O segundo passe de temporada de
Fatal Fury: City of the Wolves
finalmente chega ao seu último representante. Enquanto os cinco primeiros
meses do ano nos trouxeram
Kim Jae Hoon,
Nightmare Geese,
Blue Mary,
Wolfgang Krauser
e
Mr. Karate, junho chega para encerrar o pacote com ninguém menos do que
Kenshiro, o protagonista de Hokuto no Ken, que surge como um lutador
convidado do game. Assim, o GameBlast também surge uma última vez (ao menos
nesta season) para a nossa cobertura mensal ao poder realizar um texto
antecipado do personagem em questão.
Trazendo o amor de volta a South Town
Originalmente escrito por Buronson e ilustrado por Tetsuo Hara, o mangá de
Hokuto no Ken começou a ser publicado na Shounen Jump em 1983 e logo se tornou
um dos títulos mais importantes na revista, que, naquele momento, também logo
iria dar espaço a Saint Seiya e Dragon Ball.
Ambientado em um mundo devastado por uma guerra nuclear e claramente inspirado
por Mad Max e outros filmes de brucutu que estavam em alta na década, a série
tem como protagonista o artista marcial conhecido como Kenshiro, o
mestre-herdeiro da arte marcial assassina conhecida como Hokuto Shinken —
traduzido livremente como Punho Divino da Ursa Maior —, em sua jornada de
autodescoberta em terras pós-apocalípticas marcadas por disputas territoriais
regidas pela força de outros lutadores e estilos igualmente poderosos.
Adicionalmente, é sempre bom reforçar que, ainda que seja lembrado
principalmente por sua violência estilizada, Hokuto no Ken tem no amor seu
principal eixo temático: as ações de Kenshiro são constantemente guiadas pelos
sentimentos que nutre pela sua amada donzela Yuria, ideia reforçada até mesmo
pela clássica abertura Ai wo Torimodose!! ("Traga o Amor de Volta").
Ao longo de suas quatro décadas de existência, Kenshiro se consolidou como um
dos principais protagonistas da demografia shounen, recebendo diversas
adaptações e obras derivadas, como séries de anime, OVAs, filmes e jogos. Em
2026, a marca voltou aos holofotes com um remake animado fiel ao mangá, cujo
fim da primeira temporada coincide com o lançamento do personagem em Fatal
Fury: City of the Wolves, em uma jogada claramente coordenada, mas bastante
oportuna para ambos os lados.
Tendo toda essa mística em vista, o jogo não fez feio em seu trabalho de
adaptação do Hokuto Shinken dentro do próprio sistema de gameplay. A lendária
arte marcial de Kenshiro, conhecida por atingir pontos de pressão capazes de
incapacitar ou eliminar seus oponentes com golpes precisos, foi contemplada de
uma maneira bastante sagaz pela SNK, que prezou pela incorporação de certas
mecânicas focais que tornam o lutador bastante único dentro do elenco.
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| Que era para os jogos de luta é essa que estamos, hein? |
Na prática, isso se traduz em um personagem voltado para pressão constante a
curta distância. O básico de sua rotina de jogo se sustenta em manter o
adversário sob ataques constantes, forçando erros através de combinações
longas e sustentando boa parte de seu plano de jogo no sistema REV, que ele
utiliza de forma única.
Essa dependência se deve porque, ao executar os golpes aprimorados pela
mecânica em questão, os pontos de pressão do oponente serão ativados — um
estado temporário representado por um brilho azul e pequenas estrelas
dispostas no formato da constelação da Ursa Maior. Enquanto essa condição
estiver ativa, o adversário fica mais vulnerável a mix-ups, confirmações de combo e extensões de dano.
Isso significa que até mesmo seu golpe REV mais simples se aproveita dessa
propriedade, infringindo tal condição específica de vulnerabilidade. Para
complementar, se os pontos de pressão do inimigo já estiverem ativados, esse
segundo impacto arremessa o oponente contra a parede, permitindo prolongar a
punição com novos golpes. A partir daí, embora possua ferramentas
diretas e objetivas para penetrar a defesa adversária, como o Hokuto
Hundred-Kick Rush, o restante de seu arsenal oferece diversas opções para
manter a iniciativa durante toda a partida.
