Crônica

No Man's Sky (PC/PS4): a minha jornada rumo ao centro da galáxia

Diário de bordo, data estelar 2016.08-2. Essas são as viagens de um aventureiro em No Man’s Sky, indo onde nenhum Atlas jamais esteve.

No Man’s Sky (PC/PS4) é o jogo independente produzido pela Hello Games que estava sendo aguardado há anos. Sua proposta revolucionária? Aumentar o conceito de Mundo Aberto para Universo Aberto. Mesmo com todos os defeitos do jogo, isso ele conseguiu. E nunca antes um jogo de exploração e sandbox conseguiu um universo tão vasto para se explorar, seja ele com padrões detectáveis ou não.


E uma coisa é certa, mesmo que padrões sejam encontrados na tecnologia de geração procedural do jogo, cada jogador que começar sua aventura de exploração espacial terá histórias diferentes pra contar. Cada escolha, cada novo sistema que se encara, cada planeta que decide ou não explorar, naves que decide ou não comprar e escolhas de interação com formas de vida inteligentes. Tudo isso conseguiu ao seu modo tornar a vivência do jogo uma coisa bastante particular. Por isso, resolvi relatar aqui algumas das minhas aventuras até chegar ao centro da galáxia, o objetivo mais “linear” que o jogo possui.
Este texto possui spoilers do “modo história” de No Man’s Sky

As primeiras horas consertando a nave 

A maioria que procurou saber do jogo já sabe que você começa a jogatina após a queda da sua nave em um planeta desconhecido. Seu objetivo inicial é coletar determinados elementos para consertá-la e poder voltar para sua exploração. Porém, logo ao lado da sua nave, um estranho mecanismo está flutuando e lhe pergunta se você gostaria de ser guiado pelo Atlas, uma entidade até então desconhecida, ou se gostaria de seguir seu próprio rumo. Como não sabia ainda o que fazer com a grandiosidade daquele universo, achei melhor seguir esse tal de Atlas.

Tudo no início é suficientemente explicado e só o andar mais vagaroso do nosso personagem que me causou um estranhamento, mas que logo me acostumei. O planeta no qual eu estava tinha algumas boas semelhanças com a Terra, com ar adequado, alguns poucos animais terrestres (todos pacíficos) e vários animais voadores. Plantas eram muito mais frequentes do que animais e estas me garantiam a coleta necessária de Zinco para que eu consertasse minha nave.


O problema todo era que, além do Zinco, eu também precisava de um elemento chamado Heridium. Já vi em muitos gameplays na internet que os pilares de Heridium são facilmente encontrados próximos a sua nave no início do jogo, além de também ter encontrado vários deles ao longo dos planetas que explorei posteriormente. O problema é que ali, não havia um mísero Heridium por perto. O que me restou foi andar mais de 10 minutos até encontrar um desses grandiosos pilares do elemento azul. Depois de dar graças e enviar todo o material para a nave, voltei na minha caminhada até o ponto onde minha nave caíra.

Não me preocupei tanto em catalogar espécies nesse início de jogo, mas foi muito bonito observar inicialmente aquela variedade de elementos: plantas semelhantes às nossas árvores, vegetais rasteiros, seres voadores que lembravam pterodátilos, morcegos e pássaros, estalagmites de plutônio vermelhas como rubis e, claro, grandes planícies. Quando finalmente cheguei à nave, consertei tudo, entrei nela e parti para o infinito e além. Com o auxílio do tal Atlas, cheguei à grandiosa estação espacial na órbita do planeta. A sensação foi incrível, vendo que toda uma história estava prestes a começar!



Rumo a outro sistema solar?

Após explorar toda a estação, pelo menos tudo o que eu podia explorar, entrei novamente na minha nave e saí em busca de novos mundos. Aquele sistema tinha apenas dois planetas, aquele do qual eu tinha vindo e mais um, que resolvi ir em busca de novidades. Lá encontrei o exato oposto do mundo no qual estava antes: rochas escuras, um céu negro, pouca flora e mais nada. Mas ainda sim era uma paisagem interessante de se observar. Passei algum tempo viajando entre ele e o planeta o qual batizei de Genesis I, onde comecei a aventura.

