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Análise: Samurai Shodown (Multi) traz belas artes, combates sangrentos e a maravilhosa sensação de uma nostalgia bem aproveitada

Mantendo as qualidades e características que tornaram a franquia querida, a SNK fez praticamente uma carta de amor para os fãs que aguardavam o retorno de Haomaru e cia.

A série Samurai Shodown, produzida pela japonesa SNK, juntou milhões de fãs na década de 1990. Naquela época, foi o pioneiro em combates entre lutadores armados. Espadas, katanas, correntes, kunais; elas que definiam o estilo de jogo de cada um.

Após uma má fase durante sua entrada na era 3D e um hiato de uma década sem dar notícias, toda a glória dos seus primórdios foi trazida de volta com Samurai Shodown (Multi). O nome sem número ou subtítulos ressalta o reboot, que mistura perfeitamente os elementos dos primeiros jogos com o aprimoramento que a geração atual demanda.

Vem tranquilo!

Combos se tornaram uma característica inerente aos jogos de luta desde muito tempo. A cada momento, jogadores pelo mundo todo visam aperfeiçoar suas técnicas para maximizar danos com o melhor moveset possível. Samurai Shodown vai na contramão disso tudo, prezando pela paciência e priorizando movimentos únicos, executados no erro do adversário.

Cada integrante do elenco tem praticamente os mesmos tipos de comandos, tanto para habilidades gerais quanto para ataques especiais. A diferença está no alcance da arma de cada um. Isso torna todos os lutadores acessíveis para qualquer jogador.

Durante a luta, pode-se desferir cortes fracos, médios, fortes e chutes. Além disso, para conter as investidas do oponente, é possível se esquivar e aparar um ataque, o que resulta em deixar o rival desarmado. Porém, a espada fica pelo chão e pode ser recuperada a qualquer momento.

Também não pense que um desarme é garantia de vitória. Um Bloqueio Desarmado, movimento em que a lâmina ofensora é interrompida com as mãos nuas, também resulta na perda da arma.
Um dos movimentos tradicionais que fez seu retorno foi o Golpe Relâmpago. Seu dano massivo pode decidir a partida, mas seu custo é alto. Além de usar toda a Rage Gauge, seu uso é único para a luta toda, pois sacrifica a barra e ela não volta mais.

Como nos bons tempos

A nostalgia sentida com Samurai Shodown está espalhada em diversos pequenos elementos,seja no seu estilo artístico, nos temas musicais de cada personagem e até mesmo nos modos de jogo.

Diferente das franquias atuais, SamSho manteve o seu modo história como o arcade do jogo, sem fazer uma narrativa principal que entrelaça os caminhos de todo mundo. Cada um deles tem sua abertura, seu rival direto antes do chefe e uma animação de encerramento, como os títulos de luta eram antigamente.

A galeria também funciona da maneira com a qual fomos acostumados. Ao encerrar a história com um guerreiro, liberamos o seu prólogo e o seu epílogo. Em caso de uma progressão sem continues, o jogador é recompensado com uma arte especial.

Também estão disponíveis os modos Punhos de Aço, que te coloca contra todo o elenco, e Sobrevivência, que manda um número infinito de inimigos para serem abatidos com a mesma barra de vitalidade.

Quanto ao modo online, ele às vezes é meio instável durante as partidas. Tanto nas disputas casuais quanto nas ranqueadas, houve momentos de lentidão, mas sem desconexão. As partidas casuais podem ser simples (um contra o outro), ou por times. Tudo depende de quantas pessoas estiverem dentro da sala.

Você está sendo observado

Uma das grandes novidades do título está no dojo. Ao escolher um dos espadachins, é criado um fantasma dele, que vai sendo aprimorado com os dados de cada partida jogada. É possível fazer um fantasma de cada integrante do elenco.

Depois é possível "se enfrentar" no dojo. Basta acessar a cópia do seu lutador e assim você ficará frente a frente com você mesmo, em tese. O fantasma foca nas sequências que o jogador mais utiliza e as replica, revezando um ou outro movimento diferenciado. A imitação não é tão precisa, mas é um ótimo método para verificar suas próprias falhas de movimentação e execução.

Além de poder subir sua duplicata para a rede, também é possível baixar os dados de qualquer outro player pelo mundo. Os desafios contra os fantasmas podem ser simples ou em séries de dez, 50 e 100.

Pelo caminho de Shura

Samurai Shodown (Multi) acertou a mão e mostrou a que veio. Apostar em um visual mais cartunesco, aliado a sua identidade sangrenta, mas sem exagero, foi uma decisão sábia. É muito divertido finalizar um oponente e o ataque partí-lo ao meio ou causar um jorro de sangue, como nos filmes do Tarantino. A trilha sonora também é primorosa, trazendo a sensação de voltar à um dos primeiros jogos da série.

Foi muito importante também não ceder à moda atual de fazer jogos mais acelerados e focar em um ritmo mais lento e calculado, com ataques precisos. Isso faz com que o jogo tenha uma identidade bem distinta dos demais desta geração. Valeu totalmente pela espera.

Prós

  • Jogabilidade manteve sua essência intacta;
  • Visuais lindos, tanto nas animações quanto nas cenas desenhadas;
  • Trilha sonora perfeita para cada personagem;
  • Dublagem japonesa muito bem feita.

Contras

  • Alguns loadings demoram um pouco demais;
  • Pequenos erros de gramática nas legendas e termos em português;
  • Online tem momentos de instabilidade.
Samurai Shodown — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela Athlom Games
Revisão: Francisco Camilo

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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