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Análise: Voidrun (PC) é um interessante jogo de nave fora dos padrões

Esse título indie produzido por um único desenvolvedor se destaca com suas mecânicas nada usuais.


Em um primeiro momento, Voidrun parece um shoot ‘em up tradicional, afinal controlamos uma nave e precisamos destruir inimigos. No entanto, sua mecânica principal subverte o conceito principal do gênero: o veículo não atira e os oponentes são derrotados ao serem cercados com bombas. O resultado é um jogo criativo e interessante, por mais que um pouco frustrante.

Criando vazio com bombas

Os estágios de Voidrun exigem que todos os inimigos sejam derrotados. No entanto, a nave não atira e basta um único acerto para ser destruída. Sendo assim, para dar cabo dos monstros e oponentes, precisamos cercá-los por void orbs (orbes de vazio) — quando um círculo fechado é feito, acontece uma explosão que destrói inimigos e cenários. Os orbes precisam ser recuperados manualmente por meio de um campo de força, o que permite também desfazer possíveis erros. Durante as fases, é possível obter bombas adicionais ao explodir inimigos e partes dos cenários. Com mais orbes, fica mais fácil fazer a ação de cercar coisas.

O sistema de de ataque inusitado faz com que as partidas de Voidrun sejam repletas de observação e estratégia, quase como se fosse um puzzle. A quantidade de orbes é bem limitada, logo precisamos entender os padrões de ataque e movimentos dos inimigos para conseguir cercá-los. A movimentação de alguns tipos de oponentes pode ser induzida, o que permite mandá-los para armadilhas com as nossas bombas de vazio. No fim, para sobreviver, é essencial saber balancear nossos movimentos e agir corretamente de acordo com as situações. Dominar a mecânica de jogo é crucial, pois Voidrun tem muitos momentos complicados e difíceis.

Apreciei bastante a mecânica inventiva do jogo, no entanto ela não é livre de problemas. O detalhe que mais me irritou é o ritmo: no início do estágio a quantidade de orbes da nave é bem pequena, o que limita drasticamente as opções de ataque. Sendo assim, ao menos inicialmente, somos forçados a explodir partes do cenário e inimigos mais simples para aumentar a área de cercamento, e essas ações são repetitivas e desinteressantes. Outra questão tem a ver com alguns inimigos que apresentam padrões de movimento imprevisíveis ou muito mais ágeis que os da própria nave, o que resulta em mortes triviais, pois não conseguimos reagir a tempo. Mesmo assim, é divertido conseguir cercar os inimigos, por mais que as coisas ficam um pouco frustrantes quando a tela está tomada de perigos.


Um universo variado e com muito roxo

Boa parte da variedade do jogo aparece na forma de locais bem distintos. Em uma floresta tropical, o problema são arbustos que atrapalham a movimentação e visibilidade. Já num planeta repleto de lava o perigo é a alta temperatura que pode destruir a nave. No cinto de asteroides é difícil se movimentar por causa da presença de inúmeras rochas. Uma estação espacial abandonada com drones e outros robôs quase vira um bullet hell com muitos projéteis na tela. É interessante se adaptar aos perigos de cada planeta, eles exigem estratégias distintas.

Voidrun tem três modos de jogo que exploram as mecânicas de maneiras levemente diferentes. No Classic o objetivo é destruir quatro diferentes planetas, cada qual com três estágios. Um detalhe curioso é que no início da partida recebemos quatro melhorias aleatórias, como acelerar ao recuperar orbes ou escudo contra tiros, porém somos forçados a eliminar um deles ao concluir um estágio. Por causa disso, a jornada fica progressivamente mais difícil — mas também mais simples mecanicamente. Há naves para desbloquear, cada qual com habilidades iniciais pré-determinadas. O modo Arcade é focado em obter a maior pontuação possível. Nele, precisamos sobreviver a ondas de inimigos de dificuldade crescente com uma única vida. Já o Adventure nos convida a explorar o universo em um mapa, com direito a chefes e melhorias.


Por fim, um visual em pixel art charmoso e bem trabalhado monta a ambientação do jogo. Uma paleta de cores de tons de roxo dão uma atmosfera única, ao mesmo tempo em que traz um ar retrô ao título. Cada planeta passa personalidade com seus elementos, no entanto a perspectiva aérea nem sempre ajuda com a presença de alguns objetos que não é fácil discernir a altura — algumas vezes morri para inimigos que pareciam estar no chão, mas estavam voando.

Difícil e inventivo

Voidrun prende com sua interpretação diferente do gênero ao exigir cercar inimigos com bombas para atacar. É interessante dominar essa maneira única de atacar em estágios que exigem destreza, noção de espaço e estratégia. Há, também, variedade na forma de muitos estágios e modos de jogo. O ritmo de jogo é um pouco lento, e algumas ações e inimigos exigem mais agilidade do que a nave oferece, o que pode tornar as partidas um pouco frustrantes. No fim, Voidrun é para aqueles que gostam de uma experiência criativa e desafiadora.

Prós

  • Mecânica principal criativa e bem explorada;
  • Boa variedade de modos e estágios;
  • Atmosfera interessante construída com ótimo visual em pixel art.

Contras

  • O início dos estágios é lento e desinteressante;
  • Algumas situações e inimigos são difíceis de lidar por causa da falta de agilidade da nave;
  • A perspectiva visual da ação torna difícil identificar certos perigos.
Voidrun — PC — Nota: 7.0
Análise produzida com cópia digital cedida por Benjamin Soulé

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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