Em uma dessas viagens interplanetárias, o esperado aconteceu: meu combustível acabou. O material necessário era o Thamium7, o qual eu não tinha reparado a existência até então. Foi aí que entendi, na sorte, a importância de se passear às vezes na órbita dos planetas. Os diversos asteróides que flutuam entre os grandes astros são repletos desse elemento. Além também de me garantirem Irídio, Ouro e Cobre em algumas explorações de sorte. O único problema é que as armas da nave espacial são muito destrutívas se comparadas com a sua Multi tool, então eu não conseguia coletar tanto desses materiais quanto eu coletava dentro dos planetas, mesmo alguns meteoros sendo imensos.


Não demorou muito para eu aprender sobre os dois motores da minha nave e finalmente conseguir uma célula de combustível para a velocidade de dobra. Me senti em um episódio de Star Trek fazendo isso! Então seguindo os comandos do Atlas, entrei pela primeira vez no mapa da galáxia e, leitores, aquilo foi absurdo! Pela primeira vez vi o tamanho do universo no qual eu estava e aceitei, com pesar, que jamais conseguiria ver 100% dele na minha vida. Não se trata de pensamento negativo, mas de fato esse é o primeiro jogo matemáticamente impossível de se fazer isso.

Uma linha semelhante a uma constelação me guiava até um lugar longíncuo. Então cliquei na estrela mais próxima na ordem dessa linha e nela vi a opção de salto. Não pensei duas vezes e fui. Ali, mais uma vez minha alma amante de ficção científica pulou dentro de mim ao ver minha nave entrando no hiperespaço pela primeira vez, indo em direção a um novo sistema.


O melhor sistema planetário de todos!

Minhas primeiras explorações foram estonteantes. Encontrei um sistema em específico que se tornou rapidamente o meu favorito. Um dos planetas, com uma lua, chamei de Amazônia. Acho que o nome é bem autoexplicativo: uma enorme massa verde, repleta de grandes árvores e mato na altura da cintura. Grandes animais herbívoros e caçadores que andavam em grupo. Nesse planeta, pela primeira vez, achei grandes pilares repletos de Alumínio. Aquelas torres prateadas só somavam mais ainda um ar fantástico àquela paisagem quase jurássica. 

Na lua de Amazônia, eu não consegui ficar muito tempo. O motivo é bastante fácil de explicar: Sentinelas absurdamente hostis, que me caçavam só de eu coletar um mísero plutônio no planeta; some a isso uma atmosfera com altíssimo nível de toxicidade e combine com uma coleção de fauna toda pronta para me devorar vivo. A lua era escura e com materiais interessantes, talvez para testar a ganância do aventureiro. Mas esse aventureiro aqui na época mal tinha uma Multi tool decente, então bastou cinco minutos ali para que eu decidisse conhecer outro lugar. Mas claro, peguei uma grande pérola dourada antes de ir. Isso garantiu que eu conhecesse pela primeira vez a sentinela nível 2, uma máquina quadrúpede com um laser de longo alcance que não é nada legal, principalmente quando você rouba um item raro do planeta/lua que você está. O nome da lua? Tão alto explicativo quanto o do planeta: SINISTRO.


Por fim cheguei ao terceiro astro desse sistema incrível. Um planeta avermelhado que em muitas coisas me lembrou Marte. O planeta rochoso possuía nível de radiação bastante alto, cerca de 10 rads (o normal é 0). Mas nada impossível de se explorar. Quantidades incríveis de Emeril, Ouro e Plutônio eram facilmente encontradas, então não pensei duas vezes e comecei a coletar. Passado algum tempo minha roupa me enviou o aviso: “Cuidado: Variação climática eminente”. Ignorei e continuei minha saudável coleta de minerais. Mal sabia eu que o que estava vindo não era uma chuvinha, mas sim uma tempestade de calor que fez a temperatura subir dos 40 para 300 °C. Tudo na minha visão ficou vermelho, minha defesa térmica foi evaporada em alguns segundos e o escudo básico da minha armadura foi descendo cada vez mais rápido. Larguei tudo e corri o mais rápido que eu pude na direção da nave, sempre acompanhando a porcentagem de defesa da roupa que caía como nunca antes. Entrei na nave e fui em direção à estação espacial do sistema, para vender tudo que havia coletado. E aquele planeta, batizei carinhosamente de Inferno 300°.