O Finger Snap of Emptiness, por exemplo, funciona como sua principal
investida. Além de avançar rapidamente sobre o oponente, o golpe pode ser
cancelado antes da conclusão, confundindo a defesa inimiga. Sua forma básica
permite o bloqueio, o que possibilita a fomentação de frame traps e a
continuidade da pressão de forma segura. A versão fortalecida, entretanto,
atravessa o adversário, fazendo Kenshiro surgir imediatamente às suas costas
para novas oportunidades ofensivas.
Já o Hokuto Soaring Split Kick ocupa a função de antiaéreo. O movimento é a
principal resposta contra adversários que abusam de saltos, especialmente em
sua versão aprimorada, que conta com quadros de invencibilidade contra ataques
aéreos.
Ken também dispõe de recursos para neutralizar projéteis. O Extreme Airflow é
essencialmente uma esquiva sem poder ofensivo e anula os projéteis inimigos,
sendo que a versão REV também é capaz de refleti-los. Já o Two-Fingered
Intercept faz com que Kenshiro segure o projétil com apenas dois dedos e o
devolve em alta velocidade. A versão aprimorada, por sua vez, consegue
inclusive refletir REV Arts, além de ativar os pontos de pressão do oponente,
caso o contra-ataque seja bem-sucedido.
Por fim, Celestial Destruction sintetiza a proposta ofensiva do personagem. O
especial libera uma explosão de energia em forma da constelação da Ursa Maior
e pode ser seguido por golpes adicionais, dependendo da versão utilizada.
Enquanto a variante fraca permite confirmações simples a partir de ataques
leves, as versões aprimoradas e REV abrem uma janela para um golpe de
perseguição que aumenta significativamente o dano. Mesmo quando defendido,
porém, o movimento continua sendo vantajoso para Kenshiro, deixando-o em
vantagem de quadros e permitindo que a pressão continue imediatamente após o
bloqueio.
No geral, transmite a sensação de que a SNK priorizou a fidelidade ao
personagem acima de qualquer outra preocupação. Sua mecânica exclusiva de
ativação dos pontos de pressão, profundamente integrada ao sistema REV, faz
com que o convidado tenha uma identidade bastante distinta do restante do
elenco e, em alguns momentos, até parece destoar das regras convencionais do
jogo.
Apesar de apresentar um kit bastante promissor, nem tudo é impecável na
transposição de Kenshiro para o universo de Fatal Fury. O modelo
tridimensional do personagem apresenta uma modelagem um pouco estranha durante
determinadas animações — reforçando que esta era uma versão preliminar
disponibilizada para testes, podendo mudar no lançamento final —, enquanto o
trabalho de dublagem e localização fica bem aquém do esperado, especialmente
quando comparado ao material original em japonês, que transmite muito mais
impacto e personalidade aos golpes e falas do sucessor do Hokuto Shinken.
Como de costume, vale ressaltar que estas impressões foram produzidas
exclusivamente a partir de sessões off-line, limitadas aos modos Treino e
Versus contra a CPU, sem qualquer contato com partidas online ou outros modos
até o momento — exatamente como ocorreu nas prévias anteriores desta
cobertura. Adicionalmente, a viabilidade real de toda nova inclusão acaba
sendo determinada pela forma com que lida com o ambiente competitivo, embora
já seja possível especular de acordo com as decisões da própria desenvolvedora
na concepção do lutador.
Fatal Fury já está morto?
Com a chegada de Kenshiro em junho, o segundo Passe de Temporada de Fatal
Fury: City of the Wolves chega ao fim após seis meses consecutivos de
atualizações. Ainda assim, tudo indica que a jornada do game ainda vai durar
mais um pouco, uma vez que a própria SNK já insinuou que um terceiro Season
Pass está nos planos, sinalizando que novos lutadores deverão reforçar o
elenco nos próximos meses.
Revisão: Beatriz Castro
Texto de impressões produzido com versão de teste para PC cedida pela SNK










