Lançado no ano passado, Fatal Fury: City of the Wolves inaugurou seu suporte de pós-lançamento com um primeiro Season Pass incluído na faixa com o pacote base. Além do retorno de alguns personagens clássicos e bem importantes para o elenco do novo título (como Andy Bogard e Joe Higashi) a SNK trouxe Ken e Chun-Li como inclusões especiais. Dando prosseguimento, a empresa anunciou um segundo passe de temporada composto por seis lutadores distintos, sendo que quatro já foram revelados formalmente: Krauser, Blue Mary, Nightmare Geese e Kim Jae Hoon, o primeiro dessa nova leva com quem o GameBlast teve a oportunidade de realizar mais um teste antecipado.
A outra faceta do Tae Kwon Do da família Kim
Jae Hoon é um nome que traz consigo um peso considerável dentro da linha sucessória de Fatal Fury, já que ele foi uma das novidades em Garou: Mark of the Wolves, cujo lançamento significou, em sua época, uma espécie de passagem de bastão no protagonismo da série Fatal Fury, uma nova geração de lutadores.
Introduzido naquele título como um dos herdeiros de Kim Kaphwan ao lado de seu irmão, Dong Hwan, Jae Hoon se destacou por representar uma abordagem mais pragmática e tradicional do taekwondo, o que funcionou como um eco da rigidez inabalável tão característica de seu pai. Assim, ele retorna em um contexto já familiar, enfim se unindo ao seu irmão e estabelecendo um ponto de comparação natural entre os dois.
Dessa forma, enquanto Dong Hwan incorpora um espírito mais relaxado e impulsivo, Jae Hoon se caracteriza como o contraponto mais responsável e equilibrado da dupla, tanto em termos narrativos quanto na forma como sua filosofia de luta se manifesta em jogo.
Na prática, isso se traduz um pouco em um estilo um tanto similar ao do Kim Kaphwan, funcionando bem como um rushdown direto e sem muitos rodeios em seu manejo, já que esse consiste na manutenção de pressão constante a curta e média distância. Tal como o estilo que defende, o personagem não é exatamente um lutador que exige controle pouco ortodoxo para o arquétipo, sendo recompensado por leituras corretas das situações vigentes e, como consequência, pela execução competente de uma reação que esteja de acordo.
Essa filosofia se traduz em um jogo ofensivo bem eficaz quando o adversário comete erros. Jae Hoon pune com facilidade as aproximações mal calculadas e brechas defensivas, seja convertendo cutucões em sequências de dano respeitável, seja ameaçando com um leque básico, porém funcional, de movimentos combinatórios. Embora não traga um arsenal de ataques complexo ou sofisticado, ele se sustenta bem como um personagem equilibrado e com um alcance decente por conta da utilização das chamas, o que aumenta sua área de ataque.
Jae Hoon acaba brilhando quando consegue encurralar o oponente no canto da tela, já que essa é uma situação propícia para aproveitar o arsenal ofensivo que é também, por consequência, opressivo, impondo o ritmo de forma mais autoritária e assim estabelecendo combos cada vez mais longos que farão melhor uso das suas sequências.
Por outro lado, nem tudo em seu kit trabalha a favor dessa proposta. Um dos maiores entraves de Jae Hoon está justamente em seus golpes especiais, que, fora os usos bem específicos em combos, tendem a ser pouco confiáveis ou arriscados, uma característica própria que já vem desde o Garou: Mark of the Wolves.
Tendo isso em vista, é possível que esse atributo seja minimizado dependendo da maneira a qual a cena competitiva vai encontrar para incluir o sistema REV em seus movimentos, já que essa é uma característica nova que provavelmente vai otimizar ainda mais a facilidade com que Jae Hoon quebra defesas e encadeia seus combos.
Retomando a comparação com seu irmão, a inclusão de Jae Hoon se justifica no fato de que, embora ambos sejam personagens de rushdown, Dong Hwan consiste em um personagem de risco e recompensa proporcionalmente maiores. Enquanto o novo DLC se apoia em fundamentos sólidos, controle de espaço e pressão calculada, o lutador já presente no jogo base assume uma postura muito mais agressiva e caótica, funcionando como um personagem cujo melhor desempenho se dá quando está colado no oponente e forçando decisões constantes a cada segundo da luta.
É um complemento histórico, uma vez que Jae Hoon oferece consistência e eficiência a partir de decisões bem fundamentadas enquanto Dong Hwan aposta em intensidade e imprevisibilidade dentro de situações mais arriscadas.
Enfim, vale destacar que todas essas impressões iniciais foram construídas a partir de sessões off-line jogadas exclusivamente em modos single player, com os testes sendo realizados apenas contra a própria máquina. Naturalmente, será no ambiente competitivo — nas mãos da comunidade — que o potencial prático de Kim Jae Hoon começa a ser traçado, seja por meio da descoberta de novas rotas de combo, ajustes finos de pressão ou aplicações mais criativas de seu kit.
Com lançamento marcado para o dia 22 de janeiro, Jae Hoon inaugura oficialmente o novo Season Pass de Fatal Fury: City of the Wolves. Resta, portanto, acompanhar sua chegada ao jogo para entender qual será, de fato, o impacto do personagem no meta.
Ainda assim, não faz sentido algum a lógica por trás da decisão da SNK de tornar o Jae Hoon um DLC enquanto o Dong Hwan estava no elenco base. Os dois sempre foram vistos como uma dupla complementar e a presença de um já prenunciava esse conteúdo adicional que chegou um tanto tardio para formar o conjunto — e aí fica difícil, mais uma vez, não pegar no pé do jogador de futebol e do DJ.
Se bem que essa estratégia não é lá novidade porque não é a primeira vez que algo assim acontece, já que isso também tinha acontecido no Samurai Shodown de 2019, que separou os irmãos Kazama em temporadas distintas.
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Texto de impressões produzido com versão de teste para PC cedida pela SNK