Descobertas, furtos e sentinelas vorazes

Por fim, após quase conhecer 100% desses planetas, resolvi continuar o caminho que Atlas me indicou, dando continuidade a minha jornada. Com bastante combustível para viagens intersistemas, comecei a avançar mais rápido, pulando alguns planetas que apenas julgava pela capa, pois queria conhecer logo a tão falada entidade Atlas. Entretanto, minha ganância falou mais alto, pois a cada estação espacial que eu parava, mais fantásticas ficavam as naves que eu via. E como eu havia trocado de nave apenas duas vezes, sem muita diferença de slots de uma para a outra, queria mais.

Parei em um planeta rico em montanhas e cavernas que chamei de Vida de Inseto, pois todos os seus habitantes eram insectóides. Lá comecei a minerar Ouro e Heridium o suficiente para comprar minha tão sonhada nave nova. Em uma das minhas explorações, encontrei algo que até então não tinha visto. De longe pensei ser mais uma base avançada no planeta, mas na verdade era um depósito de Platina. A única opção que eu tinha ali era destruir os tanques para coletar o material. Mudei minha arma para o modo de combate e assim eu fiz.


Nunca enfrentei tantas sentinelas em conjunto. Chegou a ser divertido, além do fato de notar que o universo estava ficando um pouco menos ameaçador pra mim, pois as sentinelas não me colocavam mais medo. Ao esvaziar todos os tanques de platina, ainda me meti a besta de pegar pérolas douradas que, por sorte, aquele planeta também tinha. Nem as sentinelas quadrúpedes foram o suficiente para me parar ali, me senti o guerreiro desbravador do espaço nessa ocasião. Depois de entupir minha nave e minha bagagem de materiais, entrei na minha nave e zarpei para fora do planeta. Mas as sentinelas não pararam. 

Na órbita do planeta eu conheci um novo tipo de sentinela, as naves patrulheiras. Duas delas me interceptaram e começaram a me atacar. Tentei desviar o máximo possível dos tiros, mas notei que meu mecanismo de hiperespaço estava travado por conta da proximidade das duas naves. Eu só tinha uma escolha: lutar. Virei contra elas e comecei a trocar tiros, uma rapidamente caiu mas a outra conseguiu tirar todo o escudo da minha nave. Num mergulho mortal, indo de frente para a sentinela, soltei tudo o que eu tinha torcendo para não morrer. No instante final, ela explodiu ante de mim, e eu, sem ar, fui o mais rápido possível para a estação espacial para consertar a minha nave e me livrar dos espólios da batalha.


Enfim o Atlas

Vendendo tudo e somando com a quantia que eu já tinha, consegui cerca de 2 milhões de créditos ao todo. Com isso consegui comprar uma nave nova que não era excelente como algumas que eu vi por algumas estações espaciais, mas era suficientemente melhor do que a minha anterior, além de ter um charme peculiar que me atraiu bastante. Me lembrava as naves do universo de Dragon Ball, curti muito isso. 

Avançando por cerca de 12 sistemas planetários, finalmente avistei um sistema sinalizado como “Atlas”. Nem olhei para trás, juntei todo o combustível que eu podia e fui reto em direção àquele sistema. Quando saí do hiperespaço, fiquei deslumbrado. O mecanismo do Atlas, sua base, ou seja lá o que aquela coisa seja, era muito maior do que uma simples estação espacial. Um octaedro negro colossal com uma luz vermelha quase no centro. Fui na direção da base maravilhado, como um inseto atraído pela luz. Ao chegar próximo da luz vermelha, descobri que esta era uma porta, a qual se abriu para que eu entrasse na base.


O interior do octaedro era mais espetacular ainda. Todo de vidro, com elementos longíncuos dentro da base os quais eu não tinha acesso. No centro, no final do único caminho disponível para mim, havia uma enorme esfera vermelha maleável que se mantinha flutuando e variando de forma, lembrando uma espécie de plasma. Cada passo que eu dava, coisas acendiam e flutuavam ao meu redor, achei aquilo espetacular. Então conversei com a esfera e descobri mais sobre o famoso Atlas, a entidade que, segundo o texto, havia criado toda a galáxia e estava dividida em várias partes espalhadas por ela.

