Western: a influência do gênero no mundo dos games (Final)

Os anos 2005 e seguintes mantiveram a qualidade para os apreciadores de faroeste, seja nos cinemas, seja nos jogos: os fãs recebiam doses cavalares de ótimos produtos de entretenimento com a maturidade que o gênero exigia em novos tempos.

Após o estabelecimento de novos padrões com Outlaws, Red Dead Revolver e Dead Man’s Hand para os jogos eletrônicos, além de ótimos e variados títulos para o cinema — alguns deles mencionados na parte 5 deste artigo —, os fãs do western, especialmente os que nasceram décadas após a era de ouro do estilo, estariam de certa forma, “mal acostumados”. Por sorte, Hollywood e as desenvolvedoras de jogos nos trariam grandes títulos.

Perdeu o início dessa saga? Então corra para acompanhar as partes 1, 2, 3, 4 e 5 antes de prosseguir porque muita coisa boa já foi mencionada!

GUN

  • Console: PS2 / GameCube / XBOX / X360 / PSP / PC
  • Geração de consoles: 6ª geração (aplicável a PS2 / Xbox / GameCube)
  • Ano de lançamento: 2005
GUN (que tem estúdios como Neversoft e Rebellion entre suas desenvolvedoras) é basicamente a representação daquilo que Red Dead Redemption se tornaria cinco anos depois. Sua primeira característica é o fato de que se trata de um jogo de mundo aberto em terceira pessoa, um fator que se tornou de interesse praticamente universal a todos aqueles que haviam jogado Shenmue (até então, exclusivo do Dreamcast) e a franquia Grand Theft Auto a partir de seu terceiro título.
GUN é recomendado mesmo em tempos de RDR.


O enredo é outro de seus pontos fortes, em que o protagonista, Colton White, então um caçador de peles e carne ao lado de seu pai, Ned, se vê numa disputa contra homens violentos, religiosos assassinos e políticos crueis, lutando em prol da paz e da justiça ao proteger os mais fracos. Com uma série de reviravoltas na história — que inclui a conexão de White com uma tribo de nativos norte-americana —, GUN se prova como um dos grandes títulos que não podem passar despercebidos para os fãs do western.
O jovem Colton White.


Além do ótimo modo multiplayer, os nomes escalados para representar muitos dos personagens do título se basearam em personagens reais do Velho Oeste, além da utilização de atores reais para figurarem tais personagens, tais como Thomas Jane (no papel de Colton White),  Ron Perlman e Kris Kristofferson (grande músico do country).

Darkwatch: Curse of the West

  • Console: PS2 / XBOX
  • Geração de consoles: 6ª geração
  • Ano de lançamento: 2005
Um dos maiores destaques de Darkwatch certamente decorre de sua inclinação a um subgênero pouco explorado, o Weird West. O “Estranho Oeste” (em livre tradução para o português) mantém as características típicas do western, incrementando com elementos de horror, ficção científica, aspectos sobrenaturais, fantásticos ou mesmo de outro subgênero, o steampunk. Jogos de RPG físicos e quadrinhos exploraram com mais afinco o Weird West, contudo, The Wild Wild West (tanto a série televisiva quanto o longa adaptado — sim, o bizarríssimo estrelado por Will Smith) representam esse segmento nas telas.
Darkwatch é uma da melhores representações do Weird West para consoles.


No caso dos jogos eletrônicos, embora Wild Arms, Wild Guns (mencionados na parte 4 deste artigo), SteamWorld Dig e mesmo Fallout: New Vegas possam se inserir no Weird West, provavelmente Darkwatch seja o mais atrativo para quem procura especificamente algo nessa linha mais “macabra”, adulta e violenta.

O título conta a história de Jericho Cross, um pistoleiro fora-da-lei que foi transformado em um vampiro e tornou-se um caçador de criaturas sobrenaturais. Com visão em primeira pessoa, ótimos gráficos e possibilidade de disputas multiplayer (16 jogadores simultâneos na versão para XBOX), Darkwatch é ideal não apenas para os fãs do subgênero como também para quem deseja ampliar seu leque e experiência nos mais variados jogos de faroeste.

