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Análise: No Man's Sky Next (Multi) deixa a exploração espacial finalmente incrível

Dois anos após seu lançamento conturbado, No Man’s Sky recebe uma atualização gratuita que muda a maior parte do jogo!

No Man’s Sky (Multi) foi lançado em 2016 e as polêmicas em volta do título duraram bastante. O principal problema foi a junção de hype imenso com promessas não cumpridas, o que gerou uma queda de popularidade absurda, chegando a levar muitos jogadores a pedirem reembolso pelo título algumas semanas após seu lançamento. Porém, mesmo com tudo moldado para abandonar o título, condenado ao esquecimento, a equipe da Hello Games não desistiu. Assim, com atualizações constantes, eles conseguiram aos poucos melhorar a experiência de jogo o suficiente, a ponto dele merecer uma nova análise.


E é assim que chegamos em No Man’s Sky Next, a atualização que foi chamada pela empresa de “a maior de todas as atualizações”. Após jogar por mais de uma dezena de horas a nova versão de No Man’s Sky, precisamos concordar com os desenvolvedores: Next praticamente reinventa tudo de No Man’s Sky, dede as mecânicas mais básicas até os recursos mais complexos, aumentando drasticamente a longevidade do título, com recursos online e muito mais detalhes do que são possíveis de serem citados em uma frase. Assim, segue então uma análise completa deste “antigo novo jogo” da Hello Games.


Começando do básico

Vale lembrar algumas coisas antes de falar das grandes mudanças do jogo. No Man’s Sky continua sendo um game de exploração e sobrevivência espacial. Sua principal inovação é expandir o conceito de “mundo aberto” para “universo aberto”, criando toda uma galáxia procedural com mais de 18 quintilhões de planeta a serem explorados. Porém, em 2016, não tínhamos exatamente muita coisa a ser feita nessa imensa galáxia. Agora, a coisa é diferente.

Isso porque, ao longo desses dois anos, a Hello Games trabalhou duro para melhorar cada vez mais a experiência dos jogadores ao explorarem os confins da galáxia de No Man’s Sky. Assim, duas novas missões de história foram introduzidas para serem combinadas com o objetivo “final” de alcançar o centro da galáxia. Além disso, novas mecânicas e ajustes foram surgindo em cada atualização, introduzindo a possibilidade de criar bases nos planetas, criar veículos terrestres, obter naves cargueiras gigantescas entre outras coisas.



Entretanto, tudo isso eram pontos soltos em um movimento que mais se assemelhava a uma peneira tentando tapar o sol. Porém, isso mudou completamente com a atualização batizada de Next. Aqui, todas essas atualizações foram reformuladas, bem como outros elementos do jogo que não tinham sido mexidos até então. Mesmo que, à primeira vista, Next aparente ter trazido somente o modo online e a câmera em terceira pessoa para o jogo, somente jogando é que a maior parte das mudanças podem ser observadas. A maioria, reformulações incríveis de mecânicas que tinham potencial, mas não eram devidamente aproveitadas.

Excelente variedade de mecânicas

Um dos principais defeitos da primeira versão de No Man’s Sky era a repetição. Em cerca de 10 horas de jogo era possível sentir a sensação de mesmice em praticamente tudo que era feito. Isso mudou drasticamente em Next. Desde o início da jornada, onde estamos em um planeta desconhecido com nossa nave quebrada, já é possível notar a diferença: aqui temos diversos elementos para serem coletados, e mais uma porção para manufaturar.



Essas manufaturas não são necessariamente uma mecânica avançada, visto que uma mudança drástica na coleta e confecção de itens foi introduzida no jogo: uma máquina para condensar elementos. Assim, metais preciosos viram material próprio para confecção de itens, assim como ferros podem ser melhorados, moléculas de carbono podem ser condensadas e muito mais. Se antes a coleta se baseava simplesmente em isótopos e metais, agora temos quase que a tabela periódica completa para utilizar em mais de uma centena de itens diferentes.