Ao terminar meu diálogo, um novo sinal do atlas foi indicado no meu mapa e recebi uma pedra vermelha e duas células de combustível, para me ajudar a viajar entre os sistemas planetários. Contemplei mais um pouco aquele lugar incrível e então me obriguei a entrar novamente na nave e pular para o hiperespaço sem nem sequer olhar aqueles planetas que ali estavam.

Rumo ao centro da galáxia

No próximo sistema planetário que eu cheguei, ainda rumo ao próximo Atlas, encontrei um marcador no mapa chamado: “anomalia detectada”. Nunca tinha visto um marcador daqueles, por isso minha curiosidade foi mais forte, como sempre. Chegando ao local indicado, uma esfera gigantesca aparentemente de bronze flutuava no espaço sideral. Ela possuía um tipo de engrenagem que cobria algumas partes dela e no meio um dispositivo que se abriu para eu entrar. Com certeza aquilo não era outro Atlas.


Dentro da esfera que eu descobri ser oca, uma enorme porta circular se abriu para mim. Dentro dela estavam alguns membros de duas das grandes raças inteligentes da galáxia. Eles mexiam em um computador estranho e conversavam entre eles. Um dos dois, aparentemente um clérigo de sua civilização por conta das suas roupas, me deu três opções: me indicar o caminho para o centro da galáxia, me enviar para o próximo Atlas ou então me dar vasto conhecimento sobre a galáxia. Como já sabia onde estaria o próximo Atlas, me atraí mais pela opção de conhecer o centro da galáxia.

Para aumentar minha curiosidade, o caminho para o centro possuía um marcador de um buraco negro há “apenas” quatro sistemas dali, e eu tinha combustível o suficiente para ir até lá direto. Mas antes de sair daquela base, conversei com a outra forma de vida. Ainda bem que o fiz, pois ele me deu o Atlas Pass V1, que me dava acesso a uma sala extra das estações espaciais e me permitia revistar determinados containers na superfície dos planetas. Após essa experiência maluca, entrei na nave e novamente ignorei os planetas do sistema, indo direto ao meu tão sonhado objetivo.


O grande buraco negro

Para os mais antenados em ficção científica e afins, não é novidade que o centro da maioria das galáxias possui um grande buraco negro. Dessa forma, pensei que em  No Man’s Sky não seria diferente. O sistema o qual havia acabado de chegar, dessa forma, possuía planetas sim, mas além disso apresentava uma imensa singularidade que distorce um pouco nossa percepção de proximidade das coisas. Após essa sucessão incrível de eventos, eu já estava ansiosíssimo para ver o que tinha naquele sistema. 

Para inicio de conversa, passei na estação espacial e, mais uma vez, vi outra nave incrível que me deixou babando. Adoro a minha nave, mas pelo amor do Atlas, um dia ainda terei uma gigante dessas…


Mas enfim, fora meus devaneios, passei em um dos planetas e lá explorei um pouco. Ainda tive tempo de tirar uma foto rápida da minha nave com a paisagem do lugar. Mas meu foco não estava em explorar planetas ali. Eu já tinha passado por mais de 30 planetas na minha aventura, mas por nenhum buraco negro. Então entrei na minha nave e subi aos céus. Meu voo de hiperespaço foi curto, poi a gravidade do buraco negro me brecou. 

Olhando para o buraco negro, notei que era difícil definir o tamanho do seu horizonte de eventos, isso porque a esfera negra parecia estar na minha pupila e não em um lugar no espaço a frente, muito difícil de descrever. Mas criei coragem e acelerei a nave, ultrapassando o horizonte de eventos e enfim caindo no buraco. Para a minha surpresa, eu fui jogado no hiperespaço, mas não o hiperespaço que eu estava acostumado em minha nave, tudo era diferente.


Para o meu espanto, fui parar em outro sistema planetário, a 700 mil anos-luz de distância do centro da galáxia. O que me mostrou que a galáxia de No Man’s Sky é no mínimo 7 vezes maior que a nossa Via Láctea, pois esta possui 100 mil anos-luz de raio. Enfim eu tinha passado pelo buraco negro. Mas agora estava tão longe do próximo Atlas como nunca antes. Havia muito a fazer ainda e a jornada ia continuar.



Revisão: Luigi Santana
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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