inglês. Desta forma, fica um pouco estranho ter parte do áudio em português e parte em inglês.

Realidade e agilidade durante as partidas

A cada ano, FIFA tenta chegar o mais próximo possível da realidade. Foram três as mudanças e adições que considerei mais interessantes em FIFA 18. A primeira diz respeito à nova regra de saída de bola do futebol, em que o jogador não é mais obrigado a tocar para a frente, podendo iniciar o jogo para qualquer direção. Com isso, a partida começa como temos visto na TV, com apenas um jogador dentro do círculo central dando a saída da bola tocando-a para trás, com o seu companheiro recebendo a bola fora do círculo central.

A segunda alteração que me chamou bastante a atenção positivamente está relacionada às substituições durante a partida. Antes, em qualquer disputa, para fazer uma substituição era necessário pausar o jogo e realizar as trocas pretendidas, ainda que o jogo já tivesse um sistema de “auxiliar técnico” em que ao pressionar o triângulo do PS4 em cima de um jogador do campo, o próprio game poderia sugerir alguns jogadores do banco para a troca com aquele que você selecionou para sair. Agora em FIFA 18 é possível pré-determinar as alterações que você pode vir a fazer durante a disputa mesmo antes do início da partida, pois há um novo sistema que consiste em aparecer o botão R2 na lateral da tela durante uma animação de replay ou enquanto um jogador vai atrás da bola para repô-la em jogo. Com esse botão, o jogo te sugere uma alteração e você pode realizá-la pressionando o X. Desta forma, as substituições podem ser feitas de maneira mais orgânica, sem a necessidade de interromper a partida por vários segundos. Essa mecânica cai muito bem com os modos online de jogo, inclusive.

A terceira e não menos importante mudança diz respeito às partidas online. Agora, para que você possa realizar uma pausa no jogo, não basta estar com a posse de bola e pressionar o botão options. Ao pressioná-lo, aparecerá na tela um aviso dizendo que o jogador “tal” solicitou uma pausa e ela será concedida apenas quando o jogo for interrompido, seja por um lateral, tiro de meta, marcação de falta ou escanteio, por exemplo. Isso significa que pessoas sem espírito de jogo, que gostavam de pausar seguidamente a fim de irritar e desconcentrar o adversário, pensarão duas vezes antes de tomar a mesma atitude. Além disso, ao ser reiniciado, o jogo mostra uma pequena contagem regressiva do três ao um, o que torna a volta para o campo menos abrupta.

E são modos de jogo que não acabam mais

Se FIFA 18 ainda não fizesse muito bem tudo isso que já foi comentado até aqui, ainda temos uma infinidade de outros modos de jogo. Os destaques ficam para o modo FIFA The Ultimate Team, o famoso FUT, usado em campeonatos e torneios de eSports organizados pela própria EA, e o modo carreira. Ambos estão bem parecidos com o que os jogadores mais antigos da franquia já estão acostumados, com alguns aprimoramentos que os tornam ainda melhores. Vale ressaltar que o modo FUT não está presente na versão do jogo para o Nintendo Switch.

Os jogadores que investiram seu tempo no FUT em FIFA 17 recebem alguns pacotes de jogadores e itens como brinde ao iniciar este modo. Além disso, dependendo do que o jogador conseguir alcançar ao final de cada capítulo do modo história, algum pacote também é desbloqueado no FUT, tornando as coisas por este modo ainda mais empolgantes, uma vez que é possível conseguir vários bons jogadores por empréstimo para começar bem na subida pelo melhor elenco no seu time do FUT.

No caso do modo carreira, ele está ainda mais incrementado no quesito negociações, tornando o processo de contratar e dispensar jogadores ainda mais real e empolgante. Minha dica aqui é começar por um time de menor porte e ir alçando voos maiores, não há satisfação maior do que essa: ver um time que você começou a trabalhar competindo entre os grandes. Ser convidado para assumir o comando de uma seleção de ponta também torna esse modo de jogo muito mais divertido.

É impossível não recomendar FIFA 18, mesmo para aqueles que acham que encontraram a versão definitiva do simulador de futebol em seu jogo anterior. A EA Sports, mais uma vez, mostrou por que tem um simulador de futebol tão respeitado. Cheio de modos de jogo diferentes, é impossível não agradar aos fãs, ainda que mais casuais da franquia e do esporte. As melhorias em todos os níveis fazem a experiência valer a pena. E a minha velha frase continua valendo fortemente por mais um ano: “não há tédio enquanto houver FIFA”.

Prós

  • Modo A Jornada empolgante e cheio de surpresas;
  • Escolhas feitas pelo jogador finalmente influenciam a história de Hunter;
  • Mudanças e adições interessantes na jogabilidade;
  • FIFA The Ultimate Team continua maravilhoso;
  • Modo carreira garante diversão sem fim.

Contras

  • Falta de opções para padronizar áudios e legendas no modo história;
  • Ausência do licenciamento dos jogadores brasileiros.
FIFA 18 — PS4/XBO/PC/Switch — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Vitor Tibério
Ana Krishna Peixoto é formanda em Ciências Econômicas pela UERJ. No Blast, é redatora e revisora. Suas paixões são os esportes (sobretudo o futebol e o jiu-jitsu), os livros, a escrita e os videogames. Fã de PlayStation, não nega sua queda pela Nintendo. Pode ser encontrada no Twitter.

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