Westward

  • Console: PC
  • Geração de consoles: não se aplica
  • Ano de lançamento: 2006
Westward é uma coletânea de jogos da franquia West, desenvolvida e publicada pela Sandlot Games e lançada apenas para computadores pessoais. Embora a visão isométrica e o sistema de estratégia muito similar a Desperado e Hard West, o jogo se aproxima mais do gênero tycoon do que de estratégia.
Westward se destaca pelos elementos tycoon.


No controle de vários personagens diferentes, o jogador deve se assegurar de proteger os vilarejos que controla contra ataques de grupos de bandoleiros, desastres ambientais e desenvolvê-las economicamente, a fim de desbloquear novos edifícios para construção, aos moldes de jogos táticos como Starcraft ou Age of Empires.

Call of Juarez

  • Console: PC / X360
  • Geração de consoles: 7ª geração
  • Ano de lançamento: 2006

Indiscutivelmente Call of Juarez é um dos títulos que seguiram a tendência dos jogos western inaugurada com Red Dead Revolver e, pelo bom senso no decorrer de seu desenvolvimento pelo estúdio Techland, abandonou a ideia original de lançar um título “arcade” para se focar em um estilo mais profundo, em especial em um período em que os jogos FPS com temática de guerra inundavam os consoles e computadores.
Se é ação o que procura, Call of Juarez é a resposta.


O título coloca o jogador no controle de dois personagens, Billy Candle e Ray McCall, um pistoleiro que abandonou o “ofício” e se tornou um pregador. Após dois anos em busca do Tesouro de Juárez em Ciudad Juárez, Billy retorna para sua fazenda em Hope, Texas, quando se depara com a mãe e o padrasto assassinados, além de uma inscrição em sangue no celeiro: Call of Juarez. A partir dessa tragédia, Candle parte em busca do assassino de seus familiares. McCall, por sua vez, é tio de Billy e tem a plena convicção de que o sobrinho seja o responsável pelas mortes, razão pela qual, sua jornada nada mais é se não uma violenta caçada ao jovem Candle.
"Reverendo" McCall: talvez não seja uma boa ideia confessar seus pecados com ele.


Cada um dos protagonistas possui jogabilidade e movimentação próprias, sendo Candle melhor para “acrobacias” no melhor estilo “Indiana Jones” (dado o constante uso de seu chicote) e ações furtivas, ao passo que McCall tem uma predileção por combates com armas de fogo — e o bom emprego das habilidades de ambos será necessária para a resolução do mistério. O jogo recebeu boas críticas à época, o que oportunizou a continuidade da franquia em três outros títulos.

Lead and Gold: Gangs of the Wild West

  • Console: PC / PS3 / X360
  • Geração de consoles: 7ª geração
  • Ano de lançamento: 2010
Lead and Gold é um título multiplataforma que, embora ambientado no Velho Oeste, possui enfoque unicamente nas disputas em equipe, tais como Fistful of Frags e Smokin’ Guns. No entanto, ao contrário dos dois mencionados títulos, que possuem visão em primeira pessoa, os jogadores podem visualizar uma das quatro classes disponíveis enquanto disparam contra membros da equipe inimiga.
"Bang bang" purista, mas divertido.


Embora não seja pioneiro em se dedicar exclusivamente ao multiplayer, Lead and Gold se destaca por ser, de longe, o mais bonito jogo western para aqueles que querem apenas se aventurar em tiroteios ambientados no Velho Oeste.

Red Dead Redemption

  • Console: PS3 / X360
  • Geração de consoles: 7ª geração
  • Ano de lançamento: 2010
O que mais há para ser dito sobre Red Dead Redemption? Embora GUN apresentasse com cinco anos de antecedência muitos dos elementos que presenciamos no produto da Rockstar, este jogo marcou a 7ª geração de consoles com seu ótimo enredo, personagens carismáticos e o já aguardado amadurecimento dos temas desenvolvidos pelos longas western desde os anos 1970.
Quando a área deserta é linda de se observar, se reconhece um trabalho bem feito.


A trilha sonora, a grande variedade de armas, a atenção a cada detalhe — que tornam mesmo as mais longas viagens a cavalo uma obra de arte para se aproveitar — e a excelente jogabilidade tornam esse título obrigatório a qualquer fã do western.
"Nos veremos em breve, John!"


