O segundo passe de temporada de Fatal Fury: City of the Wolves ultrapassa o meio do caminho em sua programação de trazer um novo personagem por mês até junho. Enquanto janeiro nos agraciou com Kim Jae Hoon, fevereiro com Nightmare Geese e março com Blue Mary, o calendário avança naturalmente e, com isso, o GameBlast segue em nossa cobertura mensal ao realizar mais um teste antecipado do lutador da vez. Tendo isso em vista, chegamos em abril, o mês de Wolfgang Krauser.
Kaiser, a cerveja dos momentos felizes... opa, isso é de outro jogo
Originalmente introduzido ao público como principal antagonista de Fatal Fury 2, Wolfgang Krauser von Stroheim é apresentado como um membro de uma aristocrática família europeia e meio-irmão de Geese, com quem compartilha a sede de poder, o que acaba gerando certas rusgas entre os dois. Krauser também apareceu em outros títulos da SNK, como The King of Fighters, quando se reuniu ao chamado Trio dos Chefões formado por seu irmão e Mr. Big.
Krauser é marcado por sua síndrome de grandeza e teatralidade física, algo que foi muito bem transposto nessa sua nova encarnação de City of the Wolves, surgindo como um dos lutadores mais intimidadores a nível visual, graças a um modelo tridimensional muito bem-feito de um redesign inspirado, com destaque à sua cabeleira grisalha com resquícios da coloração roxa original — e olha que esse é um elogio de quem tinha ficado muito incomodado com a ausência de seu icônico bigodão quando um teaser de sua presença no jogo foi liberado há alguns meses.
Como combatente, Krauser se destaca por utilizar o chamado Stroheim Fighting System, uma arte marcial híbrida e personalizada por ele mesmo que combina elementos do Kampfringen com o pankration — formas tradicionais de luta da Alemanha e da Grécia Antiga, respectivamente. Essa base é complementada por golpes inspirados na luta livre profissional, como lariats e agarrões.
Muitas de suas técnicas clássicas seguem uma nomenclatura com temática que remete à entidade de um Kaiser, um título atribuído a soberanos austro-germânicos de um período anterior à Primeira Guerra Mundial, o que reforça esse compromisso com a ideia de que a presença em combate também conta na hora de se impor contra seus oponentes.
Isto é, essa questão dos nomes dos ataques é algo que a gente assume que foi uma característica inerente do personagem que se manteve, já que a versão de teste que recebemos trouxe um pequeno bug que não intitulava seus movimentos de forma apropriada — algo que acreditamos que não ocorrerá na atualização oficial definitiva, ressaltamos.
Muito poder bruto para pouca pressa
Pois bem, é importante mencionar que Krauser, desde suas participações originais, sustenta-se basicamente em seu tamanho e capacidade de bater com muita força ao sacrifício da velocidade, correspondendo ao arquétipo de Heavy Hitter que se repete em outros jogos, como é o caso de Marisa, em Street Fighter 6.
Ecoando principalmente sua participação em Fatal Fury Special, alguns dos golpes mais clássicos de Krauser retornam quase intactos ao seu kit. O Leg Tomahawk aparece sem mudanças significativas, mantendo sua função como um ataque de avanço confiável, ainda que com aquela execução mais cadenciada característica do personagem.
No que diz respeito ao controle de espaço à distância, sua principal arma é a Blitz Ball, cujas variações de altura e velocidade dependem do input correspondente e, por consequência, exigem a leitura antecipada dos movimentos do oponente devido ao ritmo lento de ativação.
Krauser também tem certa proficiência nos input grabs, contando com o retorno de dois agarrões que ajudam a manter sua estratégia de domínio físico: o Neck Hang Blow e o Kaiser Claw. O primeiro provoca uma quantidade considerável de dano ao mesmo tempo que quebra a defesa do oponente, especialmente na versão REV aprimorada. O segundo é o agarrão de pescoço que inverte a posição dos oponentes e aqui funciona especificamente como uma opção antiaérea provinda de Real Bout Fatal Fury 2.
Os especiais de Krauser também correspondem a essa ideia de controle de espaço aliada a impacto bruto. No caso, o clássico Kaiser Wave retorna, funcionando como uma ferramenta à distância e ajudando a estruturar o jogo neutro, algo especialmente importante para um personagem que não se beneficia tanto de abordagens rápidas. Novamente, é um ataque que precisa de alguma leitura de jogo devido ao tempo de preparo antes do disparo. Como compensação, é um ataque que, se carregado, serve para sobrecarregar o medidor REV do oponente.
O segundo movimento é o Gigatech Cyclone, que traz um elemento mais interessante para o jogo de pressão que o Wolfgang pode exercer. Trata-se de um lariat que, ao conectar contra um oponente em guarda baixa, acaba puxando-o para dentro do redemoinho, quase como se fosse um grab. É uma propriedade que cria uma camada adicional de ameaça no mix-up do bigodudo, punindo defesas mais passivas e desprevenidas nesse quesito.
O ponto que chama atenção, porém, é como o kit do Imperador das Trevas parece operar em uma cadência um pouco desalinhada com o ritmo mais ágil de City of the Wolves. Krauser mantém uma proposta mais pesada, com golpes de maior comprometimento e recuperação mais longa, o que pode torná-lo previsível em um ambiente competitivo que valoriza pressão constante e sequências rápidas.
A solução para isso talvez seja a inclusão do Knee Halberd, o único cujo nome específico foi identificável porque ele é mencionado nos movimentos subsequentes que podem ser combinados em estilo rekka, mas nada muito substancial. Uma adaptação do Kaiser Duel Sobat realizável pelo personagem em suas aparições nos The King of Fighters, trata-se de um golpe voador de joelho que pode ser estendido através de um segundo comando cuja consequência é um chute descendente.
Na prática, é um recurso adicional com potencial de compensar a letargia persistente dos outros movimentos. Enquanto os golpes clássicos, como o Leg Tomahawk e o Blitz Ball, ainda operam em um ritmo mais rígido, o Knee Halberd pode funcionar como uma alternativa para ofensiva mais contínua, permitindo variações e possíveis sequências distintas que vão depender de como o jogador optar por estender (ou não) a sequência. Isso pode funcionar também como uma ferramenta para tornar o personagem menos dependente de leitura pura e mais capaz de sustentar ofensiva de forma ativa.
Como de costume, é importante notar que, por mais que a SNK deixe claras algumas intenções no design do personagem — especialmente ao tentar equilibrar o peso clássico de Krauser com ferramentas mais modernas —, a palavra final acaba ficando mais nas mãos da comunidade, que será responsável por explorar suas possibilidades e determinar sua real viabilidade dentro do cenário competitivo.
Também é importante ressaltar que, seguindo o mesmo padrão adotado nos testes prévios anteriores, essas impressões foram construídas a partir de sessões off-line, restritas aos modos de treino e versus contra a CPU, sem qualquer contato com o ambiente competitivo online até aqui.
Assim, sendo a quarta inclusão do atual passe de temporada de Fatal Fury: City of the Wolves, Wolfgang Krauser chega no dia 24 de abril, mantendo o cronograma mensal de lançamentos do pacote. Com isso, o conteúdo adicional entra em sua reta final, restando ainda dois lutadores a serem disponibilizados nos meses seguintes: Kenshiro, um guest character vindo diretamente de Hokuto no Ken (que atualmente conta com um anime remake em exibição), e um outro ainda não revelado.
Revisão: Alessandra Ribeiro
Texto de impressões produzido com versão de teste para PC cedida pela SNK