Fora isso, a própria arma coletora foi modificada. Se antes tínhamos um único feixe de energia que servia para coletar elementos e causar dano, agora nossa arma extratora é literalmente uma multiferramenta, como o nome sugere. Com um comando simples, podemos mudar entre coleta de elementos, destruição de terreno (possibilitando a mineração), construção de terreno (literalmente criando solo onde não havia) ou introduzir diversos tipos de armas primárias e secundárias, dependendo das melhorias que você fizer no equipamento.



O scanner também foi completamente reformulado, com dados verdadeiramente úteis para a exploração, como pontos de interesse próximos, zoom e a possibilidade de marcar pontos para os quais você deseja ir. Isso sem falar em sua função básica: a catalogação de animais, plantas e minerais dos planetas, que foi completamente reformulada e, agora, é muito  mais relevante para a obtenção de recursos naturais e unidades (o dinheiro básico do jogo). Ainda sobre o scanner, com ele é possível mapear fontes de recursos para descobrir elementos secundários que podem ser obtidos daquela fonte. Por exemplo, uma árvore que possui como matéria prima moléculas de carbono, caso seja catalogada, pode desbloquear a informação de que ela contém também moléculas de cloro, possibilitando sua coleta em conjunto com o primeiro elemento.

Todos esses detalhes somados modificam drasticamente a experiência de interagir com o ambiente ao seu redor. Se antes tudo era resumido em coletar e catalogar, agora temos nuances incríveis entre os dois e até mecânicas que combinam ambos. Junte isso aos veículos, bases e novos objetos que podem ser construídos em solo, como casas de madeira, no melhor estilo Ark: Survival Evolved (Multi) ou Conan Exiles (Multi), e temos aí já uma ótima jogatina em solo.


Planetas, luas, anéis e diversidade!

Ainda falando dos planetas, estes possuem uma boa variedade. Infelizmente, muitos biomas deixaram de ser tão comuns após a atualização NEXT, assim como outros, como os raríssimos Planetas Editados, se tornaram mais raros ainda, deixando os biomas um pouco menos variados do que antes. Porém, mesmo com menos biomas, a quantidade de conteúdo em cada um aumentou consideravelmente, deixando a exploração mais divertida.

Para começar, temos efeitos visuais bem melhores do que outrora, como nuvens fisicamente presentes (não só imagens vazias), vento, gravidade, efeitos climáticos como tempestades de neve e areia e outras aberrações climáticas. Entre essas, temos chuvas tóxicas, tempestades de água fervente, ventanias radioativas entre outras. Tudo deixando os ambientes mais ameaçadores e interessantes, elevando também o nível de desafio que cada planeta pode causar.



Fora isso, as construções que podem ser encontradas em cada planeta melhoraram em suas funcionalidades. Agora, pontos comerciais grandiosos podem ser encontrados, assim como estações menores, abrigos abandonados, pontos de comunicação, antenas de mapeamento, baús e containers abandonados, depósitos de elementos fortemente protegidos, estações trancadas com segredos, e o melhor acréscimo de todos: bases destruídas e contaminadas por uma espécie de predadores alienígenas. Estas deixam ovos que podem ser coletados e vendidos por grandes quantias de unidade, porém, por sua conta em risco.

Para completar o enriquecimento dos planetas, temos alguns excelentes acréscimos: o mapa dos planetas ficou mais realista, de modo que os formatos de continentes que você observa de fora do planeta são mantidos quando você entra na atmosfera. Junto a isso, temos os incríveis planetas com anéis, que mesmo sendo mais comuns do que o necessário, são um show à parte com incríveis variedades de anéis que causam um verdadeiro espetáculo no céu alienígena. Junte a isso luas interessantes e uma maior variedade de tamanho de planetas. Pronto, agora temos a variedade que queríamos para aguçar a curiosidade.


Espaço: a fronteira final

Notou que até agora só falamos da vivência dentro dos planetas? Pois é, isso porque a vivência no espaço aberto é ainda mais complexa de se narrar. Para começo de conversa, a possibilidade de usar uma câmera em terceira pessoa nas naves melhorou drasticamente seus comandos. Batalhar, desviar de objetos, explorar os confins do cosmos e fazer manobras audaciosas se tornou muito mais fácil, confortável e visualmente belo. Agora, é possível notar a diferença de peso e velocidade entre naves, assim como facilidades de se manobrar algumas.