A grande “sacada” da desenvolvedora, no entanto, talvez esteja no fato de que Red Dead Redemption não é, sequer ao longe, um “Grand Theft Auto a cavalo”: o sistema de honra e reputação incentivam com que o jogador se mantenha na “linha”, embora ainda oportunize a este a liberdade de criar o caos — com as respectivas consequências, como a recusa de alguns comerciantes em negociarem com o jogador ou o aumento súbito de preço nos produtos à venda por ser um indivíduo “problemático”.

Red Dead Redemption 2

  • Console: PC / PS4 / XONE
  • Geração de consoles: 8ª geração
  • Ano de lançamento: 2018
Assim como o jogo anterior, pouca coisa mais há que ser dita sobre Red Dead Redemption 2 — valendo mencionar, por mais uma vez, os contumazes abusos da Rockstar sobre seus programadores, já apresentados aqui no GameBlast. O produto em si, graças ao primoroso trabalho da equipe responsável, é um dos títulos definitivos do gênero western para os consoles, explorando o que há de melhor no faroeste tradicional norte-americano e no western spaghetti.

O jogador está no controle de Arthur Morgan, um membro da quadrilha liderada por Dutch Van der Linde, cujos eventos retratam o início da derrocada da quadrilha, culminando nos eventos ocorridos no primeiro Red Dead Redemption.
Arthur Morgan.


O protagonista se verá entre as constantes práticas de crimes e, no decorrer de sua aventura, inicia uma série de questionamentos não apenas sobre como seus atos acabam por impactar negativamente os mais fracos, como o confrontam diante das decisões de Dutch, seu mentor e amigo.

Muitas das características empregadas no título anterior retornaram, tais como o sistema de honra (com as respectivas consequências) e jogabilidade. Os aspectos dramáticos que surgem do enredo, como na missão Blood Feuds, Ancient and Modern, dão arrepios na espinha dada a profundidade da cena em que a gangue Van der Linde invade uma propriedade para resgatar o filho de John Marston, sequestrado sob ordens de Catherine Braithwaite — em outras palavras, é simplesmente épico.
O braço armado da família Van der Linde.


Outro aspecto interessante em todo o jogo é o impacto que o marco “civilizatório” causou em sua expansão para o Oeste: há pouco espaço para caçadores de recompensas, pistoleiros e aventureiros, diante da presença das tropas do governo e a modernização dos meios de transporte, algo que gera um ar de frustração em muitos dos personagens com os quais o jogador contracena, em especial pelo fato de que o “mundo selvagem” e da “lei do mais forte” (ou mais preciso no gatilho) cedia pouco a pouco aos novos tempos.

Que os canos continuem fumegantes

De longe, este artigo foi o mais complexo e longo que já redigi no GameBlast. Um de meus gêneros favoritos, seja para o cinema ou para os jogos, é o western. Tanto quanto possível, desenvolvi a correlação do faroeste nestas duas mídias em especial porque foi principalmente nos cinemas que os jogos eletrônicos se inspiraram, especialmente com a ascensão do western spaghetti, que possui uma inclinação mais dramática em lugar do maniqueísmo tosco da maioria dos filmes norte-americanos, inaplicável à vida real.

Este trabalho teve a principal missão em encontrar fãs do gênero e mostrar às novas gerações que os grandes títulos onde um considerável número de jogadores aclama talvez não atingissem tal qualidade se não existissem os trabalhos anteriores, mesmo os “medíocres”, que trilharam os caminhos do que não funcionaria.
Que os duelos nunca faltem para os fãs de faroeste...


É claro que muitos outros jogos ficaram de fora, alguns deles conhecidos do público, tais como Dillon's Rolling Western, Gunman Clive e Fistful of Frags, enquanto outros como Shootout at Old Tucson e Mad Dog II: The Lost Gold não receberam destaque por não acrescentarem algo verdadeiramente relevante (ou curioso) para os jogos western — isso quando não eram meras reproduções de diversos outros títulos.

Longe de dar o assunto por encerrado, espero realmente que este texto inspire a todos que o lerem a compreender, jogar e assistir produtos de entretenimento western que, pelo “andar da carruagem” (com o perdão do trocadilho não intencional), nos acompanhará ainda por um bom tempo. Agora é com você, leitor: quais jogos, filmes e quadrinhos de faroeste gosta e recomenda? Compartilhe conosco suas experiências!
Revisão: Ives Boitano

Mineiro, apaixonado por livros, música, filmes, discussões, Magic: The Gathering e, claro, jogos eletrônicos.

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