Ainda falando rapidamente dos planetas, as naves também melhoraram sua interação com estes. Com layouts facilitados para pouso, possibilidade de destruir objetos do solo entre outras coisas mais. Lembra da melhoria gráfica? Ela também é observada nas naves, uma vez que detalhes como trens de pouso e movimentos de asas enquanto estamos voando são observados agora.



Porém, independente de qualquer coisa, é no espaço sideral que a experiência de No Man’s Sky Next  melhorou mais notoriamente. O universo está muito mais povoado do que outrora, com muitas naves cargueiras, frotas em combate, piratas, cruzadores, estações de comércio e possibilidades de interação. A mecânica de controlar um cargueiro, introduzida em atualizações passadas, merece um destaque à parte e falarei dela mais adiante. Agora, falaremos das possibilidades que o espaço garante.

Primeiramente, asteróides são um tipo de recurso muito mais útil agora. Além de prover elementos que servem de combustível para suas naves, os asteróides passaram a ser a fonte mais comum de metais preciosos como Prata e Ouro, os quais são raríssimos de se encontrar em um planeta.  Fora isso, as estações espaciais foram completamente modificadas, deixando-as muito mais povoadas e cheias de possibilidades de interação, como lojas diversas, portais para bases planetárias, missões, possibilidade de participar de alguma guilda e muito mais.



Por fim, junto a tudo isso, temos também a possibilidade de trocar ou comprar naves. Sim, finalmente é possível colecionar naves no jogo, algo que foi alvo de muitas críticas dos jogadores, que eram obrigados a abandonar sua nave antiga para obter uma nova. Tudo isso converge para as modificações feitas nas mecânicas dos cargueiros, das quais vamos falar agora.

Construindo uma frota estelar

As naves cargueiras não são uma novidade de Next. Porém, a maior parte dos recursos que temos agora para essas naves o são. Se antes as naves serviam basicamente de depósito para recursos e uma fonte de missões diferenciadas, agora podemos desenvolver e administrar uma verdadeira frota de naves com esses cargueiros. Primeiramente, o preço absurdo dessas naves foi nivelado com as naves individuais, assim, se antes gastaríamos 60 milhões de unidades para conseguir nosso primeiro cargueiro, agora o fazemos com cerca de 7 milhões (lembrando que este será bem menos potente, logicamente).



Ao adquirir nosso cargueiro começam as mudanças: podemos estabelecer uma base móvel dentro dele, com a maior parte dos elementos que podemos construir nas bases planetárias. Essa mecânica está incrível, possibilitando inclusive que editemos o interior do cargueiro, criando salas, galpões, corredores e muito mais. Entre essas salas, uma é especialmente importante: a sala de comando, da qual entramos em contato com outras naves, submissas ao nosso cargueiro. Essas modificações ainda não estão devidamente otimizadas, tendo assim alguns problemas de textura e compatibilidade entre alguma peças, mas nada que impeça a diversão.

Como comandantes de um cargueiro, podemos entrar em contato com naves menores (as chamadas fragatas) de outras frotas e contratá-las para a nossa própria frota. Cada contrato custa em média 2 milhões de créditos, que rapidamente retornam em formato de lucro, pois podemos enviar essas fragatas para missões em sistemas estelares próximos. Essas fragatas são divididas em classes como suporte, comercial e combate, além de respeitarem os ranks das naves individuais e cargueiros (C,B,A e S).



Essas naves podem ter problemas em suas missões, dependendo de seus níveis em comparação ao nível de dificuldade de cada missão. Assim, além de poder retornar com itens, dezenas de milhares de unidades e recursos raros, essas fragatas podem voltar de um combate mal sucedido e necessitando de reparos, ou então nem voltar. É aí que está um dos detalhes mais incríveis dessa mecânica: o capitão de uma fragata danificada pedirá sua ajuda para consertá-la e, assim, você precisará atracar nessas fragatas com sua nave individual, explorando-a para fazer os reparos necessários. 

A imersão que esses elementos trazem, além da variedade de aventuras possíveis, é, no mínimo, incrível. Finalmente temos combates excitantes, um sistema de comércio digno e variações consideráveis para manter os jogadores presos por bastante tempo em No Man’s Sky, seja individual ou coletivamente.


Seu personagem muito mais relevante

Após diversas atualizações, foi estabelecido que nossos personagens fazem parte de uma quarta raça que povoa a galáxia juntamente com as três já conhecidas: Korvax, Vy’keens e Geks. Porém, em Next, isso ficou um pouco vago, uma vez que podemos ser tanto Travellers como também qualquer uma das outras três raças, bastando para isso entrar na hora que quisermos em um mecanismo que modifica nossa aparência.

Isso para as partidas online é estupendo, além de possibilitar um nível de customização bem completo, com várias opções de roupas, modelos de rosto e cores, tudo bem exótico e alienígena. O único ponto negativo aqui é que essas modificações são exclusivamente estéticas, não influenciando em nada sua relação com as facções ou então as respostas que os alienígenas NPCs lhe dão ao longo da jornada.



Mesmo assim, a câmera em terceira pessoa, somada com essa gama bem extensa de possibilidades de edição, tornam o jogo ainda mais divertido. Jogar no corpo de um simpático Gek ou então de um poderoso Vy’keen poderia surtir diferenças na jogabilidade, mas só de podermos escolher quem nós somos já é um ganho e tanto para a jornada.

Um exemplo a ser seguido

Atualmente, muitos são os lançamentos de jogos que acabam se tornando conturbados por conta de promessas não cumpridas ou expectativas que acabam não sendo alcançadas. Assim, outro movimento tem se tornado cada vez mais padrão na indústria de games: as atualizações. E por que não utilizar esse recurso como forma de resolver os problemas de lançamento? 



A Hello Games pode não ter entrado para a história com No Man’s Sky, mas provou que tem valor com a insistência em torná-lo um bom jogo. A verdade é que a maior parte das empresas nessa mesma situação lançariam um novo jogo, ou então, com tantas modificações feitas, lançariam um “No Man’s Sky 2”, com nova história e as mecânicas certas, tal como a Ubisoft fez com Watch Dogs (Multi). Com o intuito de se desculpar com os jogadores, a Hello Games fez o oposto disso: exerceu um árduo trabalho nos últimos dois anos para levar atualizações totalmente gratuitas ao game, e não necessariamente elas pararão em Next.

Claro que isso não é algo tão glorioso assim; na verdade, eles fizeram a obrigação após suas falhas terríveis no lançamento em 2016. Além disso, ainda existem falhas de otimização, como quedas de frames e bugs de contato físico com objetos. Porém, a atitude de realmente insistir em corrigir seus erros e de se desculpar com os fãs é notória. 



Agora, podemos dizer com toda a certeza que No Man’s Sky é um bom jogo. Claro que ainda possui problemas de variedade de biomas e bugs a serem corrigidos, mas a Hello Games já mostrou que tudo pode ser corrigido com o tempo e que o game, mesmo com opções single player (e agora multiplayer), pode se transformar tanto quanto um jogo online para multidões. Que No Man’s Sky sirva de exemplo numa indústria que cada vez mais possui jogos descartados rapidamente por suas desenvolvedoras.

Prós

  • Câmera em terceira pessoa agrega ao gameplay;
  • Controles mais fluidos, principalmente nas naves;
  • Maior variedade de construções planetárias;
  • Sistema de elementos totalmente reformulada melhora a experiência;
  • Mais motivação para explorar planetas e sistemas;
  • Scanner muito mais valorizado na jogabilidade;
  • Quantidade de elementos disponíveis agrega complexidade ao jogo;
  • Quantidade de NPCs melhorou drasticamente;
  • Multiplayer online aumenta bastante a longevidade do título;
  • Várias missões de várias fontes diferentes evitam monotonia;
  • Mecânica de frota estelar é um dos pontos altos do jogo;
  • Visual melhorado e bem mais detalhado;
  • Atualizações completamente gratuitas.

Contras

  • Alguns bugs a serem corrigidos;
  • Biomas não tão diversificados como antes;
  • Mudanças de aparência são somente estéticas;
  • Quedas bruscas na taxa de frames às vezes;
  • Planetas com anéis se tornaram comuns demais.

No Man’s Sky Next - PC/PS4/XBO - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Renata Bottiglia
Análise feita com cópia física adquirida por conta do redator
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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